Defesa da Fé

Edição 53

A sedução da Igreja Local


Por Natanael Rinaldi

O crescimento da fé evangélica no Brasil, publicado em 2002 pelos órgãos de pesquisas, rendeu comentários na televisão, nos jornais e até em capas de revista. É do conhecimento de todos que essa “massa evangélica” é constituída de várias denominações que compartilham dos mesmos conceitos doutrinários, o que promove uma comunhão sincera entre as mesmas. Assim, é muito comum nos depararmos com circunstâncias em que identificamos um irmão em Cristo e perguntamos: qual é a sua denominação?

Para os membros da Igreja Local, isso é antibíblico. Eles têm aversão a esse tipo de pergunta. De fato, uma indagação como essa, quando direcionada aos membros da Igreja Local, é interpretada como uma ofensa. O indagador recebe deles uma pronta resposta: “As igrejas locais não têm nome. O único nome que ostentamos e honramos é o nome do Senhor Jesus [...] O termo igreja local não é um nome [...] Imprimir as palavras igreja local com letras maiúsculas é um erro sério, pois isto dá a impressão de que o nome é igreja local”.


O que é o localismo?


O empenho deles é notório em esclarecer que Igreja Local não é um nome denominacional. Para eles, tal “expressão” está relacionada a “um grupo de crentes, membros vivos de Cristo”, que “não pertencem a nenhuma denominação”. Entretanto, os fatos testificam que eles possuem registro de pessoa jurídica, como qualquer outra denominação ou instituição religiosa. E eles mesmos confirmam isso: “No que diz respeito às questões financeiras, as igrejas locais estão legalmente registradas com relação ao governo”.

Novamente, perguntamos aos membros desse grupo: “Qual é o nome de sua denominação?”. Quando a insistência da indagação exige um parecer, a resposta é indefinida, informando o nome da cidade em que a igreja se localiza: “A igreja que está em São Paulo” ou “a igreja que está em Belo Horizonte” e, caso sejam interrogados sobre o porquê da ausência do nome denominacional (o que quase sempre acontece) a resposta que se obtém é que as denominações são divisões e, como tais, geram divisões, por isso, segundo eles, só deve existir uma igreja em cada cidade com o nome da própria cidade. E, segundo ainda afirmam, todo cristão genuíno deve unir-se a essa igreja local com o nome da cidade.

A explicação é a seguinte: se você está em Santos e necessita mudar para São Paulo, por exemplo, não precisa se preocupar quanto a que igreja deve congregar, como ocorreria com todos os membros das divisões, ou seja, das denominações. Ensinam os líderes da Igreja Local: “Você irá à igreja daquela cidade, à igreja local”. E o que estará fazendo a pessoa que entrar em qualquer outra igreja que não seja a local? Deixemos o fundador da Igreja Local, Witness Lee, responder: “Se você entrar em qualquer outra coisa afora a igreja local daquela cidade, entrará numa divisão”. Desta forma, os líderes advertem aos membros da Igreja Local a não manterem relações com os crentes denominacionais, mas fidelidade incondicional à sua igreja.

Mas o ataque às igrejas evangélicas não pára, e atinge também os católicos. “Hoje em dia há principalmente dois tipos de crentes: um deles é formado pelas denominações, incluindo a Igreja Católica Romana, e o outro é composto daqueles que estão fora das divisões (leia-se denominações, grifo nosso) e sobre a base correta”. E como os localistas enxergam aqueles que fazem vista grossa a esta doutrina? Vejamos: “Não tente ser neutro. Não procure reconciliar as denominações com a igreja local. Você nunca conseguirá reconciliá-los. Você consegue reconciliar branco com preto? Sim, mas serão cinza; nem preto nem branco”.


Qual é o principal alvo da Igreja Local?


Arrebanhar os membros das denominações evangélicas. O alvo dos localistas são os evangélicos. É essa a tática de evangelização empregada pela Igreja Local. E, (atenção!) para obterem êxito nesse propósito, lançam mão de acentuado proselitismo: “Damos boas-vindas a todos os verdadeiros crentes e buscamos comunhão com eles como nossos irmãos e irmãs em Cristo”.

Quando o objetivo é desarraigar o evangélico de sua “divisão” (ou seja, denominação), os localistas são amáveis, não dá para acreditar que por trás de tanta simpatia se esconde a intenção de nos tornar membros de sua igreja.

Superficialmente, a afirmação deles é afável: “buscamos comunhão com eles como nossos irmãos em Cristo”. Mas acrescentamos: “essa comunhão, porém, só é possível se os irmãos abandonarem suas denominações e ingressarem na Igreja Local”.

A dissimulação dos membros da Igreja Local permite que penetrem nas igrejas evangélicas para vender a literatura de Witness Lee, editado pela Árvore da Vida. Isso ocorre principalmente com a permissão de pastores evangélicos que desconhecem o movimento, e, infelizmente, não são poucos.


Um passado desfavorável


Parece antagônico, mas é possível definir a Igreja Local como uma facção antidenominacional. Não obstante a toda essa repulsa em relação às denominações evangélicas, a própria Igreja Local nada mais é do que uma dissidência de outras igrejas.

Witness Lee foi grandemente influenciado pelo pastor Watchman Nee. Membro da Igreja dos Irmãos de Plymouth, Warchman Nee separou-se dessa igreja para criar o seu próprio grupo: “O pequeno rebanho”. Witness Lee chegou a presidir algumas comunidades da igreja do pastor Nee. Os anos se passaram e, depois da prisão de Nee, Lee criou o seu próprio grupo com suas estranhas doutrinas, levando muitos membros da igreja com ele.

