Em João 1.29-34, fica bastante claro que João Batista sabia quem era Jesus. Por que, então, enviou seus discípulos, conforme Mateus 11.2,3, para que perguntassem a Jesus se Ele era o Messias?

Vejamos, respectivamente, os textos bíblicos em referência:

“No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo [...] E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo [...] E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus”.

“E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos, a dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?”.

Pois bem, uma primeira avaliação da dúvida de João Batista pode ser dirimida pelo fato de o precursor do Salvador do mundo, predestinado para tal missão, estar encarcerado. Ou seja, a dúvida estaria motivada pela incompreensão do revés que lhe sobreveio.

O fato de Mateus pouco usar a expressão Cristo é outro fator relevante no esclarecimento da questão. O texto diz: “E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo...” (Mt 11.2), e isso soava como uma revigorante esperança de que, afinal, Cristo estava entre os homens. E essa esperança apontava para um Cristo cujo perfil seria de um nobre guerreiro, com poder para libertar Israel de seus opressores. Assim, presumia-se que o Cristo prometido jamais poderia ser assediado pelos homens, seria intocável. Mas este não era o testemunho de vida de Jesus, o carpinteiro de Nazaré.

A resposta dada por Jesus aos emissários de João Batista, versículos 4 e 5, tranqüiliza o nosso coração quanto à identidade de Jesus como sendo o Cristo de Deus.

O que Paulo estava querendo dizer quando perguntou, em Romanos 3.7: “Se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que sou eu ainda julgado também como pecador”?

Em verdade, Paulo não estava admitindo que era mentiroso ou que tinha proferido alguma mentira. Nos versículos 5 e 7, vemos que ele está apontando para situações hipotéticas empregando a partícula condicional “se” em seus questionamentos. Assim, constatamos que o apóstolo discursava com um suposto inquiridor judeu que tentava atribuir um caráter injusto a Deus, o que não procede. A referida situação é apenas uma proposta hipotética. Neste caso, Paulo lança mão de um mero recurso discursivo, empregado por ele para evangelizar os romanos. Ao usar este argumento, Paulo estava contrastando a postura do judaísmo, que nega a eficácia da lei pelo seu não-cumprimento, e defendendo a fé, que justifica sem que haja lei para estatuí-la.

Por que Deus, em Êxodo 7.1, disse a Moisés que ele seria colocado como deus diante de Faraó? Este versículo não dá margem para justificar que o ser humano é deus?

“Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta”.

A intenção de Deus era que houvesse uma representatividade visível de si mesmo diante de Faraó. E Moisés seria este representante, a quem Deus usaria para manifestar seu poder ao governante do Egito, como quando derramou as dez pragas que assolaram os egípcios e seu monarca.

Quanto à fértil imaginação dos sectários acerca desta ou de outras incalculáveis passagens bíblicas (Cf. Bíblia de Estudo Apologética), não devemos, de forma alguma, considerá-la. Caso contrário, teremos de viver retificando os textos sacros para evitar que os detratores continuem corrompendo a Bíblia.

Além disso, a interpretação das Escrituras segue algumas regras básicas costumeiramente observadas pelos cristãos evangélicos. Por outro lado, os sectários não estão interessados na real e correta interpretação dos textos bíblicos, querem apenas fazer valer suas conveniências, criando interpretações e até versões bíblicas que atendam aos próprios interesses doutrinários, como no caso das testemunhas de Jeová e a TNM (Tradução do Novo Mundo).

Qual é a diferença entre tribulação, provação e tentação?

Existe uma certa sinonímia entre estes termos, mesmo nos textos bíblicos. E, por conta disso, uma definição sobre os três ocorreria numa linha muito tênue, por meio da qual tentaremos empregar a distinção dos três:

Tribulação. Pode ser resumida pela ocorrência de qualquer situação adversa que cause dano, dor, angústia, tristeza, além de outros sentimentos negativos.

