Apologética



Igreja Evangélica Voz da Verdade – Parte 06 – A Natureza de Deus (A Doutrina da Trindade)


Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre (Jo 7.38).

Deus é uma palavra polissêmica que se emprega para o Pai (Ef 1.3), para o Filho (1 Jo 5.20) e para o Espírito Santo (At 5.3-4). Deus em Gn 1.1 se aplica à Trindade, pluralidade em unidade. No princípio criou Deus (Elohim) o céu e a terra. Isso é repetido em Gn 1.26 quando o verbo façamos e o pronome nossa aparecem no plural indicando uma pluralidade de pessoas.

1 – O QUE CRÊ A IGREJA EVANGÉLICA VOZ DA VERDADE (IEVV)

O material “Instrução Inicial Pró-batismo” da Igreja Evangélica Voz da Verdade assim declara:

Quando a Bíblia se refere a Deus, está falando no Espírito Santo que é o Pai, Criador e Senhor de todas as Coisas.

Jesus tanto é o Pai, como é o Filho;

Antes da manifestação de Jesus como homem, não havia Filho de Deus (somente anjos eram tidos como Filho de Deus);

Jesus pode ser Pai e também o Filho? É muito lógico que sim, pois Ele é Deus;

Falando sobre a Trindade, afirmam:

Qual é o significado da palavra trindade?

Teoria religiosa de intenção carnal e diabólica com o sentido de alimentar uma ilusão de Satanás que teve a pretensão de pluralizar a plenitude da divindade.

ANÁLISE DAS CRENÇAS UNICISTAS DA IGREJA EVANGÉLICA VOZ DA VERDADE

Para nós, trinitaristas, Jesus é uma pessoa muito amada a quem tributamos honra, glória e louvor (Ap 5.11-13). Nestes versículos bíblicos, Jesus, o Cordeiro, recebe com Deus, o Pai, adoração de todos os anjos do céu.

E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, a honra, e glória, e ações de graças. E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer:- Ao que está assentado sobre o trono (Deus, o Pai), e ao Cordeiro (Jesus Cristo, o Filho), sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre Inquestionavelmente, aceitamos que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com apoio de Cl 2.9, que diz: Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Duas naturezas – a divina ...e o Verbo era Deus (Jo 1.1); e a humana ...e o Verbo se fez carne (Jo 1.14) e uma só pessoa.

Paralelamente, afirmamos com 1 João 5.20, que Jesus é o verdadeiro Deus: E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna (destaque nosso). Mas a IEVV não crê assim, como lemos na sua declaração de fé citada: colocam o Pai e o Filho como personificações e não como personalidades distintas na Trindade.

2 – A BÍBLIA – UM LIVRO CRISTOCÊNTRICO

Que a Bíblia fala de uma pessoa central a que a Bíblia é um livro cristocêntrico, não há dúvidas. Que há um só Deus e que o primeiro mandamento proíbe a existência de outros deuses, nenhum cristão nega Não terás outros deuses diante de mim (Dt 5.7).

Agora, dizer que há uma só pessoa na divindade, não. Tanto é assim que a primeira vez que aparece a palavra Deus na Bíblia é em Gênesis 1.1, onde se lê: No princípio criou Deus (Elohim) os céus e a terra. A palavra Elohim aparece cerca de 2.500 vezes nas Escrituras hebraicas e indica pluralidade em unidade. Pluralidade de pessoas e unidade de natureza. Que outra maneira haveria de explicar-se o emprego dessa palavra senão para indicar a pluralidade de pessoas nesse único Deus?

Acresce de importância quando se sabe que existe uma palavra Eloah para referir-se a Deus de modo singular. O uso de Elohim, com referência à Trindade, se torna mais acentuado pelo fato de que a palavra se usa algumas vezes em concordância com verbos e pronomes no plural, enfatizando-se a forma plural da palavra.

3 – USO DE PALAVRAS NÃO-BÍBLICAS

Freqüentemente os unicistas desafiam para provar que se mostre na Bíblia a palavra Trindade, alegando que essa palavra não se encontra na Bíblia.

