Defesa da Fé


As 11 grandes religiões mundiais


Animismo


A religião do fetiche: a magia


“Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Nm 23.23)


O animismo é a modalidade religiosa que, além de implantar espíritos em toda a natureza, considera tais espíritos semelhantes ao espírito do homem. Essa religião também é conhecida como fetichismo. O termo fetiche procede do português “feitiço” e do latim factícius, e significa “coisa feiticeira” ou “coisa encantada”, dando a idéia de algo dotado de força mágica. Essa expressão foi popularizada pelos navegadores portugueses, que a empregavam para designar objetos relacionados a cultos e instrumentos de magia utilizados pelos negros. Considerando-se a etnia, depreendeu-se, de forma cada vez mais clara, que os negros, mais do que os objetos materiais, cultuavam as forças espirituais como se fossem certas entidades, e, por conta disso, ao invés do termo fetichismo, adotou-se imediatamente o termo julgado mais apropriado à questão, o animismo.


Pontos básicos da crença animista

Para os animistas, a alma está ligada estreitamente ao corpo ou a alguma parte dele. E ainda vão mais longe ao afirmarem que a alma pode deixar o corpo momentaneamente sem que este faleça. Dessa idéia, dá para inferir que a alma guarda certa distância do corpo, e o que ocorre, quando unidos, é uma ação de presença. Alguns estudiosos, como Frazer, autor da obra Rameal d´Or, estudaram particularmente este conceito de “alma exterior”.

A partir daí, mostraram alguns raros conceitos da crença animista, como, por exemplo, os conceitos que consideram a possibilidade de a alma ser comida, roubada, transportada e, em determinados casos, substituída, consertada ou até reformada.

Segundo os animistas, a individualidade não se detém na periferia de uma pessoa, devido ao entendimento de que a mentalidade funde-se ao próprio corpo com o que cresce sobre ele e com aquilo que sai dele: unhas, cabelos, secreções, urina, excrementos, lágrimas, esperma, etc.

Semelhantemente a outras práticas africanas de feitiço, nesta modalidade religiosa também se aceita a realidade do dano que pode ser causado a uma pessoa, bastando, para tanto, que um desses elementos integrantes seja empregado em ritual de magia.

Dessa crença nasce uma escravidão supersticiosa em que todos os indivíduos da sociedade se aprisionam no excessivo cuidado com seus particulares fragmentos humanos, para que os mesmos não caiam em mãos de terceiros que possam, efetivamente, empregá-los para fins ritualísticos maléficos.

Não sendo suficiente este cuidado, resta ainda cuidar das marcas deixadas no chão, nos assentos e, em especial, nas pegadas. Nesta noção repousa a certeza de que, caso uma criança seja colocada sobre as marcas deixadas por um grande feiticeiro, tais marcas poderão impregnar a criança de poderes do mago.

Evitam, ainda, para não ficarem expostos, projetar sombras e/ou reflexos na água, por meio dos quais algum feiticeiro inimigo pode suscitar um desenho, uma pintura ou outra espécie de reprodução de imagem, artifício de tradicional emprego mágico. Para estes elementos extremamente pessoais, dá-se o nome de “pertenças”.

Em contraposição à crença teológica cristã, Rasmussen (estudioso da cultura esquimó animista), explica que, para os esquimós animistas, um homem é composto de corpo, alma e nome, não de corpo alma e espírito.

Há testemunhos de pessoas que contemplaram, em outra etnia animista, os “fidjianos”, moribundos que gritavam seus próprios nomes na esperança de que, por esta prática, não fossem sucumbir à morte. Ainda segundo a crença dessa etnia, se a roupa de um homem, impregnada de sua transpiração, for posta sobre uma mulher pode engravidá-la. A vestimenta torna-se, portanto, outra forma de “pertença”. A morte do indivíduo, por conta desse conglomerado de possibilidades, faz que seus familiares queimem todos os utensílios que pertenciam ao falecido.

Os mortos animistas são apegados à comida, à bebida e às homenagens. A mentalidade primitiva é convicta de que os mortos podem estar presentes ou ausentes, considerando ainda a possibilidade de que possam estar em vários lugares ao mesmo tempo. Esta polipresença dos mortos admite que eles possam aparecer aos vivos, apesar de estarem habitando em outros mundos. Sobre o período pós-morte, afirmam, contraditoriamente, que os mortos vivem.

Esta “sociedade de mortos” está dividida em clãs, num contexto semelhante ao dos vivos. Da mesma forma que é possível uma reencarnação, também é aceita a tese de que alguns deles desapareçam definitivamente. Compreende-se que, caso se tratasse de almas puramente espirituais, estas seriam imortais, mas esse conceito não é aceito nas sociedades animistas primitivas, posto que, em nenhuma delas, há um consenso quanto à imortalidade. O que existia em algumas sociedades religiosas era a crença na sobrevida, mas nunca em uma vida pós-morte sem fim.


Os rituais animistas

Como todos animistas aceitam que forças místicas podem ser comparadas a espíritos, animando a natureza, logo, o homem pode exercer ação sobre esta mesma natureza (tal como exerce sobre os seres espirituais), por meio de palavras e gestos apropriados ao ritual, o que caracterizaria a magia.

Salomon Reinach (1858-1932), estudioso da matéria, propôs uma fórmula em que a “magia é a técnica e a matéria do animismo”. De acordo com esta fórmula, basta-nos tão-somente pronunciar as palavras apropriadas em voz alta, ou cantadas, para que se produzam efeitos como curas, por exemplo. Ou então, imitar um acontecimento para que o mesmo seja (re)produzido.

Seguindo este raciocínio, o derramamento de água que acompanha a observância de várias normas rituais atua como um elemento correto para a produção de chuvas. Esta modalidade de feitiço é chamada apropriadamente de “magia imitativa”.

