Apologética



Islamismo – Parte 03 – Causas da expansão vitoriosa dos árabes


Os historiadores apresentam as seguintes causas para a expansão árabe:

1) Causas Religiosas

Estudando as causas das conquistas árabes no século 7, temos de considerar o entusiasmo religioso dos muçulmanos que alcançava o grau supremo do fanatismo e da intolerância, e vê-se nele uma das causas determinantes dos pasmosos êxitos militares obtidos pelos árabes em sua luta contra a Pérsia e contra o Império Bizantino no século 7. Pretende-se que os árabes se tenham precipitado sobre as províncias asiáticas e africanas com a determinação de cumprir a vontade de seu profeta que lhes havia prescrito a conversão de todo o mundo à nova fé. Em resumo, costuma-se explicar em geral as vitórias árabes pelo entusiasmo religioso que preparava os muçulmanos fanáticos para encarar a morte com desprezo, fazendo-os assim invencíveis na ofensiva, mas também existe o lado da atração da pilhagem e das rapinas, o entusiasmo religioso dos muçulmanos contratados com um mundo profundamente dividido e etnicamente heterogêneo. É importante mencionar ainda que os chefes muçulmanos eram discípulos apaixonados de Maomé, oravam mais do que lutavam e, com o tempo, inspiraram aos seus adeptos um fanatismo que aceitava a morte numa guerra ‘santa’ como um ‘abre-te sésamo’ para o paraíso.

2) Causas Econômicas

A Arábia, reduzida em recursos naturais, não poderia satisfazer já às necessidades físicas de sua população e, então, sob a ameaça da miséria e da fome, os árabes viram-se na necessidade de fazer um esforço desesperado para libertar-se da ardente prisão do deserto. A isca do saque e da rapina constituiu, sem dúvida, um poderoso atrativo para as hordas beduínas. A promessa de uma rica presa incitou as tribos a se alistarem sob a bandeira do Califa. O êxodo triunfante da península recebeu um enorme estímulo bem depressa ao chegar notícias das fabulosas riquezas encontradas na Síria e no Iraque.

3) Causas Militares

As tropas árabes eram mais rigorosamente disciplinadas e conduzidas com habilidades, estavam habituadas às agruras e eram recompensadas com os despojos. Podiam lutar com o estômago vazio e dependia da vitória a sua comida. Finalmente havia causas militares da invasão, à medida que os vitoriosos exércitos árabes cresciam com recrutas famintos ou ambiciosos, criava-se o problema de lhes fornecer novas terras e conquistar apenas para prover-lhes alimentos e soldos. Cada vitória exigia outra, até que as conquistas árabes – mais rápidas do que as romanas e mais duradouras do que as dos mongóis – resultaram no mais espantoso feito da história militar.

Além disso, o exército árabe era mais adaptado ao meio onde se movimentara para atacar o inimigo – o deserto vasto e uniforme, a cavalaria árabe soube tirar proveito do uso do camelo especialmente como eficiente meio de transporte a longas distâncias em relativamente pouco tempo. Camelo e deserto formavam um quadro harmônico em que o guerreiro árabe atuava com vantagem sobre o adversário.

4) Afinidade racial e cultural

Outro fato importante foi que os conquistadores árabes encontraram em algumas regiões populações de origem semítica. Na Palestina e na Síria existiam numerosos habitantes de origem árabe. No Iraque, havia muito, processara-se uma infiltração de tribos árabes.

Assim, para as províncias conquistadas, os árabes não eram considerados bárbaros ou estrangeiros; por intermédio do comércio, essas populações sempre tiveram relações com os árabes.

5) Fraqueza dos adversários

O Império Bizantino possuía os seguintes pontos fracos: problemas religiosos, o descontentamento existente entre a população ortodoxa das províncias orientais em relação ao governo central por causa de certas concessões de compromissos outorgados aos monofisistas; problemas socioeconômicos e impostos exagerados pesavam sobre a população revoltada, especialmente quando a população teve de arcar com as despesas da guerra com o Império Persa. Em relação aos problemas militares, o Império Bizantino estava profundamente enfraquecido em virtude da tremenda luta contra os persas. As tropas esgotadas não podiam opor uma resistência eficaz aos exércitos árabes constituídos por soldados bem dispostos à luta. Ainda havia outros fatores como as constantes invasões persas na Síria e Palestina; as fronteiras do Império Bizantino estavam desguarnecidas.

As lutas entre o Império Bizantino e o Império Persa haviam enfraquecido ambos, os persas tinham sido derrotados pelo Império Bizantino; estavam desmobilizados, com sérios problemas econômicos e com profundas divisões na sociedade e na religião zoroastrista.

6) Tolerância muçulmana e benefícios econômicos

Os árabes eram extremamente tolerantes, exigiam apenas que admitissem a supremacia política do Islã, materializada, sobretudo no pagamento de impostos especiais, na interdição de qualquer proselitismo junto a muçulmanos e no caráter puramente árabe do exército.

Essa tolerância explica porque os judeus de Jerusalém receberam os árabes como verdadeiros libertadores (637 a.D.) e que os cristãos monofisistas de Alexandria tenham acolhido o maometano Omar (643 a.D.). Quando da última tentativa de Heráclito para conquistar a Síria, os cristãos colaboraram com os muçulmanos e, segundo o historiador Abd-Al-Hakam, as autoridades eclesiásticas do Egito, ordenaram aos coptas que não se opusessem aos árabes, por ódio pelas perseguições bizantinas, e o patriarca Ciro, representante da autoridade imperial, entendeu-se facilmente com os árabes.

Além do bom entendimento entre árabes e cristãos, encontramos aqui os benefícios econômicos que o jovem império árabe trouxe a essas regiões, com contato comercial em vários lugares da Síria à Índia, da Mesopotâmia até as ilhas distantes, tudo sob a administração árabe.


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