Defesa da Fé

Edição 41

Jesus – Ele nasceu para morrer por nós


Por Hank Hanegraaf, do CRI

Muitas pessoas têm-se levantado para negar os relatos da Bíblia a respeito de Jesus. Muitos livros foram escritos com essa finalidade, além de artigos em jornais e em revistas. Sem contar os diversos programas de televisão que se esforçam para demonstrar que o Jesus da Bíblia é uma fraude.

Um episódio recente do show do apresentador Peter Jennings, pela rede de televisão norte-americana: ABC, hospedou o que poderia ser descrito como uma propaganda inédita, de duas horas de duração, feita para defender duas versões extremas do fundamentalismo. No extremo liberal havia o fundamentalismo do “Seminário de Jesus”1 – um grupo de especialistas duvidosos que fazem afirmações que não podem provar a contento. No outro extremo, os pentecostais de Alexandria, Louisiana – uma denominação fundamentalista que está no limite entre igreja e seita, pois negam explicitamente a Trindade e defendem o ensino de que, a menos que as pessoas sejam batizadas em seu grupo, usando sua fórmula, e apresentem a evidência de falar em línguas, não podem ser salvas.2

Logo no começo da reportagem, intitulada “Em busca de Jesus”, Jennings promoveu a velha e falsa dicotomia iluminista entre a fé e a razão. Nas palavras dele: “Nós tentamos respeitar o que as outras pessoas acreditam, enquanto tentamos descobrir o que nós podemos saber de fato” (ênfase acrescentada). Trocando em miúdos, ele insinuou que os religiosos vendem uma fé influenciada pelas emoções; por outro lado, os repórteres apresentam os fatos, embasados pelas evidências.

Conforme a transmissão prosseguia, foi surgindo um Jesus totalmente diferente daquele que é apresentado na Bíblia. De acordo com Jennings, a Bíblia não pode ajudar muito na hora de reconstruir o Jesus histórico. Do seu ponto de vista, os evangelistas apresentam quatro versões diferentes e contraditórias da vida de Jesus, não há evidência confiável quanto a quem são os autores e há um virtual consenso entre os eruditos a respeito de que, não importa quem os tenha escrito, os autores não eram testemunhas oculares e podem ter feito seus registros um século após a morte de Jesus.

O retrato de Jesus que surgiu não era particularmente elogioso. Contrário ao que Ele disse a respeito de si mesmo, de que era Deus em forma humana, Jesus foi transformado em um mero homem comum – Ele teria sido o filho ilegítimo de Maria e o relato da concepção virginal poderia ter sido tramado para encobrir o caso. Talvez Ele não tivesse nascido em Belém. A traição de Jesus por Judas provavelmente fora inventada por cristãos como uma calúnia anti-semita. Ele não teria sido enterrado, mas deixado na cruz e devorado por animais diversos, desde corvos até cães vira-latas. Sua ressurreição talvez tenha sido uma história emprestada das religiões de mistério, que nada mais são do que seitas pagãs orientais.

Infelizmente, essa é só a ponta de um iceberg traiçoeiro. Embora esteja além dos limites deste artigo responder a cada uma das acusações amargas levantadas pelos críticos, elas, porém, têm sido e continuarão a ser tratadas pela revista Defesa da Fé. Enquanto nos esforçamos “para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus” (2Co 10.4-5), o refrão de um antigo hino soa ainda mais veraz: “Quão firme fundamento, ó santos do Senhor, é dado para crermos em seus pronunciamentos”. Começaremos demolindo as seguintes afirmações articuladas por Jennings:

“Os especialistas há muito nos dizem que eles não aceitam literalmente tudo o que lêem no Novo Testamento, porque o Novo Testamento tem quatro versões diferentes e às vezes contraditórias da vida de Jesus – os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Não existe nenhuma evidência confiável a respeito de quem são de fato os autores. Há consenso de que eles não eram testemunhas oculares. De fato, os evangelhos foram escritos entre 40 e 100 anos após a morte de Jesus”3.


Verdade do evangelho ou conversa mole?


Durante toda a reportagem de Jennings foram feitas muitas afirmações dogmáticas, mas não houve nenhum esforço para tentar embasá-las com provas. Em outras palavras, nunca se comprovou a idéia de que os evangelhos contêm versões contraditórias da vida de Cristo. Na verdade, longe de serem contraditórios, os evangelhos são claramente complementares. Por todos esses séculos, incontáveis eruditos e comentaristas têm atestado este fato. Se os escritores dos evangelhos tivessem dito exatamente as mesmíssimas coisas e do mesmíssimo jeito, aí é que se poderia levantar a suspeita de que teria havido alguma conspiração, e de que um copiou o texto do outro.

