Defesa da Fé

Edição 23

Cultos afros


A Herança Espiritual da África no Brasil


Por Márcio Souza

Há 500 anos, antes de recebermos as primeiras influências da colonização portuguesa, o Brasil era uma nação tradicionalmente animista devido à presença exclusiva dos povos indígenas. Com a colonização portuguesa a partir de 1500, o catolicismo ganha força, e com a catequese dos índios o quadro social religioso brasileiro começa a ser alterado.

Logo em seguida outra cultura e crença também passa a ser semeada. Era a cultura africana trazida pelos escravos africanos que lançava suas raízes em solo tupiniquim. O resultado de toda essa mistura de fé, tradição, ritos e deuses, é a nossa realidade sincrética e uma diversidade de crenças como não existe em nenhum país do mundo, e tudo isso pode ser visto nas festas folclóricas regionais como bumba meu boi, marabaxo, Festival de Parintins etc., nas músicas, nas roupas, nos pratos típicos tais como o acarajé (bolo na base de feijão fradinho), acaçá (bolo de flor de milho), amalá (acepipe à base da rabada), em datas festivas, por exemplo: 13 de janeiro (lavagem da Igreja do Bonfim em Salvador BA), 2 de fevereiro (festa para Iemanjá), pontos turísticos e no famoso carnaval, anualmente.

Com isso, encontramos a influência do animismo, fetichismo e superstições no nosso dia-a-dia. Dessas influências queremos apenas destacar nessa edição as crenças e práticas provenientes da cultura africana, que tomaram forma no Brasil, durante esses cinco séculos de história. O sincretismo foi a estratégia de sobrevivência das crenças africanas. Contudo, é necessário lembrar que os africanos trazidos ao Brasil não eram homogêneos em sua origem, pertenciam a diferentes tribos. Vieram de três regiões: da Guiné Portuguesa, do Golfo da Guiné, Costa da Mina, e de Angola, alcançando Moçambique.

O que precisamos agora é olhar além do véu cultural, dos contrastes, das diferenças culturais, que têm unido e embelezado o povo brasileiro. Não queremos questionar aqui a cultura e os costumes de nenhum povo. Aliás, o Evangelho não questiona a cultura de ninguém, o apóstolo Pedro disse: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo e lhe é aceitável (At 10.34-5).

Mas, temos que ver também a realidade de um sistema religioso com suas implicações doutrinárias, do ponto de vista bíblico, pois isso tem relação com a salvação e a eternidade, e deve nos preocupar e incentivar ao evangelismo de todos esses seguimentos culturais brasileiros.


Sincretismo - Fator de sobrevivência religiosa


O sincretismo se caracteriza fundamentalmente por uma mistura de elementos culturais. Uma verdadeira simbiose, que resulta em uma fisionomia cultural nova, na qual se associam e se combinam as marcas das culturas originárias. O sociólogo Gilberto Freyre, comentando o sincretismo cultural, escreveu: Na ternura, na mímica excessiva, no Catolicismo em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos todos a marca inconfundível da influência africana. Essas palavras expressam alguma verdade, contudo, temos ainda a influência religiosa, que deve ser analisada.

Quanto à influência espiritual do espiritismo, a Bíblia é enfática, temos o exemplo da igreja em Corinto. A conduta comum em Corinto, eviden ciada pelos próprios costumes pagãos, estava encontrando apoio na comunidade cristã daquela cidade. O misticismo estava galgando espaço dentro da congregação cristã, isso alarmou Paulo, que escreveu: Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios (1 Co 10.20-21).

Os cultos afro-brasileiros têm suas características religiosas peculiares, pois foram se configurando e desenvolvendo em ambientes que professavam ser cristãos. Sofreram influência do catolicismo em seus ritos e crenças; assim, por exemplo, os santos da Igreja são identificados com entidades superiores das religiões africanas. Por outro lado, em 1983, na II Conferência Mundial da Tradição dos Orixás e Cultura, realizada em Salvador, teve início um movimento contra o sincretismo nas religiões africanas. Esse movimento demonstra a real separação entre os objetos de cultos – mesmo entre católicos e espíritas.

