Apologética



Espiritismo – Parte 17 – Visão espírita da Bíblia.


Allan Kardec arroga ao espiritismo a condição de ser a terceira revelação de Deus, que vem completar a revelação inicial dada a Moisés com o Antigo Testamento, depois por meio de Jesus com o Novo Testamento e, por fim, como a consumação pelos espíritos:

Aproxima-se a hora em que deverás apresentar o espiritismo tal como é, demonstrando abertamente onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo (“Obras Póstumas. Obras Completas.” Editora Opus, p. 1178) (destaque nosso).

A Lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento a tem no Cristo. O espiritismo é a terceira revelação da Lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, mas pelos espíritos, que são as vozes do céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma legião inumerável de intermediários (“Evangelho Segundo o Espiritismo. Obras Completas.” Editora: Opus, p. 534). (Destaque nosso).

A Primeira Revelação era personificada em Moisés; a Segunda, no Cristo; a Terceira não o é em indivíduo algum. As duas primeiras são individuais. A terceira coletiva; aí está uma característica essencial e de grande importância (“A Gênese. Obras Completas.” Editora Opus, p. 888).

No Livro “Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec escreveu que: O Cristianismo e o espiritismo ensinam a mesma coisa (“Evangelho Segundo o Espiritismo. Obras Completas.” Editora Opus, p. 1178).

Se o espiritismo ensina as mesmas doutrinas que o Cristianismo, é de se esperar que os seus ensinamentos concordem com as palavras de Jesus e dos apóstolos. A melhor maneira de verificar essa afirmação é conferir o que diz o espiritismo e o que ensina a Bíblia. Como Kardec expressou que o espiritismo é uma revelação que procede de Deus, então essa revelação deve confirmar o que fora revelado pelas duas anteriores. Vejamos o que Kardec diz a respeito da Bíblia:

A Bíblia contém evidentemente fatos que a razão, desenvolvida pela ciência, não pode hoje aceitar, e outros que parecem singulares e que repugnam, por se ligarem a costumes que não são mais os nossos. A ciência levando as suas investigações desde as entranhas da terra até às profundezas do céu demonstrou, portanto, inquestionavelmente os erros da Gênese mosaica, tomada ao pé da letra, e a impossibilidade material de que as coisas se passassem conforme o modo pelo qual estão aí textualmente narradas, dando por essa forma profundo golpe nas crenças seculares (“A Gênese. Obras Completas.” Editora: Opus, p. 911). (Destaque nosso).

Léon Denis, o filósofo do espiritismo, expressou sua opinião sobre a Bíblia assim: ...não poderia a Bíblia ser considerada a palavra de Deus, nem uma revelação sobrenatural (“Cristianismo e Espiritismo.” Léon Denis. FEB, 7ª edição, p. 267).

Todas as verdades se encontram no Cristianismo. Os erros que nele se arraigam são de origem humana (“O Evangelho Segundo o Espiritismo. Obras Completas.” Editora: Opus, p. 564).

Com essas declarações do próprio codificador do espiritismo a respeito da Bíblia, verifica-se que o espiritismo ensina o oposto do Cristianismo.

Resposta apologética

Toda Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra (2 Tm 3.16-17).

Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido (Mt 5.18).

Como lemos, o espiritismo, através de duas de suas maiores autoridades, nega a revelação divina das Escrituras, colocando-as ao nível de uma mera compilação de fatos históricos e lendários. Os espíritas quando querem dizer que são cristãos, usam as Escrituras, citando-as como lhes convém para apoiar suas teorias espíritas. A Bíblia passa a ser então apenas obra de consulta, não faz diferença se é ou não a Palavra de Deus, desde que possam usá-la como desejam.

Carlos Imbassahy declara:

Em matéria de escritura, os espíritas, no que se referem, é tão unicamente aos Evangelhos. Não os apresentam, porém, como prova, senão como fonte de luz subsidiária, elemento de reforço (p. 126). Pois, nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como probante. O espiritismo não é um ramo do Cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras... a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome espiritismo (“À Margem do Espiritismo”, p. 219).

O próprio Allan Kardec reconhece que, quando necessário, o espiritismo utiliza a linguagem de outras crenças com o propósito de ganhar adeptos:

É preciso que nos façamos entender. Se alguém tem uma convicção bem assentada sobre uma doutrina, ainda que falsa, é necessário que desviemos dessa convicção, porém pouco a pouco; eis por que nós nos servimos, quase sempre, de suas palavras e damos a impressão de partilhar de suas idéias, a fim de que ele não se ofusque de súbito e deixe de se instruir conosco (“O Livro dos Médiuns. Obras Completas.” Editora: Opus, p. 481, 2ª edição, 1985). Fica evidente, que o espiritismo, ao mesmo tempo em que alega ser cristão, nega a Palavra de Deus, a base do Cristianismo, e também que os expositores e defensores do espiritismo ora apelam para a Bíblia em busca de apoio, ora negam firmemente que ela tenha valor para sua fé, como lemos nas declarações acima. O Senhor Jesus e os apóstolos Pedro e Paulo afirmaram repetidamente a inspiração divina das Escrituras, reconhecendo-as como Palavra de Deus para a salvação da Humanidade, infalível em seu conteúdo.


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