Além disso, até mesmo uma avaliação superficial do tal “Seminário de Jesus” revela que os participantes têm preconceito contra o sobrenatural e, portanto, rejeitam a priori os relatos do evangelho a respeito da ressurreição de Cristo. Usando bolinhas coloridas como cédula de eleição, eles rejeitam a autenticidade das declarações que Mateus, Marcos, Lucas e João atribuíram a Cristo. Do ponto de vista deles, pode-se acreditar em menos de 20% dos ditos de Jesus. Os membros do “Seminário” evidentemente odeiam o evangelho de João, mas amam o evangelho de Tomé – e isso a despeito do fato de que Tomé inclui passagens tão patentemente ignorantes e politicamente incorretas como a seguinte conversa entre Pedro e Jesus: “Simão Pedro lhes disse: ‘Faça Maria nos deixar, pois as fêmeas não merecem a vida’. Jesus disse: ‘Veja, eu farei que ela se torne um homem, para que ela também se torne um espírito vivente, semelhante a vós, homens. Porque cada mulher que se esforça para ser masculina entrará no reino do céu’”4.

Apesar disso, os eruditos do “Seminário” consideram o evangelho de Tomé mais digno de confiança e importante do que Mateus e Lucas, particularmente no que diz respeito a recriar as palavras originais do Jesus histórico.5 Seu preconceito é revelado na especulação de que o evangelho de Tomé é anterior e mais autêntico do que os relatos bíblicos, a despeito do fato evidente de que ele foi influenciado pelos conceitos gnósticos do segundo século, que estiveram em moda muito tempo após o período do Novo Testamento.6

Finalmente, a noção de que não há evidência confiável a respeito de quem escreveu os evangelhos, de que os escritores não eram testemunhas oculares e de que eles provavelmente escreveram os evangelhos num período de 40 a 100 anos após a morte de Jesus é completamente falsa. A primitiva igreja cristã ofereceu uma afirmação virtualmente unânime quanto à autoria, e nunca existiu alguma teoria à altura de sequer rivalizar com essa afirmação. A igreja primitiva também reconheceu explicitamente os evangelhos canônicos precisamente porque eles foram escritos pelas testemunhas oculares ou por seus associados. Enquanto uma multidão de supostos evangelhos, incluindo o de Tomé, foi rejeitada por causa dos critérios restritivos para a aceitação, Mateus, Marcos, Lucas e João jamais estiveram em dúvida.

No que diz respeito à datação dos evangelhos, os membros do “Seminário de Jesus” se opõem até mesmo a seus colegas liberais. Conforme disse Craig Blomberg, erudito em Novo Testamento, as datas aceitas pelos especialistas são: “Marcos na década de 70, Mateus e Lucas na de 80, e João na de 90”. Nas palavras do próprio Blomberg, essas datas estão bem dentro do período em que viveram as “testemunhas da vida de Jesus, incluindo as testemunhas hostis que teriam provido alguma correção, caso surgissem falsos ensinos a respeito de Jesus”.7 Além disso, há razões concretas que sugerem que todo o Novo Testamento estava completo por volta de 70 A.D., incluindo o fato de que a destruição de Jerusalém e do Templo (que ocorreu em agosto do ano 70 A.D.) é profetizado repetidamente, mas nunca no Novo Testamento se diz que a profecia se cumpriu.8


Deus ou semideus?


Uma das afirmações mais arrepiantes feita na reportagem “Em busca de Jesus” é a de que Jesus teria sido um mero homem comum, cuja concepção virginal fora na verdade roubada da mitologia pagã ou, pior ainda, inventada para encobrir a promiscuidade da sua mãe. John Dominic Crossan, um dos fundadores do “Seminário de Jesus”, alega que havia dúzias de histórias de nascimentos virginais circulando na mitologia grega e na romana durante o primeiro século. Crossan diz: “Isso tudo diz respeito à mitologia grega e à romana, e o que eu posso fazer? Devo acreditar em todas essas histórias, ou devo dizer que todas elas são mentiras, exceto a nossa história cristã?”. Crossan então oferece como exemplo o mito do nascimento de César Augusto, de acordo com o qual sua mãe ficou grávida do deus solar Apolo: “Sua mãe estava no templo de Apolo, deitou lá e dormiu. Durante a noite ela foi inseminada por Apolo na forma de uma serpente e, portanto, o menino que nasceu era divino, Augusto, e é claro que milhões de pessoas devem ter dito no primeiro século: ‘vejam o que ele fez. Ele trouxe paz ao império que estava em guerra. Ele acabou com as guerras civis. Ele é o nosso homem’”.

