Defesa da Fé

Edição 18

Esquecimento fatal do espiritismo


Por Natanael Rinaldi

Os espíritas se esforçam para ensinar que a reencarnação é compatível com a fé cristã. Citam a Bíblia, embora discordem dela, e ensinam que a doutrina da reencarnação é ensinada sob o vocábulo de ressurreição. Ressurreição significa o retorno do espírito ao próprio corpo e isto não é o que significa reencarnação como veremos.


1. Reencarnação


Afirmam que reencarnação significa a volta do espírito a este mundo, onde vai assumindo corpos sucessivos a fim de evoluir e progredir até chegar à perfeição. Indagando Allan Kardec dos espíritos qual o objetivo da reencarnação, recebeu por resposta que era a expiação. Textualmente se lê no Livro dos Espíritos as perguntas formuladas e as respostas dadas:

Pergunta de Kardec: “167. Qual o objetivo da reencarnação?”

Resposta do Espírito: “Expiação, prova, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isso, onde estaria a justiça?”

Indagando ainda dos espíritos se o número de existências corporais era limitado, teve como resposta que não. Que era ilimitado. Textualmente lemos:

Pergunta: “168. É limitado o número de existências corporais, ou o Espírito reencarna perpetuamente?

Resposta: “Em cada nova existência o Espírito dá um passo no caminho do progresso. Quando se tenha despojado de todas as imperfeições, não mais necessitará das provas da vida corporal.”

Por fim, como se torna o espírito que por muitas existências passou? Allan Kardec responde que se torna espírito puro.

Pergunta: “170. Em que se torna o Espírito depois de sua última encarnação?”

Resposta: “Em Puro Espírito”

(O Livro dos Espíritos, p. 83/84, citado em ALLAN KARDEC Obras Completas, 2 ª edição, edição especial da OPUS EDITORA, 1985)


2. Condições para alcançar um espírito puro


O que pareceria tão fácil alcançar: um espírito puro, não é assim tão fácil. É que as condições expostas por Allan Kardec são três:

“Arrependimento, expiação e reparação, constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza a expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.”

Allan Kardec enfatiza que só o arrependimento não é suficiente para se ter, por fim, um espírito puro:

“O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e reparação.” ( Ibidem, O Céu e o Inferno, p. 747).

Pergunta: “999. Basta o arrependimento durante a vida para que as faltas do Espírito se apaguem e ele ache graça diante de Deus?

Resposta: “O arrependimento concorre para a melhoria do Espírito, mas ele tem de expiar o seu passado.” (Ibidem, O Livro dos Espíritos, p. 244)


3. Esquecimento fatal


Não entendemos como o espírita possa atingir a condição de um espírito puro, mesmo admitindo-se as dezenas, centenas, ou milhares de encarnações. É que em cada uma delas o espírita se esquece das ocorrências da vida anterior.

Allan Kardec se antecipa a esse impedimento para atingir-se a pureza de espírito, dizendo:

Pergunta: “608. após a morte, tem o espírito do homem consciência das existências que precederam o período da humanidade?

Resposta: “Não, pois que somente neste último período é que começa para ele a vida de Espírito.” (ibidem, O Livro dos Espíritos, p. 167)

Justifica mais ainda essa impossibilidade de progresso em face do esquecimento de vidas anteriores. Afirma ele:

“A tudo isso pode fazer-se uma objeção: que proveito tiramos das existências anteriores para o nosso aperfeiçoamento, se não nos lembramos das faltas cometidas? O Espírito responde, primeiramente, que a memória de existências infelizes, acrescentada às misérias da vida presente, tornaria esta vida ainda mais penosa. Foi, pois, um acúmulo de sofrimento o que Deus nos quis poupar. Se assim não fosse, qual não seria, muitas vezes, nossa humilhação ao pensar no que fomos. Para o nosso aperfeiçoamento aquela lembrança é inútil. Durante cada encarnação damos alguns passos à frente: adquirimos algumas qualidades e despojamo- nos de algumas imperfeições. Cada nova existência é, assim, um novo ponto de partida em que somos o que nós próprios fizemos de nós, sem ter que nos preocupar com o que fôramos antes. Se em alguma existência anterior fomos antropófagos, que nos importa agora que já não o somos mais?” (Ibidem, Obras Póstumas, p. 1144)

Diante da declaração explícita de AK de que “Para nosso aperfeiçoamento aquela lembrança é inútil” surge uma pergunta muito pertinente:

Que proveito se colhe das existências anteriores, uma vez que não se tem consciência das faltas cometidas?