Resposta Apologética:

A argumentação de que a palavra Trindade não é encontrada na Bíblia é algo de pouca monta, já que a doutrina da Trindade é evidente através das Escrituras Sagradas. A esse respeito declarou Myer Pearlman: É verdade que a palavra Trindade não aparece no Novo Testamento; é uma expressão teológica, que surgiu no segundo século para descrever a divindade. Mas o planeta Júpiter existiu antes de receber este nome; e a doutrina da Trindade encontrava-se na Bíblia antes que fosse tecnicamente chamada Trindade (“Conhecendo as Doutrinas da Bíblia.” Myer Pearlmen. Ed. Vida,1977, p. 51). Essa analogia de Myer Pearlmen é suficiente para refutarmos a argumentação de que a palavra Trindade não aparece na Bíblia, já que o fato da palavra não aparecer na Bíblia não significa que essa doutrina não seja bíblica.

Em segundo lugar, é importante lembrar que os unicistas também utilizam palavras que não se encontram na Bíblia. Palavras como manifestações, modos do Pai, Filho e Espírito Santo, não se encontram na Bíblia. Seus livros estão cheios de expressões como Paternidade de Cristo, o Deus homem etc. Inclusive a expressão A Voz da Verdade não se encontra na Bíblia.

4 – O SIGNIFICADO DE PAI E FILHO NA DIVINDADE

Os unicistas afirmam que se a doutrina da Trindade for aceita isto conduz a uma absurda conclusão de Jesus ter dois pais divinos, pois a Bíblia afirma que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo (Lc 1.35) e ainda foi chamado Filho de Deus. Como poderia Jesus ser chamado Filho de Deus e ao mesmo tempo ser gerado pelo Espírito Santo? Como poderia, perguntam, a segunda pessoa da Trindade ser gerada pela terceira Pessoa da Trindade?

Resposta Apologética:

Esse argumento é igual ao usado pelos mórmons quando falam da Trindade. No entanto, os mórmons admitem uma mãe celestial e que o Pai celestial desceu do céu com um corpo de carne e ossos e gerou de Maria a Jesus, retornando ao céu. Quando a Bíblia fala sobre o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Ef 1.2-3) e Jesus como Filho de Deus não está expressando que Deus foi literalmente o progenitor de Jesus, ou de Jesus como sendo de literal progênie de Deus Pai. Tal conceito leva a admitir que Deus tem características sexuais humanas. Essa admissão é encontrada em mitologias pagãs, mas completamente estranha à revelação bíblica.

Quando nós, com base nas Escrituras, chamamos a Deus de Pai e Jesus de o Filho estamos falando simbolicamente e não literalmente. Estamos dizendo que o relacionamento amoroso que existe entre Deus Pai e Jesus é semelhante ao amor de um pai para com o seu filho, mas sem as características que existem no relacionamento entre pai e filho, fisicamente falando. Quando entendemos isso, não vemos problemas em afirmar que aquele que criou o corpo humano de Jesus foi o Espírito Santo (Jo 1.14), muito embora o Pai e o Espírito Santo sejam pessoas distintas na divindade.

ALGUNS EXEMPLOS:

Gênesis 1.26: E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...

Nota: O uso do verbo façamos e do pronome nossa é revelador do sentido de que Elohim serve para indicar a pluralidade de pessoas. Sabemos que o nome Elohim por si só não prova a unidade composta, no entanto o contexto apóia a unidade composta de Deus (Gn 1.26; 3.22; 11.7).

Gênesis 3.22: Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente.

Nota: O uso do pronome plural nós indica pluralidade de pessoas.

Gênesis 11.7: Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro.

Nota: Os verbos desçamos e confundamos na primeira pessoa do plural indicam pluralidade de pessoas.

5 – A QUESTÃO DAS EXPRESSÕES: SOCIEDADE, SÓCIOS OU SEMELHANTES

O Conjunto Voz da Verdade declara: Observação: A Bíblia nos alerta quanto à quantidade variada de deuses. Portanto, é na própria Bíblia onde encontramos a afirmação que não há trindade ou variedade de deuses... pois jamais o Senhor permitiria sociedade em sua divindade.

