A Urinoterapia

Ciência, filosofia de vida ou ato religioso?

Por João Flavio Martinez

Segundo a Bíblia, devemos ser bons observadores (1Ts 5.21). Recentemente tive o privilégio de seguir à risca esse conselho bíblico quando, no dia 18 de setembro, assistia a uma reportagem num programa de televisão. Fiquei surpreso com o tema em pauta: A “urinoterapia”. Curioso, minha atenção por aquele assunto se redobrou. Entre os entrevistados, duas pessoas adeptas dessa prática e uma nutricionista expuseram suas opiniões. Em meio à entrevista, um internauta fez a seguinte pergunta: “Por que Deus não colocou o órgão genital masculino no lugar do nariz, pois seria mais fácil para a ingestão da urina?” (risos na platéia). A resposta de um dos entrevistados me abalroou, pois ele afirmou categoricamente que a urina era “a água da vida” e que Deus teria mandado ingerir a nossa própria urina. E acrescentou, ainda, que tal impropério estava escrito na Bíblia. Diante de tudo que estava assistindo e ouvindo, pude notar um tom um tanto religioso e místico, o que me despertou maior interesse pelo tema. Frases como “beba com fé”, “acredite”, “é a água da vida”, “só funciona para quem acredita...”, deixaram bem claro que essa terapia tinha um caráter mais religioso do que clínico e científico. Na procura por sites sobre o tema fiquei surpreso com a abundância de informações que encontrei. Por isso estou a minutar sucintamente sobre este assunto, abordando o seu lado científico e religioso.

A seguir, algumas informações favoráveis e contrárias a respeito que encontramos na internet.

“No ‘Damar Tantra’, constituído de 107 versos, na parte correspondente ao ‘Anushtup shnadas’, fala-se que, na medida em que se bebe a própria urina - austeridade denominada de ‘Shivambu-kalpa’, vai-se adquirindo qualidades místicas como poder, força física e espiritual. Entre as práticas do renunciante encontram-se, também, menções ao ato de comer as próprias fezes” (hinduísmo) (www.geocities.com/hotsprings/villa/6391/temperos.html).

“A urinoterapia é uma das técnicas terapêuticas mais antigas e populares usadas por várias culturas através dos tempos. Era amplamente usada na Índia, Tibete, Egito e Grécia Antiga, e nas civilizações asteca, inca e maia. Ainda hoje é usada como procedimento terapêutico respeitável na Nicarágua, Arábia e Alasca, para combater males físicos. No Brasil, particularmente em áreas carentes de recursos, como no Nordeste e em várias outras regiões do país, a tradição popular recomenda a aplicação de urina de crianças nos casos de doenças de pele, urticárias e queimaduras por venenos de animais, como taturanas e águas-vivas... A urina é um produto puro do sangue e não um amontoado de elementos tóxicos diminutos, além de ser um excelente medicamento natural que o organismo humano produz gratuitamente. Sua composição é de 96% de água e 4% de elementos orgânicos e inorgânicos” (http://www.entreamigos.com.br/menu.htm).

“... Quando havia alguém gripado, nos ensinaram a tomar urina em jejum - esse era nosso remédio normal. Gripou, não se precisava perguntar o que tomar. A gente sabia que índio pode sofrer qualquer tipo de doença, menos gripe. Porque a gripe neles leva à tuberculose no mesmo dia. Eles tinham muito medo. Se soubessem que alguém estava gripado, não se aproximavam. Tomavam muitos cuidados. Qualquer espirro, eles tomavam urina e mandavam qualquer pessoa tomar urina. Para poder evitar, era dito: ‘quem toma urina quando está gripado, a doença não prossegue... ela já vai cortando’. Quando ficava com falta de ar, a criança tomava urina. Aí expectorava. Quando a criança tossia, o catarro soltava. Vinha aquele catarro amarelo pra fora e não acumulava” (http://www.vegetarianismo.com.br/index.htm).

Dos casos citados, abordaremos primeiro a questão patológica do assunto, ou seja, veremos se realmente a urina tem algum poder terapêutico na opinião médica. A informação que segue é de um site especializado no assunto.

Opinião médica

Urina – A urina é composta de aproximadamente 95% de água. Os principais excretos da urina humana são: a uréia, o cloreto de sódio e o ácido úrico.

O sistema urinário – A eliminação da urina é feita através do sistema urinário. Os órgãos que compõem o sistema urinário são os rins e as vias urinárias.