A cultura determina aos praticantes que produzam ou adquiram imagens que lhes sejam como suas próprias almas. Estes fetiches propiciam outra forma de magia desta sociedade, a “magia simpática”.

Neste modelo de ritual, presume-se uma participação do homem e da matéria na formação de um só elemento. Assim, a quebra ou a completa destruição desta imagem prejudica o indivíduo que esteja associado a ela. Esta imensa variedade de possibilidades de acesso à pessoa que se deseja lesar admite ainda outra nomenclatura bastante sugestiva, ou seja, “magia contagiosa”.

Os animistas são estimuladores do uso de talismãs, amuletos e objetos de feitiço, todos com inquestionável poder mágico. Os adornos só podem ser empregados como artefatos de enfeite se antes já tiverem produzido seus efeitos como agentes de rituais de magia.

Quanto à variedade mágica, esta pode ser definida em mais de uma forma. Existe a boa magia, praticada pelos chefes e pelos sacerdotes ou mesmo pelos feiticeiros. A magia má é praticada pelos nigromantes (leia-se necromantes) que, por seus encantamentos, podem provocar a enfermidade e até a morte. O meio de anular este ato é o “contrafeitiço”, que se daria pela invocação do “espírito do remédio”, para que este invalide o espírito da doença agindo sobre ele.

Por todas estas modalidades “mágicas”, conclui-se que os rituais animistas podem estar embutidos na própria origem do desenho, da pintura, da escultura, da dança ou, ainda, da música. Logo, direta ou indiretamente, o animismo se compõe dos mais variados elementos das artes.

Se refletirmos nos benefícios promovidos pela arte em todos os segmentos da sociedade, depreenderíamos que tudo o que o animismo poderia proporcionar à humanidade seriam benfeitorias, mas, como sabemos, isso não é (nem poderia ser) o que de fato ocorre.


Zoroastrismo


A religião de Mazda e Mainyu, os deuses gêmeos


Portanto, grandioso és, ó SENHOR Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu somente (2Sm 7.22)


Dois princípios supremos, o bem e o mal, caracterizavam o zoroastrismo. Substituído pelo islamismo, o zoroastrismo reduziu-se a grupos no Irã e na Índia, mas deixou traços em algumas grandes religiões.

Zoroastrismo é um antigo sistema religioso-filosófico que repousa no postulado básico de uma contradição dualista, a do bem e do mal, inerente a todos os elementos do universo. Sua fundação é atribuída a um homem que teria vivido cerca de seiscentos anos antes do nascimento de Cristo, e cujo nome serviu de batismo a esta comunidade religiosa – Zoroastro. Este personagem é originário da região babilônica, extremamente produtiva em matéria de religião e que atualmente está ocupada pelo Irã e Iraque. Seu nome deriva de uma variação grega do original – Zarathushtra, este, essencialmente persa. Não há informações precisas sobre a data e o local de seu nascimento, mas o próprio nome leva à inferência de uma natalidade ocorrida na Pérsia (atual Irã) e a tradição, quanto ao nascimento, propõe um período que se aproxima de 650 a.C. Entretanto, estudiosos do tema, como Richard Cavendish, declaram haver muitas dúvidas quanto a estes dados.


Como surgiu o zoroastrismo

Este sistema religioso possui “bases históricas” extremamente frágeis. Ele teria sido fundado por Zoroastro, personagem para o qual sequer se consegue definir local de estada, onde porventura tenha passado sua vida, por quanto tempo viveu e quanto do zoroastrismo posterior a ele preservou suas idéias.

A única base para uma análise é a tradição que o coloca instalado na parte ocidental do Irã, no século VI a.C., num período pouco anterior ao Buda indiano. Porém, contestando a tradição, estudos mais modernos passaram a propor uma existência na região nordeste do Irã, entre as divisas dos atuais Afeganistão o Turcomenistão. Estes dois posicionamentos são os mais aceitos.

Segundo a tradição Zoroastro teria sido filho de um comerciante de camelos, este, nascido e criado numa época em que seus conterrâneos persas eram dados à adoração de vários deuses. A adolescência de Zoroastro já registrava momentos de manifesto interesse pelas questões religiosas e de meditação nas mais profundas dúvidas do homem quanto aos mistérios da vida. A postura de compaixão lhe concedeu renome entre os seus contemporâneos, destacada a condolência que sempre demonstrava, em especial para com os idosos.

Sua educação teria sido privilegiada, considerando que toda a sua formação advinha das melhores escolas de mestres existentes na Pérsia. A inquietude, porém, não o abandonava, e Zoroastro, aos vinte anos de idade, preferiu deixar o lar e os pais, para partir em busca das respostas a suas dúvidas existenciais. Neste período de buscas, tantos quantos passaram por Zoroastro, tornavam-se alvos de seus questionamentos religiosos.

Segundo narra a tradição, durante todo este período de intermináveis inquirições, Zoroastro teria empregado suas habilidades médicas para beneficiar aqueles que eram constantemente vitimados pelas guerras incessantes ocorrentes à época.

Ao atingir a idade de trinta anos, teria alcançado a iluminação, sucedida às margens do rio Daitya, quando numa visão surgiu-lhe uma figura colossal, que na oportunidade se auto denominou Vohu Manah (Bom Pensamento). Esta figura teria levado Zoroastro à presença de outra divindade cósmica que era tida como “sábio senhor”, e que atendia pelo nome de Ahura Mazda, o qual instruiria-o quanto à verdadeira religião.

Após este fato incomum, ele teria dedicado os próximos dez anos de sua vida à propagação das verdades recém-descobertas, mas de forma modesta e sem alcançar adesão significativa entre seus ouvintes.

