Apologética



O Dilúvio



Introdução


Um dos maiores mistérios do século 20 consiste na sobre vivência da antiga arca de Noé. A Bíblia diz que uma grande inundação ocorreu há aproximadamente cinco mil anos, na qual Noé e sua família sobreviveram mediante um grande barco de madeira que haviam construído. Este barco finalmente pousou sobre as montanhas de Ararate (Gn 8.4).

Se a narrativa do dilúvio é verdadeira, o que aconteceu à arca? Seria possível a sua sobrevivência até nossos dias? Caso positivo, o que prova sua existência?

Durante anos, seguimos as expedições ao Monte Ararate que tentaram recuperar a arca. Recebemos perguntas constantes sobre a nossa opinião no assunto e achamos, então, necessário colocar a questão em perspectiva. Não vamos dizer nada que já não tenha sido dito com relação à evidência da existência da arca. Mas estamos tentando dar um resumo do que aconteceu e de como as coisas se encontram agora. Trata-se de uma história fascinante que todos, em nosso mundo moderno, deveriam conhecer.


Cenário bíblico


"Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; e então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Porém Noé achou graça diante do Senhor" (Gn 6.5-8).

A terra, cheia de violência e corrupção, estava pronta para o juízo do Deus Todo-Poderoso. Assim sendo, Deus decidiu destruir os habitantes da terra com um grande dilúvio.

Contudo, o justo Noé e sua família seriam poupados dessa inundação por meio de um grande barco de madeira que Deus lhes ordenara construir. "Então disse Deus a Noé: . . .Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos, e a calafetarás com betume por dentro e por fora. Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento, de cinqüenta a largura e a altura de trinta. Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de alto; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um embaixo, um segundo e um terceiro" (Gn 6.13-16).

Depois de receber as especificações do barco, Noé e sua família levaram cento e vinte anos para construir a arca. O dilúvio prometido veio finalmente, destruindo toda a vida, exceto a de Noé e sua família e de um casal de cada animal que tinha sido levado para a arca. "Prevaleceram as águas excessivamente sobre a terra, e cobriram todos os altos montes que havia debaixo do céu. Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e os montes foram cobertos. Pereceu toda carne que se movia sobre a terra" (Gn 7.19-21).

A chuva finalmente parou e "as águas iam-se escoando continuamente de sobre a terra, e minguaram ao cabo de cento e cinqüenta dias. No dia dezessete do sétimo mês, a arca repousou sobre as montanhas de Ararate" (Gn 8.3, 4).


O Fato do Dilúvio


A confirmação do dilúvio é feita por ninguém menos que o próprio Senhor Jesus Cristo, que o comparou à Sua segunda vinda: "Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca" (Mt 34.37- 38). O fato do dilúvio é admitido por Jesus. Para o cristão, isto encerra a polêmica. Se Jesus é quem ele disse ser, Deus em forma humana, então, quando fala sobre um assunto, Ele o faz com autoridade final. Desde que Ele confirmou a ocorrência do dilúvio, a questão está decidida para sempre.


A Arca


A arca que Deus ordenou a Noé construir tinha trezentos côvados de comprimento, cinqüenta de largura e trinta de altura. Um côvado equivale a aproximadamente 0,66 metros, ou seja, a arca tinha 198 metros de comprimento, 33 metros de largura e 19,8 metros de altura. Sua capacidade total seria de 129373,2 metros cúbicos. Quanto à sua possibilidade de acomodar todos os animais, veja nossa obra Respostas Aquelas Perguntas.


As Condições de Navegação


A arca teria condições de suportar a violência das águas do divúlio? Dr. Henry Morris, ex-professor de engenharia hidráulica e presidente do departamento de engenharia civil do Instituto Politécnico de Virgínia, mostrou que o tamanho e desenho da arca fariam com que ela fosse estável, capaz de suportar o ataque violento do dilúvio ("The Ark of Noah", Creation Research Society Quarterly, Vifi, 1971, pp. 142-144.) ("A Arca de Noé", Sociedade de Pesquisa e Criação Quarterly). Conclusão de Morris: "A arca, como desenhada, era portanto de todos os modos grandemente estável, admiravelmente adequada para o seu propósito de enfrentar as tempestades do ano de grande inundação."