As vias urinárias compreendem o ureter, a bexiga e a uretra. Os mesmos tecidos que recebem do sangue as substâncias nutritivas abandonam no sangue aqueles compostos químicos tóxicos que neles se formam como resultado do complexo fenômeno da nutrição. “Tais substâncias são danosas e devem ser eliminadas para não intoxicar o organismo e pôr a vida em perigo”. A maior parte desses produtos é eliminada por trabalho do aparelho urinário; apenas uma parte mínima é excluída pelas glândulas sudoríparas mediante o suor. A tarefa do aparelho urinário é separar do sangue as substâncias nocivas e eliminá-las sob a forma de urina. O aparelho urinário é composto dos rins, que filtram o sangue. Os rins são os verdadeiros órgãos ativos no trabalho de seleção das substâncias de rejeição. Esse “trabalho” conta com o apoio dos bacinetes renais com os respectivos ureteres para conduzirem a urina até a bexiga. A bexiga é o reservatório da urina. A uretra é o canal através do qual a urina é conduzida para fora. Juntamente com as substâncias de rejeição, o aparelho urinário também filtra e elimina água.

Essa eliminação de água é necessária seja porque as substâncias de rejeição estão dissolvidas no plasma, que é constituído, na sua maior parte, de água, seja porque também a quantidade de água presente no sangue e nos tecidos deve ser mantida constante. A água entra na composição de todos os tecidos e da substância intercelular (que enche os espaços entre as células). Ela (a água) é o constituinte universal de todos os “humores” do organismo e tem a tarefa essencial de servir de “solvente” de todas as substâncias fisiologicamente ativas. A água entra no organismo com os alimentos e as bebidas. Em parte se forma no próprio organismo por efeito das reações químicas que aí têm lugar. Depois de ter realizado as suas importantes funções, a água deve ser eliminada: como antes tinha servido de veículo às substâncias nutritivas, agora serve de veículo às substâncias de rejeição.

Acreditamos que a explicação clínica acima é mais do que suficiente para compreendermos que a urina não é excluída à toa de nosso organismo, mas esse fato ocorre por ela não ser mais útil ao mesmo. Entretanto, essas desavenças estão bem resolvidas nos níveis da medicina que, por si só, é mais que auto-suficiente para provar os devidos fatos.

Nossa ótica agora se volta para o lado religioso da questão, pois um dos adeptos desse movimento afirmou que a urina é a “água da vida” e que Deus, através da Bíblia, mandou que o homem ingerisse sua própria urina. Mas será que isso tem fundamento? Seria a “urinoterapia” uma prática bíblica?

A água da vida é a urina?

“Respondeu-lhe Jesus: Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem é o que te diz: dá-me de beber, tu lhe terias pedido e ele te haveria dado água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que tirá-la, e o poço é fundo; donde, pois, tens essa água viva?” (Jo 4.10,11).

No diálogo com a mulher samaritana, o Senhor Jesus se identifica como sendo a água viva que sacia a sede humana e traz uma nova perspectiva de vida: “E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamor, dizendo: Se alguém tem sede, venham a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.”(Jo 7.37-38). Aquela mulher nunca mais foi a mesma, pois ali, na beira daquele poço, ela encontrou-se com aquele que podia saciar a sede de sua alma. Portanto, a alegação do adepto da “urinoterapia” é uma blasfêmia. Não tem nenhum alicerce bíblico. Jesus Cristo é a nossa única e suficiente água da vida!

“Na medida em que se bebe a própria urina... vai-se adquirindo qualidades místicas, como poder, força física e espiritual... encontram-se, também, menções ao ato de se comer as próprias fezes”.

Isso é um absurdo! Se clinicamente falando a urina não pode fazer bem algum, ao contrário, pode até fazer mal, como, então, acreditar que tal prática seria de enlevo espiritual? O mundo está cada dia mais doente e perdido! Sobre o único alimento espiritual, Jesus Cristo disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus...” (Mt.4.4). Ou seja, a Palavra de Deus é o alimento necessário ao nosso crescimento espiritual, e não a nossa própria urina. O apóstolo Pedro sabia disso quando afirmou: “antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18).

Sobre a questão de ingestão das próprias fezes, não precisamos dar nenhum parecer clínico, pois todos sabemos que tal ato é pura insanidade! A Bíblia diz que os ímpios sim, figuradamente, comerão as próprias fezes: “Porque na mão do Senhor há um cálice, cujo vinho espuma, cheio de mistura, do qual ele dá a beber; certamente todos os ímpios da terra sorverão e beberão as suas fezes...” (Sl 75.8).

Verdadeiramente, estamos vivendo os últimos dias e os engodos espalham-se em proporções gigantescas. O que percebemos é que essa questão da “urinaterapia” mais se parece com um movimento religioso do que com uma séria abordagem clínica e científica. A medicina, segundo nossas consultas, é unânime em admitir que a urina não possui nenhum poder terapêutico. Como pesquisadores bíblicos, declaramos que não há bases teológicas para admitirmos que a ingestão de urina tenha aceitação religiosa ou possa dar algum poder especial da parte de Deus àqueles que se submetem a ela. Por isso, fiquemos com o que nos diz a Palavra de Deus, e não aceitemos nenhuma nova forma de doutrina antibíblica! (Rm 1.22)

 

 

 

 


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