Apologética



Islamismo – Parte 11 – O milagre do Alcorão – A resposta Cristã


A PRESERVAÇÃO DO ALCORÃO?

Mohammad Marmaduke Pickthall, em “The Meaning of The Glorious Koran”, diz-nos que na época da morte de Maomé as suratas (ou capítulos) do Alcorão ainda não haviam sido compiladas.

Isto foi completado apenas durante o califado de Abu Bakr.18

O segundo Califa, Ômar, subseqüentemente fez um único volume (mus-haf) que ele preservou e deu na ocasião de sua morte à sua filha Hafsa, a viúva do Profeta.19 Finalmente, sob o califado de Uthman, ordenou-se que todas as cópias do Alcorão fossem trazidas e qualquer uma que divergisse do texto de Otman foi queimado.

Nós não discutimos a posição islâmica de que desde a revisão de Otman o Alcorão permaneceu intacto. Entretanto, por causa da destruição de todas as cópias discordantes, ninguém pode saber com certeza se o Alcorão como temos é exatamente o mesmo que Maomé os entregou.

O Islamismo ensina que a única razão pela qual Otman queimou todas as outras coletâneas do Alcorão era porque havia variações dialéticas de somenos nos diferentes textos. Entretanto, há algumas evidências que tendem a refutar isto.

Primeiramente, é muito significativo que os Qurra, os muçulmanos que haviam memorizado o Alcorão completo, foram contrariados veementemente pela revisão. Segundo, os Xiitas, que são a segunda maior seita no mundo islâmico, declaram que o Califa Otman eliminou intencionalmente muitas passagens do Alcorão que se relacionavam a Ali e à sucessão da liderança que ocorreria depois da morte de Maomé.

L. Bevan Jones, em sua obra “The People of the Mosque”, responde sucintamente o argumento muçulmano para a suposta preservação miraculosa do Alcorão: Mas conquanto possa ser verdade que nenhuma outra obra tenha permanecido por doze séculos com um texto tão puro, é igualmente provável verdade que nenhum outro tenha sofrido tamanho expurgo.20

11.1 - A AFIRMAÇÃO ISLÂMICA DA ELOQÜÊNCIA DO ALCORÃO

Uma segunda asserção feita para provar a origem sobrenatural do Alcorão, encontrada na surata 17.88, é que sua beleza e eloqüência provam que seu autor é Deus: Dize-lhes: Mesmo que os humanos e os gênios se tivessem reunido para produzir coisa similar a este Alcorão, jamais teriam feito algo semelhante, ainda que se ajudassem mutuamente.

Em uma nota de rodapé na sua tradução do Alcorão, Yusuf Ali declara: nenhuma composição humana poderia conter a beleza, poder e discernimento espiritual do Alcorão.21

Entretanto, os muçulmanos não acreditam que o Alcorão seja um milagre somente por causa de sua eloqüência e beleza, mas também porque a surata 157 refere-se a Maomé como o profeta iletrado. Acreditando que ele era analfabeto, eles perguntam como tal homem poderia produzir o Alcorão.

Uma declaração final a respeito da realização literária do Alcorão é que ele é tão coerente do começo ao fim que nenhum homem poderia tê-lo arquitetado. Suzanne Haneef pergunta: Como o Alcorão inteiro poderia ser tão completamente coerente se não se originou de Deus?22

ELOQÜÊNCIA DO ALCORÃO – A RESPOSTA CRISTÃ

A respeito da beleza, estilo e eloqüência do Alcorão, qualquer leitor imparcial teria de admitir que certamente é verdade a respeito da maior parte dele. Entretanto, a eloqüência por si mesma é dificilmente um teste lógico para a inspiração. Se esse fosse o critério utilizado para julgar uma obra, então teríamos de dizer que os autores de muitas das grandes obras da antigüidade foram inspirados por Deus. Homero teria de ser um profeta para produzir a magnífica Ilíada e a Odisséia. Na língua inglesa, Shakespeare é ímpar como dramaturgo, mas seria absurdo que por causa disso disséssemos que suas tragédias tiveram inspiração divina. Da mesma maneira para com a eloqüência do Alcorão.

