Apologética



Confissões de pecados


"O que encobre a sua transgressão nunca prosperará, mas o que a confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Pv 28.13).

A Igreja Católica Romana ensina que Jesus Cristo instituiu sete "Sacramentos:" o batismo, a confirmação ou crisma, a eucaristia, a penitência ou confissão, a ordem, o matrimônio e a extrema-unção. A confissão, porém é cultivada com acendrado zelo, como indispensável à salvação, a exemplo do que lemos no livrete: "Respostas Da Bíblia Às Acusações Dos Crentes", e em outras publicações.

"Quem negava a Jesus o poder de perdoar os pecados e até O taxava de blasfemo eram os orgulhosos escribas". "Ele exige de nós este ato de humildade e obediência na confissão sacramental, na qual confessamos nossos pecados diante do seu representante legitimamente ordenado ".

"Por que não é suficiente confessar-se somente a DEUS?"...."Porque Ele (Deus) não o deseja".

"Os fariseus desejavam ir diretamente a DEUS sem passar por Jesus Cristo, e Jesus lhes respondia:" Ninguém vem a meu PAI senão por mim." "Protestantes e infiéis, por sua vez, desejam ir a Jesus Cristo sem passar pelo sacerdote; e este lhes diz, em nome de DEUS, Ninguém vem a Jesus Cristo senão por mim. É a mim que Jesus Cristo mandou aos homens para instruí-los, purificá-los, julgá-los e, salvá-los". "Sem a Confissão permanecemos ligados ao pecado e depois da morte iremos para o inferno" "Queiramos ou não, devemos ir para um dos dois, ou para a Confissão sacramental, ou para o inferno; cada um de nós tem uma escolha... o sacerdote ocupa o lugar de Jesus Cristo na terra" .(grifo nosso)

O Concílio de Trento dogmatizou: "O sacerdote, desempenha o papel judicial, e pronuncia a sentença como verdadeiro juiz. Representam Deus na terra, e são não só anjos, mas deuses, porque possuem a força e o poder do Deus imortal; pois que não só têm o poder de fazer e oferecer o corpo e o sangue de nosso Senhor, mas também o poder de perdoar os pecados". .

Seria ao bom que os religiosos abandonassem as ameaças e a intolerância da "Santa Inquisição" que lemos no "Manual dos Inquisidores" publicado em 1376 !

A nosso ver, o que foi dito acima, não tem apoio bíblico, pois afirma que quem não se confessa ao sacerdote vai para o inferno! Além do mais devemos lembrar que a Igreja de Cristo não tem sacerdotes.

Os próprios teólogos católicos reconhecem e declaram esta verdade em seus melhores dicionários:

"É digno de reparo que o Novo Testamento só usa o termo ??????????iereus? (sacerdote) quando fala sobre o sacerdócio judaico, sobre o de Jesus Cristo (Hb7.15) e o dos cristãos."

"Nunca os apóstolos ou seus colaboradores são chamados de sacerdotes. O título "sacerdote" ???????? não se encontra no NT, a não ser para indicar sacerdotes judaicos ou pagãos". (Grifo nosso).

Todos os cristãos somos sacerdotes! "Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo". (1 Pe 2.5) "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional". (Rm 12.1,2;)

Entendem alguns que Jesus deu aos sacerdotes o poder de perdoar pecados quando disse: "Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas... Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus".(Mt 16.16-19).

Mais uma vez, nos valemos dos teólogos católicos, para explicar, que esta mesma faculdade de ligar e desligar, de perdoar ou reter conferida a Pedro, foi, logo depois, concedida a todos os cristãos, conforme lemos na passagem abaixo, transcrita ipsis litteris , da Bíblia Pastoral:

"Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganhado seu irmão.

Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Caso não dê ouvido, comunique à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele não der ouvido, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos". Eu lhes garanto: Tudo que vocês ligarem na terra será ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra, será desligado no céu. E lhes digo ainda mais: se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isto lhes será feito por meu Pai que está no céu. Pois onde dois ou três estivarem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles." "Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu: Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete". (Mt 18. 15-21)

Leiamos com atenção a excelente nota esclarecedora alocada no rodapé desta página:

"Quando um irmão peca, prejudicando o bem comum, a comunidade age com prudência e justiça, procurando corrigir o irmão. Reunida em nome e no Espírito de Jesus, a comunidade tem o mesmo poder que foi dado a Pedro (cf. 16.19), isto é, incluir ou excluir pessoas". . (Grifo nosso).

"Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar para a comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu".' .

Glória a Deus, por este lindo e conspícuo comentário da Bíblia Pastoral!

Como vemos, a própria Bíblia católica exclui qualquer alusão à confissão auricular ou sacramental, nos versículos citados! Realmente, quando Pedro ouviu as palavras de Jesus acerca do irmão que pecar, não se julgou habilitado a perdoar as pessoas que pecam contra Deus, mas apenas, aos que pecarem contra ele mesmo, tanto, que perguntou:

"Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim?" Até sete vezes?

Para incutir bem nos seus discípulos o dever perdoar, Jesus contou-lhes logo a seguir, história de um homem a quem fora perdoada uma dívida enorme, (dez mil talentos!). Este homem, sem a mínima compaixão, ameaçou e mandou prender um outro que lhe devia uma ninharia (cem denários).

(Um talento valia 6.000 denários; dez mil talentos, portanto, seriam: 60 milhões de denários)!

Que fez o bondoso credor ao ingrato anistiado, ao saber de sua execrável atitude?

"E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida".

Concluindo seu divinal ensino, Jesus nos adverte: Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão. (Mt 18.23-35)

Cremos que o padre, o pastor, o rabino, o líder religioso, podem e devem ser procurados pelos fiéis, quando estes se sentirem com a consciência pesada, seja por pecados ou por quaisquer outros motivos, a fim de obterem orientação, ajuda e oração, como mandou Tiago, o irmão do Senhor:

Confessai os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis. (Tg 5.16)

Porém, não encontramos em toda Bíblia qualquer mandamento para confessarmos os pecados que cometemos contra Deus a um padre, um pastor, ou a qualquer pessoa.


A Confissão de pecados segundo a Bíblia


"O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia". (Pv 28.13)

"Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri: (...) e tu perdoaste a maldade do meu pecado". (Sl 32:5)

"Se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça".(1Jo 1:8, 9).

"Pai nosso que estás no céu, (...) Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores" (Mt. 6.12).

Embora houvesse sacerdotes em Israel, encarregados de oferecer sacrifícios pelos pecados do povo, o profeta Daniel, o rei Davi como todos os israelitas, se confessavam a Deus e não aos sacerdotes.

"Orei ao Senhor, meu Deus, e confessei... Temos pecado e cometido iniqüidades". (Daniel 9. 4,5)

"Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, ... (Davi, Sl 51.1-4)

Jesus, que tinha poder sobre a terra para perdoar pecados, os perdoava, sem perguntar o que a pessoa tinha feito, como tinha feito, com quem, por que, isto é, sem exigir que as pessoas passassem o vexame de enunciá-los ou descrevê-los, como ensina o "Manual do Confessor"

Cremos que, por um princípio ético, e para evitar humilhações e constrangimentos é que escreveu o apóstolo Paulo: "O que eles fazem em oculto, até dizê-lo é vergonhoso." (Ef 5.12)!


Contradições nas notas e nas Bíblias, sobre a "Confissão"


"Confessai as vossas culpas (os vossos pecados) uns aos outros, e orai uns pelos outros para que sareis" (Tg 5.16).

Os tradutores e intérpretes católicos se contradizem quando comentam este versículo!

O Mons Vicente Zioni, e o ex-padre Huberto Rohden, afirmam: "Trata-se da confissão auricular, feita pelo pecador ao sacerdote".

Antônio Pereira de Figueiredo e Matos Soares, afirmam. "Não se trata da confissão sacramental, mas do humilde reconhecimento das próprias faltas".

A Bíblia de Jerusalém, e a Edição Pastoral católica seguem-lhes discretamente.

Frei João José P. de Castro, Fr. Mateus Hoepers, a Tradução de Taizé, (1980) e a Tradução Ecumênica da Bíblia das Edições Loiola (TEB, 1995), e mais uma meia dúzia, simplesmente se omitem.

Curiosamente também um dos livros introduzidos na Bíblia Católica no Concílio de Trento em 1546, contradiz Tiago 5.16: "Confessai as vossas culpas (os vossos pecados) uns aos outros, e orai uns pelos outros para que sareis" e recomenda:"Não contes os teus pensamentos nem ao amigo nem ao inimigo, e, se cometeste algum pecado, não o descubras; porque... aparentando desculpar o teu pecado, te aborrecerá e estará sempre (hostil) a teu lado" (Eclesiástico, 19.8, 9 tradução Pe. Matos Soares).