O movimento iniciado por Zoroastro obteve expressividade somente quando ele conseguiu que o príncipe Vishtaspa aderisse às suas idéias e, não só isso, antes, Vishtaspa cooperou com Zoroastro na divulgação de seus conceitos. Este significativo apoio foi decisivo para o rápido crescimento zoroastrista nos anos que se seguiram.

Estes tradicionais registros de fatos pertinentes à história do zoroastrismo trazem em seu bojo referencias de duas guerras ditas “santas” que teriam ocorrido em razão da fé que se apresentava, sendo que, no segundo conflito, Zoroastro teria morrido, quando então já contava setenta e sete anos de idade.

Sua morte, de qualquer forma, jamais impedira a resistência do movimento zoroastrista bem como seu crescimento, embora este ocorresse de forma tímida. Seus seguidores, imediatamente, se desfizeram das práticas místicas e cessaram a adoração que se prestava a vários ídolos, até então exercidas entre os adeptos, estabelecendo a partir daí uma crença monoteísta que também sustentava a certeza na existência do céu e do inferno.


O cânon zoroastra

O livro sagrado do zoroastrismo é conhecido pelo nome típico de Avesta, originalmente redigido num antigo dialeto iraniano, o avestan. A obra original, entretanto, já não existe, à exceção de pequenos fragmentos, algo em torno de dez por cento do que se acha no Livro Máximo do cristianismo, a Bíblia.

Alexandre, o grande, destruiu o que pôde do Avesta. Mas o que restou do zoroastrismo foi reconstituído, e isso, em cinco partes: Yasna, a liturgia; Gathas, os hinos supostamente escritos pelo próprio profeta; Vispered, o ritual organizado, Yashta, os hinos dirigidos a anjos e divindades secundárias; Vendidad, o relato da criação; e Khorda Avesta, orações breves para o uso dos fiéis.


Pontos doutrinários básicos do zoroastrismo

A doutrina zoroastra encontra maior representação na figura de seus sacerdotes, os quais são conhecidos por magi, francos praticantes das artes mágicas quando o ritual se refere à comunhão com Deus. É daqui que deriva a nossa palavra portuguesa “mágica”.

De acordo com o zoroastrismo, existe apenas uma divindade a qual se possa aplicar o título de verdadeira e para a qual devemos declinar adoração. Seu nome é Ahura-Mazda, o “senhor sábio”. Porém, a tradição revela que posteriormente à implantação deste conceito, o supremo ser sofreria uma severa oposição de outra entidade espiritual poderosa, conhecida como Angra-Mainyu, ou Ahriman (espírito mau). Esta animosidade estaria presente entre estas duas criaturas espirituais desde o começo de toda existência.

São os dois espíritos primários, segundo a crença do zoroastrismo, os quais, numa visão sucedida com o fundador, revelaram-se como gêmeos, então classificados como “Melhor” e “Mau”, em pensamentos, palavras e ações, entre os quais, apenas os sábios sabem definir corretamente cada personalidade.

A união que se consagrou entre estes dois seres no princípio estabeleceu a Vida e a Não-vida, de onde se definiu a realidade de uma “pior existência”, popularmente chamada “inferno”, e que se reserva para aqueles que seguem a mentira. Do outro lado, o chamado “melhor pensamento” (paraíso), está preparado para os que seguem o que é correto.

Isto ocorre como reflexo do que houvera no princípio com os dois espíritos gêmeos, isto é, Angra-Mainyu, o espírito que seguiu a mentira, que preferiu fazer as piores coisas, e Ahura-Mazda, o mais “santo”, que escolhera a prática do que é correto. Estes dois poderes têm atuado juntamente desde o princípio de todas as coisas, sendo certo que esta aversão mútua persistirá até o fim do mundo.

Finalmente, é válido destacar que o zoroastrismo foi uma das primeiras profissões de fé a propagar a esperança de uma vitória definitiva do bem sobre o mal, além do dogma que define um juízo vindouro para aqueles que preferiram seguir o mau caminho, bem como a recompensa que se reserva para todos os que se tornaram partidários do bem.


Influências religiosas

Os mais conceituados estudiosos da matéria religiosa têm observado uma clara influência do zoroastrismo nas três principais religiões do mundo, ou seja, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Segundo eles, sua contribuição para o judaísmo é observada por duas vezes: em 538 a.C., oportunidade em que os persas, sob o comando de Ciro, conquistaram a Babilônia e libertaram os judeus que se achavam em exílio naquela região; e em 330 a.C., quando o império persa foi destruído por Alexandre, o Grande. Nestas épocas, o povo judeu se achava sob o governo dos zoroastristas.

Segundo os estudiosos, parece ter sido desta classe religiosa, que os judeus teriam aprendido a crer num Ahriman, isto é, num “diabo” pessoal, personalidade que, no hebraico, receberia o nome de Satanás. Atribuem que também vem da cultura zoroástrica a crença num céu e num inferno, e num dia de julgamento no qual cada indivíduo será avaliado segundo suas obras.

Ensinam estes eruditos, ainda, que de todas as novas religiões extrabíblicas, o zoroastrismo é a única que teve suas doutrinas emprestadas para serem inclusas na Bíblia. É reconhecido por todos que o Antigo Testamento em todo o seu contexto épico e incluindo o livro do profeta Isaías e o exílio, tem como fonte originária de todas o Deus Yahweh.

Após o exílio, entretanto, constatou-se uma sutil mudança. Realizada uma comparação entre dois relatos paralelos de uma mesma experiência do rei Davi, esta mostra que um documento pós-exílico substitui “Iavé” (1Cr 21.1) por “Satanás”, no relato pré-exílico (2Sm 24.1). Destarte, “Satanás” acaba por não se constituir numa figura originária da Bíblia, antes, fora ali esculpido a partir do conhecimento extraído do zoroastrismo.