Provação. É outra situação aflitiva que impele sua vítima a superar alguma dificuldade pela qual esteja passando. No contexto bíblico, a provação tem um objetivo espiritual importante no exercício da fé e no conseqüente amadurecimento do crente.

Tentação. Parece ser uma atribuição exclusiva do diabo (1Co 7.5; Tg 1.13). O objetivo dessa investida é fazer que o cristão desista de sua caminhada na fé. Ou, quando não, macular o nome do cristão e o seu testemunho, macular a Igreja e até mesmo o nome de Cristo.

Se analisarmos a situação vivenciada pelo justo Jó, veremos que os três termos estão adaptados, já que Satanás pediu para “tentá-lo”, no que Deus permitiu, vindo sobre o inocente Jó grande “tribulação”. Mas, ao final de tudo, por sua resistência à sua “provação”, Jó foi galardoado.

Em Gênesis 11.1,6-9, a Bíblia diz que toda a terra tinha uma língua só. Mas em Gênesis 10.5 há menção de diversas nações, cada qual com a sua própria língua. Como podemos entender esta ambigüidade?

“E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala” (Gn 11.1).

“Por estes foram repartidas as ilhas dos gentios nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações” (Gn 10.5).

Antes de qualquer coisa, é preciso distinguir dialeto (ou melhor, expressões regionais) de língua, como se comparássemos o paulista ao baiano, e este ao carioca. Todos falam o mesmo idioma: o português, mas cada um tem as suas expressões regionais distintas. Uma frase carregada de cultura nordestina pode soar ininteligível ao mineiro, e vice-versa.

O mesmo ocorria naquela época, portanto, dependendo da região em que se estava, algumas expressões soariam com sentido diferente daquela que normalmente o visitante utilizava em sua região de origem.

Um prático exemplo disso é aquele que atesta diferenças na pronúncia dos efraimitas e dos gileaditas, conforme Juízes 12.6. Os efraimitas não eram capazes de pronunciar a palavra “chibolete”, e essa dificuldade estava relacionada à cultura desse povo e à adaptação de sua língua, o que os denunciava: “Então lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia: Sibolete; porque não o podia pronunciar bem; então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão; e caíram de Efraim naquele tempo quarenta e dois mil”.

Outro aspecto referente ao idioma do Antigo Testamento é o fato de o hebraico ser uma língua limitada quanto ao vocabulário. Assim, onde lemos “línguas” em trechos que se referem aos períodos em que o hebraico predominava, podemos ler, inequivocamente, “dialetos”. (Veja foto da Pedra Roseta, considerada uma chave para decifração dos hieróglifos egípcios – Museu Britânico, Londres).

O povo da assíria tinha alguma relação com Assur?

“Desta mesma terra saiu à Assíria e edificou a Nínive, Reobote-Ir, Calá [...] Os filhos de Sem são: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã” (Gn 10.11,22).

Assur era um dos netos de Noé, mas não possuía a mesma piedade do avô. Os assírios empregavam uma expressão referente a seu país cujo significado é: “a terra do deus Assur”. Conseqüentemente, está claro que os assírios são descendentes de Assur, neto de Noé.

A Assíria está situada na região da parte mais alta do rio Tigre, e seu nome deriva das ruínas da cidade de Assur, instalada às margens do mesmo rio, que, por sua vez, herdou o nome do próprio Assur, provável neto de Noé.

Referência bibliográfica:

GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. Editora Mundo Cristão, 1999.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Editora Candeia, 1998.
ARCHER, Gleason. Enciclopédia de dificuldades bíblicas. Editora Vida, 1997.
Bíblia Apologética. Instituto Cristão de Pesquisas, 2000.
HALLEY, Henry Hampton. Manual Bíblico de Halley. Editora Vida, 2001.

Preparado por Marcos Heraldo de Paiva

Participantes desta edição:

Dionísio Galvino Filho
Sergio L. Foganholli
Delberto Lyrio Rodrigues
Elizabeth Barreto
Reinaldo dos Santos
Denilson da Silva Roque

 

 

 

 


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