O triste exemplo de quem se confessou aos sacerdotes e não a Deus


O único caso que encontramos em toda a Bíblia de alguém confessar o seu pecado aos sacerdotes, teve um trágico final: Eis o triste relato dessa infeliz confissão:

"Então Judas, o que o traia,... trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente... Eles porém disseram: Que nos importa? Isso é contigo... E ele... retirou-se e foi-se enforcar" (Mt 27.4,5).

Se Judas tivesse voltado a Jesus, verdadeiramente arrependido, aquele Jesus que perdoou a Madalena, a Pedro, a Zaqueu, a mulher adúltera, e até os seus algozes na cruz do Calvário, certamente também o perdoaria!

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1.9). "Ao Senhor nosso Deus pertence a misericórdia e o perdão" (Dn 9.9). "Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos... e torne para o nosso Deus, pois grandioso é em perdoar". (Is 55.7).

Um dos mais edificantes episódios na vida terrestre de Jesus guarda estreitas relações com o assunto que vimos estudando neste trabalho. Trata-se de um caso que exalta a imensurável misericórdia do Senhor, em perdoar alguém que não se confessou nem a um sacerdote, nem a Deus, certamente porque em meio à tempestade d´alma em que se achava, nada mais podia fazer, do que sofrer e chorar!


Miséria e Misericórdia


Corria já em meio a festa, e Jesus subiu ao templo e ensinava...

No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba."(Jo 7:14,37).

Ainda ecoavam nos céus da Palestina as ruidosas manifestações da Festa dos Tabernáculos, a mais popular do calendário religioso judaico, quando houve o encontro de uma pecadora com Jesus.

Como acontece ainda hoje com a Páscoa, o Natal, o carnaval, as romarias, e as "festas juninas", as festas judaicas daquele tempo também deixavam um saldo financeiro muito bom para os comerciantes e para os chefes religiosos, porém um saldo moral e espiritual, muito ruim para os devotos e os foliões. A perversão das festividades religiosas em Israel chegou a ponto de Deus sentenciar:

"As vossas Festas da Lua Nova, e as vossas solenidades, as aborrece a minha alma; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer".(Isaías 1:14) "Aborreço, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes não me dão nenhum prazer". (Amós 5:21) "Eis que vos corromperei a semente e espalharei esterco sobre o vosso rosto, o esterco das vossas festas; (...)".(Malaquias 2:3)

Assim é que em meio às alegrias promíscuas da Festa dos Tabernáculos, uma infeliz israelita foi flagrada em adultério. Eis o relato bíblico do deplorável episódio:

"Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio, disseram-lhe:- Esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. Ora, Moisés nos ordena na Lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, porém que dizes? Isto, diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo. Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo uma a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus e a mulher ali em pé. Então Jesus erguendo-se lhe perguntou: Mulher onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te; e não peques mais". (Jo 8,3-11).

Não sabemos porque somente a mulher foi trazida à presença do Mestre, pois a lei determinava: "Se um homem for encontrado com uma mulher que tenha marido, morrerão ambos, o homem que se tiver deitado com a mulher e a mulher" (Dt 22.22). Coisas de fariseus...

Poderiam levar tantas pessoas carentes à presença de Jesus! Criancinhas eram trazidas por seus pais para que fossem abençoadas. Amigos de um paralítico, certa vez o levaram a Jesus, por cima da casa! Um oficial romano intercedeu por seu criado, fazendo esta humilde e linda profissão de fé:

"Senhor... Não sou digno de que entres em minha casa;... Dize apenas uma palavra, e o meu rapaz será curado". (Lc 7:6)

Os fariseus, porém, ao invés de levarem os necessitados a Cristo para obterem ajuda e salvação, arrastaram, em praça pública, uma infeliz mulher flagrada em adultério para que fosse condenada!

Mas "O juízo será sem misericórdia sobre aqueles que não tem usado de misericórdia" (Tg 2.13).

Misericórdia é um nome composto do latim "mIser, era, erum", (mísero, infeliz,) e "cor, cordis" (coração). Misericordioso é, pois, aquele que aplica o coração para amar os miseráveis e auxiliar os fracos, ignorantes, doentes; ou, a qualquer indigente; seja do corpo, da mente ou do espírito.

