Cristãos indianos são atacados por camponeses

Aldeões hindus e muçulmanos queimaram uma sala de oração e atacaram três membros da igreja depois de uma cerimônia de batismo em Kerala, na Índia, cuja capital é Nova Délhi. O fato ocorreu em 1o de abril.

O pastor Paul Ciniraj Mohamed é ex-muçulmano e dirige a igreja no distrito de Thiruvananthapuram, (popularmente conhecido como Trivandrum). É também presidente dos Ministros Voz de Salém (SVM), que administra orfanatos, escolas em vilas e centros de alfabetização de adultos em Kerala. O SVM é registrado sob o Ato de Sociedades Filantrópicas.

Segundo Ciniraj, o incidente aconteceu na área pobre da vila Panamvilla, em Trivandrum, onde existe uma sala de oração coberta com palha. Acredita que o motivo do ataque tenha sido o batismo de quatro aldeões locais em uma cerimônia na sala de oração logo cedo. No dia, 26 adultos, de diferentes vilas, também desceram às águas.

Depois de oficiar o batismo, pastor Ciniraj voltou para casa, que fica em Kottayam. Mais tarde, ficou sabendo que alguns aldeões (hindus e muçulmanos) haviam atacado três membros da igreja, reunidos na sala de oração, espancando-os e incendiando o local. O grupo cristão dirigido pelo pastor Ciniraj é o único de Panamvilla. Todos naquela vila, com a exceção das doze pessoas que participam das reuniões, são hindus ou muçulmanos, e alguns membros dessas duas religiões estão contra os cristãos, dando a perceber que um tipo de movimento anticristão está envolvendo a vila.

Então, ao tomar conhecimento do fato, pastor Ciniraj resolveu visitar os membros da igreja, quando também foi atacado. “Enquanto falava com um líder, um senhor me acertou na cabeça. E Shivanandan, um membro da igreja de 54 anos que estava comigo, ao tentar me salvar, foi espancado até sangrar. Mas, graças a Deus, ele está bem agora”, relatou o pastor. E, segundo ainda disse, não relatou o caso à polícia porque os atacantes pediram desculpa depois do ataque. “Quando bateram em Shivanandan, ajoelhei e pedi a Deus para salvar e perdoar os ofensores”, disse.

As mulheres da aldeia que testemunharam a agressão, quando viram Ciniraj orando, ficaram comovidas com a sua humildade. Então, imediatamente pediram para que os agressores parassem e pedissem desculpas.

Fé e perseverança

A sala de oração foi completamente destruída, mas os cristãos da vila disseram que hão de continuar se reunindo para orar e estudar a Bíblia em suas próprias casas. O local havia sido construído há três anos. Os vizinhos sempre faziam alguns comentários negativos contra os cristãos, mas até aquele dia fatídico ainda não tinham ocorrido ameaças verbais ou ataques físicos.

Alguns membros da igreja disseram que a unidade local do Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), grupo ativista hindu, estava por trás do ataque.

“Um deles me disse que o RSS local planejava criar algum tipo de problema durante a cerimônia de batismo, por isso resolvemos realizá-la pela manhã, bem cedo. A princípio, estava marcada para mais tarde”, revelou o pastor.

E acrescentou que, contrariamente à opinião pública, o RSS tem uma presença forte em Kerala, com convenções em diversas partes do país.

Dados que assustam

De acordo com o Censo 2001, 19 % do total da população de Kerala é cristã. Os muçulmanos são 23% e os hindus 57%.

Incidentes de violência contra cristãos são cada vez mais comuns em Kerala. Recentemente, cinco pastores da Igreja de Deus foram espancados em Karunagapally, perto de Kollam, distrito de Kerala, enquanto realizavam uma convenção.

Dr. John Dayal, líder cristão respeitado e membro do Conselho de Integração Nacional, confirmou esta tendência.

“Tenho observado, alarmado, a situação pública em Kerala por alguns anos. O crescimento do RSS, começando pelo norte de Kerala, ainda não foi verificado [...] Recentemente, a Sangh Parivar [família de grupos ativistas hindus] se tornou muito agressiva na maioria dos distritos do Estado. Essa intolerância é estranha à cultura de Kerala, onde diferentes credos e pessoas têm vivido em harmonia [...] Se as pessoas não rejeitarem sumariamente essa cultura de ódio e violência, que a Sangh propaga e pratica, haverá um estrago irreparável”.

 

 

 

 


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