Defesa da Fé

Edição 02

A doutrina da salvação e as Testemunhas de Jeová


Por Wagner Santos Cunha

Um errado entendimento sobre quem é Jesus e o que ele veio fazer aqui na terra, faz com que alguém não entenda o caminho da salvação. Por Wagner Santos Cunha.

O “Jesus” das TJ não consegue salvar sozinho o homem do pecado e da morte.

“Senhores, o que tenho de fazer para ser salvo?”, foi a pergunta que um carcereiro de Filipos, na macedônia, fez ao apóstolo Paulo e a Silas (Atos 16:30). A resposta foi: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (v. 31). Esta resposta tem sido o ponto central da mensagem do evangelho e do cristianismo histórico. Mas, qual é a resposta que uma Testemunha de Jeová (TJ) dá a esta pergunta cruciante? O que significa salvação para as TJ?

De acordo às TJ, o primeiro propósito de Jesus vir a terra não foi o de morrer pelos nossos pecados “I TM 1:15”, mas, sim, o de “prover uma defesa ao nome de Jeová” e, em segundo lugar, o de pregar o reino de Deus, pois segundo o livro Poderá viver para sempre no paraíso na terra, “é esse reino que destruirá toda iniquidade e livrará o nome de Jeová de todo o vitupério lançado sobre ele” (pp.60,61). Assim sendo, segundo as TJ, Satanás desafiou a Jeová dizendo que nenhuma criatura no universo seria fiel a Ele se sofresse todos os tipos de provocações e tentações. Nenhuma criatura seria fiel até a morte assim como Adão não se manteve fiel e foi desencaminhado.

Diante de tal desafio Jeová teria de fazer alguma coisa para vindicar Seu nome diante de todas as suas criaturas. Então, entra em cena o Arcanjo Miguel (a primeira criação de Jeová). Ele se ofereceu voluntariamente, e Jeová o enviou à terra para suportar todos os tipos de tentações possíveis, para provar que é possível manter-se fiel a Jeová até a morte, demonstrando assim que o desafio de Satanás era infundado; de modo que, por permanecer fiel, Miguel (que para as TJ é o ressuscitado Jesus Cristo),capacitou-se para ser o rei do Reino de Deus (que vindicaria a soberania Universal de Jeová). Tornou-se assim a principal Testemunha de Jeová.

Mas, e quanto a salvação do pecador? Bem, esta estaria em segundo plano. Veja: “Assim, um motivo importante de Jesus vir a terra foi o de morrer por nós.” (Poderá viver... p. 61,§ 12) – O grifo é nosso. Noutra publicação das TJ lemos: “A nossa salvação não é justificativa principal para a vida e a morte de Jesus na terra.” ¹ Segundo a doutrina do resgate (expiação) difundida pelas TJ, Adão, ao pecar, perdeu para si e seus filhos a vida humana na terra paradisíaca. Era necessário, então, que outra vida humana perfeita fosse dada em troca daquela que Adão perdeu. Diz o livro supracitado na p. 62, § 16: “Nenhum outro humano, além de Jesus, poderia ter provido o resgate. Isso se dá porque Jesus é o único homem que já viveu que era equivalente a Adão como filho humano perfeito de Deus”. Assim, Adão perdeu a vida humana, e Jesus deu a dele em troca. Quando? 40 dias após a sua ressurreição, quando ele retornou ao céu. Ali, ele levou perante a Deus a sua vida humana perfeita e ofereceu como resgate, abrindo assim o caminho para a libertação da humanidade.

O sacrifício de Jesus no calvário (na ótica da TJ), apenas removeu os efeitos do pecado de Adão, mas não os efeitos dos nossos pecados individuais. A completa obra de expiação ocorrerá depois que os sobreviventes do Armagedom ² retornarem a Jeová por vontade própria, procurando fazer a vontade dele e sujeitando-se ao Seu governo teocrático.

Algo bastante interessante de mencionar é que as TJ creem que durante o milênio os 144.000 (os únicos que irão para o céu) terão o direito de perdoar os pecados e eliminar as imperfeições dos seus súditos que viverem na terra. ³

Pergunta-se: Será que o “Jesus” das TJ não consegue salvar sozinho o homem do pecado e da morte?

Recapitulando: Segundo as TJ, Jesus veio à terra para:

- Vindicar o nome de Jeová das acusações lançadas por Satanás;

- Sofrer as piores tentações e mostrar-se fiel diante delas, para provar que é possível a um humano em condições perfeitas manter-se fiel até a morte, demonstrando assim que Satanás é mentiroso;

- Dar a sua vida humana perfeita como sacrifício, em troca de resgate, para salvar a humanidade do pecado e da imperfeição.


Insuficiência de Jesus


A Salvação do gênero humano – para as TJ – não depende somente de Deus; a responsabilidade recai também sobre o próprio homem. Então, que precisa o homem fazer a fim de se salvar, de acordo com as TJ? As TJ ensinam que o caminho para a vida terrestre ou celestial envolve muito mais do que crer em Jesus e aceitá-lo pela fé como seu único e suficiente salvador. 4 É necessário uma série de obrigações. No último capítulo do livro Poderá Viver..., intitulado: O que você precisa fazer a fim de viver para sempre, encontramos as seguintes obrigações:

- Ter fé em Jeová e nas suas promessas (p. 250);

- Deve haver obras (p.250, § 2);

- Dizer em oração a Deus que deseja ser servo dele, que deseja pertencer-lhe (p. 251, § 3);

- Batizar-se (p. 251, § 6);

- Pregar e ensinar de casa em casa: “Jeová não se esquecerá de seu trabalho, mas o recompensará ricamente” (p.253, § 9-11). Quanto mais se dedicar a esta atividade, mais preeminente será a posição que se terá no futuro paraíso;

- “Você precisa pertencer à organização de Jeová e fazer a vontade de Deus, a fim de receber Sua benção de vida eterna”. (p. 255, § 14).