Conta-nos o Padre Antônio Vieira que certo indivíduo procurou o vigário a fim de denunciar alguém. Afirmou, que passara quinze dias vigiando o suspeito para ter certeza das suas acusações. O vigário deu-lhe como "penitência", passar quinze minutos de joelhos, examinando a sua própria vida. O delator não suportou este sacrifício. Disse-lhe o vigário: "A vida do seu próximo você vigiou quinze dias e não suporta analisar a sua própria vida por quinze minutos apenas"?

Certo pastor decidiu falar, de púlpito, contra a maledicência que se alastrava na Igreja. já havia em meio à preleção, adentrou alguém que encarnava em cheio esse mau costume. O pastor cercou-se de cuidados para não caracterizá-lo, pois não queria que o maledicente se sentisse humilhado. Mal terminou o culto, o tal procurou o pastor e disse-lhe: "Reverendo, o seu sermão foi maravilhoso! Foi uma pena que minha esposa não estivesse aqui,... ela precisava tanto de ouvir um sermão como este!".

É comum e freqüente esta atitude por parte daqueles que perdem seu tempo vigiando a vida alheia. Tornam-se insensíveis, incapazes de aplicar à sua vida o que querem exigir dos outros.

Animais que prejudicam os outros, como a lagarta, e outros, como os abutres, os vermes a hiena, alimentam-se de carniça e podridão, são asquerosos, indesejáveis nocivos, repugnantes!

Existem animais porém, que se alimentam de erva fresca, como as ovelhas e os bois. Outros que se alimentam do pólen e do néctar das flores, como as abelhas, as borboletas e os colibris. Estes, são belos e úteis! A sua presença é desejável, pois trazem auxílio à vida humana e adorno ao mundo.

Qual será o assunto que alimentam nossas conversas? Futebol, religião, cinema, progresso científico, piadas sujas, vida alheia? Temos prazer em escutar ou divulgar boatos maledicentes?

Eis uma jóia extraída de um livro apócrifo (talvez dos provérbios extra bíblicos de Salomão").

"Nunca repita um boato, e você não perderá nada. Não conte nada para o seu amigo ou inimigo; só o faça quando o silêncio se torna cumplicidade. Você ouviu alguma coisa? Que ela morra com você. Pergunte ao seu amigo: talvez ele não tenha feito o que estão dizendo dele...Não acredite em tudo o que se diz. Às vezes, a pessoa escorrega sem querer." (Eclesiástico 19. 7-16) Jesus homologou o provérbio latino: "Ex abundantia enim cordis os loquitur" (A boca fala do que o coração está cheio) (Lc 6.45).

Se nosso coração está cheio de amor e de paz, facilmente obedeceremos a esta recomendação: "Falai entre vós com salmos e hinos e cânticos espirituais" (Ef 5.19).

Voltemos ao caso da mulher adúltera. Os seus impiedosos acusadores já antegozavam a dificuldade do Mestre para resolver o terrível dilema apresentado.

1º. Se Jesus mandasse apedreja-la, estaria contrariando o que afirmara: "Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las" (Lc 9.56), além de se expor, autorizando uma ação de competência exclusiva das autoridades romanas.

(Justamente por isso, é que Jesus foi enviado pelo rei Herodes a Pilatos, porque somente este governador romano poderia sentenciá-lo à morte). "Ao romper o dia, todos os principais sacerdotes... entraram em conselho contra Jesus, para o matarem; e, amarrando-o, levaram-no e o entregaram ao governador Pilatos". (Mt 27:1-2.).

2º. Se Jesus mandasse soltá-la, estaria contra a lei de Moisés, sobre a qual, disse Ele: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas;... vim para cumprir". (Mt 5:17)

Jesus serenamente escreve com o dedo na areia... Os fariseus, como verdadeiros abutres ansiosos para despedaçar a vítima no macabro festim do apedrejamento, insistem: "Que dizes tu?"

Jesus, encara-os com aquele olhar que sonda os corações, e profere a sentença que atravessou o tempo e o espaço, e ainda hoje, em todos os lugares, desafia a Justiça caolha das leis humanas.

"Aquele que dentre vós estiver sem pecado lance a primeira pedra".

A mulher merecia ser apedrejada segundo a lei de Moisés? Tudo bem! Cristo está com Moisés.

Mas só poderá ser apedrejada, por mãos justas e santas! Cristo está bem acima de Moisés!

Os hipócritas retiraram-se um a um, frustrados, por não terem moral para condenar ninguém. Provavelmente retiniam ainda em seus ouvidos as candentes palavras que Jesus dissera no templo: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! (...) Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia".(Mt 23.13-32)

Frente a frente ali ficaram apenas, A MISÉRIA E A MISERICÓRDIA!

