Apologética



Adventistas do Sétimo Dia – Parte I – História


No livro “Administração da Igreja” p. 26, CPB, lemos: Somos Adventistas do Sétimo Dia. Envergonhamo-nos, acaso, de nosso nome? Respondemos: Não!Não!Não nos envergonhamos.

Por que os Adventistas do Sétimo Dia (ASD) se envergonhariam de seu nome adotado em assembléia realizada em Battle Creek, a 28 de setembro de 1860? Eles mesmos dão a resposta, declarando:

O movimento do advento na América foi originado por homens que estavam desejosos de receber a verdade, quando esta a eles chegasse. Aceitaram-na sinceramente e “segundo a mesma” vieram, esperando ser dentro em breve transladados. Depois do grande desapontamento, todos caíram em trevas (“Fundadores da Mensagem”, p. 9 - Everett Dick, CPB).

Entre esses homens que deram origem ao movimento adventista estava William Miller. Em 1816, estudando o livro de Daniel, ele interpretou que Daniel 8.14 tinha ligação com a segunda vinda de Jesus e a fixou para 1843. Depois mudou para 22 de outubro de 1844 e ainda dessa vez a segunda vinda de Jesus não se consumou.

QUESTIONAMENTO

Os ASD costumam questionar: Como admitir que William Miller fosse adventista, se a Igreja Adventista do Sétimo Dia só foi organizada no dia 28 de setembro de 1860, portanto, alguns anos depois de Miller ter fixado a volta de Jesus para 22 de outubro de 1844? Não admitem, pois, qualquer ligação com William (ou Guilherme) Miller, declarando que isso é uma grande inverdade e que não passa de informações grosseiramente deturpadas sobre a origem denominacional adventista (“Carta da Escola Bíblica”, de Nova Friburgo, RJ, de 12-12-00). Chegam a ponto de afirmar que: Os Adventistas nunca marcaram uma data para a Volta de Jesus. Foram os Mileritas (seguidores de Guilherme Miller, um pregador batista) que fizeram isto. Eles anunciaram que Jesus viria no ano de 1843; depois, deduziram que seria em 1844; como os Adventistas do Sétimo Dia iriam marcar uma data, se eles ainda não existiam? Surgimos como movimento organizado no ano de 1863 (declaração constante da carta em apreço).

Da mesma forma como as Testemunhas de Jeová anunciam a data de 1914 como centro de sua doutrina, quando Cristo voltou invisivelmente e passou a reinar no céu, a data de 22 de outubro de 1844, fixada por William Miller para a segunda vinda de Cristo, é parte importante do sistema doutrinário dos ASD. Afirmamos: estão umbilicalmente ligados a Miller que deu origem aos adventistas na outra América. No livro, “Fundadores da Mensagem”, no capítulo que aborda a biografia de William Miller, ele é tratado como Pai do Movimento Adventista.

Logo, a razão pela qual explicam os Adventistas do Sétimo Dia não se envergonhar do seu nome é porque havia razão para isso. Embora a palavra Advento signifique vinda, e todos os cristãos evangélicos de um modo geral aceitem a doutrina da segunda vinda de Cristo, os Adventistas do Sétimo Dia foram além do que está escrito (1 Co 4.6) e por intermédio de Miller marcaram data para esse acontecimento.

Imaginem só, hoje declaram: Quando marcaram datas para a volta de Cristo, os adventistas nem existiam! Por que inventarem uma mentira dessas? (“Carta da Escola Postal”, p. 2, de 13-12-00).

CÁLCULOS CRONOLÓGICOS

No já citado livro, “Fundadores da Mensagem”, pp. 21-23, Guilherme Miller fixou, com base em Dn 8.14, a data da volta de Cristo para o ano de 1843, estabelecendo a seguinte doutrina com relação a esta vinda:

1. Que Cristo voltaria de maneira pessoal e visível, nas nuvens do céu, por volta de 1843;

2. Que os justos ressuscitariam incorruptíveis e os justos vivos seriam transformados pela imortalidade, sendo ambos levados juntos para reinarem com Cristo em uma nova Terra;

