Irmão vota em irmão

Por Antonio Fonseca
 
É fato que ainda não sabemos os resultados do segundo turno das eleições para prefeitos em algumas cidades de nosso país. Apesar disso, já temos subsídios para empenharmos uma avaliação do assunto no que tange às câmaras dos 5.562 municípios do Brasil.

É importante notar que cada vez mais nossos irmãos (evangélicos) ocupam espaço no cenário político, principalmente no legislativo municipal. Eu, particularmente e teoricamente, já fui convencido de que devo votar em nossos irmãos, desde que os mesmos possuam as qualificações mínimas necessárias para exercerem o mandato que pleitearam. Entretanto, na prática, ainda não estou totalmente convicto se o princípio “irmão vota em irmão” é verdadeiro. Afirmo, na prática, porque ainda não consegui desenvolver um mecanismo para aferir o trabalho dos irmãos vencedores nas eleições durante o exercício dos mandatos anteriores.

Sugiro até que os que foram eleitos com a maioria de votos da igreja ajudem-nos no desenvolvimento de métodos que nos possibilitem aferir os trabalhos que serão realizados durante os próximos quatro anos de mandato. Isto porque é provável que não será possível a estes irmãos eleitos visitarem as igrejas que os elegeram com a mesma assiduidade que o fizeram durante os meses de campanha eleitoral.

Mas como isto poderia ser realizado? Poderia ser feito, por exemplo, por meio de boletins informativos em que constariam os projetos que estão sendo votados, os motivos de seu voto ser a favor ou contra determinados projetos, as respectivas atuações nas comissões da câmara, as posições do partido em que está filiado, as realizações do executivo, sua presença nas assembléias, e até por meio de convites pedindo para que os eleitores participem dos grandes debates que forem surgindo na câmara... Enfim, sempre prestando satisfações ao grupo que o elegeu.

Além disso, temos também de considerar que os eleitos receberão salários pagos por meio de nossos impostos e, portanto, não existem motivos para deixarem de cumprir com o dever que lhes compete. Não queremos, em hipótese alguma, um político figurativo, apenas para mostrar que esta ou aquela denominação elegeu tal candidato. Absolutamente. Como eleitores e cidadãos temos a obrigatoriedade de acompanharmos e fiscalizarmos o desempenho dos candidatos de nossa região, especialmente aqueles que as nossas igrejas (evangélicas) ajudaram a eleger. Caso os mesmos não nos convençam por meio de ações que confirmem o que propuseram na campanha, devemos rever nossos conceitos e até mesmo tomarmos outra decisão na próxima oportunidade de votação, levando em conta muito mais do que a opção religiosa do candidato no período da campanha, considerando também sua vocação e atuação como profissional não somente durante o período de eleição, mas em todo o tempo, junto aos anseios e necessidades do grupo que irá representar depois de eleito.

Caso contrário, é possível que em breve tenhamos conseguido mudar o rótulo da condição religiosa no cenário político de nossa nação para as tendências evangélicas, porém, continuaremos com os mesmos péssimos indicadores socais que temos hoje, o que traria grande prejuízo não só para os que professam a nossa fé, mas para todos nós brasileiros.

 

 

 

 


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