Defesa da Fé

Edição 17

Céu e Inferno - Lugares ou estados?


Por Natanael Rinaldi

A FOLHA UNIVERSAL publicou, na sua edição de 29 de agosto de 1999, um artigo com o título: “PAPA DIZ QUE CÉU E INFERNO SÃO ESTADOS DE ESPÍRITO.”

Continua a notícia: “De acordo com o papa, o céu não é um lugar, mas ‘um estado de espírito’ que pode ser alcançado por qualquer homem, desde que, após a sua morte, este passe um tempo determinado no que a doutrina católica chama de ‘purgatório’ ou limbo”.

“O purgatório não é um lugar, mas uma condição de vida”, afirmou o papa em seu último pronunciamento. O inferno, segundo o papa, também é um estado de espírito ligado à condenação eterna e não uma fornalha ardente.


Infalibilidade Papal


Não podemos analisar o pronunciamento sobre o céu e o inferno, feito pelo Papa João Paulo II, sem que primeiro tenhamos conhecimento do que constitui o ensino sobre o dogma da Infalibilidade Papal.

Isso significa, que tudo o que o papa ensina deve ser crido pelos fiéis e que todos os seus mandamentos devem ser obedecidos. Esse dogma católico só se tornou artigo de fé em 1870, pelo Concílio Vaticano.

Embora essa suposta infalibilidade seja sobre assunto tão importante, é preciso que tenhamos presente a declaração de Paulo, em Gl 1.8, 9, no sentido de que nenhuma autoridade se sobreponha à autoridade da Bíblia.

“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.”

Com isso, Paulo quis tornar claro que nenhuma autoridade angelical, pode ser considerada superior aos homens (Hb 2.7), como também nenhum ser humano pode arrogar para si autoridade soberana sobre a Bíblia.

Entretanto, a Igreja Católica não pensa assim e outorgou ao papa o poder divino da inerrância. Inocêncio III professa a doutrina de que o papa ocupa na terra não o lugar de um homem, mas o de um deus (Inocent III, Decret, de Concess, tit. 8, citado em “Roma, Sempre a Mesma”, p. 126, de Hippolyto de Oliveira Ramos).

A Igreja Católica cita três passagens das Escrituras para apoiar a tese que sustenta a respeito do primado de Pedro e da sucessão apostólica, culminando com o atual Papa João Paulo II: Mt 16.18, 19; Lc 22.31,32 e Jo 21.15-17. No entanto, em nenhuma dessas passagens bíblicas citadas encontramos apoio para a primazia de Pedro. Jesus afirmou sua posição de supremacia e governo sobre os apóstolos: “Um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e vós todos sois irmãos.” (Mt 23.8,10). Pela sua morte na cruz e pela sua ressurreição dentre os mortos Ele ocupa posição de primazia e não Pedro. O próprio Pedro declarou ser Cristo a pedra e não ele:

“Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (At 4.11,12)

Outras citações confirmam essa interpretação:

“Pôs todas as coisas debaixo de seus pés e o constituiu chefe de toda a Igreja.” (Ef 1.22)

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o mesmo Jesus Cristo a principal pedra angular. ”(Ef 2.20)

A Bíblia aponta apenas dois lugares depois da vida presente como lugares definitivos e irreversíveis: o céu e o inferno. Entretanto, os católicos admitem mais dois lugares: o purgatório e o limbo. Para eles o purgatório é um lugar de purificação e de cumprir pena. Para isso são rezadas missas e são feitas orações pelos mortos. O limbo é um lugar de castigo mais ameno, para as crianças que morrem sem batismo.


O Céu


Do hebraico Shamaym; do grego Ouranus; do latim Coelum. Segundo a Bíblia é a habitação de Deus, dos anjos e morada dos justos. Deus é Onipresente, pode estar em qualquer lugar (Jr 23.23,24); entretanto, os demais seres são limitados, finitos, restritos e, portanto, se acham num lugar. Assim, o céu é um lugar, mas também pode ser um estado de espírito, quando em vida nos entregamos a Jesus Cristo. Ele nos enche de sua paz, a paz que excede todo o entendimento e sentimo-nos felizes, sentimo-nos no céu: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.”(Jo 10.10b)


Pessoas que estão no céu


Jesus falou do céu como um lugar, afirmando:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” (Jo 14.2,3)

Assim, podemos verificar pela Bíblia, pessoas que já estão no céu como um lugar:

deus, o Pai: “Pai nosso, que estás nos céus... Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.”(Mt 6.9,10) Da mesma forma que a terra é um lugar onde habitam seres humanos, o céu é também um lugar.