A Sra. Stella de Oxóssi, mãe-de-santo, nome de grande destaque dentro do candomblé, em entrevista à revista Candomblé sobre o sincretismo disse: Para falar a verdade, eu sou uma das pessoas que mais combatem o sincretismo. Mas ainda existem aquelas que praticam. A meu ver, tais pessoas que sofrem resquícios da escravidão (...) um orienta o outro, para ver se conseguimos acabar com essa coisa, que eu acho que diminui a crença em nós. Se a liderança dos cultos afros reconhece que sua cultura nada tem a ver com o alvo cristão, somente nos resta verificar que o objetivo de evangelização foi substituído, na Igreja Católica pelo sincretismo, ou seja, a unificação de crenças espíritas e católicas.

Contudo, o costume de procurar um passe e depois ir à missa como confirmação continua sendo parte do tratamento sugerido nos terreiros. Esse sincretismo foi amplamente demonstrado pela imprensa em agosto de 1986, quando “Mãe Menininha” do Gantois, morta em 13 de agosto do mesmo ano, teve sua missa de 7 º dia celebrada na igreja N.S. do Rosário, no Pelourinho de Salvador, e o celebrante lembrou que a mãe-de-santo era descendente de escravos e católica batizada. Nessa missa comungaram numerosos “mães e filhos de santos”, todos vestidos de branco. (Ver quadro ao lado)


Anamburucu Santana orixá da chuva

Anifrequete Santo Antônio orixá responsável por chamar os demais orixás da África para o Brasil

Exu São Gabriel orixá obscuro e temido, causador de tragédias, sexualidade desenfreada

Iansã N.S. da Boa Morte Esposa, irmã de Xangô, orixá dos ventos e das tempestades

Ibeji (Erês) Cosme e Damião protetor das crianças e dos anciãos

Iemanjá N. S. do Rosário, das Dores da Piedade, das Candeias orixá do mar e do amor

Ifá Espírito Santo grande divino, senhor do futuro, orixá do destino

Nanã Santa Ana mãe dágua, mãe de todos os orixás

Obá Santa Maria, Joana D’Arc filha de Iemanjá, orixá do rio Oba

Obaluaiê Omolu São Sebastião, São Lázaro orixá da varíola, malfazejo

Ogum São Jorge, Santo Antônio orixá do ferro, da guerra e da caça

Orixás Santo Atributos

Oxalá N. S. Bonfim, Jesus Cristo maior dos orixás, bissexual, filho de Olorum, o deus supremo

Oxóssi / Odé Santo Onofre, São Expedito protetor dos mortos, orixá dos caçadores Oxum N. S. do Carmo orixá da água doce

Oxumarê São Patrício transporta água e terra para Xangó, forma de cobra

Xangô São Jerônimo orixá do raio e do trovã Santa Ana mãe dágua, mãe de todos os orixás


Cultos afros - Apenas folclore?


A umbanda e os cultos afro-brasileiros são tidos por alguns estudiosos como arte popular ou folclórica, cujos rituais representam o passado religioso do Brasil de nossos dias, portanto, dizem, não se lhes deveria atribuir significado religioso. Todavia, a umbanda como tal, e os cultos afro-brasileiros em geral, são formas de religião e querem ser assim tratados pelos seus adeptos. A umbanda formou-se a partir da macumba após 1934, restaurando ou reestruturando atitudes religiosas de povos da África. Além dos elementos africanos, incorporaram ao seu patrimônio religioso traços do espiritualismo kardecista e do Cristianismo. A comunidade espírita defende sua condição de uma religiosidade independente nessa posição, são ecumênicos. Enquanto no sincretismo você mistura duas coisas para enganar alguém e no fim, depois de tudo junto, não vale nada, citando as palavras da Sra. Stella de Oxóssi, a posição ecumênica significa uma disposição à convivência e diálogo com outras confissões religiosas estabelecidas. O Evangelho não comunga esse ponto de vista, respeitamos as opções culturais, mas incentivamos a mesma repugnância demonstrada em Éfeso. Lemos em Atos 19.19 Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou- se que montavam a cinqüenta mil denários. Devemos evitar uso, leitura e qualquer envolvimento desnecessário ou curioso. Devemos praticar o exemplo bíblico.


Assentamento – fusão do corpo material ao axé, também entendido por fetichismo e principalmente a união do orixá com o iaô (assentamento do santo).

Atabaque – instrumento de percussão usado para trazer os orixás de Aruanda/orum.

