Aqueles que estavam instigando a inveja, as contendas e as dissensões na igreja de Corinto seriam o alvo da condenação
QUAL É O SANTUÁRIO EM QUESTÃO NO TEXTO DE 1CORÍNTIOS 3.17: O NOSSO CORPO, O ESPÍRITO SANTO OU OUTRA COISA?


Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1Co 3.17)

Em 1 Coríntios 6.19, está escrito que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo”. Ratificamos isso também no versículo 16: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”.

Mas se o nosso corpo é o templo do Espírito Santo e o Espírito Santo habita em nós, como entender o texto de 1Coríntios 3.17? Ambos serão destruídos? Ou um ou outro?

Cada crente, individualmente, possui o Espírito Santo: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Entretanto, a igreja como comunidade, no sentido coletivo, é também templo, habitação do Espírito Santo (2Co 6.16). É exatamente a esse segundo aspecto que Paulo está-se referindo. Nem o membro da igreja, no sentido individual, nem o Espírito Santo seriam destruídos, mas os que estavam instigando a inveja, as contendas e as dissensões na igreja de Corinto, que, no texto em apreço, é vista como sendo o “templo de Deus”. A Bíblia de Estudo Almeida, ao comentar o texto em estudo, diz o seguinte: “Analisando o capítulo 3 de 1Coríntios, vemos que a jactância filosófica de alguns era indício de infantilidade espiritual, produzindo facções e com tendências a destruir a igreja de Corinto. Visto que a comunidade de crentes é o santuário de Deus (v.16), os causadores da sua divisão (v. 3,4) a profanam e a destroem, por isso serão destruídos como castigo pelos seus atos de sacrilégio”.

O verbo destruir no grego, usado no texto em análise, é phtheirei, que pode significar “destruir”, “arruinar”, “corromper”, “estragar”. Ou seja, os tais, que estavam “profanando” o templo de Deus – a igreja em Corinto – não serão poupados de condenação por ocasião do juízo divino.

Pedro teve a responsabilidade primária de pregar o evangelho tanto aos judeus quanto aos gentios
COMO ENTENDER A AUTORIDADE CONFERIDA A PEDRO EM MATEUS 16.19?

 

E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16.19).

Analisaremos e dividiremos o texto em referência em duas partes.

A primeira pode ser ilustrada pela figura do mordomo que recebe de seu senhor a responsabilidade de cuidar de sua casa e dos seus bens (Mc 13.34). Em Isaías 22.22, Deus diz de Eliaquim: “E porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro, e abrirá, e ninguém fechará; e fechará, e ninguém abrirá”. Então, podemos concluir que a quem é conferido tal atribuição exige-se responsabilidade, delega-se autoridade e reclama-se o cumprimento de deveres. A igreja romana, por exemplo, apossando-se, de forma autoritária e arbitrária, desses textos, segundo suas próprias interpretações, quer convencer que a autoridade foi dada a Pedro [e seus sucessores] e à igreja Católica Romana. Inclui, também, segundo seus teólogos, o poder de perdoar pecados, doutrina que não usufrui de nenhum amparo bíblico.

Analisemos, agora, a questão das “chaves” dadas a Pedro.

Não negamos que Cristo tenha dado, naquele momento, a incumbência, a responsabilidade e autoridade aos discípulos para “abrir” ou “fechar” a porta do reino dos céus. Mas como isso aconteceu? Como seria feito?

No versículo anterior, Jesus disse: “Edificarei a minha igreja”. Entende-se, habitualmente, que o evangelho seria pregado primeiramente ao povo judeu: “Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.7). Dada a ordem imperativa de Cristo (Mc 16.15), os discípulos foram impulsionados a pregar o evangelho “tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8). O apóstolo Paulo disse que “por ele [Jesus] ambos [judeus e gentios] temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef 2.18). Podemos presenciar com alegria a abertura das portas do evangelho aos judeus (At 2.41) e aos gentios (At 10). Esta é a interpretação correta da primeira parte do texto: Pedro teve a responsabilidade primária de pregar o evangelho [o uso das “chaves”] tanto aos judeus quanto aos gentios. Também, é interessante saber que essa autoridade não foi restrita apenas a Pedro, mas aos demais apóstolos: “Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus...” (Mt 18.1); “Em verdade vos digo que t
udo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”.