O cientista britânico Frederick A. Filby também comenta suas condições de navegação: "O relato babilônico que fala da arca como um cubo demonstra completa ignorância. Um barco desse tipo ficaria girando vagarosamente em torno de si mesmo. Essas proporções são importantes do ponto de vista da estabilidade, de arfagem e balanço. A razão entre comprimento e largura, 300 para 50, é de 6 para 1. Tomando a média de seis navios modernos com aproximadamente o mesmo tamanho, escolhidos entre seis linhas de navegação diferentes, obtemos, como exemplo, uma proporção de 8,1 por 1. O enorme Rainha Elizabeth tem uma proporção de 8,16 por 1, enquanto a do Canberra é de 8,2 para 1. Mas esses navios foram projetados com vistas à velocidade, enquanto a arca não. Alguns dos gigantescos petroleiros têm proporções de cerca de 7 para 1. Ainda mais interessantes são os números para o Great Britain, projetado por 1. K. Brunel, em 1844. Suas dimensões eram de 106 metros de comprimento por 17 metros de largura, de modo que as proporções são quase exatamente as da arca. Brunel acumulara o conhecimento de gerações de armadores para nele se basear. A arca foi o primeiro barco dessa espécie" (Frederick A. Filby, The Flood Reconsidered, p. 93).


A construção


Levantou-se, também, a possibilidade do homem antigo poder construir um barco tão imenso. Seria um empreendimento grande demais para alguém que vivesse nos dias de Noé? Filby dá uma resposta ressonante: "Parece razoável, no nível natural, supor que Noé possuísse esse gênio para a construção que se manifesta de tempos em tempos, através da história, construindo algo muito além das realizações de seus contemporâneos.

Esse foi seguramente o tipo de gênio mostrado por Imhotep no desenho da Pirâmide dos Degraus (Step Pyramid), do ar quiteto dos Jardins Suspensos da Babilônia, de Ictinus e Cal licrates na construção do Partenon, e de Chares de Lindus na do Colosso de Rodes. Se rejeitarmos a história e dissermos que a tarefa era excessivamente grandiosa e que homem algum poderia estar tão adiantado em relação aos seus contemporâneos, deve mos, então, rejeitar igualmente as outras sete maravilhas do mundo antigo. Noé foi apenas o primeiro nessa linha de gênios que projetaram e construíram algo que excedeu em muito a capacidade de seus contemporâneos" (Fredefick A. Filby, The Flood Reconsidered, Zondervan Publishing Company, 1971, p. 80).

Assim sendo, não há necessidade de apelar para o miracu loso com respeito à construção da arca. A história antiga nos fornece vários exemplos de construções surpreendentes de pro porções espantosas.


O Monte Ararate


Uma das descrições mais gráficas da região do Ararate foi dada por M. M. Kalisch em seu comentário sobre Gênesis, escrito há mais de 100 anos.

"O Ararate consiste em dois picos desiguais, ambos desa parecendo nas nuvens; o cume mais alto tem 5.165 metros de altura, enquanto o pináculo a noroeste se eleva 4000 metros acima do nível do mar. Eles ficam a 11 quilômetros de distância um do outro.

O platô sobre o qual o Ararate se alteia tem uma altura considerável. Mas, visto da extensa planície que circunda sua base, ele causa a impressão de que as maiores montanhas do mundo estão ali empilhadas uma sobre a outra para formar esta sublime imensidão de terra, rocha e neve...

Os dois picos do Ararate são separados por um vasto e escuro abismo, que se aprofunda para o interior da montanha, enchendo o espectador de medo e tremor, contendo, em seus mais secretos recessos, imensas massas de gelo que nunca se derretem, na dimensão de enormes torres. Este estupendo e medonho abismo é, provavelmente, a cratera extinta do Ararate, que se alargou, mais do que nunca, depois da erupção de 1840, expondo, a partir dessa catástrofe, os feldspatos brancos, amare los e vítreos em sua parte superior e que formavam a montanha. Eremitas piedosos parecem ter procurado, nesse terrível pre cipício, refúgio dos cuidados e vaidades do mundo...

A vegetação nos flancos da montanha é extremamente escassa; pedras, areia e lava formam a sua massa; águias e falcões pairam ao redor de seus picos majestosos. Só na estação mais quente é que a neve se derrete no alto do Ararate Menor; e este evento é usado como uma espécie de calendário pelos agricultores nos povoados vizinhos. Em setembro e outubro, ele fica geralmente livre da crosta branca. Mas o Grande Ararate, até cerca de 5 quilômetros do cume, fica todo coberto de neve e gelo, e durante a maior parte do ano permanece sombriamente envolto em uma nuvem densa e pesada. O topo desta nobre montanha forma uma plataforma ligeiramente convexa, quase circular, com cerca de duzentos passos de circunferência...

Na beirada, o cume se torna íngreme, especialmente do lado nordeste. Uma leve depressão liga este pináculo com a eminência um pouco menor, a uma distância de 363 metros. E é nesso local que se acredita que a arca de Noé pousou". (M. M. Kalisch, Historical and Critical Commentary on the Ok! Testa ment: Genesis, Longman Green, London, 1858).