Jesus: “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus.”(At 7.55)

Os anjos: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.”(Mt 18.10)

Os justos do antigo testamento: “Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus.”(Mt 8.11)

Os cristãos já mortos: “Mas chegastes ao monte de Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados.” (Hb 12.22,23)

“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus”.

“Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor. (Porque andamos por fé, e não por vista.) Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor.”(2 Co 5.1, 6-8)


O inferno


Do hebraico Sheol ou Seol; do grego Hades, Geena e Tártaro; e do latim Infernus. Os vocábulos hebraico e grego indicam os seguintes lugares:

Sheol (hb.) e Hades (gr.) indicam o lugar das almas perdidas até a segunda ressurreição.

A palavra Seol aparece 65 vezes no Velho Testamento: Gn 37.35; 42.38; 44.29,31; Nm 16.30,33; Dt 32.22; 1 Sm 2.6; 2 Sm 22.6; 1 Rs 2.6,9; Jó 7.9; 11.8; 14.13; 17.13,16; 21.23; 24.19; 26.6; Sl 6.5; 9.17; 16.19; 18.5; 30.3;31.17; 49.14; 55.15; 86.13; 88.3; 89.48; 116.3; 139.8; 141.7, etc.

A palavra Hades aparece 10 vezes no Novo Testamento: Mt 11.23; 16.18; Lc 10.15; 16.23; At 2.27, 31; Ap 1.18; 6.8; 20.13,14. Significa o mundo invisível das almas dos mortos.

Geena: lugar dos corpos e almas dos perdidos depois do Juízo Final, também chamado o lago de fogo e segunda morte (Ap 20.11-15) A palavra correspondente no V. T. é “vale do filho de Hinon”. A forma grega do hebraico é geh hin-nóm (Js 15.8; 18.16; 2 Cr 28.3; 33.6; Jr 7.31, 32; 32.35).

A palavra Geena aparece12 vezes no Novo Testamento: Mt 5.22,29,30; 10.28; 18.9; 23.15, 33; Mc 9.43,45,47; Lc 12.5; Tg 3.6.

Tártaro: lugar dos anjos caídos. A palavra só é encontrada uma vez em 2 Pe 2.4: “Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;”


Para quem foi feito o inferno


Jesus afirmou que o inferno é um lugar destinado ao diabo e seus anjos. Se qualquer pessoa for para lá, será contra a vontade de Deus. O homem no inferno é um intruso (Mt 25.41,46). (Doutrinas, por W. C. Taylor, JUERP, 1952, p. 226)


Graus de punição


Haverá graus de punição no inferno e varia segundo a luz, oportunidade e resistência à Palavra de Deus (Rm 2.5-12: Mt 11.23-25; Hb 10.26-31). Para Deus, o juízo de bons e maus é segundo as suas obras e a salvação ou a perdição é segundo a fé em Cristo ou a ausência da mesma (idem op. cit. 232).

O homem em vida física pode se encontrar num estado de espírito em que esbraveja sentir-se num inferno, mas numa figura de linguagem; porém, na morte, ao deixar esta vida poderá se encontrar, consciente, para sempre num lugar de tormento real e eterno denominado inferno.

“Se qualquer coisa menos que a punição eterna for devida em vista do pecado, que necessidade havia de um sacrifício infinito para livrar do castigo? Jesus derramaria seu precioso sangue para livrar-nos das conseqüências de nossa culpa, se tais conseqüências fossem apenas temporárias? Conceda-se-nos a verdade de um sacrifício infinito, e disso tiraremos a conclusão de que o castigo eterno é uma verdade.” (Dicionário de Escatologia Bíblica, de Claudionor Corrêa de Andrade, p. 40, CPAD).


Conclusão


Omitir a pregação do inferno é deslealdade a Jesus e aos homens. Para quem zomba do inferno, procurando subterfúgios para negar a realidade desse lugar, basta reconhecer a autoridade de Jesus ao falar deste lugar, ao concluir: “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.” (Mt 25.46). Dois lugares distintos e irrever síveis: “tormento eterno” ou “vida eterna”. Da mesma forma como há vida, declarada eterna (do grego zoen aionios), também há “tormento ou castigo eterno” (kólasin aionios).

No entanto, não deixamos de reconhecer que: “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode en tendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discer ne bem tudo, e ele de ninguém é discerni do.” (1Co 2.14,15)

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