Quanto à segunda parte do texto, observamos muito seu uso nas igrejas em decorrência da aplicação da disciplina eclesiástica. A Bíblia de Estudo de Genebra diz: “As ‘chaves do reino’, dadas primeiro a Pedro e definidas como poder de ‘ligar’ e ‘desligar’ (Mt 16.19), têm sido entendidas comumente como a autoridade para supervisionar a doutrina e impor a disciplina. Essa autoridade foi dada por Cristo à Igreja em geral e à sua liderança ordenada em particular”. Assim, devemos entender que quando a igreja, devida e justamente, aplica a disciplina ao membro faltoso, antes a sanção já fora aplicada pelo próprio Deus no céu, a igreja apenas ratifica o fato.
 

João teria incorporado o batismo em águas dos grupos judaicos, especialmente dos essênios
EM QUE MOMENTO O BATISMO EM ÁGUAS PASSOU A SER REALIZADO CONFORME O PADRÃO NEOTESTAMENTÁRIO?


E eram por ele [João] batizados no rio Jordão” (Mt 3.16)

Não existe na Bíblia nenhuma menção do batismo em águas antes da aparição de João Batista no deserto da Judéia pregando o arrependimento para perdão dos pecados por meio deste rito (Mt 3.1,2). Logo, de onde João teria extraído exemplo para tal prática?

Não trataremos aqui das fórmulas batismais, dos modos de se batizar, do batismo de crianças, etc, pelo fato de o objetivo ser outro: o momento em que surge o batismo em águas segundo o padrão do Novo Testamento.

No Antigo Testamento, presenciamos a água sendo utilizada como ritual de iniciação e purificação. O sumo sacerdote Arão, antes de entrar no compartimento Santo dos santos do Tabernáculo, banhava-se com água (Lv 16.4). Naquele contexto, a purificação era efetuada com água nos seguintes casos: depois da relação sexual (Lv 15.18); da menstruação (Lv 15.19-24); do contato com a lepra (Lv 13) ou com algum cadáver (Nm 5).

Alguns estudiosos supõem que João fazia parte do grupo dos essênios. Segundo o Dicionário Teológico, os essênios eram “partidários da seita judaica que, florescendo no segundo século antes de Cristo, caracterizou-se pelo ascetismo, separatismo e meticulosidade de seus membros”. De acordo com Collin Brown, “o convertido ao judaísmo, no início da era cristã, tinha de receber a circuncisão, submeter-se a um banho ritual e oferecer sacrifícios”. Desta forma, João teria incorporado o batismo em águas dos grupos judaicos, especialmente dos essênios. Isto não quer dizer que João dava o mesmo sentido de batismo conforme agiam os sectários. Diz Russel Champlin que “o batismo judaico de prosélitos (os que não eram judeus de nascimento) [...] requeria imersão em água, representando a purificação da anterior vida pecaminosa. Enquanto a pessoa se imergia na água, trechos da lei eram lidos, dando a entender que ele tencionava fazer da lei o guia da nova vida na qual a pessoa estava entrando”. João antecipou a obra ministerial de Cristo e, assim, seu batismo constituiu-se uma espécie de ingresso a um “novo movimento”, apesar de ser muito mais apropriado classificá-lo como um ato precursor que apontava as diretrizes para o ritual que seria observado posteriormente pela igreja cristã.