Pesquisa histórica


O livro de Gênesis diz claramente que a arca de Noé pousou no monte Ararate. Desde a antigüidade até hoje, muito se relatou a respeito da arca no Monte Ararate.

Fernand Navarra, em seu livro, Noahs Ark: 1 Touched It ("A Arca de Noé: Eu a Toquei") (pp. 1-3), incluiu estes fascinan tes comentários:

"O primeiro testemunho conhecido quanto à presença contínua da arca de Noé no Monte Ararate foi de Berose, ou Beroso, um sacerdote caldeu que escreveu histórias da Caldéia e Assíria. Este idoso senhor afirmou que em seus dias (cerca de 475 a.C., quase dois mil anos depois da data tradicional do grande dilúvio) as pessoas ainda subiam a montanha e raspavam a cobertura betuminosa da madeira da arca. Elas usavam os pedaços de betume como talismãs."

Josefo, que viveu durante a última parte do primeiro século, escreveu em Antigüidades .Judaicas que os armênios chamam o lugar onde Noé aportou de 'Lugar da Descida' devido à arca ter ficado a salvo nesse ponto e seus restos serem mostrados ali pelos habitantes até hoje.

Josefo cita outros testemunhos: Hierônimo, o egípcio, que escreveu as Antigüidades Fenícias e Mnaseas, além de muitos mais, também faz menção disso. Nicolau de Damasco, em seu nonagésimo sexto livro, inclui uma nota particular, onde diz:

'Existe uma grande montanha na Armênia, além de Minyas, chamada Baris, sobre a qual se conta que muitos que fugiram na ocasião do Dilúvio foram salvos; e que um deles que foi carregado na arca aportou em seu topo, tendo sido os restos da madeira preservados durante muito tempo'. Teófilo de An tioquia confirmou esta declaração.

Em 330 a.D., Jacó, um patriarca de Nisbis, tentou chegar ao cume. Ele falhou, mas, segundo uma lenda, um anjo visitou-o e lhe deu um fragmento da arca. Segundo consta, este fragmento foi guardado na igreja de Etchmiadzin, perto do Ararate, até que o prédio foi destruído pelo terremoto de 1829 e o fragmento perdeu-se.

William de Ruysbroeck, um viajante belga do século 13, chegou aos pés do Monte Ararate, em 1254, quando voltava de uma expedição às Montanhas de Karakoram. Ele descreveu que a montanha, que chamou de 'Masis', 'era a mãe do mundo', sendo essa a razão pela qual ninguém podia chegar até o seu cume. 'Su per Masis nulius debet ascendere, quia est mater mundi. 'Este mito da inacessibilidade do Ararate circulou durante séculos.

Marco Polo (c. 1254-1324) mencionou a existência da arca e descreveu o Monte Ararate como uma imensa montanha, cuja caminhada ao seu redor exigia nada menos que dois dias de viagem e cujo pico não podia ser alcançado por causa da neve eterna.

Sir John Maundeville contou a história de Jacó de Nisbis com uma variação. O anjo não deu um fragmento da arca ao patriarca, mas ajudou-o a subir a montanha. O próprio Jacó encontrou e trouxe de volta o fragmento que foi adorado mais tarde em Etchmiadzin. Segundo Maundeville, muitos nativos se gabavam de ter visto e tocado a arca, mas ele permaneceu cético: 'Nin guém subiu ao alto do Monte Ararate desde o monge Jacó. E impossível crer nos que afirmam ter feito a escalada.'

Jean Chardin, um viajante francês do século 17, mencionou a mesma história milagrosa em seu livro Voyage to Persia and the East Indies. Chardin parece ter crido na história, surpreendendo- se com o fato do monge poder subir o Monte Ararate, 'quando em todas as estações do ano a montanha não passa de uma enorme massa de neve'.

No século 18, Joseph Pitton de Tonmefort, um botânico de Aix, na França, colheu plantas nas encostas do Monte Ararate, mas não subiu além do segundo terço da montanha. Algum tempo mais tarde, James J. Morier (falecido em 1849), diplomata britânico e romancista, falhou em sua tentativa de escalar a montanha. Um paxá da cidade turca de Bayazid, localizada aos pés do monte Ararate, também fracassou. Ele subiu a cavalo com uma numerosa escolta, mas teve de parar bem abaixo da zona de neve. Quando um xá persa, em fins do século 18, ofereceu uma grande soma em dinheiro para a primeira pessoa que chegasse ao alto, ninguém sequer tentou a subida.