E isso não é tudo. Robert Funk, presidente do “Seminário de Jesus”, sugere que Jesus talvez fosse o filho ilegítimo de um soldado romano e que o relato da concepção virginal fora inventado para encobrir isso.9 Jennings explica a suposta evidência para defender esse ponto de vista: “Após as histórias a respeito do nascimento, José desaparece do Novo Testamento. No evangelho de João alguém que critica Jesus diz que ninguém sabe quem é o pai dele, e um escritor anticristão do segundo século menciona o boato de que um soldado romano havia engravidado Maria”.

Quando ouvi essas afirmações pela primeira vez não pude deixar de pensar o seguinte: se esses homens estavam defendendo a idéia de que Jesus era ilegítimo, ao invés de divinamente imortal, e que sua mãe era fornicadora, seria bom para eles que tivessem certeza absoluta de estarem absolutamente certos. Caso estivessem errados – e estão – são culpados de blasfemar contra Deus. Deveriam ser mais cautelosos com o que defendiam, só para o caso de estarem enganados. De fato, Jennings, Crossan e Funk estão completamente errados.

Em primeiro lugar, a afirmação de Jennings de que o nascimento virginal de Jesus é muito semelhante à história contada a respeito de Augusto e do deus solar romano Apolo seria hilária, caso não fosse tão blasfema. Um deus sol em forma de uma serpente que faz sexo com uma mulher não tem nenhuma correspondência com o Salvador nascido de uma virgem. Também não existem “dúzias de histórias” do mesmo tipo que o relato da concepção virginal de Jesus, como Crossan afirma. Mais uma vez, ele faz uma afirmação dogmática sem oferecer uma base de apoio para ela. A verdade do assunto é que a evidência histórica usada para defender a veracidade das histórias extrabíblicas de nascimentos virginais é nula. Além do mais, exige muita credulidade da parte de Jennings acreditar que autores judaicos monoteístas como Mateus e Lucas poderiam empregar mitologia pagã em suas narrativas. O eminente historiador e erudito Raymond E. Brown explica que as histórias conhecidas a respeito de deuses que fazem sexo com mulheres não têm nenhum ponto em comum com a concepção virginal. Brown diz:

“Paralelos não judaicos têm sido encontrados nas religiões mundiais (o nascimento de Buda, de Krishna e do filho de Zoroastro), na mitologia grego-romana, nos nascimentos dos faraós (com o deus Amon-Rá agindo através do pai) e nos nascimentos sensacionais dos imperadores e filósofos (Augusto, Platão etc). Mas esses “paralelos” sempre envolvem um tipo de hieros gamos em que um macho divino, em forma humana ou outra, insemina uma mulher, seja através do ato sexual normal, seja por meio de uma forma substituta de penetração. Eles não são realmente semelhantes à concepção virginal não-sexual que está no âmago das narrativas da infância de Jesus, concepção esta em que nenhum elemento ou deidade-macho insemina Maria... Portanto, nenhuma busca por paralelos nos tem dado uma explicação verdadeiramente satisfatória de como os primitivos cristãos chegaram à idéia de uma concepção virginal – a menos, é claro, que ela realmente tenha acontecido historicamente”.10

Além disso, a afirmação de Jennings de que “no evangelho de João alguém que critica Jesus diz que ninguém sabe quem é o pai dele, e um escritor anticristão do segundo século menciona o boato de que um soldado romano havia engravidado Maria” é completamente falsa. A declaração atribuída ao evangelho de João desconsidera seu contexto, e dá crédito à calúnia de um escritor anônimo do segundo século é tão repreensível quanto dizer que uma fonte desconhecida insinuou que Jennings costumava fazer sexo com meninos pequenos antes de suas apresentações na televisão. Isso apenas mancharia, de forma tremendamente injusta, o nome de um respeitado apresentador. Essa analogia pode parecer extrema, mas estou falando de um boato puramente hipotético levantado contra um jornalista, enquanto Jennings e os outros na verdade defenderam uma acusação leviana contra a mãe do santo Filho de Deus encarnado.

Finalmente, Jennings deixou cair o disfarce do seu preconceito contra o sobrenatural quando, após dizer que a discussão quanto ao fato de Jesus ser ou não o Filho de Deus é uma questão de fé, continuou a oferecer explicações ofensivamente naturais, tais como Maria ter sido engravidada por um soldado romano. Eu já escrevi um livro inteiro para demonstrar que a ressurreição de Jesus Cristo não é baseada em fé cega, mas arraigada na história e nas evidências, e que através da ressurreição sua afirmação de ser o Filho de Deus foi vindicada.11 Conforme o dr. Simon Greenleaf, famoso professor real de Direito na Universidade de Harvard, e sem dúvida a maior autoridade americana em evidência legal do século XIX, a ressurreição de Jesus Cristo é um dos fatos da história antiga mais bem atestados. Por meio disso e de muitas outras provas infalíveis podemos de fato saber que Jesus Cristo é Deus.


