Roraima
A serra verde do Brasil


Por Marcos Heraldo Paiva

O nome Roraima é a combinação de duas palavras do idioma indígena dos ianomâmis: “roro” e “rora”, que significam, respectivamente, “verde” e “ímã”. A junção desses dois termos pode ser traduzida para “serra” ou “monte”, formando, assim, a expressão “serra verde”, que reflete o tipo de paisagem natural encontrada na região.

O atual território, hoje estabelecido como Estado da Federação, foi alvo de intensas disputas no século 16. Os pretendentes à colonização da terra eram os espanhóis, os portugueses, os holandeses e os ingleses. A instalação dos povoados, entretanto, ocorreu apenas dois séculos mais tarde, à custa do extermínio maciço da população indígena que, até então, habitava o lugar.

Em 1858, o governo federal criou a freguesia de Nossa Senhora do Carmo, posteriormente convertida em município de Boa Vista do Rio Branco, nos anos 90.

Mil novecentos e quatro foi o ano da grande disputa dos territórios com a Inglaterra. O êxito da investida inglesa culminou com a tomada da maior parte das terras da região do Pirara, um pequeno afluente do rio Maú, que acabou sendo incorporada à guiana inglesa.

Em 1943, criou-se o Território Federal do Rio Branco, cuja área foi separada do Estado do Amazonas, passando a se chamar, a partir de 13 de dezembro de 1962, Território Federal de Roraima. Com a promulgação da Constituição Nacional de 5 de outubro de 1988, o território foi transformado em Estado da Federação.

Seus índios

Poderíamos enumerar até oito tribos aborígines desse Estado, e cada qual com suas peculiaridades e padrões sociais, sua convivência comunitária e sua cultura e tradições.

Os maiongong, por exemplo, habitam a Serra do Parima, cujo território se estende até a Venezuela. Até 1992, essa comunidade contava com apenas 266 indivíduos, os quais sobreviviam à custa dos suprimentos das florestas, muito embora dispusessem de artigos comuns às sociedades urbanas. Por conta disso, aprenderam a dominar bem o português.

Os wapixana pertencem ao grupo lingüístico aruak. Viveram um passado de lutas com os seus coirmãos das tribos karibs e makuxi na disputa pelo território. Foram vencidos pelos makuxi, de quem os derrotados adotaram vários traços culturais. Hoje, os wapixana podem ser encontrados em três regiões distintas: Surumu, Taiano (Amajari) e Serra da Lua.

Os taurepangs são outro grupo étnico da língua karib, sendo que, na Venezuela, são conhecidos, atualmente, como pemons. No passado, eram chamados de arecunas. Na década de 30, muitos deles se deslocaram da Venezuela para a Guiana, seguindo missionários adventistas expulsos pelo governo daquele país. Sua população, no lado brasileiro, chega a trezentos indivíduos, aproximadamente.

A tribo dos wai-wai também pertence ao idioma karib, e sua localização atual se encontra em uma área geográfica que se estende pelos rios Anauá, Mapuera e Cafuína. Esse ponto geográfico fica na fronteira do Brasil com a República Cooperativa da Guiana, no Sul do Estado de Roraima, mais precisamente no lado Norte do município de Caroebee. Além do dialeto de origem, falam o inglês e o português.

Teríamos, ainda, os ingaricó e os ianomâmis. Os ianomâmis ocupam uma área de 9.664.975 hectares homologada pelo governo e localizada no Estado do Amazonas (nos municípios de Santa Isabel e Rio Negro) e no Estado de Roraima (nos municípios de Alto Alegre, Mucajaí, Iracema, Amajari e Caracaraí).

Cultura e literatura

A cultura de Roraima é dotada da diversidade derivada do perfil de uma comunidade que preserva suas tradições, englobando a música, a dança e a literatura, entre outras atividades. A literatura é representada pela Academia Roraimense de Letras, onde se acha estabelecida a maior parte de seus poetas, historiadores e contistas. Mas esse ramo da cultura não se resume aos acadêmicos da ARL. Possui, ainda, na pessoa de Eliakim Rufino, a poesia de renome desse artista literário e compositor, cujas letras e músicas têm alcançado outras regiões do país.

Dança

De uma variedade incomum, a prática dança, exercida pelos bailarinos roraimenses, vai do estilo clássico ao moderno. A dança envolve, ainda, o folclore, como, por exemplo, o boi-bumbá e as cirandas.

O Estado possui uma academia de balé que forma os jovens interessados nessa arte. Os bailarinos se apresentam em todos os palcos das cidades incorporadas ao Estado. No período em que são promovidos o eventos relacionados às festas tipicamente populares, pode-se apreciar a apresentação dos Cangaceiros do Tianguá, que entram em cena levando uma coreografia cheia de elementos regionais.

Música

A música também é objeto do potencial diversificante do povo, porque possui diferentes ritmos e harmonias, o que, por sua vez, simboliza as diversas raças que povoam a região.

Além dos grupos de cantos indígenas, como é o caso dos índios do município de Uiramutã, essa arte conta com uma escola de música estadual, que dissemina tanto a música clássica quanto a MPB.

Há, ainda, os festivais de música, que demonstram o quanto a arte musical pode proporcionar.

Folclore

Atualmente, o folclore roraimense nada mais é do que o encontro de várias culturas e tradições, trazidas pelos colonizadores nordestinos e de todas as partes do Brasil. Essa profusão, mistura, num mesmo ambiente, a força das lendas e vivências dos índios que têm, no seu ambiente natural, perfeita harmonia entre o homem e a natureza.

Esse ambiente festivo é o mesmo que celebra, entre os católicos, as comemorações das datas de seus santos padroeiros, como, por exemplo, as famosas “festas juninas”, no mês de junho, que são largamente promovidas. A tradição indígena também está presente no folclore e é uma forte influência nas seguintes áreas: curandeirismo e pajelança.

Religião

Catolicismo: 209.172
Evangélicos: 76.582
Sem religião: 31.316
Outras: 4.735
Espíritas: 1.005
Religiões orientais: 905
Não determinada: 91
Fonte: IBGE, Censo Demográfico de2000

Dados gerais

Roraima: 224.298,98 km² (14º do país em área)
Áreas indígenas: 104.018,00 km² (46,37%)
População total: 324.152 (27º do país em população)
Áreas de preservação - IBAMA: 18.879,99 km² (8,42%)
Área do Estado: 22.411,80 km² (9,99%)
Densidade demográfica: 1,45
Capital: Boa Vista – Distância de Brasília: 4.275 km
Número de municípios: 15
Cidades mais populosas: Boa Vista, Rorainópolis, Alto Alegre, Caracarai e Bonfim
Altitude: 85 m
Clima: Equatorial (N, S e O) e Tropical (L)
Temperatura: Média mínima de 20º C e máxima de 38º C em regiões de níveis baixos em relação ao mar. Em regiões entre 800 a 1000 m a média é inferior a 18º C. Em localidades e altitude acima de 1.100 m a temperatura mínima noturna chega a 6ºC, a diurna é inferior a 20ºC em qualquer época do ano. O Estado possui duas estações bem definidas: chuvosa (inverno), entre abril e setembro, e seca (verão), de outubro a março.
Fuso horário: 1 hora em relação a Brasília.
Localização: Roraima é o Estado mais setentrional do país, cortado pela linha do Equador e encravado entre dois países, Venezuela e Guiana, tem uma localização estratégica: de frente para os mercados do Caribe e das Américas Central e do Norte. Com a BR-174, rompe seu histórico isolamento geográfico com o restante do país

Referência:

www.rr.gov.br

 

 

 

 


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