Em 1800, um americano, Claudius James Rich, relatou as alegações de um certo Aga Hussein, que afirmou ter chegado ao topo da montanha e visto os restos da arca.

A história da ascensão ao Monte Ararate, na era moderna, começa em 1829 com um russo, Frederic Parrot. Ele era um médico, professor na Universidade Dorpat, na Estônia, e um dos primeiros alpinistas."

John Warwick Montgomery, em The Quest for Noah 's Ark (pp. 314-317), acrescenta outros detalhes sobre visões da arca:

"Mesmo em face das poderosas confirmações arqueológicas quanto à historicidade dos primeiros cinco livros da Bíblia - embora os escritos de Moisés tenham provado estar historicamente aprovados pela avaliação de Jesus - a opinião popular continua considerando o trecho de abertura do livro de Gênesis como um mito religioso. Da época anterior a Abraão, todo o material bíblico permanece sob suspeita. Em particular, o relato sobre Noé e a arca em Gênesis (Gn. 6-9) parece, especialmente a muitos, ser o arquétipo ou exemplo das histórias infantis.

Todavia, deveríamos fazer uma pausa antes de aceitar este ponto de vista comum. Admite-se que a confirmação arqueológica não tenha retrocedido muito mais do que até Abraão (Gn 11) - mas há um século, como vimos, Abraão era seguramente tido como um mito! A distância entre Gênesis 11 e Gênesis 9 é curta, e a arqueologia bíblica científica vem fechando brechas como essa, continuamente, já há um século. Não deveríamos nós, talvez, aprender pela experiência?

Além disso, a tradição de um Dilúvio universal encontra-se no mundo inteiro, entre povos completamente diferentes como os lapões e os habitantes das ilhas Fiji. Essas tradições freqüente mente mencionam um barco em que algumas pessoas escaparam às águas destruidoras. Meu interesse como historiador nos rela tos antigos sobre o Dilúvio levaram-me a investigar todos os registros de documentos sobre a real sobrevivência do barco de Noé, o qual, de acordo com o livro de Gênesis, pousou 'nas montanhas de Ararate' (8.4). Os relatórios extra-bíblicos começam com o Berosso histórico (3d C.B.C.), que declara que 'deste barco que apontou na Armênia, certa parte ainda permane- ce nas montanhas' e que pessoas removeram betume dele para usar como amuletos. Desde Berosso até o século 20 existe uma fonte contínua de tais relatos da sobrevivência da arca, quase sempre associados com o Ararate maior (Monte Agri) na fronteira oriental da Turquia de hoje.

Entre os testemunhos mais recentes, encontram-se os seguintes:


Testemunhos da Sobrevivência da Arca


a) Vista por um jovem armênio que nela subiu (1902).

b) Vista de perto por uma patrulha militar de russos brancos (19 16- 17).

c) O explorador Hardwicke Knight encontra uma estrutura retangu lar de madeira no gelo do Ararate (década de 1930).

d) Uma forma parecida com um barco, projetando-se do gelo do Ararate, é fotografada pelo enge nheiro George Jefferson Greene, de um helicóptero (1952).

e) Explorador amador francês, Fernand Navarra vê sob o gelo glacial no Ararate uma forma de barco com as dimensões da arca (1952), e mais tarde (1955) con segue obter alguns pedaços da sua madeira que é, com certeza, trabalhada à mão, aparentemente revestida de pixe (betume), e datando de pelo menos 5.000 anos.


Fontes dos Testemunhos


a) Entrevista com o armênio (regis trada em fita).

b) Entrevistas com membros das famflias dos soldados (agora falecidos) da patrulha e com oficiais conhecidos seus (decla rações feitas sob juramento).

c) Declaração de Knight, sob jura mento.

d) Desenho feito por um colega engenheiro, com base nas foto grafias não mais existentes do falecido Greene.

e) As narrativas de Navarra em seus dois volumes (L' Erpedition zu MontAra rat;J'altrouve l'Arche de Noe); entrevista pessoal com ele e exame da madeira; relatórios de análise da madeira do Insti tuto Florestal de Pesquisa e Ex perimentação, Madri, Espanha, e do Instituto da Faculdade de Ciências da Universidade de Bor deaux."


Montgomery continua:

"Por causa da natureza poderosa desta evidência circunstancial, eu mesmo fui ao Monte Ararate quatro vezes (agosto de 1970, 1971 e 1972; abril de 1973), subindo ao topo deste pico exces sivamente alto (5,165 metros) e traiçoeiro, a 17 de agosto de 1970. O Ararate dá vistas para a fronteira entre a Turquia e a Rússia, estando numa região controlada pelas forças turcas. Foi, portanto, impossível (é triste dizer) obter permissões do governo para levar a efeito o tipo de pesquisa local extensa, exigida para confirmar os testemunhos passados e realizar uma descoberta sólida.