Axé – força mística, energia emanada dos orixás. Desejar axé a alguém é querer que os orixás estejam abençoando e tendo comunhão com essa pessoa.

Banho – de abo é a lavagem ritual na iniciação dos cultos afros o banho é feito com sumo de certas ervas que variam de acordo com o orixá/santo de cabeça. De descarga ou descarrego é a lavagem feita com as ervas sagradas, sal grosso e alguns ingredientes secretos a fim de eliminar entidades/vibrações negativas.

Boióla – colar de contas usado para catalisar a energia do axé.

Material para despachos – parati (chamado marafo); charutos; cabritos; fumo de rolo; farofa com azeite de dendê; animais, como frangos, cabritos pretos, etc. chamados de despachos, oferenda ou ebó. Despachos são oferendas que os macumbeiros colocam nas encruzilhadas e nos cemitérios para agradarem as entidades com as quais trabalham. Julgam os macumbeiros que, com esses presentes, as entidades deixarão de atormentar as pessoas às quais fazem os trabalhos.

Cutilagem – é o ato de abrir o ori.

Dar passe – toque, com as mãos, da aura com objetivo de curar, bloquear energias negativas ou acalmar o consulente.

Defumador – usado nas aberturas e nos encerramentos das giras (sessões) para purificação dos terreiros como também dos participantes das sessões.

Descarrego – objetiva afastar energias negativas, feitiçarias. É feito através do banho de descarrego.

Ebó – altar onde se deposita o sacrifício ou a oferenda de um orixá. A própria oferenda.

Ebô – comida oferecida para Oxalá.

Elemitas – formas de energia oriundas de fenômenos naturais ou da própria natureza em si.

Fetiche – objeto ao qual é atribuído algum tipo de poder mágico.

Lelê – comida oferecida para Iemanjá.

Passe – imposição de mãos com o objetivo de tocar o duplo etéreo (aura) do consulente a fim de afastar energias negativas ou purificar a aura (kardecismo/umbanda).

Patuá – qualquer fetiche usado para proteção do adepto; podem ser as guias; variam de acordo com o guia/ orixá.

Peji – altar do orixá/guia.

Pembas – são penas brancas, para com elas traçarem nas mesas ou no chão os pontos riscados, com os quais invocam as falanges de espíritos de sua preferência.

Pólvora – é usada para descarga de ambientes ou deslocamentos de camadas fluídicas densas, pesadas, em volta de uma criatura, dentro de uma casa ou em uma localidade qualquer. Para isso ateiam fogo.

Ponto – Forma de invocar cada orixá/guia. É realizado através de cânticos e/ou sinais mágicos (cabalísticos). Um exemplo de ponto que se incorporou à cultura brasileira são as músicas Marinheiro Só, Chocalho na Canela e outras.


Fetichismo - Superstição ocultista


Encontramos nos cultos afros diversas práticas que revelam crenças que são condenadas pela Palavra de Deus. A adoração aos antepassados; consulta a espíritos, creditando-lhes uma identidade familiar; a doutrina da reencarnação e principalmente o fetichismo, isto é, uso de objetos que têm, segundo superstições, poder sobrenatural, ou incitam forças sobrenaturais. Essa última característica foi o resultado do sincretismo de mais três sistemas religiosos: o ameríndio, que contribuiu com entidades e lendas; o espiritismo somou com ensinos de mediunidade e reencarnação, e o contingente católico serviu de seus santos e várias crendices populares.

O fetiche é um objeto comum, achado na natureza, por exemplo, uma pedra ou um pedaço de árvore que tenha alguma forma curiosa que atice a imaginação criando temor ou receio religioso. O xamã, feiticeiro, ou pai-de-santo, atribui ao objeto um poder sobrenatural inerente, ou é alvo de forças místicas. Conseqüentemente a comunidade passa a reverenciar tal objeto como possuidor de influências benéficas que repelem o mal. Encontramos um exemplo de fetichismo relatado nas Escrituras, lemos em Atos 19.35 o escrivão da cidade, tendo apaziguado o povo, disse: senhores, efésios: quem, porventura, não sabe que a cidade de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana e da imagem que caiu de Júpiter? – provavelmente o povo de Éfeso achou um meteoro que caíra, talvez tinha uma forma que lembrasse a estatueta de Diana.

