Governo eritreu prende líderes de cinco igrejas

Nas duas últimas semanas de 2005, a polícia de segurança de Asmara prendeu quarenta cristãos protestantes

Cerca de quarenta pastores, oficiais e líderes leigos de cinco igrejas protestantes clandestinas da Eritréia foram levados de suas casas e escritórios nas duas últimas semanas de dezembro na capital do país, Asmara.

Na manhã do dia 22 de dezembro, a polícia de segurança começou a perseguir os líderes da Igreja do Deus Vivo e também os clérigos e oficiais das igrejas Evangelho Pleno, Rema, Aleluia e Filadélfia.

Uma fonte local relatou que os policiais tinham uma lista dos líderes que levariam presos. Todo culto cristão é proibido por esse regime repressivo do leste africano, até mesmo as reuniões particulares, exceto os cultos realizados sob os tetos das igrejas históricas e reconhecidas oficialmente pelo governo: ortodoxas, católicas e luteranas.

Durante a série inicial de ataques, antes do Natal, um pastor protestante conseguiu escapar das autoridades de segurança logo depois de sua prisão. Identificado apenas como pastor Simon, acredita-se que o líder evangélico esteja escondido dentro da cidade. Sua família foi hostilizada e ameaçada quase diariamente pelos oficiais de segurança, que exigiram dos pais do pastor sua localização e a volta dele à custódia da polícia.

Vindo, a princípio, dos grupos de reavivamento de dentro da igreja ortodoxa, atualmente o pastor Simon é ministro da Igreja do Deus Vivo.

Em uma provável tentativa de forçar Simon a se render, a polícia prendeu um membro do conselho de sua igreja – um funcionário público identificado como Tesfagabiet.

Outro membro da igreja do pastor Simon, dono da fábrica de sapatos Gazzella, chamado Yemane, também foi detido em 22 de dezembro.

No mesmo dia, o pastor da Igreja do Evangelho Pleno, Jorjo Gebreab, foi detido com dois líderes, o empresário Solomon Mengesteab e Berhane Araya, um funcionário público do Ministério da Indústria e Comércio. No mínimo, outros oito pastores do Evangelho Pleno, detidos nos últimos dois anos, permanecem na cadeia.

O pastor Abraham Tesfagergsh, da Igreja Rema, foi levado junto com seu oficial, Habteab Oqbamichel. Essa prisão é a quinta que Habteab sofre por participar de igrejas evangélicas ilegais na Eritréia desde maio de 2002, quando a igreja recebeu ordens para fechar.

Outro oficial da Igreja Rema, identificado apenas como Yosief, foi levado de sua loja de fotos Asier, com mais quinze funcionários. A maioria deles é membro da Igreja Rema.

Ataques a estabelecimentos comerciais

Além das investidas contra as pessoas, a polícia atacou a loja de música Roma, dirigida por membros da Igreja Filadélfia. O estabelecimento foi invadido e interditado no ataque, e todas as quinze pessoas presentes foram levadas à prisão. A loja de música era a fornecedora principal de materiais cristãos, fitas de música e livros para os evangélicos em Asmara.

A polícia também está procurando o pastor Simon Tekie, da Igreja Filadélfia.

Da Igreja Aleluia, a polícia levou o oficial-líder da denominação, um auditor chamado Aklilu.

Outros dois negócios dirigidos por cristãos, a loja de música Galaxy e a loja de fotos Belul, foram fechados e interditados pela polícia “só porque tinham donos cristãos”, uma fonte confirmou à agência de notícias Compass.

“Neste Natal, muitas pessoas estão celebrando em liberdade o nascimento de Jesus Cristo, em diferentes igrejas em torno do mundo”, foi o que disse uma fonte citada pelo grupo Release Eritrea. E prosseguiu a fonte: “Mas para a comunidade cristã da Eritréia, esse é um dia sombrio”.

Cristãos presos em celas subterrâneas e contêineres de metal

Antes das prisões feitas em dezembro, foi confirmado que, no mínimo, 1.750 cristãos eritreus estão encarcerados em delegacias, campos de treinamento militar e prisões em doze localidades do país. Até agora, 28 líderes estão entre eles, alguns detidos em celas subterrâneas e em contêineres de metal, sob condições torturantes por se recusarem a negar sua fé cristã.

No dia 1o de dezembro, o papa Bento XVI disse ao novo embaixador da Eritréia no Vaticano que a Igreja Católica “acredita que todos os cidadãos devem ser livres para praticar sua fé, e que ninguém deveria se sentir ameaçado ou coagido por nada em relação a isso”.

Embora as igrejas católicas, ortodoxas e luteranas sejam reconhecidas oficialmente pelo governo eritreu, alguns de seus membros também foram presos e ameaçados pela polícia durante o ano passado.

O patriarca ortodoxo Abune Antonios foi destituído de sua autoridade eclesiástica em agosto de 2005, e ainda está em prisão doméstica por se opor às interferências do governo nos assuntos da igreja, incluindo a prisão de três padres ortodoxos.

O departamento de Ações Institucionais da Missão Portas Abertas, uma organização que apóia os cristãos perseguidos, iniciou neste ano uma campanha de cartas às autoridades eritréias em favor dos cristãos presos. As cartas, que serão enviadas de vários lugares do mundo, têm por objetivo notificar as autoridades de que a situação dos cristãos é de conhecimento internacional e é contrária aos direitos básicos dos seres humanos, garantidos pela Declaração Universal de Direitos Humanos.

Para modelos de cartas, endereços das autoridades e mais informações sobre os cristãos eritreus, acesse o site www.portasabertas.org.br.

 

 

 

 


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