Belém ou Nazaré?


Marcus Borg, membro do “Seminário de Jesus”, deu uma das sugestões mais curiosas no programa “Em busca de Jesus”, ao afirmar que Jesus não nasceu em Belém. O raciocínio utilizado para chegar a essa conclusão seria interessante, caso não fosse tão insidioso. Em primeiro lugar, afirma-se que somente dois evangelhos falam a respeito do lugar do nascimento de Cristo, e eles o descrevem de forma diferente. Lucas diz que Jesus nasceu em uma manjedoura, enquanto Mateus diz que Jesus nasceu em uma casa. Também se argumenta que não existe nenhum registro fora dos evangelhos de que César Augusto tenha ordenado um censo mundial com o objetivo de arrecadar impostos. Além do mais, os homens eram tributados no próprio lugar em que trabalhavam, mas as mulheres nem mesmo eram contadas. Portanto, Maria e José não teriam de viajar para Belém. Finalmente se sugere que as pessoas eram conhecidas pelo lugar em que haviam nascido. Visto que Jesus é conhecido como Jesus de Nazaré, ele deve ter nascido lá, e não em Belém.

Muitas das declarações feitas no citado programa são tão bizarras que é até difícil escolher por onde começar a refutação. Tome, como exemplo, o argumento presunçoso de Borg de que de Mateus e Lucas provêem informações diferentes (isto é, contraditórias) a respeito do nascimento de Cristo em Belém e, portanto, não se pode confiar em nenhum dos dois. Na verdade, não existe nada em Mateus que contradiga Lucas. Para apresentar a aparente contradição, Borg diz que, de acordo com Mateus, Jesus “nasceu em casa”. Mateus, todavia, nada disse a esse respeito, Borg simplesmente inventou essa afirmação.

Longe de serem contraditórias, as diferenças entre os relatos do evangelho são claramente complementares. Lucas adiciona detalhes ao relato de Mateus, como o de que o nascimento de Cristo ocorreu em uma manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria. As diferenças entre os evangelhos não apenas demonstram que eles não se baseiam um no outro, mas também conferem peso à sua autenticidade. Citando as palavras do historiador dr. Paul Barnett: “As diferenças entre as narrativas não apenas indicam que Mateus e Lucas estavam isolados um do outro quando escreveram, mas também que as fontes de que dependeram eram bem separadas. Contudo, dessas correntes de fontes subjacentes temos um acordo detalhado a respeito de onde Jesus nasceu, quando, de que pais, e as circunstâncias miraculosas da sua concepção”.12

Além disso, a declaração de Jennings de que não existe nenhum registro fora dos evangelhos de que o imperador César Augusto ordenou um censo mundial não é apenas presunçosa, mas também patentemente falsa. Na verdade, o censo de César Augusto é famoso – tão famoso, de fato, que os historiadores de crédito nem mesmo debatem essa questão. O historiador judeu Josefo, por exemplo, se refere a um censo romano em 6 A.D.13 Considerando o alcance do censo, é lógico assumir que custou muito a ser completado. É razoável se inferir que começou com César Augusto por volta de 5 A.C., e que foi completado aproximadamente uma década depois. Lucas, um historiador meticuloso, nota que o censo foi primeiro completado quando Quirino era governador da Síria.14 De fato, como o historiador Paul Maier explicou na sua transmissão de rádio Bible Answer Man: “Os romanos demoraram 40 anos para completar o censo na Gália. Se considerarmos uma província na Palestina, a 1.500 milhas de Roma, se tomou uma década foi muito rápido. E visto que aquele censo finalmente veio até a administração de Quirino, Lucas pôde corretamente chamá-lo de seu censo”.15

Com as credencias impecáveis de Lucas como historiador, teria sido muito mais prudente para Jennings dar-lhe o benefício da dúvida. Basta lembrar a experiência do brilhante arqueólogo Sir William Ramsay, que se prontificou a demonstrar que Lucas não era historicamente confiável. Graças às suas viagens arqueológicas meticulosas pelo Mediterrâneo, ele descobriu que, uma após a outra, as alusões históricas de Lucas se provavam acuradas. Se, como Ramsay aponta, Lucas não erra nas referências que faz a respeito de uma multidão de países, cidades e ilhas, não há razão para duvidar dele a respeito desse censo.16

A afirmação de Jennings de que os homens eram tributados onde viviam e que as mulheres não eram contadas é espúria. Maier cita um censo romano do primeiro século no Egito, no qual se ordenava que os contribuintes que viviam em outros lugares voltassem às suas terras natais para serem registrados.17 Além disso, um censo romano de Bacchius, no Egito, datado de 119 A.D. documenta historicamente que mulheres e crianças eram registradas pelos seus maridos ou pais.18

