Cristã é assassinada por soldados da paz na Nigéria

Judith Lan, uma jovem cristã de Numan, Estado de Adamawa, região Norte do país, foi morta a tiros sem motivos no dia 28 de janeiro por soldados alocados naquela cidade para manter a paz entre cristãos e muçulmanos.

“O fato ocorreu dezenove meses após o assassinato da pastora Esther Jinkai Ethan por um fanático muçulmano”, disse Mahula Tika, líder da comunidade cristã em Numam, à CompassDirect. E concluiu: “Até esse momento, o fanático não foi acusado e, agora, estamos sendo forçados a lamentar a morte de outra mulher cristã”.

A morte da pastora, também em Numan, pôs os muçulmanos contra os cristãos e, desde então, a cidade encontra-se sob intensos conflitos. Antes desses acontecimentos, dois grandes motins haviam ocorridos na cidade: maio de 2003 e maio de 2004. A violência tirou a vida de centenas de pessoas e destruiu muitas propriedades.

Enquanto os cristãos observavam o primeiro aniversário da morte de Ethan, os muçulmanos construíam uma mesquita bem ao lado de uma Catedral luterana e adjacente ao palácio do monarca cristão da cidade, Feddy Soditi Bongo.

A construção da mesquita gerou mais um conflito religioso, causando muitas mortes e deslocando centenas de residentes.

John Ahmadu, prefeito da cidade de Yola, ao falar com jornalistas no dia 1o de fevereiro, disse que os relatos que chegaram ao seu conhecimento indicam recorrência do tumor religioso em Numan. “O vento atual (crise religiosa) que está soprando em Numan não faz bem a ninguém”, afirmou ele, recusando-se a comentar a morte de Judith.

Supostas ofensas à lei islâmica

Segundo a interpretação dos cristãos em Numan, a retirada do governo de Adamawa das mãos de Bongo nada mais é do que uma perseguição contra eles. Fontes locais dão conta de que o monarca deposto foi forçado a se exilar na cidade de Bali, em Taraba, Estado da região Norte do país.

Na cidade de Kano, a família de Yusuf Olawale relatou seu desaparecimento e acredita que a vítima já esteja morta, pois já não ouvem falar dele desde sua prisão, em 13 de maio de 2004, quando teria, de acordo com os muçulmanos, blasfemado contra a sharia. O irmão mais velho de Yusuf, Tunde Olawele, disse que a busca da polícia não conseguiu nenhuma pista nos últimos seis meses.

“Estamos assustados com a possibilidade de que meu irmão esteja morto, já que a polícia alega não tê-lo visto e ele está sendo procurado por ofensas à lei islâmica”. Foi o que disse Olawale à CompassDirect.

Alhaji Aliyu Usman, muçulmano e membro da Comissão para a Justiça no Estado de Kano, recusou-se a falar à CompassDirect a respeito da prisão de Olawale. Apenas comentou o seguinte: “Um juiz da corte islâmica pode usar sua situação dentro da lei islâmica para impor a prisão ou a multa a um cristão ou a qualquer outro não-muçulmano que tenha ofendido a lei islâmica”.

A família de Olawale teme por Yusuf, pelo fato de ele ter sido preso, ano passado, poucos dias depois de um motim formado por muçulmanos em Kano, episódio que causou a morte de vários cristãos e a destruição de algumas igrejas. A família de Yusuf acha que ele fora assassinado com outros cristãos durante esse tumulto.

CompassDirect

 

 

 

 


Copyright © 2017 ICP. Todos os direitos reservados.