Ora, será que Lee não considerou seu próprio passado ao ensinar suas doutrinas? Historicamente, a Igreja Local é uma divisão de duas outras denominações. A própria história do grupo serve para combatê-la e reprová-la.


Igrejas evangélicas: organização de Satanás


Quando não conseguem margem para efetuar seu proselitismo, os membros da Igreja Local revelam seus julgamentos sobre os evangélicos, e declaram: “Visto que a ‘Mãe das Prostituições’ é a Igreja Apóstata, as prostitutas, suas filhas, devem ser todas as diferentes facções e grupos do cristianismo que mantêm, até certo ponto, o ensinamento e as práticas e tradições da Igreja Romana apóstata”.

Ora, se a Igreja Católica é tida como a “Mãe das Prostituições”, quem são as “filhas prostitutas”? Segundo a lógica deles, as igrejas evangélicas ou denominacionais. Perguntamos, então: como manter um clima de cordialidade e respeito mútuo com os localistas?

“Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Am 3.3).

Sendo mais contundentes, escrevem no livro “Apocalipse, versão restaurada”: “O catolicismo romano e o protestantismo, assim como o judaísmo, estão todos nessa categoria, tornando-se uma organização de Satanás, como seu instrumento para danificar a economia de Deus”.


Heresias de perdição


Como podemos observar em nossa última citação “As igrejas evangélicas são organizações de Satanás”. “Jesus foi corrompido por Satanás por meio de sua encarnação”. “Satanás habita no homem”.

Três contundentes e errôneas afirmações doutrinárias.

Assim, percebemos que a Igreja Local não pode, em nenhuma hipótese, ser considerado um movimento evangélico, pelo menos não genuinamente. O apóstolo Pedro já nos precavia sobre isso: “E também houve entre o povo falsos profetas, conto entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” (2Pe 2.1).

Vejamos as declarações de Witness Lee:


“Por isso, o homem tem não só a vida e a natureza de Satanás, mas também o próprio Satanás como tal espírito maligno operando dentro de si”.

“Agora, todos eles estão em nós. Adão, o ego, está na nossa alma; Satanás, o diabo, está em nosso corpo; e Deus, o Deus Triúno, está em nosso espírito”.


Satanás habita dentro dos cristãos? Não. Diz a Bíblia: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19).

Como Witness Lee pôde conceber tamanha heresia?! Se o corpo do cristão é o templo do Espírito Santo, como pode, ao mesmo tempo, ser habitação de Satanás? A Bíblia nos dá exemplos de homens que tinham relação com Satanás, mas esses homens não eram cristãos, absolutamente. Judas, o que traiu Jesus, era contado entre os doze apóstolos, mas, infelizmente, tornou-se habitação de Satanás: “Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze” (Lc 22.3).

Como podemos ver, não é necessário muito esforço para percebermos os malefícios que os ensinamentos da Igreja Local podem causar na Igreja do Senhor. Mas o teor de heresias localistas consegue ser mais profundo. Declaram que o próprio Jesus estava na mesma situação que nós ao tornar-se homem (ou seja, ao tomar o corpo humano): “Quando Deus se encarnou como homem, o tipo de homem com que Ele se vestiu era um homem corrompido por Satanás. O homem, na época da sua encarnação, já não era mais um homem puro, mas um homem arruinado, corrompido por Satanás...”.

Perguntamos: é esse Jesus que os evangélicos seguem? Não!

Obviamente, a Igreja Local serve a outro Jesus, completamente estranho ao que é apresentado nas Escrituras. A respeito do nosso Jesus, a Bíblia diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne, habitou entre nós, e vimos a sua glória como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.1,14).

O texto bíblico fala de um Jesus que não se corrompeu ao tornar-se humano. Fala de um Jesus santo, imaculado, separado dos pecadores, feito mais sublime que os céus (Hb 7.26). Fala de um Jesus que, como nós, em tudo foi tentado, mas não pecou, era sem pecado (Hb 4.15).

Não se pode dar outra designação aos ensinos de Witness Lee: são “heresias de perdição”. Devemos nos afastar de tais ensinos!


Um alerta aos evangélicos


Que se previnam e tomem muito cuidado com as heresias da Igreja Local. Devemos nos aproximar deles apenas com o objetivo de lhes pregar o verdadeiro Cristo. Infelizmente, pelo uso que fazem do nome de Watchman Nee, muitos cristãos têm abandonado suas igrejas e ingressado no movimento de Witness Lee, acreditando que, desta vez, encontraram a “verdade”.

Os membros da Igreja Local possuem um sério compromisso com a organização a que pertencem. O exclusivismo que ostentam discrimina tudo e todos, mas eles ainda não conhecem o verdadeiro Jesus, o Jesus da Bíblia, aquele que é o caminho, a verdade e a vida (Jo14.6)

O apóstolo Paulo disse que a verdade está em Jesus (Ef 4.21), e não em uma organização religiosa que afirma que todas as igrejas apostataram e que ela, a organização, e somente ela, possui a “verdade”.

Amados irmãos, tomem muito cuidado!


Notas:

1 O que cremos e praticamos nas igrejas locais, p. 13.

2 Idem.

3 Idem, p. 17.

4 A visão da igreja, pp 10,11.

5 A expressão prática da igreja, p. 128.

6 Idem, p. 115.

7 O que cremos e praticamos nas igrejas locais, p. 4.

8 Apocalipse (versão restaurada), p. 107.

9 Idem.

10 Lições da verdade, nível um, p. 13.

11 A economia de Deus, p. 190.

12 O homem e as duas árvores, p. 9.

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