Finalmente, a afirmação de Borg de que Jesus era conhecido como Jesus de Nazaré e assim deve ter nascido lá, ao invés de em Belém, também está absolutamente errada. Contra-exemplos incontáveis minam essa hipótese. Por exemplo, Irineu de Lião (c. 175-195) provavelmente nasceu em Esmirna, onde possivelmente estudou enquanto menino, e ensinava em Roma antes de se mudar para Lião;19 Luciano de Antioquia (c. 240-312) nasceu em Samosata, mas completou sua educação e acabou tornando-se o líder das escolas teológicas de Antioquia;20 Paulo de Constantinopla (morto em c. 351) era nativo de Tessalônica e tornou-se bispo de Constantinopla.21 Esses homens nasceram em um lugar e depois se mudaram para outro, com o qual seus nomes ficaram associados. Foi justamente o que aconteceu com Jesus, que nasceu em Belém mas viveu a maior parte da sua vida em Nazaré. A história mostra que no contexto mais amplo da vida das pessoas vários fatores influenciam o modo como ficam conhecidas.

E o que é mais importante: visto que a Bíblia diz que Jesus nasceu em Belém, podemos e devemos confiar que Ele nasceu em Belém! Enquanto a erudição de Borg está constantemente sob suspeita, a origem da Bíblia é divina, e não humana. Portanto, devemos acreditar mais na Bíblia do que em Borg. Várias abordagens demonstram que as Escrituras têm sua natureza inspirada por Deus, e assim são absolutamente fidedignas. Uma delas, aludida acima, trata da afirmação historicamente verificável da divindade de Jesus e de sua ressurreição dentre os mortos.22 Nos evangelhos, Jesus repetidamente validou o Antigo Testamento, e garantiu a veracidade do Novo Testamento.23 Falando como Deus, os pronunciamentos de Cristo são verdadeiros, e o mesmo ocorre com tudo o que a Bíblia ensina, inclusive tudo o que está relacionado com o seu nascimento miraculoso.


Calúnia anti-semita ou sofisma antiintelectual?


O sofisma antiintelectual no programa “Em busca de Jesus” talvez tenha alcançado seu clímax quando o membro do “Seminário de Jesus” Robert Funk sugeriu que Judas bem poderia ter sido inventado como uma calúnia anti-semita. De acordo com Funk, a história da traição de Jesus por Judas era “provavelmente uma ficção, porque Judas parece a muitos de nós como alguém que representa o judaísmo, ou os judeus, como os responsáveis pela sua morte. Se é uma ficção, é uma das ficções mais cruéis que fora inventada... tendo em vista a incontável hostilidade que persistiu entre os cristãos e os judeus no decorrer dos séculos.” John Dominic Crossan afirma que esses eruditos vêem Judas como o “judeu arquetípico”, porque “Judas” significa “judeu”. Esses comentários e sua inclusão no programa representam em si mesmos pouco mais do que preconceito vingativo e bem podem significar uma nova decadência nos estudos neotestamentários. Até mesmo Crossan admite a falha: “O problema é, é claro, que não é assim que pensavam as pessoas do primeiro século, porque [Judas] era um nome comum. E há muita evidência de que alguém – e estou deliberadamente falando em termos vagos – próximo a Jesus o traiu”.

Em resposta, em primeiro lugar deve-se enfatizar que, como Crossan admite, Judas era de fato um nome muito comum. Há vários homens chamados Judas nos evangelhos, um dos quais era discípulo de Cristo verdadeiramente devotado (Lc 6.16), e outro escreveu a epístola de Judas, do Novo Testamento (veja Mt 13.55 e Jd 1). Dificilmente os leitores do evangelho do primeiro século entenderiam que o nome de Judas significava o judaísmo.

Além disso, os escritores do Novo Testamento proclamaram claramente que a salvação por meio do Messias judaico foi dada primeiro ao povo judeu, e só depois para o resto do mundo (Mt 15.24; Rm 1.16). Adicionalmente, a visão de Pedro seguida pelo relato de Cornélio recebendo o Espírito Santo (At 10) e o subseqüente Concílio de Jerusalém (At 15) claramente demonstram tanto a natureza inclusiva da Igreja quanto a resistência inicial judaico-cristã à inclusão dos gentios (veja também Gl 2.11-14). Enquanto os primitivos cristãos certamente não eram anti-semitas, pelo menos alguns inicialmente manifestaram exatamente o preconceito oposto!

Longe de ser anti-semita, o Novo Testamento simplesmente registra o desenlace da história da redenção, conforme predito pelos profetas judeus que anunciaram que um dos companheiros de Cristo o trairia (Sl 41.9; Jo 13.18). Como deveria ser óbvio para Jennings e os membros do “Seminário de Jesus”, nada há de sutil a respeito da narrativa da crucificação. Os escritores judeus do evangelho declaram explicitamente que foram seus líderes que condenaram a Cristo, acusando-o de blasfêmia. Não haveria motivo para inventar um Judas fictício para representar o judeu arquetípico.