Mas, e a respeito da coerência do Alcorão? Pode ser utilizada para demonstrar que esta escritura muçulmana foi inspirada? Para começar, pode-se mostrar que o Alcorão não é totalmente coerente, mas, ao contrário, possui contradições de vulto nele.23 E ainda que consentíssemos com a tese de que o Alcorão é totalmente concorde, isto ainda não provaria coisa alguma. Em um ensaio intitulado “How Muslims Do Apologetics” o Dr. John Warwick Montgomery demonstra isto para nós: Esta apologética é também de pouco efeito porque a coerência de um escrito não prova que seja uma revelação divina. A geometria de Euclides, por exemplo, não se contraria a si mesma em nenhum ponto, mas ninguém afirma que por isso esta é uma obra divinamente inspirada em algum sentido excepcional.24

E por fim, o que dizer a respeito do suposto analfabetismo de Maomé? Antes de mais nada, há bastante evidência contra isso, mas, mesmo se aceitássemos o fato de que Maomé não podia ler nem escrever, isso não faria o Alcorão miraculoso. Por quê? Porque todos os muçulmanos sabem, que ele tinha tido pelo menos vários amanuenses ou escribas; e, portanto, ele poderia facilmente ter composto o Alcorão dessa forma isto não seria excepcional, pois há precedentes para isso. Um exemplo que seria familiar à maioria das pessoas diz respeito a Homero. Ele era cego e assim, com toda probabilidade, não podia escrever. Ainda assim, ele foi o autor da Ilíada e da Odisséia, os dois maiores épicos do mundo antigo. Da mesma maneira, a questão se Maomé era ou não realmente analfabeto não tem relação com o caso em questão.

11.2 - A AFIRMAÇÃO ISLÂMICA SOBRE AS PROFECIAS NO ALCORÃO

O Alcorão fala muito pouco profeticamente, se de fato ele profetiza afinal de contas. Daí, poucos apologistas muçulmanos utilizarem a profecia cumprida como prova de sua fé. Entretanto há uma série de versículos no Alcorão que prometem que os muçulmanos serão vitoriosos tanto em seu próprio país como no exterior.25 Maulana Muhammad Ali discute estas profecias detalhadamente em sua obra The Religion of Islam: ...nós encontramos profecia após profecia publicada nos termos mais seguros e certos no sentido de que as grandes forças de oposição seriam arruinadas... que o Islamismo se espalharia para os cantos mais longínquos da terra e que seria finalmente triunfante sobre todas as religiões do mundo.26

PROFECIAS NO ALCORÃO – RESPOSTA CRISTÃ

Podemos dizer que a vasta expansão do Islamismo, predita por Maomé, é cumprimento de profecia? Se nós pensarmos nisto de ponta a ponta por um momento, eu creio que podemos facilmente responder não.

Para começar, um líder prometendo uma vitória às suas tropas ou seguidores, no mínimo não é nem um pouco excepcional. Todo comandante ou general o faz a fim de inspirar seu exército e levantar o seu moral. Se, então, eles são vitoriosos, ele é vindicado; se eles perdem, então nunca ouvimos de suas promessas porque elas, com o seu movimento, são esquecidas.

Além disso, o muçulmano tinha vários incentivos importantes a considerar enquanto lutava para promover a causa do Islamismo. Se ele morresse, ele seria admitido no paraíso. Se continuasse vivo e fossem vitoriosos na batalha, os soldados muçulmanos poderiam dividir quatro quintos do despojo.

Há uma outra razão para que o Islamismo se expandisse tão rapidamente no início. Se olharmos para algumas das imposições do Alcorão a respeito do que os incrédulos poderiam esperar das mãos dos muçulmanos, fica fácil de entender porque tantos se submeteram, como encontramos na surata 5.33-3427: O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e Seu Apóstolo e semeiam corrupção na terra, consiste em que sejam matados, crucificados, ou lhe seja decepada a mão e o pé oposto, ou banidos. Exeto aqueles que se arrependerem antes de caírem em vosso poder; sabei que Deus é indulgente, misericordiosíssimo.

Os politeístas tinham duas escolhas, submissão ou morte. Os cristãos e os judeus tinham uma terceira alternativa, pagar pesados tributos (Alcorão 9.5,29).

