Defesa da Fé

Edição 15

Três dias e três noites no túmulo?


Por Josh McDowell

Muitas pessoas questionaram a veracidade da afirmação de Jesus: “Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mt 12.40). Eles perguntaram: Como pode Jesus permanecer no túmulo três dias e três noites, se Ele foi crucificado na Sexta-feira e ressuscitou no domingo?

O registro de Sua morte e ressurreição, como está nos Evangelhos de Ma teus, Marcos, Lucas e João, indica que Jesus foi crucificado e sepultado na sexta-feira, antes do pôr- do-sol, que é o começo do dia seguinte para os judeus, e ressus ci tou no primeiro dia da semana, que é o nosso domingo, antes do nascer do sol.

Isso coloca Jesus na sepultura durante parte da sexta-feira, o sábado inteiro e parte do domingo. Em outras palavras, Ele esteve na sepultura duas noites inteiras, um dia inteiro e parte de dois dias. Como isto não é claramente três dias completos de 24 horas, temos um problema conflitante com a profecia de Jesus em Mateus? (Mt 12.40).

Está registrado que Jesus disse: “O Filho do homem se levantará novamente após três dias” e “Ele será levantado novamente no terceiro dia” ( Mc 8.31; Mt 16.21). Essas expressões são usadas alternadamente. Isso pode ser visto no fato de que a maioria das referências à ressurreição afirma que ela ocorreu no terceiro dia.

Jesus também falou de Sua ressurreição em João (Jo 2.19-22), afirmando que seria levantado em três dias e não no quarto dia.

Mateus esclarece esse uso idiomático (Mt 27.63).Depois que os fariseus contaram a Pilatos a predição de Jesus, de que : “Depois de três dias Ele ressuscitaria” , eles lhes pediram uma guarda para o túmulo “Até o terceiro dia”.

Se a frase “após três dias” não tivesse substituído a expressão “terceiro dia” , os fariseus teriam pedido uma guarda para o quarto dia!

Que a frase “um dia e uma noite” era a expressão idiomática usada pelos judeus para indicar um dia, mesmo quando indicava somente parte de um dia pode ser visto também no Velho Testamento.

Por exemplo, I Samuel registra: “Ele não comeu pão ou bebeu água por três dias e três noites” . E no versículo seguinte, nós lemos: “Meu Senhor me deixou para trás há três dias” (I Sm 30.12-13).

Claramente, também, Gê ne sis nos mostra esse uso idiomático: “José aprisionou seus irmãos por três dias” (Gn 42.17). No verso 18 ele fala com eles e os solta, tudo no terceiro dia.

As expressões “após três dias” e “no terceiro dia” não são contraditórias, nem entre si e nem com o texto de Mateus (Mt 12.40), mas constituem, simplesmente termos idiomáticos intercam biá veis, uma maneira comum de expressão judaica.

Outra forma de ver “três dias e três noites” é ter em consideração o método judaico de calcular o tempo. Os escritores judaicos registraram em seus comentários sobre as Escrituras o princípio que governava o registro do tempo. Qualquer parte do período era considerado um período total. Qualquer parte de um dia era registrado um período completo. O Talmude Babilônico (Comentários Judaico) relata que “uma parte do dia é o total dele” 1 .

O Talmude de Jerusalém, assim chamado porque foi escrito em Jerusalém, diz: “Temos um ensino – ‘Um dia e uma noite são um Onah e a parte de um Onah é como o total dele’ ” 2 . Um “Onah” é simplesmente “um período de tempo”.

O dia judaico se inicia às 18 horas. O Cr. Custance mostra que, conforme é geralmente aceito, esse método de contar o tempo originalmente se baseou em que na Semana da Criação do Mundo, o primeiro dia começou com a escuridão que foi transformada em luz. E daí em diante, sucessivamente, cada período de vinte e quatro horas foi indicado como “o entardecer e o amanhecer” dos dias subseqüentes nessa mesma ordem (Gn 1.5-8 e seguintes) 3 .

O gráfico a seguir visualiza a seqüência do tempo:




Os “três dias e três noites” referentes ao período em que Cristo ficou no túmulo podem ser calculados, como se segue: Cristo foi crucificado na sexta-feira. Qualquer tempo antes das 18 horas de sexta-feira seria considerado “um dia e uma noite”. Qualquer tempo depois das 18 horas de sexta até sábado às 18 horas, também seria “um dia e uma noite”. Semelhan te mente, qualquer tempo após às 18 horas de sábado até o momento em que Cristo ressuscitou, na manhã de domingo, também seria “um dia e uma noite”. Do ponto de vista judaico, seriam “três dias e três noites” de sexta-feira à tarde até domingo de manhã.

Mesmo hoje, muitas vezes usamos o mesmo princípio, com referência ao tempo. Por exemplo, muitos casais esperam que seus filhos nasçam antes da meia-noite de 31 de dezembro. Se nascido às 23 h 59, a criança será tratada , para efeito de imposto de renda, como tendo nascido há 365 dias e 365 noites daquela data. Isto é verdade, mesmo que 99,9% do ano já se tenha passado.


1. Mishnah, Third Tractate, “B. Pesachim”, p.4ª

2. Mishanh, Tractate “J. Shabbath”, chapter IX, Par. 3

3. Arthur C. Custance, The Resurrection of Jesus Christ, Doorway Papers, 46, Brookville, 1971, p.17

Extraído com autorização do livro As Evidências da Ressurreição de Cristo, Ed. Candeia.

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