Resposta Apologética:

Cremos na existência de um só Deus eternamente subsistente em três Pessoas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo (Gn 1.26 comparado com Mt 28.19). Não somos triteístas. Somos monoteístas (Is 43.10; 44.6 comparado com Ap 1.17; 48.12).

Outra observação importante que devemos fazer é que estranhamente este argumento utilizado pela Igreja A Voz da Verdade é o mesmo usado no islamismo. Assim como o Pr. Carlos Alberto Moysés declara várias vezes que Deus não tem sócios, sociedade ou semelhantes, Maomé no sétimo século declarava também. Ambos confundem a unidade composta de Deus, e por não entenderem a pluralidade de pessoas na unidade divina, concluem precipitadamente que se trata de uma sociedade ou sócios.

A IGREJA VOZ DA VERDADE DECLARA:

Qual é o significado da palavra Trindade?

Resposta:

Teoria religiosa de intenção carnal e diabólica com o sentido de alimentar uma ilusão de Satanás que teve a pretensão de pluralizar a plenitude da divindade; e

Decreto religioso por parte do clero no Conselho de Nicéia em 325 a. D.

Resposta Apologética:

Se lêssemos essas palavras de uma Testemunha de Jeová, entenderíamos essa linguagem sarcástica e blasfema, mas de um dirigente de uma Igreja que se diz evangélica, é para se crer que a abominação de que falou o profeta Daniel estar no lugar santo tem o seu cumprimento (Mt 24.15). O Concílio de Nicéia em 325 a.D. reconheceu a deidade absoluta de Jesus, contestando a doutrina de Ário, que ensinava ser Jesus um ser híbrido entre Deus e anjo como hoje proclamam as Testemunhas de Jeová, que consideram Jesus como o arcanjo Miguel.

Diz o Credo de Nicéia: Cremos em um só Deus, Pai onipotente, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis e em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.

A IGREJA VOZ DA VERDADE DECLARA:

Seriam três classificações então? E como entendê-las?

Resposta: Não se trata de três classificações, mas sim de três manifestações. Exemplo Pai, Filho e Espírito Santo são três formas de manifestações de Deus e não três seres celestiais distintos ou três deuses.

a) Quando a Bíblia se refere a Deus, está falando no Espírito Santo que é o Pai.

b) Deus manifestou como Pai, por ocasião da criação, muito embora Deus só foi registrado na Bíblia como Pai, na pessoa do Filho. Portanto, Jesus tanto é o Pai como é o Filho... Antes da manifestação de Jesus como homem, não havia Filho de Deus (somente anjos eram tidos como filhos de Deus).

c) Manifestou-se como Filho, pelo fato de haver tomado forma humana e nasceu como homem, tendo um corpo físico gerado do ventre humano.

Resposta Apologética:

O Espírito Santo procede do Pai e não é o Pai. Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Paz vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim (Jo 15.26). Se Jesus é tanto o Pai como é o Filho então porque Jesus apelou para o Pai como sua testemunha: E, se na verdade julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou. E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou (Jo 8.16-18)?. Será que as palavras perderam o sentido? Se não perderam vemos então duas pessoas: o Pai, dando testemunho de Jesus.

A Igreja Voz da Verdade declara:

Neste caso Jesus é o próprio e único Deus?

Resposta: Sim! O apóstolo Dídimo, que é chamado de Tomé, por primeiro nome, confirma que Jesus é o próprio Deus.

Resposta Apologética:

Os trinitarianos não negam a deidade absoluta de Jesus, que integra a deidade Trina do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19; 2 Co 13.13).

A IGREJA VOZ DA VERDADE DECLARA:

Jesus pode ser o Pai e também o Filho?

Resposta: É muito lógico que sim, pois Ele é Deus...

Resposta Apologética:

Jesus não é o Pai, pois ensinou a orar: Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome (Mt 6.9). Jesus estava na terra e o Pai estava no céu. E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (Mt 3.16-17). Perguntamos: quem falava do céu, enquanto Jesus saía das águas?


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