A validade do batismo de João observa-se pelo fato de o próprio Jesus se submeter a ele: “Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele” (Mt 3.13). O batismo cristão, levado a efeito pela igreja primitiva, diferente do sentido dado pelos grupos judaicos, foi ordenado por Jesus (Mt 28.19); praticava-se o batismo em águas após a pregação e conversão das pessoas a Jesus Cristo (At 2.38; 8.38); simboliza a identificação com Cristo na sua morte e ressurreição (Rm 6.3,4).
 

O Sol não é a única fonte de luz no Universo
COMO EXPLICAR A MENÇÃO DA LUZ EM GÊNESIS 1.3 SE O SOL FORA CRIADO SOMENTE NO QUARTO DIA (GN 1.14)?


E disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn 3.1).

Antes de respondermos, é necessário considerarmos a premissa de que a Bíblia é a verdade revelada por inspiração divina, portanto, é infalível, inequívoca e o árbitro final em todas as discussões. Sua autoridade é derivada do seu Autor e não das opiniões dos homens (Rm 15.4; 2Tm 3.15,16; 2Pe 1.21). Tendo em mente estas ponderações, podemos nos direcionar para a solução do suposto problema.

Primeiramente, precisamos ter em mente que toda a criação se deu de forma repentina e proveniente do nada, ou seja, não derivam de elementos criados já existentes, mas apenas de Deus. É o que os estudiosos denominam de creatio êx nihilo, não sendo assim procedente de uma cadeia evolutiva. Houve um tempo em que a luz não existia, porém, a Bíblia nos afirma que, em determinado tempo, ela veio a existir. O mesmo se deu com todas as coisas criadas por Deus (Sl 33.6-9; Hb 11.3). Mas o que era então essa luz que existia antes do Sol e demais luminares celestes? Dar uma resposta definitiva a esse respeito não é uma tarefa simples, até mesmo para os mais peritos no assunto. Entretanto, podemos inferir algumas conclusões. Há dois posicionamentos principais entre os estudiosos quanto a esta questão. O primeiro destaca a relevância de Deus ter criado a luz antes do Sol. Os defensores desta corrente apontam para a importância de se notar que o nome “sol” fora dado a essa estrela apenas em Gênesis 15.12, o que para estes estudiosos significaria uma resposta antecipada de Deus contra a adoração desse ser inanimado. Muitos povos pagãos da Antiguidade, principalmente os egípcios, adoravam o Sol como uma divindade, porém, antes de sua existência, Deus já existia em toda a sua glória (Sl 90.2; 102.25-27; 1Tm 1.17; 6.16).

Diante disso, entender-se-ia que a luz a que se refere Gênesis 1.4 é a manifestação da glória de Deus em forma de luz (1Jo 1.5), antes mesmo da criação dos seres animados e inanimados. Assim, Deus revela ao homem que Ele é superior a tudo quanto existe e se move sobre a terra. Isso também serve para mostrar que as coisas criadas não são divindades, portanto, não são divinas (doutrina conhecida como “panteísmo”), embora a criação atue como prova suficiente e cabal da existência de Deus (Sl 19.1-6; Rm 1.20).

Outro posicionamento, representado pelo apologista Norman Geisler, lembra que “o Sol não é a única fonte de luz no Universo. Além disso, é possível que ele já existisse desde o primeiro dia, tendo somente aparecido ou se feito visível (com a dissipação da neblina) no quarto dia. Vemos luz num dia nublado, mesmo quando não nos é possível ver o Sol”.

Referências bibliográficas:

GEISLER, Normam & HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. Editora Mundo Cristão, 1999.
GEISLER, Normam & RHODES, Ron. Resposta às seitas. CPAD, 2000.
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário teológico. CPAD, 1996.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Editora Candeia, 1997.
Bíblia de Estudo de Genebra. Editora Cultura Cristã, 1999.
Bíblia de Estudo Almeida. SBB, 1999.

Preparado por Gilson Barbosa

Participantes desta edição:

Edmar Valente
Fábio Godoy
Ivonete Ribeiro
Isaías Mendes

 

 

 

 


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