Defesa da Fé

Edição 21

Uma família perigosa


Seita dos Meninos de Deus


Por Wagner S. Cunha

Eles são em sua maioria jovens bonitos, idealistas e inteligentes, de vários países, estão sempre com um sorriso na face. É possível encontrá-los nos semáforos das ruas das grandes cidades, distribuindo folhetos de excelente qualidade gráfica. Visitam nossas igrejas dizendo-se pertencentes a uma “Sociedade Missionária Independente” oferecendo material infantil (fitas de vídeo infantis da Kiddy Viddy, com desenhos animados, tais como: “Mágica Celestial, O Sótão Encantado”, revista “Contato” “Amor É Notícia” e “Garotada”, pôsteres coloridos sobre o fim do mundo etc.), para as classes da Escola Dominical em troca de donativos. Segundo eles, já distribuíram cerca de 750 milhões de exemplares de suas publicações em 61 idiomas e mais de 922 mil fitas de vídeo e seis milhões de fitas cassetes, em mais de 20 línguas, entretanto, o que há por trás de todo esse zelo “evangelístico”? Quem são eles? O que crêem?


Estas pessoas fazem parte da seita pseudo cristã “A Família”, outrora chamada “Meninos de Deus” que foi fundada em 1968 em Hunting ton Beach, Califórnia, EUA. Seu fundador foi David Brandt Berg (1919-1994), também conhecido como Mo, Moisés David, Pai David, pelos seus seguidores. Seus pais foram Hjalmer Emmanuel Berg e sua mãe Virgínia Lee Brandt, ambos proeminentes evangelistas da Igreja da Aliança Cristã e Missionária. Em 1945, após ter servido o Exército americano (a maior parte do tempo no quartel general do batalhão de engenharia, em Ft. Belvoir, Estado de Virgínia, por ser objetor de consciência, sendo por fim dispensado da tropa por um problema cardíaco), ele, até então seguindo de perto os passos dos pais, resolveu dedicar-se ao trabalho missionário indo para Valley Farms, no Arizona, ali estabelecendo uma pequena igreja da Aliança Cristã e Missionária. Em 1950, quase dois anos após pasto- rear aquela comunidade surgiram sérias desavenças entre ele e a liderança que se opunha à sua pregação radical. Amargurado, passou a desprezar as denominações, optando pela vida em comunidades. Impulsionado por sua primeira “revelação de Deus”, que teve em relação ao seu ministério, 1 em 1964, aproveitando-se da proeminência dos pais, ingressou na televisão e no rádio com o programa “A Igreja no Lar”, trabalhando com o evangelista Fred Jordan. Eles fundaram as chamadas “Clínicas da Alma” no Estado do Texas e na Flórida. No final de 1968, Berg e sua esposa Jane, com os quatro filhos (Linda, Jonathan, Paul e Faith) foram convidados por sua mãe para ajudá-la na evangelização dos hippies em Huntington Beach, Califórnia, (considerada naquela época a capital do surfe). Ali conseguiu um pequeno número de seguidores. O ano de 1968 foi marcado na História por conta dos frenéticos protestos estudantis que fecharam universidades em todo mundo. Severos protestos contra a religião organizada, o capitalismo, a estúpida guerra do Vietnã colocaram os jovens norte-americanos em total decadência, eis que, Beatles, Stones, Hippies, viagens de LSD, sexo livre etc. eram as normas da contracul tura. 2 A mensagem pregada por Berg e sua hostilidade para com as igrejas encontravam guarida no coração daqueles jovens rebeldes. Por fim, é fundado o grupo “Revolução por Jesus”. 3 Em 1969, crendo que um grande terremoto como prenúncio do “julgamento divino” arrasaria o Estado da Califórnia e o submergiria no Oceano Pacífico, Berg e seus “Revolucionários de Jesus” (eram ao todo 50 pessoas) mudam-se para Tucson, Arizona, onde colocaram em prática seu ódio, atrapalhando os cultos nas Igrejas cristãs. Por derradeiro, as autoridades do Estado os expulsaram. O grupo ficou fazendo várias incursões entre o Canadá e os EUA. Foi nessa época que adotaram o nome “Meninos de Deus”. Berg, 49 anos, enquanto estava em Tucson, passou a ter um romance adúltero com sua secretária Maria, 23 anos. Naquela ocasião ele escreve seu primeiro trabalho tido como “revelação de Deus” onde rejeita sua esposa Jane, em favor de Maria. Em 1970, o evangelista Fred Jordan (que gostava muito de Berg e o admirava por ser homem dinâmico e pelo sucesso com os jovens) ofereceu as fazendas “Clínica da Alma” no Texas e na Califórnia para o grupo. O movimento cresceu de 150 para 500 adeptos como resultado das participações no programa televisivo de Jordan, porém não demorou muito para que Berg e Jordan começassem a se desentender. Jordan expulsou os “Meninos de Deus de suas propriedades. Berg dividiu seus seguidores em pequenos grupos de 12 pessoas e os dispersou pelos Estados Unidos. Naquela época, Berg predisse “o julgamento de Deus” contra os EUA. Centenas de seus seguidores fugiram para a Europa e Ásia para iniciarem novas colônias. Berg estabeleceu seu escritório central internacional em Londres.