É possível, partindo deste fato, comentam os eruditos, que outras inovações tenham sido extraídas da doutrina zoroástrica pelos hebreus após o contato direto que eles tiveram com esta religião durante o exílio babilônico.

Neste mesmo exemplo pode-se aproveitar a idéia de uma constituída doutrina na área da angelologia e da demonologia; de um grande Salvador ou Libertador que viria; de uma ressurreição e julgamento finais, além de uma existência no pós-morte bem definida. Alegam ainda que se pode ter por certo que a palavra “paraíso” proclamada por Jesus em Lucas 23.43, ao menos em sua etimologia, deriva-se de uma forma persa, o avestan “pairidaeza”.


O zoroastrismo hoje

Observa-se nos anais das principais religiões do mundo, o arrolamento de seguidores que sempre excede os milhões. Baseados nesta perspectiva astronômica temos que a presença do zoroastrismo no mundo, se apreciada a partir de sua representatividade, é ínfima. O número de seguidores dos ensinos de Zoroastro, na Índia e Paquistão, estaciona na marca dos cem mil.

Dado o fato de não admitirem mais convertidos entre suas fileiras, a automaticidade da extinção do grupo já mostra seus sérios efeitos. O Irã também acomoda alguns milhares de deptos de Zoroastro, havendo comunidades ainda menores na América do Norte, na Grã-Bretanha, na África Oriental e em Hong Kong.

A diminuta sociedade zoroástrica, entretanto, apresenta riqueza de idéias, quando comparada às demais religiões bem estabelecidas entre os homens, o que fica evidenciado na influência que ainda exercem nos povos entre os quais se abrigam.


Parses, os cultuadores do fogo

Os parses eram seguidores do zoroastrismo que migraram para o Oriente, a fim de escapar da destruição sob Alexandre, o grande. O parsimo é um sinônimo de zoroastrismo que foi incialmente assim denominado pelo fato de sua fundação encontrar raízes em Pars, ou Pérsia. Atualmente, existe uma forma de parsismo na Índia, mais especificamente na antiga Bombain, atual Mombai. Este grupo procura dar continuação à fé de Zoroastro, e o uso do Avesta e tem como característica principal a adoração ao fogo e ao sol que são tidos como símbolos do espírito puro e do domínio universal e supremo. Por esta razão os parses são considerados os cultuadores do fogo.


Amesha-stentas, a dualidade zoroastra

Os propagadores da crença zoroastrista, no decorrer do desenvolvimento da doutrina, promulgaram sete atributos opostos para cada uma de suas divindades (Ahura-Mazda e Angra-Mainyu), relação que recebeu o título de Amesha-stentas. Esta relação se resume em correspondentes contrários, que são:


Ahura-Mazda / Angra-Mainyu

Deus da luz / Deus das trevas

Direito e justo / Falso

Boa mente / Mente ruim

Poder / Covardia

Amor / Pretensão falsa

Saúde / Miséria

Imortalidade / Aniquilamento


Jainismo


A religião dos jainas, os vitoriosos


Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé (1Jo 5.4)


O jainismo demonstra uma séria preocupação pela alma humana e sua relação com as leis que governam a existência no universo, com os outros seres viventes e com seu próprio estado futuro na eternidade. Primeiramente, e antes de tudo, os jainistas pregam seguir uma religião sensível, a regra de ouro é o Ahimsa, ou seja, o princípio da não-violência em todos os aspectos da pessoa: mental, verbal e físico. Os jainistas possuem uma grande compaixão por todas as formas de vida.

Foi fundado entre 599 e 537 a.C., pelo nobre indiano Nataputa Verdamana, que posteriormente recebeu o título honorífico de Verdamana Mahavira, ou “o Grande Herói”. O jainismo encontra a origem de sua nomenclatura no sânscrito, derivando do termo “jaina”, o qual se traduz por “vitorioso”.

Essa filosofia é considerada um dos principais sistemas heterodoxos dentre os que podem ser observados nas dissidências hinduístas, tendo sido a primeira a emergir de diferenças surgidas dentro do hinduísmo, fato que ocorreu por volta do século VI a.C. As diversidades que acabaram promovendo o cisma e o conseqüente surgimento desta ramificação, versavam sobre os conceitos até então usuais e que se referiam às divindades, revelando uma tendência que apontava para a rejeição da crença em Deus.

Mahavira foi o maior difusor dos conceitos doutrinários desta religião. Segundo a tradição, após a morte de seus pais, tornou-se um fervoroso perseguidor da iluminação espiritual, objetivo que teria alcançado após doze anos de vida ascética, abstendo-se das vestes corporais e vagueando nu por toda a Índia, deixando o cuidado corporal e permanecendo mudo durante todo este período, quando já contava quarenta e três anos de vida.


O cânon jainista

A relação dos livros sagrados do jainismo, originariamente, são compostos no idioma ardhamagadhi, e cuja transmissão oral se assemelha à forma como se observa no hinduísmo. Essa coleção de escritos foi vitimada por extravio aparente desde o século III d.C., afirmando seus adeptos que esta mesma tradição oral teria sido reescrita por volta do ano 454 d.C. Uma peculiaridade dessa dissidência hindu, talvez a maior, é a rejeição dos Vedas, incluindo seu panteão de divindades e suas muitas cerimônias, além de reputar como supérfluo o sacerdócio brâmane.

Também consta desta época (III d.C.) o surgimento de um cisma na religião, formando duas correntes de pensamento acerca de até que ponto deveria evoluir o caráter. Uma das correntes entendia ser o correto a abstenção até mesmo das vestes, aos quais atribuiu-se o título de digambaras, termo que se traduz por “vestidos de céu” ou “nus”; os contradizentes contraíram um nome oposto, os shvetambaras (vestidos de branco), por causa de sua indumentária originariamente branca. Cada uma delas desenvolveu sua própria literatura, mas sempre, tanto numa como noutra cultura jainista, explorando as questões do carma, preservando-se ambas dentro dos territórios da Índia e resistindo ao tempo, mantendo seus costumes, crenças e práticas.