O que resulta se nos falta a lembrança das faltas cometidas em existências anteriores? Nada mais, nada menos do que a perdição eterna, muito embora os espíritas não creiam nela. Para a expiação – como vimos – são necessárias três condições indispensáveis: arrependimento, expiação e reparação, mas como isso pode dar-se se não há lembrança dos erros de vidas anteriores?


3.1 - Arrependimento

Para alguém ter o perdão de Deus é necessário o arrependimento. Disse Jesus, “... se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis.”(Lc 13.3)

Pedro pregou o mesmo: a necessidade de arrependimento, quando disse: “Arrependei- vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados...”(At 3.19)

O ladrão na cruz arrependeu-se dos erros de sua vida corporal (não sabia ele que havia vidas anteriores) e recebeu de Jesus a mais rica promessa de perdão absoluto e total expiação:

“E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. Respondendo, porem o outro, repreendia-o, dizendo: tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lc 23.39-43) O ladrão arrependido tinha plena consciência dos erros cometidos da sua vida presente e com consciência deles, podia reconhecer: “E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam...”


3.2 - Expiação

Para alguém se tornar um espírito puro é preciso expiação. “Expiação – segundo os espíritas é a “Pena que sofrem os Espíritos como punição das faltas cometidas durante a vida corporal.”(Ibidem, Vocabulário Espírita, p. 1252) Isso implica em humilhação do pecador e o pedido de perdão a quem ofendeu. Mas como fazê-lo se não há consciência de faltas cometidas? Por que pretender fazer sua própria expiação, quando Jesus já efetuou uma expiação absoluta e total: “Mas, este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à dextra de Deus.”(Hb 10.12)

“Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.”(Hb 9.13)


3.3 - Reparação

Para alguém se tornar um espírito puro é preciso reparação, mas o espírita esqueceu tudo o que se passou em existências anteriores. Não sabe o que nem a quem há de fazer essa reparação. E sem a reparação não pode alguém tornar-se um espírito puro. Fulano ofendeu gravemente Beltrano. Morre sem reparar os males, como pode evoluir e tornar- se espírito puro? Mas para dar provas do seu sincero arrependimento, além de reparar a ofensa a Deus, há de também reparar os males que fez a Beltrano. Mas, Fulano ao encarnar-se esqueceu tudo da vida anterior.

Não se lembra nem de Beltrano e nem de coisa que fez. Como pode evoluir? Logo, o espírita que morre sem arrependimento dos pecados da sua vida atual, já na futura não pode tornar-se espírito puro. Perdido eternamente. E por que? Só por rejeitar, soberbamente, o remédio eficaz providenciado por Deus:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”(1 Jo 2.1,2) Por que querer pagar um débito que já foi pago, e muito bem pago por Jesus na cruz? “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça.” ( Ef 1.7)


4. Pureza de espírito depois da morte incentivo ao pecado


Entre os muitos e gravíssimos erros ensinados pelo Espiritismo está o de que existe perdão depois da morte. Por mais horrendos que sejam os crimes cometidos durante a existência atual, e embora o criminoso morra impenitente, o Espiritismo afiança que haverá perdão nas sucessivas encarnações.

Allan Kardec ensina o seguinte:

“9. Toda falta cometida, todo mal realizado, é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não o for em uma existência se-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. Aquele que resgata seu débito numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez.” (Ibidem, O Céu e o Inferno, p. 747)

Essa afirmação, além de ser um enorme engano, não é um incentivo eficaz para os mais hediondos pecados?

Deus perdoa todo e qualquer pecado: “Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.” (Is 1.18) Não nos salva no pecado, mas nos salva dos pecados, ou seja, depois de serem abandonados:

“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis; nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns teem sido, mas haveis sido lavados, mais haveis sido santificados, nem haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.”(1 Co 6.9-11)


5. Advertências bíblicas


Dois assuntos muito importantes são expostos na Bíblia no que concerne à vida além túmulo: Primeiro, que o destino de cada pessoa é traçado nesta vida e segundo, que não há salvação depois da morte.

1. Apre senta o perigo da perdição eterna para os impenitentes, que não se arrependem em vida. Os passos inevitáveis para o que não se reconcilia com Deus são: morte, juízo e condenação.

“Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.”(Jo 8.24)

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez vindo depois disso o juízo.”(Hb 9.27)

2. Salienta a urgência da salvação. Existe o perigo de adiar, de procrastinar a salvação.

“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus porque grandioso é em perdoar.”(Is 55.6,7) “Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação: eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.”(2 Co 6.2)

“Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto.”(Hb 3.7,8).

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