Trilhando o caminho errado


É interessante que seis requisitos foram alistados para conduzir o homem no caminho da salvação, menos um, aliás, o único requisito necessário: crer em Jesus, recebê-lo como Senhor e Salvador pessoal (Atos 16:30, 31; João 1:12 com Colossenses 2:6; Romanos 10:9, 10).

Internamente, na organização, bombardearam-se as TJ com as seguintes informações:

- É preciso pertencer à única organização que Deus usa para comunicar suas verdades aos homens, que é a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

- Proclamar o Reino de Deus que começou no céu em 1914, com a expulsão de Satanás.

- Ser fiel a Jeová durante toda a vida: agora, até o Armagedom; depois, durante o milênio e na prova final, quando Satanás for solto.

Quão triste é este quadro de salvação condicional!

Ajude as TJ a ver que somente crendo em Jesus é que seremos salvos (Atos 16:30, 31). Somente o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado (I João 1:7; Apocalipse 5:9; 12:11; Hebreus 9:22; I Pedro 1:19; Romanos 3:25; 5:9 e Colossenses 1:14, 20). Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, e não por obras (Efésios 2:8, 9).

Quando falar com ma TJ, guarde em mente que ela crê na morte de Cristo, mas que ela nada mais foi que um sacrifício perfeito do seu corpo. De acordo com isso, Deus não estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (II Coríntios 5:20; I Timóteo 3:16); porém, segundo as Escrituras, Jesus, na condição de homem, pagou o preço de nossos pecados tomando-os sobre si na cruz e morrendo por eles. Na condição de Deus, contudo, seu sacrifício tem eficácia no tempo, e por toda a eternidade. Só Deus pode resistir ao pecado, e Cristo resistiu porque era Deus sem deixar de ser homem. Identificou-se com a natureza humana sem deixar a divina. Ao ensinar que a morte de Jesus foi simplesmente o resgate pelo pecado de Adão, as TJ “diminuem”, por assim dizer, o valor do sangue resgatador de Jesus. Em vez de nos “purificar de todo o pecado” (I João 1:7), é limitado, pois limpa apenas os efeitos dos pecados de Adão. Em harmonia com essa crença, as TJ em sua versão distorcida das Escrituras (Tradução do Novo Mundo) verteram a palavra grega Antilytron (= “resgate”) que aparece unicamente no Novo Testamento, em I Timóteo 2:6 por “resgate correspondente”, querendo dizer que a morte de Cristo tinha a intenção de ser meramente o sacrifício de m ser humano perfeito para compensar o pecado de um só homem, Adão; mas essa posição é refutada em Marcos 10:45, diz que “...mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de (lutron anti) muitos.”


Morrendo em favor de milhões


Cristo, portanto não era meramente um homem que morria em favor de um só outro homem; estava morrendo em favor de milhões de homens, mulheres, crianças. Cristo é chamado o “último Adão” e contrastado com Adão (Romanos 5:12-21; I Coríntios 15:21-22, 45). Isso porem não comprova que Ele era “nada mais” do que Adão. Durante os dez anos em que fui TJ, sempre aprendi a ver Jesus como “o maior homem que já viveu”, um exemplo, o resgatador, mestre, instrutor, “o mestre de obras de Jeová”, mas nunca aprendi a necessidade de ter Jesus como meu Salvador pessoal. Como foi dito anteriormente, o “Jesus” das TJ não salva, apenas abre o caminho para que o indivíduo alcance a salvação através de sua fidelidade à organização.

Não permitamos portanto que estas pessoas batem à nossa porta continuem no erro. Tomemos com seriedade as palavras de Paulo em II Timóteo 2:24, 26 e II Coríntios 10:3-6. Que o Senhor nos abençoe. Amém!


Notas finais

1 Conhecimento que conduz à vida eterna, p. 69, § 20.

2 A guerra que Deus vai travar contra a humanidade, destruindo todos sobre a terra, exceto as TJ.

3 Confira na obra: A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, p. 106, § 12 – editado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

4 Em A Sentinela de 15 de setembro de 1989, pp.5, 6, lemos: “sim, crer em Jesus é fundamental para nossa salvação, mas é necessário mais. (…) Alguns dizem que basta crer em Jesus. (…) Assim, muitos creem que passar por uma conversão repentina e emocional é tudo o que precisa para garantir a vida eterna. Contudo, concentrar-se em apenas um único requisito essencial para a salvação e excluir os outros é como ler uma cláusula fundamental num contrato e desconsiderar as demais.” Vale comentar que a salvação não é um contrato, mas um dom gratuito de deus (Efésios 2:8, 9).


Wagner S. Cunha é pesquisador e conferencista do ICP. Atuou como missionário na Espanha (antes de ser enviado ao campo missionário, trabalhou durante dois anos no ICP). Lecionou várias matérias no Seminário Teológico Batista de S. Miguel Paulista.

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