Após a morte de Mahavira, esta religião passou a ser liderada por um povo chamado ganadharas (líderes da assembléia), os quais continuaram a propagar suas crenças pelos territórios da Índia, entretanto, por dispensarem a modernidade dos transportes motorizados, viajando sempre a pé, esta lenta e difícil divulgação impediu uma maior expansão de suas crenças.

Acha-se ainda, dentro das sagradas escrituras jainistas, como portadoras de seus princípios, as doze angas, que possuem posição suprema, mas é no segundo volume desta coleção, que encontramos as bases para a compreensão da natureza deste grupo religioso. Ele fala sobre o reconhecimento daquilo que escraviza a alma, para que, uma vez reconhecido, seja removido. Todas as coisas são eternas por sua própria natureza. Estes escritos também ensinam que o ignorante, independente de sua opinião, é prisioneiro tal qual pássaro na gaiola. Aponta para três formas de pecado: aquele que se comete pelos atos; aquele que é autorizado e aquele que é aprovado, esclarecendo, em contrapartida, que o sábio se afasta na mesma intensidade do amor e do ódio.

Por odiarem a dor, logo, todos os seres vivos devem ser poupados da morte provocada, o que, na literatura jainista, se coloca como princípio de toda a sabedoria, além do abandono do orgulho, da ira, do engano e da cobiça, sabendo que os homens, na verdade, sofrem, cada qual, pelas conseqüências das práticas pecaminosas praticadas por eles mesmos.

Também deve fazer parte da consciência do sábio a verdade acerca de que todos os seres vivos sofrem, posto que é este pensamento que impede o homem de mergulhar na presunção, uma espécie de chaga do caráter defeituoso.

As boas ações, segundo rezam os angas, não devem ser utilizadas para auto-promoção, mas sim, empregá-las para atender às necessidades de todas as coisas vivas, colaborando em tudo aquilo em que gostaria de receber colaboração.


Pontos doutrinários básicos do jainismo

O jainismo comunga do conceito budista que vislumbra a possibilidade de salvação com base apenas nas virtudes do indivíduo, dispensando a intervenção de quaisquer divindades para este fim. A esperança de salvação dentro do entendimento jainista está presa a três normas principais: o conhecimento; a fé e uma conduta correta.

O empenho de cada indivíduo neste aspecto acaba por determinar um ascetismo intenso, por meio do qual se alcança a plena libertação do espírito humano. O renascimento e o carma são as doutrinas básicas mais importantes do código sacro jainista. Esboçando similaridade às profissões de fé que aplicam os ensinos reencarnacionistas, também aqui se reconhece que é na salvação que opera a libertação definitiva dos ciclos de renascimento, a cuja situação seus adeptos atribuem o nome de “conhecimento perfeito” e, para os quais, todavia, o conhecimento temporal, está associado ao princípio de syadvada. Este termo se traduz por “talvez”, significando que todo o conhecimento humano se limita à probabilidade e à parcialidade, não podendo exaurir o todo de qualquer disciplina social, científica ou religiosa.

As questões atinentes ao conhecimento ainda são mais abrangentes, dividindo-se esta parte da liturgia jainista em classes, que são: “o conhecimento ordinário”, identificado por meio da memória, do reconhecimento e da indução; “o conhecimento por meio de sinais e símbolos”, que abrange a associação de idéias, a compreensão e algumas questões relacionadas ao verdadeiro sentido das coisas; “o conhecimento à distância”, mescla de clarividência e meios psíquicos; “o conhecimento dos pensamentos alheios¬”, uma espécie de telepatia; e o “conhecimento perfeito”, nível de conhecimento que só pode chegar àquele que usufrui salvação; estágio no qual se anula o conhecimento temporal limitado pela parcialidade que proporciona, além do vínculo indissolúvel com o “talvez”.

Acreditam na eternidade universal, entendendo que o universo se move por meio de ciclos contínuos de ascensão e queda, movimento do qual acreditam advir o estado ideal. O universo não conta, segundo eles, com qualquer Deus supremo, que o tenha criado que promova sua subsistência, possuindo, porém, divindades secundárias, sendo certo aos seus seguidores que todas as ocorrências terrenas seguem uma ordem previsível, por serem originárias de meras forças mecânicas do cosmos. Assim, o jainismo como forma filosófica religiosa não possui vínculo específico de servidão com qualquer Deus formal, muito embora considerem que aqueles que alcançaram a definitiva libertação espiritual pelo conhecimento perfeito adquiram status de divindade, porém, mesmo assim, numa compreensão um tanto quanto distinta daquela observada no cristianismo, por exemplo.

Não podemos omitir, entretanto, que embora Mahavira tivesse abominado o reconhecimento de deuses por parte de seus seguidores, ele mesmo passou a se tornar uma divindade após sua morte, tornando-se um ídolo de adoração para os jainistas. É nesta oportunidade que recebe o título de vigésimo quarto Tirthankara; o último e maior dos seres salvadores, passando a ser considerado como alguém que tivesse descido do céu sem pecados e portador da plenitude do conhecimento.


Os estados de transmigração das almas

Independentemente do espaço ou posição que a matéria viva ocupa no globo, é classificada por alma e, cada uma delas, num incondicional estado de transmigração. Essas essências são divididas em cinco classes.

A primeira classe seria a dos Nígodas, seres que não possuem qualquer percepção que provenha dos sentidos, o que os relevaria a classes inferiores, até mesmo, à classe dos minerais e das pedras, provavelmente numa alusão aos elementos do átomo, nos quais não se observa, efetivamente, qualquer qualidade que seja inerente ao ser.

