Apologética



Hinduísmo – Parte 02 – Sua origem


O hinduísmo, diferente da maioria das religiões, não tem um fundador pessoal, nem uma doutrina ou credo fixo.

Por volta de 2000 a.C, uma onda de migração trouxe para o Vale de Indo, a noroeste da Índia (hoje parte do Paquistão), os arianos, os mais antigos antepassados que se conhece da família indo-européia.

Este povo carregou consigo toda uma bagagem de crenças, mitos e conceitos religiosos que alguns estudiosos acreditam que se baseavam nos antigos ensinos iranianos e babilônicos. Tais crenças tinham ligação com outras religiões indo-européias, como a grega, a romana e a germânica, e baseavam-se nos Vedas.

Estes escritos sagrados, considerados de origem divina, eram transmitidos por tradição oral, até cerca de 1400 a.C, quando foram compostos na forma escrita.

Baseado neste conjunto de crenças e tradições foi que o hinduísmo se desenvolveu no decorrer dos séculos e sofrendo muitas mudanças durante seus 4000 anos de história, chegou a ser o hinduísmo que conhecemos hoje.

Na verdade, hinduísmo é um termo vago que descreve toda uma quantidade de religiões e seitas que se desenvolveram no decorrer de milênios debaixo da sombra da complexa mitologia hindu.

A princípio, o termo hindu era de origem geográfica, e designava as tribos que se instalaram naquela região, porém, através dos séculos, as idéias religiosas daquelas comunidades se difundiram por todo o Norte da Índia e, dali, conforme o povo foi se espalhando pela península, a denominação acabou se estendendo ao continente inteiro.

A história hindu passou por muitas mudanças através dos anos, como na maioria dos países, e tais mudanças tiveram significação sobre as crenças e literatura hindu. Assim sendo, podemos dividir a história do hinduísmo em cinco períodos:

O Período Védico – 2000 a.C até 600 a.C. Foi durante esse período, aproximadamente em 1400 a.C., que os Vedas (traduzido significa sabedoria ou conhecimento) deixaram de ser apenas uma tradição oral e foram produzidos na forma escrita e, assim, tornaram-se uma importante fonte de fé para todas as gerações. Os deuses eram as forças da natureza e a religião era caracterizada pelo otimismo e o amor à vida.

O Período de Reforma – 600 a.C até 200 a.C. Por volta dos séculos dez e nove a.C, algumas pessoas já reagiam contra os sacrifícios, o sistema de castas e a reencarnação ensinados pelo vedismo. Foi nesse período de reforma, que Vardhaman Mahavira, o Jaina (em 557 a.C.) e Siddharta Gautama, o Buda (em 525 a.C.), rejeitaram os dogmas védicos-brâmicos e anunciaram a auto-suficiência do homem para uma vida plena. Assim, o Jainismo e o Budismo floresceram como religiões distintas.

Acredita-se que nesse período os inúmeros deuses perderam terreno diante de duas grandes divindades pessoais, Vishnu e Shiva. Ainda que o politeísmo continuasse muito forte, esses deuses se destacaram na fé dos hindus.

Período Clássico – 200 a.C. até 1000 a.D. Neste período, os deuses foram reduzidos basicamente a Trimurti, ou a Trindade hindu. Os deuses Brahma, o criador, Vishnu, o preservador, e Shiva, o destruidor, passaram a ser o centro da crença hindu. Em 1000 a.D. ocorre a invasão islâmica à Índia fazendo com que islamismo e hinduísmo entrem em choque.

Período Bhakti – 1000 a.D até 1750 a.D. O Período Bhakti (devoção) foi caracterizado pela volta ao politeísmo. Com a invasão islâmica, a religião do profeta Mohamed passa a ter influência sobre o hinduísmo e em 1500 a.D. o guru Nanaque desenvolve a fé sincretista conhecida como Siquismo, unindo elementos do hinduísmo com outros do islamismo.

Período Contemporâneo – 1750 a.D. até hoje. O período atual se caracteriza pelo politeísmo, porém a Trimurti continua sendo o centro da fé, seguida por deuses menores. São seguidos muitos rituais pelos devotos, e as religiões que tiveram suas raízes no hinduísmo, como Jainismo, Budismo, Siquismo e Hare Krishna são consideradas por alguns hindus como seitas heréticas que nada têm a ver com o hinduísmo, por outros, como parte deste.

O sincretismo que hoje tomou conta da religião e as diferenças entre uns e outros seguidores são tão grandes que já foi afirmado ironicamente que o único ponto de crença que une todos os hinduístas é que a vaca é santa e não pode ser morta!


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