Logo que os rituais africanos deixaram os quintais das senzalas, assimilaram crenças católicas e kardecistas e passaram para uma posição que poderíamos chamar de colonizadores domésticos. O apelo ao sentimento supersticioso é o grande vilão do crescimento do espiritismo africano, e isso tem turvado a mensagem do Evangelho. Esse apelo é notável nos rituais repletos de objetos que representam entidades e superstições da cultura africana, a umbanda, o candomblé, o xangô, a quimbanda e o vodu, são exemplos de ramificações que usam o fetichismo.

Observe no quadro da página 14 alguns dos objetos e rituais, como o popular patuá, símbolo da superstição e do ocultismo. A crença na purificação por meio de descargas com pólvora, defumadores e banhos rituais não tem efeito. Compare com a posição da Palavra de Deus, que ensina quanto à purificação somente ser possível pelo sangue de Jesus, derramado no Calvário em nosso favor (1 Jo 1.7,9; 2.1,12; Ap 1.5).


Parábola sincrética - Jesus e o Candomblé

Certa vez, Jesus reuniu os discípulos e disse: ‘Quando vocês forem anunciar o Reino, não devem levar dinheiro nem comida, mas devem confiar no povo. Chegando a um lugar, se vocês forem acolhidos, e o povo partilhar comida e casa com vocês, e se vocês participarem da vida deles trabalhando e tratando dos doentes e do pessoal marginalizado, sem voz nem vez, então podem dizer ao povo com toda a certeza: Gente! Olhe aqui! O Reino está chegando! Está Chegando!’. E eles foram.

Jesus também foi. Andou, andou. Já era quase noite. Estava começando a escurecer, quando chegou a um terreiro. O pessoal que entrava, saudava e dizia: ‘Boa Noite, Jesus! Entre e sinta-se em casa. Participe com a gente’. Jesus entrou. Viu o pessoal reunido. A maioria era pobre. Alguns, não muitos, da classe média. Todo o mundo dançando, alegremente. Havia muita criança no meio. Viu como todos eles se abraçavam entre si. Viu como os brancos eram acolhidos pelos negros como irmãos. Jesus, ele também, foi sendo acolhido e abraçado. Estranhou, pois conheciam o nome dele. Eles o chamavam de Jesus, como se fosse amigo e irmão de longa data. Gostou de ser acolhido assim.

Viu também como a mãe-de-santo recebia o abraço de todos e como ela retribuía, acolhendo a todos. Viu como invocavam os orixás e como alguns vinham distribuindo passes para ajudar os aflitos, os doentes e os necessitados. Jesus também entrou na fila e foi até a mãe-de-santo. Quando a vez dele, abraçou-a, e ela disse: ‘A paz esteja com você, Jesus’. Jesus respondeu: ‘com a senhora também’. E acrescentou: ‘Posso fazer uma pergunta?’. E ela disse: ‘Pois não, Jesus!’. E ele disse: ‘Como é que a senhora me conhece? Como é que eles sabem o meu nome?’. E ela disse: ‘Mas, Jesus, aqui todo mundo conhece você. Você é muito amigo da gente. Sinta-se em casa, aqui, no meio de nós’.

Jesus olhou para ela e disse: ‘Muito obrigado!’. E continuou: ‘Mãe, estou gostando, pois o Reino de Deus já está aqui no meio de vocês!’. Ela olhou para ele e disse: ‘Muito obrigada, Jesus! Mas isso a gente já sabia. Ou melhor, já adivinhava! Obrigado por confirmar a gente. Você deve ter um orixá muito bom. Vamos dançar, para que ele venha nos ajudar!’. E Jesus entrou na dança. Dentro dele, o coração pulava de alegria. Sentia uma felicidade imensa e dizia baixinho: ‘Pai, eu te agradeço, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes, e as revelastes ao povo humilde aqui do terreiro. Sim. Pai, assim foi do teu agrado!’. Dançou um tempão. No fim, comeu pipoca, cocada e batata assada com óleo de dendê, que o pessoal partilhava com ele. E, dentro dele, o coração repetia, sem cessar: ‘Sim, o Reino de Deus chegou! Pai, eu te agradeço! Assim foi do teu agrado!’. – Frei Carlos Mesters


