Apologética



Racionalismo Cristão – Parte 09 – Reencarnação


Por que negar a reencarnação?

Por que as religiões ocidentais tanto se empenham, tanto se obstinam em negar a reencarnação?... A resposta é fácil: reencarnação e salvação são idéias que se atritam, que se agridem, que se chocam, porque antagônicas e irredutivelmente inconciliáveis. Ora, no conceito de salvação – intimamente ligado aos favores do perdão – está, precisamente, a base em que se apóiam essas religiões... Quando o indivíduo se convencer de que se praticar o mal, terá, inapelavelmente, de resgatá-lo; que numa encarnação se prepara para a encarnação seguinte... que não poderá contar com o auxílio de ninguém para libertá-lo das conseqüências das faltas que cometer e que terá de resgatar com ações elevadas – qualquer que seja o número de encarnações para isso necessárias – por certo pensará mais detidamente, antes de praticar um ato indigno.

O espírito, quando encarna, isola-se do seu passado, esquecendo-se, por completo, das anteriores encarnações (“Racionalismo Cristão”. Centro Redentor, 30ª edição, 1976, pp. 62, 64, 94).

Resposta Apologética:

Uma das assertivas da doutrina reencarnacionista é que, para haver justiça, deve o homem resgatar as suas próprias faltas da existência em que vive e das existências anteriores. Ora, como isso pode dar-se se como ponto principal deve ele esquecer-se do seu passado, ou melhor dizendo, das anteriores encarnações? Que tipo de melhora pode ele obter se todo o passado de erros está esquecido? Em que ele falhou para melhorar nesta vida? Quando Jesus perdoava aos pecadores, eles sabiam do que estavam se arrependendo e conseqüentemente abandonando seus erros passados. Paulo confessa seus erros do tempo da sua ignorância dizendo que tinha sido blasfemo, perseguidor e opressor, mas tinha alcançado misericórdia e afirmava então que não vivia mais para si, mas vivia para Cristo, chegando a ponto de recomendar que o imitassem porque por sua vez imitava a Cristo (1 Tm 1.13; Gl 2.20;1 Co 11.1). Pedro, quando negou Jesus, chorou amargamente (Mt 26.75). Como podem melhorar os tidos como reencarnados se não têm a mínima lembrança dos feitos da vida anterior ou anteriores? Melhorar no quê? Arrepender-se dos pecados da vida atual ou dos pecados das vidas anteriores? Quem rege a lei do carma para impor castigo ou recompensa se Deus não existe? Quem determina o que está certo ou errado desta vida e das vidas anteriores?

Até que enfim descobriram que, na verdade, reencarnação e salvação não se conciliam. Conceitos que se atritam, que se agridem. Concordamos plenamente com essa distinção entre reencarnação e salvação. Mas que soberba espiritual a dos espíritas racionalistas! Pensam em resgatar as próprias faltas! Com quê? Com dinheiro ou com obras virtuosas mais sofrimentos? Se for com dinheiro é inútil porque a riqueza de qualquer mortal acabaria antes, dado que o resgate de uma alma é caríssimo (Sl 49.6-8). Se for com obras meritórias, então o negócio complica, porque nossas obras de justiça são como trapos de menstruação (Is 64.6). O conceito de reencarnação fala de salvação por esforços pessoais, tais como: boas obras e sofrimentos. É salvação obtida pelo homem, se não numa encarnação, em várias encarnações, e pensam ser isso possível para se atingir o estado de espírito puro. Agora, salvação no conceito bíblico não é fruto de esforço próprio. É favor imerecido de Deus como se lê em Ef 2.8-10. E por quê? Porque o homem é incapaz de, por esforços próprios, conseguir a sua salvação (Tt 2.11-13). Jesus, explicando sua missão à terra, afirmou que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28). Afirmou na casa de Zaqueu que veio buscar e salvar o que estava perdido (Lc 19.10). Ao instituir a Ceia e distribuir o cálice mencionou que o cálice era o seu sangue derramado para remissão de pecados (Mt 26.26-28). Toda a pessoa que recebe o perdão de Deus, pela sua fé na pessoa de Jesus Cristo, não continua no pecado. Os conselhos bíblicos nesse sentido são muito freqüentes (2 Co 5.17; Ef 4.17-32; 5.3-16). Ora, a Bíblia fala de regeneração, que é a mudança das disposições íntimas da alma dentro de uma só existência (Jo 3.3,5) e não de reencarnação. Diz a Bíblia que o homem só passa por esta existência uma única vez e depois disso o juízo (Hb 9.27; Ec 12.7).


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