Um último ponto a ser considerado é que se o crescimento rápido e amplo de um movimento indicasse o favor divino, então o que diríamos dos conquistadores como Genghis Khan? Ele consolidou as tribos mongóis e, em um espaço de tempo mais curto do que o do Islamismo antigo, conquistou uma área geográfica muito maior. Seu sucesso militar evidenciaria que ele era dirigido por Deus? E o que dizer a respeito do próprio crescimento do Islamismo que foi freado no Ocidente por Carlos Martel (a.D. 732) e o Oriente por Leão III (a.D. 740)? Significaria que eles haviam perdido o favor de Alá. E sobre a história posterior de muitas nações islâmicas que sofreram o ultraje de tornarem-se colônias das então potências mundiais. Não, nós não podemos encontrar nada misterioso ou sobrenatural sobre o surpreendente crescimento primitivo do Islamismo e sua subseqüente queda.

11.3 - A AFIRMAÇÃO ISLÂMICA DA CIÊNCIA E O ALCORÃO

Finalmente, existe uma obra “A Bíblia, o Alcorão e a Ciência” escrita por um cirurgião francês chamado Maurice Bucaille, que tenta demonstrar a origem divina do Alcorão ao mostrar a sua supostamente notável afinidade com a ciência moderna. Depois de citar um certo número de exemplos, o Dr. Bucaille concluiu que levarão a julgar inconcebível que um homem, vivendo no século VII da era cristã, pudesse, sobre os assuntos mais diversos, emitir no Alcorão idéias que não são só de sua época, e que concordarão com o que se demonstrará séculos mais tarde. Para mim, não existe explicação humana para o Alcorão.28

A CIÊNCIA E O ALCORÃO – RESPOSTA CRISTÃ

Ao responder ao Dr. Bucaille, devemos primeiro salientar que o grosso do livro não trata do Alcorão e ciência. Ao contrário disso, a sua maior parte é uma tentativa (utilizando-se técnicas da autocrítica) de desacreditar a Bíblia. As porções de seu livro que tentam mostrar que o Alcorão está em concordância surpreendente com o conhecimento científico são muito vagas.

Entretanto, e se nós concordássemos com sua tese de que as afirmações do Alcorão estão em total harmonia com a ciência moderna? O Dr. Bucaille declara que se isto fosse verdade, então Esta última constatação torna inaceitável a hipótese daqueles que vêem em Mohammad o autor do Alcorão.29 Eu concordo com sua conclusão, supondo que sua tese seja a verdade. Se o Alcorão contém afirmações científicas detalhadas que temos descoberto recentemente serem verdade e ainda, se foram escritas no sétimo século a.D., então poderia não ser simplesmente produção de Maomé. Mas isto não indica a fonte da informação, e somente demonstra que nenhum ser humano poderia tê-lo escrito sem ajuda sobre-humana.

Se, de fato, o Alcorão teve uma origem sobrenatural, ainda somos deixados com a tarefa de encontrar quem foi essa fonte. O Dr. Bucaille presume que foi Deus. Mas por quê? Se pararmos e pensarmos um momento, perceberemos que há outros seres sobrenaturais além de Deus. Um destes seres é conhecido na Bíblia como Satanás, assim como no Alcorão. A Bíblia nos diz que ele está na terra há tanto tempo quanto o homem, que ele tem poder e inteligência muito superiores aos nossos, e que ele é o pai da mentira (Jo 8.44). Sussurrar alguns fatos científicos nos ouvidos de alguém não seria uma grande proeza para ele. Para dizer a verdade, a Bíblia diz que ele aparece aos homens de tempos em tempos: porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz (2 Co 11.14). É interessante que este tenha sido exatamente o temor inicial que Maomé sentiu a primeira vez que a voz falou a ele.

Ao concluir esta secção sobre o Alcorão, o leitor pode estar interessado em saber que muitas das histórias e relatos encontrados no Alcorão são reconhecíveis (atribuíveis a) histórias muito semelhantes (algumas vezes quase idênticas) encontradas em escritos pré-islâmicos. Recomendaríamos ao leitor o clássico de Clair-Tisdall “The Sources of Islam”, do Ver. W.Goldsack, “The Origins of the Qur’na”, e de Samuel M. Zwemer Islam: “A Challenge of Faith”. Também seria importante a leitura do livro “Esperanza para los Musulmanes” de Don McCurry, Editorial UNILIT – Miami – Flórida.


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