3. Que os santos seriam apresentados a Deus;

4. Que a terra seria destruída pelo fogo;

5.Que os ímpios seriam destruídos e seus espíritos conservados em prisão até sua ressurreição e condenação;

6. Que o único milênio ensinado na Bíblia eram os mil anos que se seguiriam à ressurreição.

Nada acontecendo no dia marcado (22-3-1843), foi mudada a data para 22-10-1844 (“Fundadores da Mensagem”, p. 39). Tal data (22-10-1844) passou e não se deu a volta de Cristo. Ora, é possível imaginar o escárnio dos opositores contra os seguidores de Miller diante desse fracasso profético? Não é preciso conhecer muito a Bíblia para saber-se que ninguém está autorizado a marcar data para o dia da volta de Cristo (Mt 24.36; Mc 13.31-32; At 1.7).

Como então Guilherme Miller chegou àquela data de março de 1843?

Pelo estudo de Dn 8.14 chegou ele à seguinte interpretação:

a. Interpretou que o santuário a ser purificado era a terra;

b. Que a purificação se fazia pelo fogo, concluindo que a terra seria purificada pelo fogo da vinda de Jesus 2 Pe 3.9-10;

c. Interpretou que as 2300 tardes e manhãs seriam dias, mas não literais e sim dias proféticos, valendo cada dia por um ano com base em Nm 14.34; Ez 4.6;

d. Fixou como ponto de partida o ano 457 a.C. para a restauração da cidade de Jerusalém com base em Dn 9.25 citando como base bíblica Ed 7.11-26;

e. Quando não se deu a volta de Jesus em 1843 aumentou um ano considerando que tinham decorrido apenas 2299 anos a partir de 457 a.C. até 1843, ficando assim assentado 22-10-1844 como a data fatal. Essa sugestão foi de Samuel Snow, um seguidor de Miller.

INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

Entendemos que a interpretação correta de Dn 8.14 E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado é a seguinte:

a. O carneiro com duas pontas – Dn 8.3 representava o rei da Média e Pérsia – v. 20;

b. O bode – Dn 8.5 representava o rei da Grécia – v. 21;

c. A derrota que o bode (rei da Grécia) infligiu ao carneiro (Média e Pérsia) – vv. 7- 8 representava a vitória da Grécia sobre a Média e a Pérsia;

d. Com a morte de Alexandre, representado pela quebra do grande chifre ou e substituído pelos quatro chifres que saíram do bode, – v. 8 – indica a divisão do reinado de Alexandre entre seus quatro generais – v. 22 (Ptolomeu, Seleuco, Lisímaco e Cassandro);

e. O chifre pequeno que surgiu de um dos chifres – v. 9 – (um rei feroz de cara) – v. 23 representava Antioco Epifâneo, vv. 11-12;

f. Antioco Epifâneo, governador da Síria entre 175 e 164 a.C., profanou o santuário ou o templo de Jerusalém – v. 11 – e substituiu por sacrifícios pagãos de animais imundos e ídolos pagãos (1 Macabeus 1.21-24), os sacrifícios prescritos na lei (Nm 28.1-3);

g. O santuário ou o templo de Jerusalém foi purificado depois de 1150 dias (2300 vezes os sacrifícios diários celebrados de tarde e manhã foram suprimidos), Nm 28.1-3.

Entretanto, tal interpretação não quiseram aceitar os seguidores de Miller com o texto de Dn 8.14 e, então, surgiu Hirã Edson que disse ter tido uma visão: Vi distinta e claramente que o nosso sumo sacerdote, em vez de sair do lugar santo do santuário celeste, para vir à terra no dia do sétimo mês, ao fim dos dois mil e trezentos dias, entrava naquele dia pela primeira vez no segundo compartimento do santuário e tinha uma obra a realizar no lugar santíssimo antes de voltar a terra (“Administração da Igreja”, p. 20, CPB). Com esta explicação foi contornada a tormenta, e os Adventistas do Sétimo Dia prosseguem sua existência religiosa. Esta interpretação do santuário celestial, onde Cristo entrou em 22 de outubro de 1844, iniciando a obra do Juízo Investigativo e do Santuário Celestial, não passa de duas heresias para uma Igreja que se ufana de ser a Igreja Remanescente.


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