Finalmente, como é evidente para qualquer pessoa desprovida de preconceito, desde um estudioso catedrático até um estudante primário, o Novo Testamento nada tem de anti-semita. Jesus, os 12 apóstolos e o apóstolo Paulo eram todos judeus! De fato, os cristãos referem-se com orgulho à sua herança cultural e espiritual como a tradição judaico-cristã. No livro de Hebreus, os cristãos são lembrados a respeito dos judeus, de Davi a Daniel, que são membros da galeria dos heróis da fé. De fato, as crianças cristãs são criadas tendo os judeus como seus heróis! Desde o colo de suas mães até as Escolas Dominicais, elas aprendem as histórias do Antigo Testamento dos grandes judeus, homens e mulheres, de fé, de Moisés a Maria, de Ezequiel a Ester. A Bíblia se estende longamente para salientar o fato de que quando se trata da fé em Cristo não há diferença entre judeu e gentio (Gl 3.28), e que o povo judeu em todas as gerações não é mais responsável pela morte de Cristo do que qualquer outro. Como disse Ezequiel: “o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho” (18.20). A “ficção cruel” de Funk não é Judas, mas a noção de que o cristianismo é anti-semita. Na verdade, Jennings e outros devem uma desculpa ao mundo por alimentar um mal-entendido e por má-fé ao defenderem a sugestão cruel de que a história de Judas foi inventada porque “Judas quer dizer judeu”.


Enterro ou mentira?


Não há dúvida de que o erro mais crasso do programa “Em busca de Jesus” é a negação da morte e ressurreição de Cristo. Em um diálogo com Jennings, Crossan contende que o relato do enterro de Jesus é baseado em esperança, e não em história: “Será que Jesus foi ao menos enterrado?... O objetivo da crucificação era criar um ambiente de terror, e a função era deixar o corpo na cruz para ficar em putrefação, ser devorado por corvos e cães vira-latas. Não é que apenas fazia você sofrer muito – você não era enterrado. É justamente isso que fazia dela uma das penas supremas entre os romanos. Ausência de enterro. Quando eu leio essas estórias, me sinto terrivelmente solidário com os seguidores de Jesus porque eu ouço esperança aqui, não história”. É evidente que o próprio Crossan não se põe entre os “seguidores de Jesus”.

Contrário à alegação de Crossan, o relato do enterro de Cristo é baseado em história, e não em esperança. O falecido erudito liberal da Universidade de Cambridge, John A. T. Robinson, admitiu que o enterro de Cristo “é um dos mais antigos e mais bem atestados fatos a respeito de Jesus”. 24 Essa declaração não é meramente uma afirmação dogmática. Ao contrário, é firmemente embasada em argumentação sólida.

Em primeiro lugar, tanto os eruditos liberais quanto os conservadores do Novo Testamento concordam que o corpo de Jesus foi enterrado no túmulo particular de José de Arimatéia. O filósofo e teólogo William Lane Craig sublinha este fato ao notar que, como membro da corte judaica que condenou Jesus, é improvável que José de Arimatéia fosse uma ficção cristã. O notável erudito neotestamentário Raymond Brown explica: “O fato de que José foi o responsável pelo enterro de Jesus é ‘muito provável’, visto que uma criação ficcional cristã de um membro do sinédrio fazendo algo correto a favor de Jesus é ‘quase inexplicável’, dada a hostilidade que havia nos primeiros escritos cristãos contra os líderes judaicos responsáveis pela morte de Jesus. Em particular, Marcos não teria inventado José, tendo em vista a sua declaração de que todo o sinédrio havia votado a favor da condenação de Jesus (Mc 14.55, 64; 15.1)”.25

Além disso, não existe nenhuma outra versão a respeito do assunto. Craig aponta em Jesus sob Fogo que “se o enterro de Jesus no túmulo de José de Arimatéia é uma lenda, então é estranho que não haja tradições conflitantes em nenhum lugar, nem mesmo da parte de polemistas judeus. É difícil explicar que não tenha sobrado nenhum vestígio da história verdadeira, nem mesmo de alguma falsa versão conflitante, a menos que o relato do evangelho seja substancialmente o relato verdadeiro”.26

O relato do enterro de Jesus no túmulo de José de Arimatéia é confirmado pelo evangelho de Marcos e é, portanto, registrado cedo demais para estar sujeito à corrupção e à formação de lendas.24 De modo semelhante, Paulo comprova o enterro de Cristo em uma carta aos cristãos de Corinto, na qual ele recita um antigo credo cristão, que data poucos anos após a própria crucificação (1Co 15.3-7).27