Ao voltar da Turquia para os Estados Unidos, em setembro do ano passado (1973), todavia, fui procurado pelo sr. Thomas B. Turner, da McDonneli Douglas Astronautics Company (Com panhia Astronáutica McDonneil Douglas), que estivera em con tato com M. Delaney do Centro de Pesquisa e Observação da Terra por Satélite, de Sioux Falis, South Dakota, onde há vasto material a respeito. Enquanto verificava as imagens da região do Ararate, Deianey encontrara uma forma retangular peculiar, aparentemente estranha à montanha. O mais notável era a localização do retângulo: no próprio quadrante da montanha, onde havia sinais de concentração do solo. Delaney não sabia disto ao localizar a forma estranha; de fato, ele não havia lido meu livro que inclui várias vistas da arca no passado, até que lhe foi apresentado por Turner.

É verdade que esse material de pesquisa não é, de modo algum, definitivo. A medida total do retângulo é maior que as dimensões da arca bíblica (existe uma área menor, perceptivelmentebranca dentro do retângulo total, mas a capacidade de resolução das imagens não permite a determinação do seu tamanho). O pessoal de Jerald Cook, do Centro de Leitura à Distância do Institutó de Pesquisa do Meio Ambiente de Michigan, submeteu as imagens a um exame cuidadoso, não podendo, porém, pronunciar-se com certeza sobre elas.

Mas essas possibilidades não são surprendentes? Como Belon e Miller observam corretamente: 'A leitura à distância pelo satélite do ambiente deve ser combinada com dados obtidos de um avião, assim como de observações da superfície, a fim de ser completamente eficaz. O uso de aviões na região do Ararate é completamente inviável em face da situação política, e segundo as últimas informações de Ancara - sem dúvida, devido a insur reições dos curdos no Iraque e Irã próximos do Ararate e da fronteira turca (Roger-X. Lanteri, 'Kurdes: l'ultimatum', L'Ex press (25-3 ide março de 1974), pp. 62- 63. Cf. as seguintes notícias recentes (Christianity Today, 24 de maio de 1974, pp.57-58): - nenhuma exploração local do Ararate será permi tida neste próximo verão.".


Evidência circunstancial


Certos fatos na investigação da arca de Noé estão além de qualquer controvérsia. Entre eles se incluem:

1. Na altura de aproximadamente 427 metros no Monte Ararate, na Turquia, existe uma grande estrutura na forma de barco sepultada sob muitos metros de neve e gelo.

2. Uma estrutura na forma de barco foi mencionada como estando no Monte Ararate por diversos exploradores e histo riadores de várias civilizações, já a partir de 700 a.C.

3. Durante a década de 1800, esta estrutura foi observada por vários exploradores locais, inclusive inúmeras autoridades militares turcas que conferiram à estrutura reconhecimento oficial do governo nos meios de comunicação.

4. Em 1955, uma expedição filmada recuperou um pedaço de madeira da estrutura cerca de 11 metros abaixo da superfície de uma placa de gelo.

5. A madeira recuperada, submetida a inúmeros tipos de testes de datação, revelou uma idade entre 1.200 a 5.000 anos.

6. No início da década dos 70, aviões espiões americanos e satélites atmosféricos e militares fotografaram a estrutura no Monte Ararate.

7. A única fonte histórica específica que pode identificar este artefato é o livro bíblico de Gênesis que menciona o pouso de um grande barco "nas montanhas do Ararate" (In Search of Noah's Ark, Dave Balsiger e Charles E. Sellier Jr., Sun Classics Books, p. 2).

Ao considerar os fatos acima, é possível construir um bom discurso a favor da existência da arca, com base na prova circunstancial. Embora não seja absolutamente conclusiva, a evidência é muitíssimo significativa. O fato patente é que existe alguma coisa lá em cima. E o que quer que seja essa coisa, ela tem milhões de anos de idade, é enorme, feita de madeira e à mão. Se não é a arca de Noé, o que será então? Esta pergunta tem de ser feita.


Seu significado caso seja verdade


Se pudesse ser verificado, sem sombra de dúvida, que a arca de Noé ainda repousa no Monte Ararate, a importância de tal verificação seria monumental. A recuperação da arca iria sugerir fortemente que o dilúvio de fato ocorreu. "Como a arca poderia ter chegado a tal altura de outro modo?", alguém talvez perguntasse. Não existem muitas árvores aos arredores para construir a arca; assim sendo, alguma teoria deve ser apresentada para explicar como ela chegou ali.