A segunda classe é constituída pelos “seres com um único sentido”. Para esta classe o tato seria o único ponto de contato com o todo. É aqui que se encaixariam a água, as pedras, o fogo e demais minerais, além das raízes vegetais consumíveis.

A terceira classe seria a dos “seres com dois sentidos”. Nesta classe se encontram o tato e o paladar, além da possibilidade de desenvolverem alguma forma de comunicação. São os vermes.

A quarta classe seriam os “seres com três sentidos”. Dotadas de tato, olfato e paladar, este grupo de seres abrange os insetos, os escorpiões e os mosquitos.

Finalmente, a quinta classe seria a dos “seres com cinco sentidos”, não importando o lugar ou “estado” no qual se encontre o indivíduo desta classe, celestial ou infernal; os animais superiores, o homem e os habitantes de outros mundos. A mente seria um sentido adicional que alguns destes seres possuiriam.


O destino da alma

Para o jainismo, a alma, uma vez liberta do ciclo constante de renascimentos, atinge a verdadeira imortalidade, sendo neste ponto que o indivíduo adquire atributos e posição de divindade, como o da onisciência, por exemplo. Este estágio é atingido por bem poucos indivíduos, segundo se constata em sua doutrina, mas, os poucos a alcançá-la, passam a receber a veneração dos vivos, têm templos construídos em sua homenagem, tornando-se exemplos para as futuras gerações de jainistas. O jainismo contabiliza hoje cerca de três milhões e quinhentos mil seguidores.


O jaina e o código de conduta jainista

De forma resumida, o código de conduta jainista fundamenta-se em cinco votos e suas conclusões lógicas: Ahimsa (princípio da não-volência), Satya (veracidade), Asteya (não roubar), Aparigraha (desapego aos bens materiais), e Brahmacharya (castidade).

A estes votos, posteriormente, Mahavira acrescentou o celibato, além de requerer dos aspirantes ao monastério uma vida de intensos exercícios espirituais de mortificação, devoção e meditação religiosa.

Baseado nesta vida de resignação, o termo “jaina” parece retratar o significado paralelo ao da palavra “santo”, empregada entre os que seguem o cristianismo, uma vez que sua definição está diretamente relacionada à “vitória” sobre as mazelas e vicissitudes cotidianas.


O vegetarianismo jainista

O vegetarianismo é um modo de vida para os jainistas, tendo sua origem no conceito de compaixão pelos seres vivos. A observância do vegetarianismo é vista como uma prática da não-violência e da coexistência pacífica e cooperativa entre os seres viventes. Os jainistas são vegetarianos rigorosos e consomem estritamente seres do reino vegetal. Apesar de a doutrina jainista implicar dano às plantas, isto é visto como forma digna de sobrevivência, que causa o mínimo de violência entre os seres vivos. Mesmo assim, muitas formas vegetais, incluindo raízes e certas frutas também estão excluídas da dieta jainista devido ao grande número de seres vivos dependentes delas.


Sikhismo


A religião dos gurus, os guias


Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte (Sl 48.14)


O sikhismo foi fundado há mais de 500 anos e é um modo de vida e filosofia bem à frente de seu tempo. É uma religião desconhecida no ocidente e seus adeptos encontram-se, na sua maioria, na região indiana de Punjabe. O sikhismo exige uma intensa vida devocional para com seu deus, declara defender uma vida reta e que preserve e respeite a igualdade do gênero humano e a justiça social. Por isso, o sikhismo é considerado uma religião de reforma, pois protesta contra alguns conceitos do hinduísmo e do islamismo e destas duas grandes religiões ele extrai seu corpo doutrinário, tarefa conferida ao seu fundador, o principal dos gurus, Nanaque.


Quem é o que é um sikh?

A palavra é oriunda do língua punjabe e significa “discípulo”. Os sikhs se denominam discípulos de Deus e seguidores dos escritos e ensinamentos de um grupo seleto de dez gurus sikhs. A obra sagrada que encerra a “sabedoria” destes ensinos é o guru Granth Sahib. Esta escritura é também designada por meio da palavra guru porque os sikhs a relacionam (a palavra) não somente a homens, mas também a Deus e às escrituras. O teor de seus ensinamentos é prático e universal, isto é, pode e deve ser seguido por todo o gênero humano, pelo menos, esta é a aspiração sikh. A importância desta obra é tão grande que em 1708, a primazia de lealdade dos sikhs foi transferida da autoridade pessoal dos gurus para o Granth Sahib, livro sagrado do sikhismo compilado por um dos seguidores de Angade (substituto de Nanaque), chamado Arjan – o quinto guru.


O cânon sikhista

O fato de os sikhs unificarem as idéias do islamismo e hinduísmo não significa que tenham empregado a literatura religiosa de qualquer dessas crenças. Os sikhistas preferiram compor seus próprios escritos sacros, que são baseados em interpretações particulares derivadas de idéias difundidas nestas religiões, o que acaba resultando numa miscelânea teológica.

Como já vimos, os escritos sagrados do sikhismo são conhecidos como Granth Sahib, ou o “livro do Senhor”. Esta literatura foi desenvolvida por inúmeros autores e, curiosamente, alguns deles viveram num período que antecede a existência do próprio Nanaque, e cuja relação com o sikhismo não excedeu o superficial.

O livro é composto por uma coletânea de poemas de várias dimensões, perfazendo um total aproximado de 29.500 versos, todos em rima, com um teor que enfoca a atenção sobre a exaltação do nome divino, além de advertências pertinentes à conduta diária de seus seguidores.