Finalmente, conforme Craig enfatiza, a resposta judaica mais precoce à ressurreição de Jesus Cristo pressupõe um túmulo conhecido que se tornou vazio. Ao invés de negar que o túmulo estava vazio, os inimigos de Cristo acusaram seus discípulos de roubar o corpo. A sua resposta à proclamação: “Ele ressuscitou – realmente ressuscitou” não foi “seu corpo ainda está na sepultura”, ou “ele foi jogado numa cova rasa e comido por cães”. Ao invés disso, eles responderam: “Seus discípulos vieram durante a noite e o roubaram”.28 Nos séculos que se seguiram à ressurreição, o fato de que o sepulcro de Jesus era conhecido foi aceito tanto pelos amigos quanto pelos inimigos de Jesus.29

Resumindo: o primitivo cristianismo simplesmente não teria sobrevivido se alguém pudesse encontrar algum túmulo contendo o corpo de Jesus. Os inimigos de Cristo poderiam ter acabado facilmente com a charada se pudessem mostrar o corpo. Talvez John Dominic Crossan saiba que se admitir a historicidade do enterro de Jesus terá de admitir também a historicidade da sua ressurreição.

Muito mais poderia ser dito, mas uma coisa já deve estar absolutamente clara: apesar de Jennings afirmar ser um repórter respeitoso em busca do que podemos saber a respeito do Jesus da história, na verdade ele gastou a maior parte de duas horas recorrendo a calúnias para vender sua própria forma extrema de fundamentalismo. Longe de prover uma exposição dos fatos embasada na evidência, ele empurrou uma fé cega baseada na emoção. Aceitar afirmações desse tipo, baseadas em boatos sem provas, seria verdadeiramente repreensível.


Em resumo


Ignorando o parecer dos especialistas confiáveis, a reportagem especial da rede de televisão norte-americana: ABC, apresentou dois extremos do fundamentalismo: de um lado, a organização liberal conhecida como “Seminário de Jesus”; do outro, a crença unilateral, cega e subjetiva, que inclui o movimento herético americano conhecido como Pentecostalismo Unitarista. Em qualquer um desses dois extremos, o Jesus que emerge é muito diferente do Cristo do Novo Testamento. De acordo com o “Seminário de Jesus”, Jesus seria o filho ilegítimo de um soldado romano, e o relato da concepção virginal teria sido inventado para encobrir isso. Ele não teria nascido em Belém; a traição de Jesus teria sido inventada por cristãos como uma calúnia anti-semita. Ele não teria sido enterrado, mas deixado na cruz e devorado por corvos e cães vira-latas, e sua ressurreição uma história emprestada das religiões de mistério, ou seja, seitas pagãs orientais.

Essas conclusões não são mais do que afirmações dogmáticas desprovidas de argumentos defensáveis, o que também sugere uma fé cega influenciada pelas emoções. Em contraste com isso, o cristianismo está arraigado em eventos históricos averiguáveis. Efetuando-se uma análise histórica honesta, podemos saber, racionalmente e além de qualquer dúvida razoável, que Jesus foi enterrado no túmulo de José de Arimatéia, ressuscitou dentre os mortos e apareceu fisicamente para autenticar sua afirmação de que era Deus em forma humana. Ao descartar a priori o Cristo da fé bíblica, o apresentador do programa, Peter Jennings, e o “Seminário de Jesus” não puderam encontrar o verdadeiro Jesus histórico.


Notas

1 Em uma entrevista com Lee Strobel, o erudito Gregory Boyd declarou: “Ironicamente, [os participantes do “Seminário de Jesus”] têm seu próprio tipo de fundamentalismo. Eles dizem que estão certos, e ponto final. Em nome da diversidade, eles na verdade podem ter uma visão um tanto restritiva.” (Lee Strobel, The Case for Christ [Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1988], 114.)

2 Os Pentecostais de Alexandria, Louisiana, pertencem à Igreja Internacional Pentecostal Unitarista (UPCI), uma denominação que defende uma versão contemporânea da antiga heresia conhecida como monarquianismo modalista. Há uma excelente discussão e defesa da doutrina da Trindade em relação ao unitarianismo em Gregory A. Boyd, Pentecostais Unitaristas e a Trindade (Grand Rapids: Baker Books, 1992).

3 Evangelho de Tomé, 114, de acordo com Robert W. Funk, Roy W. Hoover e o Seminário de Jesus, The Five Gospels (New York, Macmillan, 1993), 532.

4 ibid. 8-19. Veja também James R. White, “The Jesus Seminar and the Gospel of Thomas: Courting the Media at the Cost of Truth” Christian Research Journal, Inverno de 1998, disponível em www.equip.org.