Se nenhuma explicação racional puder ser dada para justificar a sua existência, então a explicação bíblica, por ser sobre natural, deve ser seriamente considerada. O relato bíblico do dilúvio e da arca receberia sólida confirmação. Se isto puder ser confirmado, demonstrará, então, indiretamente a existência de Deus, pois a idéia de uma arca admite um dilúvio que, por sua vez, admite um juízo. Não é possível supor que esse barco sólido estivesse disponível por acaso, quando as chuvas vieram e algumas pessoas subiram nele e sobreviveram durante um longo período de tempo. A Bíblia afirma especificamente que a arca foi construída para preservar Noé, sua família e dois animais de cada espécie da destruição do dilúvio, que era um juízo de Deus.

Com base nesta linha de argumentação, pode-se apresentar uma defesa para a existência de Deus a partir dos detalhes da arca. Este argumento, embora baseado em evidências circunstanciais, não pode ser facilmente ignorado.


Objeções


Existem várias objeções à identificação da estrutura, no Monte Ararate, como sendo a arca de Noé.


O Local do Pouso


Jamais foi estabelecido firmemente que a montanha das expedições atuais seja aquela em que a arca de Noé pousou.

Arthur Custance, pesquisador, salienta este ponto: "Além do mais, não há certeza, como já foi indicado várias vezes, de que a arca pousou nesta montanha. As Escrituras dizem apenas que ela pousou nas montanhas (plural) de Ararate (Gn 8.4). Ararate é quase certamente um distrito (reino, Jr 51.27) contendo mais do que um lugar possível de pouso" (Arthur C. Custance, The Flood: Local or Globa4 p. 104.).

Todavia, as explorações tiveram lugar na Ararate Maior, a montanha mais alta da região, na qual a tradição, desde há muito, considera que a arca pousou. O Monte Ararate Maior é o candidato mais provável, considerando sua altura e longa e bem- documentada tradição relativa à sobrevivência da estrutura. As observações visuais e os fragmentos de madeira encontrados foram, também, do Ararate Maior. Portanto, o argumento de Custance aqui não é particularmente persuasivo.


Muitas Lendas


Outra objeção semelhante vem de Bernard Ramm, que diz:

"As lendas da descoberta da arca do Monte Ararate vêm flores cendo há séculos... Até hoje, todas essas lendas da descoberta da arca não passam de ficção. Como indicaremos depois, a arca não pousou no topo do Monte Ararate (cerca de 5.000 metros de altura), mas nas montanhas de Ararate. Se for este o caso, a arca desapareceu há muito tempo, por ter apodrecido, servido de combustível, ou material de construção. (Bernard Ramm, The Christian View of Science and Scripture, p. 158.)


Alto Demais?


Os 5.165 metros de altura, onde a arca se encontra presen temente, constituem uma dificuldade para alguns escritores: "As águas levaram a arca até as montanhas de Ararate. O texto hebraico não indica que ela tenha sido depositada sobre o ponto mais alto do cume, mas que pousou em algum lugar das monta nhas de Ararate. Teria sido necessário um milagre muito espe cial para fazer Nóe e sua família descerem de tão grande altura, onde o frio era sem dúvida extremo" (Bernard Ramm, The Christian View of Science and Scripture, p. 162).

Custance argumenta numa linha similar:

"Em todas as observações visuais da atualidade, o reconhe cimento por meio de avião, binóculo ou alpinismo indica sempre o mesmo, sugerindo que o local era, ou é agora, de difícil acesso. Muitos dos animais teriam dificuldade em descer ao nível do mar...

O cenário assim criado seria praticamente irreal. Até que saibamos com maior certeza o que na verdade significou para o escritor a frase 'montanhas do Ararate', não estamos em posição de afirmar vigorosamente que a arca pousou em uma elevação de vários milhares metros de altura, sobre o que é agora conhecido como Monte Ararate. As histórias registradas por escritores primitivos, como Josefo (Antigüidades, 1, iii, 5), a respeito da madeira tirada da arca nos primeiros séculos da presente era, quase certamente excluem qualquer local suposto como o atu almente em questão, que só pode ser visitado por uma expedição de alpinismo com toda a sofisticação do equipamento modeino" (Arthur C. Custance, The Flood: Local or Global, p. 105.).