Em 1971, Berg retorna aos EUA, ficando lá secretamente, por um ano e então abandonou definitivamente sua terra natal.

Em 1974, a Flirty Fishing (pescaria por flerte, também chamada de pesca coquete ou proselitismo por meio da prostituição) substituiu a litnessing (distribuição das “Cartas de Mo” em troca de donativos), passando a ser o principal meio de sustento. O escritório central muda-se de Londres para a Itália.

Em 1975, Berg interrompe suas atividades na Ilha de Tenerife (Ilhas Canárias), Espanha, para passar dois meses na Líbia com o ditador Muamar Kadhafi.

Em 1977, é afirmado diversamente que Berg está em Tenerife, Norte da África e talvez na Espanha. O número de membros atinge 6.000 pessoas em 800 colônias em mais de 70 países.

Em 1978, devido a conflitos internos, regime autocrático de “Pai”, David Berg, proliferação de doenças venéreas e ainda dificuldades legais, muitos membros deixaram o movimento. Berg despediu 300 líderes na ocasião, inclusive sua filha Linda “Rainha Debbie” e o genro John Treadwell. O escritório mun dial de literatura muda-se para a Suíça e corria um boato de que Berg estava também por lá.

Em 1979, não obstante a apostasia, Berg alardeava ter 6.700 adeptos (incluindo 1.800 crianças) em 83 países. Outros líderes são expulsos. Berg envia Jane, a “mãe Eva”, para os EUA com doze adeptos.

Em 1982, um grupo musical formado por Jane apresenta-se em Tenessee, na “Exposição Mundial”. Berg muda-se para a Argentina, esperando novamente o fim dos Estados Unidos, pelo “holocausto nuclear”. Em 1984, Deborah Berg Davis, com o marido Bill, publicam The Children of God: The Inside Story (Os Meninos de Deus: A História Interna; Zondervan) documentando incesto entre seu pai e Faith, a irmã mais nova de Deborah, e outras revelações chocantes. Na década de 90, são expulsos de vários países (Argentina, Chile, Espanha, Inglaterra).

Em 31 de outubro de 1994, o jornal londrino Daily Mail estampou a manchete que chocou a opinião pública daquele País: 1.000 crianças numa armadilha maligna.

O extenso artigo descrevia os resultados de uma investigação secreta de três anos, feita pelos detetives da Scotland Yard, bem como o relato de Kristina Jones, que havia nascido na seita e que foi abusada sexualmente desde seus três anos de idade. Uma corte britânica a indenizou em 5.000 libras (cerca de 7.500 dólares). Visando a melhorar a imagem arranhada, distribuíram maciçamente uma carta, exaltando as qualidades “morais” do grupo, usando advogados. Empreenderam todo o esforço possível para provar que mudaram para melhor, passando uma imagem respeitável à sociedade. Adotam um novo nome “A Família”, procurando de todas as maneiras apagar o passado profano. Numa publicação de 1996, a seita dizia contar com três mil membros voluntários adultos (trabalhando tempo integral), seis mil crianças e 20 mil associados trabalhando em mais de 60 países. Em 1998, a Eagle Book, New York, Estados Unidos, lança o livro My Fifteen Years as a Sacred Prostitute in the Children of God (Prostitutas do Céu – Meus 15 Anos como uma Prostituta Sagrada na Seita dos Meninos de Deus).

A autora, Miriam Williams, relata que em maio de 1996 a “Família” distribuiu uma publicação na qual afirmava que nada havia de errado com a pesca coquete, desde que a motivação não fosse dinheiro ou poder. Entretanto, uma das regras que governava a pesca coquete era “procurar pessoas com um coração solitário e uma carteira cheia”.

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