Uma característica destes versos que merece atenção é a exploração da filologia em seis idiomas diferentes e diversos dialetos, tornando-a praticamente impossível de ser estudada pelos próprios sikhs com profundidade. Isso acaba por excluir qualquer possibilidade de aprofundamento por parte dos adeptos iletrados. Isso culminou por determinar a existência de um seletíssimo grupo entre os sikhs que estivesse habilitado a interpretar o Granth Sahib em sua integralidade, o que obviamente impediu a instituição de escolas especializadas na interpretação e estudos referentes a esta sagrada literatura.

Ao contrário do que se poderia imaginar, isso tudo não promoveu a rejeição ou desdém de seus seguidores para com a sua literatura maior, pelo contrário, eles observam uma exigente reverência à obra, quase que a ponto da idolatria.


Pontos básicos da doutrina sikh

A teologia sikhista detém uma crença quanto à divindade que se assemelha ao islamismo. A primeira declaração de Nanaque a este respeito consta no Granth Sahib e diz o seguinte: “Há somente um Deus, cujo nome e verdadeiro criador, isento de temor e inimizade, imortal, não-nascido, auto-existente, grande e generoso. O verdadeiro que estava no começo”.

A terminologia normalmente empregada pelos sikhs para referirem-se a deidade é Sat Nam, significando “nome verdadeiro”. Mas apesar disso, é possível também observar uma variedade de nomes que são atribuídos a Deus, todos distintos, o que está conforme a crença sikh de que Deus se apresenta em diversas manifestações. Sobre isso, assim ensina o Granth Sahib: “Tu, ó Senhor, és um, mas muitas são as suas manifestações”. No entanto, apesar de o deus sikh ser basicamente uma unidade, não é considerado um ser pessoal, antes, filosoficamente, é assemelhado à verdade e à realidade.

Outra disciplina que podemos destacar no sikhismo é a sua soteriologia. Ensinam que a salvação consiste em conhecer Deus, em obter Deus e em sermos absorvidos por Ele. Este método parece estar de acordo com a supremacia de um Deus incompreensível, além das doutrinas relacionadas à indignidade da humanidade e do desamparo humano. Portanto, a salvação se daria por meio de uma assimilação introspectiva de Deus que alcance o espírito; do “eu” de cada indivíduo em relação à alma do mundo místico. Este conceito atinge uma forte semelhança à idéia que refere salvação que é propagada entre os upanishads, seguidores do hinduísmo.


O que muda no sikhismo?

Em relação ao hinduísmo, teoricamente, há certa concordância quanto à crença em uma Unidade Suprema mística, e uma certa aplicação teísta que se observa no panteísmo, na forma como ocorre com os upanishads e no Bhagavad Gita.

Assim como se dá com os hinduístas, os sikhistas crêem na mesma forma de salvação pela fé em seu deus, na doutrina do carma e na transmigração da alma. Discorda, porém, do politeísmo hindu, das peregrinações ditadas pela norma, da ritualística e do modo de vida asceta, embora aplique a adoração ao que é puro.

Rejeita também os escritos hindus e a degradação a qual as comunidades hindus infligem suas mulheres, por acreditar que elas mereçam consideração mais elevada. Preferem um aumento na taxa de natalidade ao infanticídio, que é prática hindu comum, desobrigando ainda, a suposta necessidade de um vegetarianismo total, proporcionando a todos uma dieta que inclui carnes.

Em relação ao islamismo houve a extração da crença da Unidade do Supremo Ser, bem como a soberania deste Ser Absoluto e sua divindade incompreensível. É comum também a esperança que se baseia na sujeição a Deus e a adoração que se efetua na repetição do nome da divindade. Concorda com a constante repetição das orações prescritas e com a devoção que dirige ao fundador, como sendo legítimo emissário divino.

Assim como os muçulmanos, os sikhs são reverentes aos escritos sagrados, entendendo ser correta a linhagem de sucessores que se forma após a morte de seu fundador (Nanaque para os sikhs e Maomé para os muçulmanos), além de adotar uma estrutura de governo que esteja intimamente ligada à religião.

A unidade entre os seguidores e a definição de um santuário principal muito reverenciado por todos (Amritsar para os sikhs e Meca para os islâmicos), são pontos concordes em ambas, assim como a abominação à idolatria.

Em divergência aos muçulmanos, os sikhs destacam a natureza colérica de Maomé enquanto Nanaque era um líder gentil. Desta mesma forma, a divindade sikh não é rude e severa como aquela do Islã.


Algumas importantes celebrações sikhs

No início da vida: A nomeação de uma criança

Tão logo a mãe e o recém-nascido estejam em condições de viajar, a família deve visitar o Gurdwara. Neste templo, eles recitam hinos de júbilo constantes no Granth Sahib a fim de celebrar o nascimento da criança. Uma espécie de pudim sagrado (karah prashad) deve ser preparado pela família, assim como uma porção de água doce (amrit) igualmente deve ser administrada à mão e ao filho. O guru designado para a cerimônia abre o Granth Sahib aleatoriamente e recita o hino constante naquela página. O nome da criança deve começar pela primeira letra da primeira palavra do hino escolhido à congregação.


No transcurso da vida: O casamento

O enlace proporcionado pelo casamento no siquismo é contraído não somente pelos noivos, mas também por suas respectivas famílias. Costumeiramente, a mulher se apresenta ao noivo em vestido vermelho. A cerimônia é conduzida por um oficial. Em atitude de reverência os noivos assentam-se em frente ao Granth Sahib e ouvem o sermão ministrado pelo oficiante. Versos das escrituras são recitados e os noivos dão uma volta em torno do do livro sagrado a cada verso. Os sikhs dispensam a assinatura de quaisquer espécies de contratos.