A Bíblia esclarece, porém, que a arca pousou realmente no topo do Monte Ararate, como mostra Arthur Whitcomb: "As águas iam-se escoando continuamente de sobre a terra, e min guaram ao cabo de cento e cinqüenta dias. No dia dezessete do sétimo mês, a arca pousou sobre as montanhas de Ararate (pois a arca apontou no mesmo dia em que as águas começaram a baixar - Gn 7.11; 8.3-4). Todavia, dez semanas depois, nada podia ser visto acima do nível da água exceto outros picos de montanhas (8.4-5)! Ainda mais vinte e uma semanas foram necessárias para as águas descerem o suficiente para Noé desem barcar a salvo nas montanhas de Ararate! Como um dilúvio tão grande e longo poderia ter coberto apenas uma porção limitada da superfície da terra jamais foi satisfatoriamente explicado" (John C. Whitcomb, The World That Perished, p. 46).


Onde ela pousou?


Custance apresenta outra objeção interessante:

"Quase todas as pesquisas têm sido dirigidas para a encosta e não o cume do suposto lugar de pouso. Isto parece difícil de justificar, a não ser que suponhamos que depois de fixar-se no cume e descarregar, a arca, mais tarde, escorregou pelas en costas.

Mas seria possível que um barco de tamanhas proporções pudesse ser transportado tão facilmente - a não ser por um terremoto ou um deslizamento? Supõe-se, no entanto, que este, o local presentemente presumido, é onde ela pousou. Devemos perguntar então: Como ela pôde ter aportado tão abaixo na encosta da montanha sem que a terra seca já tivesse aparecido?

Se ela ancorasse, digamos, a 300 metros do pico, não iriam os 300 metros de terra exposta, da qual a água já deveria ter-se retirado, constituir a "terra seca", muito antes da arca ter tocado o solo? Como pode ser dito, então, que a arca tocou o solo cerca de 74 dias antes da terra seca estar visível em qualquer ponto?

A folha de oliveira levada de volta à arca pela pomba pa rece sugerir que o pássaro encontrara árvores verdes em alguma elevação certamente muito abaixo daquela em que a arca é descrita como estando pousada hoje. Se meu argumento sobre a não-existência de terra seca quando a arca assentou tem qualquer força, ela deve, então, ter pousado numa elevação ainda mais alta que esta. Nesse caso, onde uma pomba poderia encontrar uma folha de oliveira ? A maior parte da terra em volta se encontrava ainda debaixo d'água. Tratava-se, ademais, de uma folha de oliveira "nova" (Gn 8.11), i. e., não apenas um refugo, ou seja, uma folha de era árvore viva. Ela talvez tenha sido encontrada a alguma distância da arca, mas parece razoável supor que a arca não estava, de fato, repousando a uma altitude de milhões de metros, de modo que a oliveira não submergira sob esses milhões de metros d'água: talvez a oliveira estivesse no alto de uma elevação como o Monte das Oliveiras, e mal submergira" (Arthur Custance, The Flood: Local or Global; pp. 104-105).

Esta objeção não é difícil de ser superada. Não é necessário supor que o local em que os restos da arca se acham agora seja o mesmo em que ela pousou. Existe boa evidência para se acreditar que em tempos recentes a arca deslizou um pouco (ver John Warwick Montgonery, The Quest for Noah 's Arc), (A Busca da Arca de Noé), 2 ed. p.374).


Um Sinal da Segunda Vinda de Cristo?


Muitas perguntas surgiram com respeito à possível des coberta da arca de Noé. Por que ela parece tão próxima? Caso encontrada, o que isso significará para a era de ceticismo em que vivemos? Uma possibilidade interessante é que Deus vai usá-la como um sinal para indicar o breve retorno de Cristo, lembrando que o próprio Jesus disse que a ocasião de Seu retorno seria comparada aos dias de Noé. John Warwick Montgomery desen volve este pensamento:

"Haverá 'coisas terrenas' fornecidas como sinais e ad vertências específicas do fim dos tempos? A resposta de Jesus é positiva, pois Mateus 24 e seus paralelos nos falam de calaini dades naturais, guerras, etc., que precederão o Seu retorno. Poderia um sinal ainda mais explícito estar sendo preparado para um mundo que já esqueceu em grande parte os dias de Noé, e não se preocupa com nada além de 'comer e beber, casar-se e dar-se em casamento'? Será possível que Deus reservou o próprio barco que, como a cruz de madeira, salvou aqueles que se confiaram a ele, a fim de servir de indicador mais concreto da volta dos dias de Noé? Um sinal desse tipo não forçaria a conversão daqueles que preferem os seus valores aos de Deus; da mesma forma que os milagres manifestos em Cristo não convenceram os homens de Sua época que não Lhe quiseram entregar suas vidas. Mas, a fim de negá-lO, eles tiveram de recorrer a absurdos como: 'Ele expulsa demônios pelo príncipe dos demônios'; e o peso das evidências a favor de Deus empurrou os incrédulos a uma irracionalidade comparável em todas as eras. Não poderia o Deus de toda a graça - que, como no caso do duvidoso Tomé, tantas vezes caminha a segunda milha ao oferecer Sua verdade aos que não a merecem - apresentar uma confirmação final para aqueles que 'têm ouvidos poderem ouvir', antes de Ele descer a cortina sobre a história humana?