Umbanda é considerada a quarta revelação


Uma pessoa familiarizada com a Bíblia se mostra surpresa com a clara declaração espírita de que constituem a terceira revelação de Deus aos homens. Isto porque o Deus da Bíblia se mostrou abertamente contrário aos cultos de invocação de mortos como se lê em Dt 18.9-12, que declara: Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti se não achará... nem quem consulte os mortos. É a prática mais saliente do espiritismo. Agora, para maior surpresa nossa, a umbanda arroga para si o título pomposo de “Quarta revelação de Deus aos homens”. E então raciocinam: Moisés trouxe a primeira revelação, Cristo veio com a segunda revelação, Kardec declarou o espiritismo a terceira revelação, mas a umbanda seria a última, a quarta revelação. Assim como Cristo retificou e superou Moisés, como Kardec corrigiu e suplantou Cristo, assim a umbanda julga purificar e vencer Kardec, Cristo e Moisés.

Segundo eles, os umbandistas tiveram a felicidade de entrar em relações com espíritos superiores aos daqueles que ditaram suas mensagens a Allan Kardec. Enquanto os kardecistas pretendem entrar em contato com os espíritos dos mortos; a umbanda admite ter três tipos diferentes de espíritos do além: os orixás, que são tipos como deuses intermediários entre o seu deus e os homens; os exus, que são espíritos perversos, também chamados de elementais; e os eguns, que seriam os desencarnados sendo conhecidos como ‘pretos velhos’ e ‘caboclos’.

Como admitir essa pretensão quando o próprio Deus se manifestou contra o que crê e pratica a umbanda? Ainda assim, se arroga a umbanda como quarta revelação de Deus aos homens. Para aceitarmos essa pretensão, só admitindo o que Paulo declarou em 2 Co 4.4: (...) o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Também, quanto à evocação de orixás, exus, mortos (pretos velhos e índios), a Bíblia é enfática, atribuindo essa atividade como culto aos demônios. (1 Co 10.19-20; adivinhação (búzios), são práticas proibidas pela Bíblia. (Lv 19.31; 20.6,27; Dt 18.10-12; Is 8.19,20.

Definindo o que é umbanda, certo escritor declara: Umbanda é magia, e fazer magia é saber jogar com as forças ocultas e existentes no universo, quer sejam elas providas de espíritos de categorias diferentes, quer sejam elas vibrações provindas de planetas, em ondas diversas; quer sejam elas emanadas dos corpos: fluídico, eletrônico, gasoso, liquido e sólido; quer sejam elas providas dos elementos: éter, fogo, ar, água e terra, por intermédio dos elementais: etéreos, salamandras, silfos, ninfas e gnomos. (Lourenço Braga, Umbanda e Quimbanda, p. 13 – Edições Spiker, 2ª parte – Rio de Janeiro, 1961).

A quimbanda nada mais é do que uma variante da umbanda. Assim, a quimbanda pode ser compreendida como a imagem invertida da umbanda, tudo que se passa no reino da umbanda, que se declara magia branca, tem o seu equivalente na quimbanda, que é chamada de magia negra. Não há razão para desvincular a quimbanda da umbanda, a não ser o interesse das umbandistas de oferecerem ao povo uma imagem positiva da sua religião, como praticando apenas o bem. Umbanda e quimbanda vivem entrelaçadas.

Do ponto de vista que se poderia chamar técnico, as magias de umbanda e quimbanda são muito semelhantes e consistem na manipulação de animais, como sapos, lagartos, galinhas, etc. ou na utilização de objetos pertencentes à suposta vítima, ou ainda, em bebidas, comidas, charutos e presentes para os espíritos atuantes. Varia a ênfase em certos recursos mais fortes, embora também seja isto relativo. Kardecismo e Umbanda, p. 54, Livraria Pioneira Editora, 1961.


Talismã e amuletos - Símbolos da iniciação ocultista


Outra espécie de fetiche são os talismãs, objetos que podem ser carregados no bolso, colocado no painel do carro, na entrada da porta. São encontrados em vários lugares, geralmente onde hospeda o receio de alguma fatalidade. Podem ser emantados através de passes, unções ou mesmo recitando mantras. Atribuem-lhe um encanto ao seu uso, com objetivo de anular ou provocar eventos, operando alterações na natureza dos eventos, ajudando, impedindo ou prejudicando. Com freqüência, incluem pequenos escritos nos talismãs, acrescentando-lhes suposta eficácia.

