Apologética



"Homem e mulher os criou"



Por Marcos Heraldo Paiva

O texto destacado como título deste artigo, registrado em Gênesis 1.27, demonstra, em primeiro momento, que faz parte da condição humana, segundo a vontade de Deus, o ser "sexuado". Todavia, o equívoco na interpretação da Palavra de Deus tem feito que muitos se percam pelo caminho, seguindo a doutrinas que são mandamentos de homens, criadas segundo sua própria consciência.

A revista Época, periódico de circulação semanal, trouxe nas páginas iniciais,13,16 e 17 (edição de 31 de março de 2003), uma entrevista com o chileno Victor Ricardo Soto Orellana, 31 anos, dissidente da Assembléia de Deus que fundou sua própria denominação, a Igreja Acalanto.

Orellana, muito embora se declare formado em teologia e pós-graduação em Ciência da Religião, defende sua opção pela homossexualidade, o que, segundo a cidadania, deve ser respeitado. Entretanto, a revista Defesa da Fé, de orientação cristã e apologética, sentiu a necessidade de esclarecer a seus leitores sobre as equivocadas interpretações apresentadas por Orellana no referido periódico.

O primeiro grande equívoco do dissidente Orellana se refere ao texto mencionado pelo repórter, anotado em Levítico 18.22, que reza: "Com homem não te deitarás, como se fosse mulher..." (cf 20.13), quando ele se prende à expressão hebraica toevah para tentar afastar do centro do tema a questão da homossexualidade, desejando provar que esta postura só era - ou seria - exigida do povo judeu como sendo um mero mitzvá - mandamento cerimonial, omitindo a informação, provavelmente por conveniência, de que esta regra de moral e conduta, mantida no Novo Testamento, visava, antes de qualquer coisa, preservar a natureza da criação humana, como já dito: "Homem e mulher os criou!".

Essa espécie de relacionamento, ainda no contexto do Antigo Testamento, foi a causa primária da destruição de Sodoma e Gomorra, narrada em Gênesis 19.5-13, tendo ainda sido praticada por alguns benjamitas, mas punidas pelas demais tribos (cf Jz 19.22-25; 20.1-11). Fosse esta apenas uma proibição cerimonial específica para os judeus, como quer Victor Orellana, não teria rendido tamanho castigo a Sodoma e Gomorra e aos benjamitas.

Os livros do Novo Testamento repetem esta proibição várias vezes. Destacamos o texto citado inteligentemente pelo jornalista da revista Época, que declara: "Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idolatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus" (1Co 6.9,10; grifo do autor).

A "disparidade" citada por Orellana para esta referência não merece crédito, pois a expressão grega empregada aqui - ????????malakós - leva-nos exatamente ao significado descrito no texto bíblico - "efeminado" - ou, como preferem Fritz Rienecker e Cleon Rogers , "efeminado; um termo técnico para o parceiro passivo em relações homossexuais". A consagrada obra The greek New Testament, editada em cooperação com o Institute for The New Testament Textual Research, com introdução em espanhol, traz idêntica interpretação para o termo ???????? ??????- "delicado; extravagante; lujoso; efeminado; homossexual.

Não cremos que o sr. Orellana possua o mesmo cabedal teológico ou lingüístico das autoridades aqui citadas, entre outras que, seguramente, fariam coro com estas. Entendemos que as declarações do entrevistado da revista Época representam tão-somente a conveniência de sua opção sexual, a qual está indiscutivelmente divorciada da verdade e moral bíblicas.


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