A Bíblia não proclama uma resposta afirmativa para esta pergunta, mas tal resposta concordaria perfeitamente com as operações divinas registradas nas Santas Escrituras" (John War wick Montgomery, The Quest for Noah 'sArk, pp. 287, 288, ed. revista, 1974, Bethany Fellowship).


Uma precaução como base da fé


Existe uma prova circunstancial sólida de que parte da arca de Noé ainda repousa no Monte Ararate. É também concebível que algum dia ela seja desenterrada e sua verdadeira identidade, exposta. Embora as perspectivas sejam de fato animadoras, urna palavra de advertência é necessária. A veracidade da fé cristã não repousa sobre a prova da existência da arca de Noé no Monte Ararate. Suponhamos, por exemplo, que fique demonstrado que o grande objeto de madeira no Ararate não é a arca de Noé. O que o cristianismo perderia? A resposta é nada.

Nossa fé cristã está fundamentada no fato de Jesus de Nazaré ter demonstrado, de uma vez para sempre, que era Filho Unigênito de Deus, pela Sua vida sem pecado, Seus milagres e Sua ressurreição dos mortos. O cristianismo oscila ou não em relação à pessoa de Jesus Cristo. Se Jesus puder ser refutado, a fé cristã poderá, então, ser também refutada. Todavia, supostos artefatos, como a arca de Noé ou o Sudário de Turim, quer sejam verdadeiros ou não, não constituem uma base para a fé. A sua autenticidade, mesmo sendo estabelecida, não irá gerar necessariamente fé.

A Bíblia oferece dois exemplos apropriados no que con cerne a tratar com artefatos. No livro de Números, Deus enviou serpentes para castigar Seu povo rebelde, que depois disso supli cou-Lhe que o livrasse delas. Deus instruiu, então, Moisés a erigir uma serpente de bronze, no centro do arraial, como um objeto de fé. Os que eram mordidos pelas serpentes venenosas olhariam com fé para a serpente de bronze e viveriam. Todavia, essa mesma serpente de bronze foi encontrada centenas de anos mais tarde pelos judeus em seu templo.

A reação deles foi adorar o objeto. Eles confundiram completamente as coisas. A serpente de bronze nada tinha de sagrado em si mesma; seu propósito era dirigir a fé individual para Deus. A arca deveria servir também para esse propósito; ela jamais deveria ser venerada.

Jesus nos ensinou uma lição importante em Seu relato do homem rico no inferno (Lc 16.19-31). O homem tinha cinco irmãos que desejava advertir contra o destino que os esperava.

Ele queria que alguém voltasse dentre os mortos e os avisasse, pois julgava que, sem dúvida, creriam nessa pessoa. No entanto, recebeu uma repreensão pelo seu modo errado de pen sar. "Se não ouvem a Moisés e aos profetas", disse Jesus, "tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos" (Lc 16.31). Em outras palavras, se não crerem no volume das provas que já lhe foram dadas, não serão certamente convencidos por alguma prova nova. Por quê? Porque o problema deles não era intelectual ou evidencial. Existe evidência sufi ciente para qualquer um tomar uma decisão inteligente e crer em Jesus Cristo, mas nenhuma quantidade de evidência irá forçar alguém a crer contra a própria vontade. A confirmação da arca de Noé irá solidificar a fé que os crentes já possuem, mas não irá criar, necessariamente, uma fé nos incrédulos que não estejam dispostos a chegar a um acordo com as suas necessidades espirituais.


A situação Atual da Busca


As relações tensas entre os Estados Unidos e o governo turco, juntamente com a localização cada vez mais estratégica do Ararate (a 32 quilômetros da fronteira russa) vêm impedindo a entrada de expedições desde 1974. Até que as condições me lhorem, o acesso à montanha continua proibido para novas in vestigações.


Conclusão


A história da vista do objeto, juntamente com a descoberta da madeira trabalhada à mão, sugerem que parte da arca perina nece ainda no Monte Ararate. Embora nenhuma solução final possa ser apresentada ao antigo mistério da sobrevivência da arca, devemos manter a mente aberta e uma atitude do tipo esperar-para-ver. A maior descoberta dos tempos modernos pode estar bem à nossa frente.


Por Elvis Brassaroto


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