5 Veja, e.g., Gregory A. Boyd, Cynic Sage or Son of God? (Wheaton, IL: Victor Books, 1995), 133-36.

6 Craig Blomberg in Strobel, 33.

7 Veja, e.g., Mt 23.35-36, 38; 24.1-2; cf. Mc 13.1-2; Lc 21.5-6; também cf. Jo 2.18-22. Este é um argumento tirado do silêncio significativo.

8 Cf. Robert W. Funk, Honest to Jesus (San Francisco: HarperSanFrancisco, 1996), 288, 294.

9 Raymond E Brown, The Virginal Conception and Bodily Resurrection of Jesus (New York: Paulist Press, 1973), 62, 65.

10 Veja Hank Hanegraaf, Resurrection (Dallas: Word Publishing, 1999), parte primeira.

11 Paul Barnet, Is the New Testament Reliable? A Look at the Historical Evidence (Downers Grove, IL: InterVarsity Press), 119.

12 Antiguidades dos Judeus, 18.1.1-2.

13 Conforme explicou o Dr. Paul Maier durante a transmissão de 12 de novembro de 1999 do programa Bible Answer Man: “Quirino realizou o censo em [6 A.D.], ao invés da época do Natal, e os críticos dizem que Lucas cometeu um erro aqui [em Lucas 2:2]. Isso não é certo. Poderia haver um problema de tradução. Idealmente, a primeira leitura seria que este é o primeiro censo durante o período em que Quirino governou a Síria, e nesse caso nos faltam dez anos. Contudo, a palavra grega protos também pode ser assim traduzida: ‘Isso ocorreu antes daquele censo que todo mundo conhece, e que foi realizado por Quirino.’ Essa é uma tradução. A que eu prefiro é: ‘Esse censo foi primeiramente completado enquanto Quirino era governador da Síria.’”

14 Ibid.

15 Veja William M. Ramsay, The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of the New Testament, rep. ed. (Grand Rapids: Baker Books, 1953); William M. Ramsay, St. Paul the Traveller and the Roman Citizen (Grand Rapids: Baker Books, 1962).

16 Paul L. Maier, In the Fullness of Time: A Historian Looks at Christmas, Easter, and the Early Church (Grand Rapids: Kregel, 1991), 4-5.

17 Ibid., 4-5.

18 Philip Schaff, History of the Christian Church, vol. II (Grand Rapids: Eerdmans, 1994), 251; cf. J. D. Douglas, editor geral, The New International Dictionary of the Christian Church, ed. rev. (Grand Rapids: Zondervan, 1978), 516.

19 Douglas, 607.

20 Ibid., 756.

21 Veja a obra de Hanegraaf, primeira parte.

22 Veja, e.g., Mt. 5:18; 15:6; Mc. 7:8; Lc. 24:25-27, 44-47; Jo. 10:35; 14:25-26; 16:13; cf. 15:26-27.

23 John A. T. Robinson, The Human Face of God (Philadelphia: Westminster, 1973), 131, conforme citado por William Lane Craig in Paul Copan, ed., Will the Real Jesus Please Stand Up? A Debate between William Lane Craig and John Dominic Crossan (Grand Rapids: Baker Books, 1998), 27.

24 William Lane Craig: “Did Jesus Rise from the Dead?” in Michael J. Wilkins e J. P. Moreland, eds., Jesus Under Fire (Grand Rapids: Zondervan, 1995), 148; veja também Raymond E. Brown, Death of the Messiah, vol. II (New York: Doubleday, 1994), 1240.

25 Craig: “Did Jesus Rise from the Dead?” 149.

26 Ibid., 147-48. Veja também William Lane Craig, “Contemporary Scholarship and the Historical Evidence for the Resurrection of Jesus Christ”, Truth 1 (1985): 89-95, do Web site Leadership University em http://www.leaderu.com/truth/1truth22.html. Para examinar os argumentos a respeito de como são estabelecidas as datas para a escrita de Marcos, veja John Wenham, Redating Mattew, Mark and Luke (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1992), capítulos 6-8; Boyd, capítulo 11.

27 Craig: “Did Jesus Rise from the Dead?” in Winkins e Moreland, 147; veja também Gary Habermas, The Historical Jesus: Ancient Evidence for the Life of Christ (Joplin, MS: College Press, 1996), capítulo 7.

28 Adaptado de Craig, “Did Jesus Rise from the Dead?” 152. Veja Mateus 28:13.

29 O erudito D. H. van Daalen notou: “É extremamente difícil objetar ao túmulo vazio com base na história; aqueles que o negam fazem-no com base em pressupostos teológicos ou filosóficos”; conforme citado na obra de William Lane Craig, “Contemporary Scholarship and the Historical Evidence”.

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