Jesus dirige-se àquela ré, abandonada pelos falsos promotores moralistas:

"-Mulher, onde estão os teus acusadores, ninguém te condenou?"

"-Ninguém, Senhor".

Jesus não a recriminou, não a ameaçou, não lhe fez qualquer advertência ou qualquer pergunta como aquelas recomendadas pelo ominoso "Manual do Confessor ":

Absolveu-a discretamente, sem que ela dissesse qualquer outra palavra:

"Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais". (Jo 8.11) Aleluia!


Sutilezas do texto original:


Dizem os literatos: "Privar um poeta da sua língua é roubar-lhe metade d'alma".

Um provérbio italiano, quiçá exagerado, diz: "traduttore, tradittore" (O tradutor é traidor).

Embora tal não aconteça com os tradutores da Bíblia, é evidente que as traduções muitas vezes despojam do seu texto original, sublimes belezas e de profundas verdades inspiradas por Deus.

O texto citado (João 8.1-11), é um desses casos cuja nuança só a língua original proporciona, pelo que gostaríamos de compartilhá-la com os leitores.

Quando Jesus se dirigiu àquela triste mulher, desmoralizada, arrasada, humilhada publicamente, pela turba multa de cruéis acusadores, usou a mesma palavra com que se dirigiu à sua santa mãe nas bodas de Caná da Galiléia e, quando na cruz, a entregou aos cuidados de João, o discípulo amado: ?unai???Gynai), que em grego significa mulher, ou esposa . (Daí é que provém o nome Ginecologia).

Jo 2.4: Texto original: legei auth o ihsouv ti emoi kai soi gunai?

Transliteração: Legei aute o iesous ti emoi kai soi gynai?)

Tradução literal: Disse para ela Jesus: que a mim e a ti Mulher, (importa isso?)

Quando está no caso vocativo, (gunai -gynai), esta palavra grega, "????" ,- gyné, toma o sentido de mulher casada, "senhora", como dizemos: "esta é a minha mulher, ou: minha senhora , Ela é usada em Apocalipse 19.7 e 21.9, até mesmo em referência à Igreja, como Esposa do Cordeiro.

Pois foi justamente com essa palavra, ?????? que Jesus iniciou o diálogo com a mulher pecadora!

Texto original: ?unai pou eisin ekeinoi oi kathgoroi sou?

Transliteração: Gunai pou eisin ekeinoi oi kategoroi sou?

Tradução literal: Mulher onde estão aqueles os acusadores teus?

É como se Jesus dissesse: "Senhora, onde estão os teus acusadores?" Aleluia!

Na primeira palavra que Jesus lhe dirigiu o estava o respeito, o perdão, o cavalheirismo.

Atitudes que tais, levaram os próprios inimigos de Cristo, a confessarem:

"Nunca homem algum falou assim como este homem". (João 7:46)

O modo de Jesus tratar aquela mulher certamente teve o efeito de uma verdadeira ressurreição. Mas este não foi o único caso de reabilitação moral, social e espiritual operado por Jesus!

Inúmeras almas desalentadas chegam diariamente em miserando estado de desânimo e de pecados aos pés de Cristo e são reabilitadas! "As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim".(Lm 3.22).

Quem quiser ser liberto de pecados ou de vícios que não consegue abandonar, atenda esse convite de Jesus: "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para vossas almas. Porque o meu jugo é suave o meu fardo é leve" (Mt 11.28-30).

Jesus citou o seguinte exemplo de confissão a Deus: Certo fariseu, no Templo, agradecia a Deus porque cumpria seus deveres religiosos e não era pecador como os outros homens. Um publicano, porém, orava assim: "Ó Deus tem misericórdia de mim, que sou pecador!". Disse Jesus:

"Este, desceu justificado para sua casa" (Lc 18.9-14). Embora o publicano estivesse no templo, não foi ao sacerdote que se confessou, mas a Deus e foi, não só perdoado, mas também justificado, sem ir aos sacerdotes! Na oração do "Pai Nosso" Jesus ensinou que devemos pedir perdão a Deus, e a perdoar as pessoas a quem ofendemos.

O Filho pródigo depois de "cair em si", voltou a seu pai e disse-lhe: "Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho!" (Lc 15 11-31).

Foi não apenas perdoado, mas também recebido festivamente. Deus nos abençoe.


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