No Sul do Sudão, cristãos sofrem com opressão

Alguns seminaristas, estudantes de teologia, se reuniram em um alojamento reformado, de um acampamento para refugiados da Uganda para estudar o texto de 2Timóteo 2.3,4, que diz:

“Participa dos meus sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou”.


A discussão inspirou William Deng a compartilhar com a classe experiências do seu passado. Ele foi enviado por um líder da Igreja Pentecostal do Sudão (IPS) para implantar uma igreja numa área doada para outra denominação no início do século XX. Entretanto, a IPS não era a primeira denominação contrária que tentava entrar nessa província. A Igreja Episcopal do Sudão (IES) já iniciara a construção de igrejas naquela área na década de 90.

A chegada de William, por um buraco realizado pela IES, foi vista como uma violação da área “corretamente distribuída” e, por isso, os ânimos se alteraram. William chegou à conclusão de que a denominação inamistosa havia perdido a perspectiva da unidade do Corpo de Cristo e voltou-se para seu objetivo de construir reinos terrestres.

Durante 997, William e um amigo foram intimados a comparecer diante de um comandante que tinha afinidade com a denominação inamistosa. Tal comandante declarou que William e seu amigo eram culpados por transgredir as leis “estabelecidas há longo tempo” e condenou-os à prisão. Mas eles (William e seu amigo), como aconteceu com os evangelistas bíblicos, presos inesperadamente, foram libertos um tempo depois.

Ao ser encarcerado, William não perdeu a esperança. Ao contrário, permaneceu realizando seu trabalho e muitas pessoas aceitavam a Cristo.

Durante 1998, um comandante do Exército da Libertação do Povo do Sudão (ELPS), que se opôs a qualquer “violação” de outras denominações, foi nomeado para dirigir essa área. Novamente, William e seu amigo tiveram de se defender. O comandante lhes perguntou de qual payam (distrito) eles tinham vindo e William respondeu que de dois payams vizinhos. Enraivecido pela resposta, o comandante exigiu que os dois evangelistas deixassem o seu payam em 24 horas. Mas William se recusou, reação que inflamou a ira do comandante, que ordenou a sua prisão novamente.

Mas eles não passaram muito tempo por lá antes de reaparecer diante do comandante, que esperava que eles partissem depois de tanta intimidação. William, no entanto, manteve sua convicção. Resultado: sua atitude desatou a cólera do comandante e William novamente foi preso e maltratado. A punição prolongou-se por cinco dias e William, vendo que isso duraria um bom tempo, resolveu arriscar-se.

Diferente dos presídios ocidentais, os prisioneiros no Sul do Sudão têm liberdade de caminhar pelas dependências da prisão, mas essa permissão é restrita a uma área delimitada. Aproveitando-se disso, William arriscou fazer uma visita ao governador, fora da área delimitada. Compassivo, o governador foi ter com o comandante, que ficou desconcertado e irritado. Mas não teve alternativa a não ser libertar William.

Outra batalha

Um ano depois, William teve de enfrentar outra batalha. Certa vez, uma ONG cristã deixou seu rádio na Igreja Pentecostal do Sudão. Quando alguns soldados do Exército da Libertação do Povo do Sudão (ELPS) quiseram utilizá-lo, William lhes falou que o objeto não pertencia à Igreja, mas a uma ONG. A resposta de William enfureceu os soldados, que planejaram uma vingança.

Os soldados do ELPS falsamente acusaram William de se comunicar, pelo rádio, com forças inimigas em cidades guarnecidas. Por conta disso, William foi enviado a uma prisão, onde recebeu vinte açoites diários e vítima de tratamentos desumanos.

Chegou o dia, porém, em que William percebeu que estava desanimando e quase perdendo as esperanças. Foi então que ouviu uma voz, que lhe dizia: “Leia 2Timóteo.2.3”. Em obediência, leu: “Participa dos meus sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus”. Depois da leitura, ele teve uma nova perspectiva em relação à sua prisão.

No décimo oitavo dia de prisão, à meia-noite, William foi acordado por um apelo alarmante. Florence, esposa de um dos soldados, estava à morte. Seus amigos e parentes perceberam que nenhum esforço humano a salvaria. Queriam a ajuda de Deus e lembraram-se do pastor William, que foi levado à casa da enferma. Ao chegar, pediu que ficassem no quarto apenas os que cressem na cura. Um por um saiu do quarto. Precisavam da cura, mas não criam. Os únicos que permaneceram foram William, Florence e seu esposo.

Depois de duas orações, Florence respondeu, mais ainda estava fraca. Com a fé renovada, William continuou a orar e quando chamou por seu nome novamente, a enferma respondeu de forma mais clara e lúcida. Não demorou muito e Florence recobrou totalmente a consciência. Foi um milagre de Deus!

A notícia se espalhou rapidamente e William passou a ser respeitado. Ganhou a oportunidade de pregar entre os soldados. Por causa disso, muitas pessoas aceitaram a Jesus naquele dia e ali nasceu uma nova congregação.

Pastor William ainda cuida de sua congregação na mesma área, contudo, com menos oposição. Os ânimos se acalmaram, o que contribuiu para que a perseguição, hoje, seja um fenômeno raro nesse payam.

O testemunho de William ajudou os alunos a perceber que as experiências vividas por meio de certas partes da Bíblia produzem muito maior sabedoria que o mero conhecimento das Escrituras.

Fonte: Africa Services

Portas Abertas
Fone: (11) 5181-3330 / Fax: (11) 5181-7525
Caixa Postal 45.371 - CEP 04010-970 - São Paulo - SP
atendimento@portasabertas.org.br
http://www.portasabertas.org.br

 

 

 

 


Copyright © 2017 ICP. Todos os direitos reservados.