A palavra talismã vem do grego, talesma, que significa ‘rito sagrado’, além disso é derivada da palavra teleein, ‘iniciar’. Portanto, pessoas mais avançadas nas crendices imediatamente associariam o usuário de um talismã identificando-o como simpatizante dos ensinos simbolizados pelo enfeite, ou mesmo poderá ser identificado como um iniciado no ocultismo.


Retorno ao cristianismo bíblico


Encontramos em Jeremias 21.21 uma citação que demonstra o costume antigo de consultar animais mortos em encruzilhada para se obter sorte e prognostico de eventos, lemos: Porque o rei da Babilônia pára na encruzilhada, na entrada dos dois caminhos, para consultar os oráculos: sacode as flechas, interroga os ídolos do lar, examina o fígado. O Senhor antecipa o resultado: aos judeus, lhes parecerá isto oráculo enganador, pois têm em seu favor juramentos solenes; mas Deus se lembrará da iniqüidade deles, para que sejam apreendidos. Não foi o poder mágico ou recitação de mantras, ou consulta em uma encruzilhada que trouxe dano a Israel, mas a desobediência a Deus! A Palavra de Deus nos informa que: como o pássaro que foge, como a andorinha no seu vôo, assim, a maldição sem causa não se cumpre (Pv 26.2).

Freqüentemente, ouvimos que pessoas envolvidas com Umbanda e outros segmentos afros têm receio de abandonar o compromisso formalizado com os orixás. Afirmam que terão conseqüências desastrosas em suas vidas. Contudo, a Palavra de Deus convida todos a conhecerem a verdade e serem libertos, desfrutando de paz com Deus, enquanto os ‘filhos-de-santo’ vivem constantemente com receio de represálias dos orixás, o cristão desfruta da paz de Deus, que excede todo o entendimento,[e] guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus (Fl 4.7).

É grande a incompatibilidade entre a doutrina cristã e os movimentos espíritas. Desde tempos remotos a Palavra de Deus tem protestado ao povo, o perigo do espiritismo, lemos em Deuteronômio (vale lembrar que é aceito pela Igreja Católica como canônico), 32.16- 18: Com deuses estranhos o provocaram a zelos, com abominações o irritaram. Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; a deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais. Olvidaste a Rocha que te gerou; e te esqueceste do Deus que te deu o ser.

A umbanda professa o deus Zambi que é cultuado por meio dos orixás que são seres intermediários entre Zambi e a criatura. Esse deus é mitológico, inexistente. É idolatria adorá-lo (Sl 115.1-4). O Deus Jeová, o Deus da Bíblia, é onisciente, onipotente e onipresente. Conseqüentemente, não está distante a ponto de precisarmos adorá-lo por meio de orixás (Is 55.6; Ez 36.26,27). Lemos mais na Bíblia que há um só intermediário entre Ele e nós, que é o Seu Filho Jesus Cristo (Jo 14.6; 1 Tm 2.5).

Lamentavelmente, os cultos afro-brasileiros têm atribuído a Jesus uma condição de orixá, embora superior (Oxalá), ou como um espírito que evoluiu. Para o cristão é o próprio Filho de Deus, o Deus encarnado (Jo 1.1, 14), Salvador dos homens, revelação de Deus (Atos 4.12); Fl 2,10-11; Hb 1.1-2;). Observe o leitor a parábola de “Jesus e o Candomblé”, citação da Folha de S. Paulo (16/7/97), o que vemos é um reflexo da ‘cristologia’ inadmissível, resultante do sincretismo.

O que faria realmente Jesus? Comungaria na parábola sincrética (veja box abaixo) ou reagiria como citado em Jo 2.13-17? As Escrituras finalizam nos capítulos 21 e 22 de Apocalipse, enfatizando novamente a seriedade de envolvimento com qualquer espécie de espiritismo: Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte (21.8). Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira. (22.15)

O primeiro pecado registrado nas Escrituras envolve a mediunidade, e o último alerta enfatiza o mesmo assunto. Devemos incluir na preparação para a evangelização (1 Pe 3.15; Ef 6.15) tópicos que esclareçam assuntos pertinentes aos cultos afros, então poderemos contemplar os frutos ...depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos (Ap 7.9).

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