Em busca de experiências

Por Jairo de Oliveira

Um missionário que trabalhava entre os muçulmanos na Ásia viveu momentos difíceis ao tentar ter uma experiência em seu ministério. Apesar de ter assumido o compromisso diante de sua equipe, de não visitar mesquitas e participar das orações islâmicas, numa sexta-feira, porém, viajou para uma aldeia remota, tornou-se amigo de alguns líderes muçulmanos e apresentou seu desejo de aprender como realizar as orações muçulmanas.

A experiência narrada pelo missionário Phil Parshall descreve que a liderança muçulmana local estava vibrante ao tomar conhecimento de que um estrangeiro queria aprender sobre o islamismo. Com prontidão, os líderes ofereceram ao jovem todas as instruções necessárias e a maneira como deveria se comportar na mesquita. Na primeira oração da tarde, o jovem missionário se encontrava no salão principal da mesquita, ajoelhando-se e prostrando-se, de acordo com os movimentos da oração muçulmana.

Ao término da oração, o jovem foi abordado pelos muçulmanos da aldeia que, com grande alegria, felicitavam-no por ter-se tornado muçulmano. Tentando esclarecer o que estava acontecendo, o jovem disse à multidão que sua atitude não se tratava de uma conversão, mas somente de um desejo de aprender mais sobre o islamismo e ter uma experiência. Sentindo-se traída, a multidão ficou enfurecida e já falavam em dar cabo de sua vida por ter destruído a pureza da mesquita.

Phil Parshall nos conta, ainda, de que forma o jovem foi salvo da fúria da multidão: “O imame local tentou pacificar a multidão, admitindo que ele tinha, equivocadamente, ensinado ao estrangeiro como recitar e realizar as orações, e pediu perdão aos seus seguidores muçulmanos. Por fim, decidiu que o jovem deveria deixar a aldeia imediatamente e nunca mais retornar”.

Experiências semelhantes à do missionário têm-se tornado uma crescente preocupação de missionários veteranos, missiólogos e professores de missões. Além dos prejuízos que esse tipo de comportamento produz, grandes desentendimentos ocorrem no ambiente transcultural quando o campo missionário é visto como um lugar de aventuras em vez de um ambiente em que se oferece serviço fiel a Deus e ao povo-alvo do nosso contato.

Fontes:

1 PARSHALL, Phil. Danger! New directions in contextualization. EMQ-October 1998, Vol. 34, no. 4, p. 409.

 

 

 

 


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