No fim da vida: A cerimônia funerária

No sikhismo a morte é encarada com bastante naturalidade. Qualquer exibição pública de aflição diante do funeral como lamentar ou chorar é algo reprovável. A cremação é o método mais comum à disposição, embora outros métodos como o enterro ou a submersão em mar sejam aceitáveis. Antes da cremação os sikhs recitam hinos que induzem à reflexão e ao sentimento de separação entre o morto e a congregação. As cinzas devem ser depositadas no rio mais próximo. Uma leitura contínua e completa do Granth Sahib é empreendida até o décimo dia a partir da data de morte do sikh. A conclusão deste ritual encerra o período de luto.


Os dez gurus do sikhismo

Conhecer um pouco da importância que é atribuída aos gurus no sikhismo é essencial para melhor compreensão desta religião. A palavra “guru” significa “o pesado”, uma referência àquele que deve carregar o peso da sabedoria e do conhecimento. O conceito de “guru” é fundamental para a fé sikh e direciona-se não somente aos “mestres iluminados”, mas também a Deus, às escrituras e até à comunidade.

A autoridade sikhista Rahit Maryada define o sikh como alguém que acredita nos dez gurus e seus ensinamentos e na iniciação (amrit) instituída pelo décimo guru. Eles são os mestres da comunidade religiosa sikh, são eles: Nanak (1469-1539), é o principal dos gurus; Angad (1504-1552), sucessor de Nanak e compositor do gurmukhi , além de 62 canções sagradas constantes no guru Granth Sahib; Amar Das (1479-1574), responsável por criar rituais sikhs para nascimento e morte diferentes dos hindus; Ram Das (1534-1581), fundador de Amritsar, a cidade mais sagrada dos sikhs, situada no estado de Punjab (Índia); Arjan (1563-1606), responsável por erguer o templo dourado tendo como objetivo principal abrigar o livro sagrado – Granth Sahib; Hargobind (1592-1644), acrescentou ao conceito de guru o papel de líder militar, desencadeando sérios conflitos entre os sikhs e o imperador mongol, Shah Jahan; Har Rai (1630-1661), passou para a história por ter alterado um trecho das escrituras sikhs que denegria o imperador mongol; Har Krishan (1656-1664), profetizou acerca de seu sucessor, dizendo que este viria de um vilarejo chamado Bakala; Tegh Bahadur (1621-1675), foi martirizado por se opor ferrenhamente aos muçulmanos; e, por fim, Gobind Singh (1666-1708), décimo guru e ocupa um lugar privilegiado na hierarquia sikh, ficando abaixo apenas de Nanak.


O que representam as cores dos turbantes utilizados pelos sikhs?

São três as cores a que se atribui alguma representação no sikhismo. O emprego de turbantes de outras cores não mencionadas a seguir não reveste-se de quaisquer significados relevantes. Vejamos: O turbante preto é empregado com o fim de rememorar impetrada pelos ingleses contra os sikhs em 1919. O turbante branco reclama o significado de santidade e exemplo de vida a ser seguido. E, por fim, o turbante azul sugere uma analogia entre a amplidão do céu com a mente.


O fundador

Nanaque nasceu em Talwandi, aldeia situada no Sudoeste da capital, Punjabe, em 1469 d.C. Depois de passar um tempo orando e meditando na floresta, retornou como um profeta visionário. Segundo sua visão, Deus teria lhe dito: “Vai e repete meu nome, ensinando a todos a que procedam da mesma forma, praticando a repetição do meu nome, a caridade, as abluções, a adoração e a meditação [...] meu nome é Deus, o Brahma primeiro, e tu, o guru divino”. Decorridos três dias desse fato, Nanaque ressurgiu na floresta e bradou sobre a inexistência de hindus ou islâmicos. Mais tarde, um de seus discípulos chegou a ensinar a igualdade de Nanaque com Deus.

Assim como o evangelho de Lucas relata o fato de Jesus ensinar aos doutores no templo quando contava com apenas 12 anos de idade, há um relato folclórico (não fato) de que Nanaque em seu estágio juvenil teria dirigido exortações a mestres hindus. Em verdade Nanaque preferia prender-se às práticas religiosas como a meditação e os rituais, do que ao trabalho temporal. Acreditava que ao ter alcançado trinta e três anos de idade, recebera o divino chamamento.

Nanaque faleceu com aproximados setenta anos de idade, mas não sem antes tomar o cuidado de nomear um sucessor, para que continuasse a difundir suas idéias. Esta tarefa ficou a cargo de Angade, um digno e fiel discípulo, que manteve a rejeição e o combate ao hinduísmo e ao islamismo.


Nota:

1 A palavra gurmukhi significa literalmente “aquele que é orientado para tornar-se guru”.


Confucionismo


A religião ética de Confúcio, o mestre chinês


Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas (Mt 7.12)


O confucionismo é o principal sistema de pensamento chinês, tendo sido a doutrina oficial na China durante quase dois mil anos, do século II até o início do século XX. Esta religião se desenvolveu a partir dos ensinamentos de Confúcio (551-479 a.C.; grafia latina do nome Koung Fou Tseu, ou mestre Kung), que fundou esta norma religiosa por volta do século V a.C.

O confucionismo tem influenciado as atitudes dos chineses em relação à existência, fixando os modelos de vida, valores sociais e proporcionando a base das teorias políticas e instituições chinesas, sendo, portanto, uma religião com apelos essencialmente morais e sociais. Da China, o confucionismo se estendeu à Coréia do Sul, Japão, Vietnam, Cingapura e, nas últimas décadas, tem despertado o interesse de muitos eruditos do Ocidente.

O princípio básico do confucionismo é conhecido pelos chineses como junchaio (ensinamentos dos sábios) e define a busca de um caminho superior (tao) como forma de viver bem e em equilíbrio entre as vontades da terra e as do céu.


O cânon confucionista

Durante um período em que atuou como docente, Confúcio reuniu numa coleção escritos antigos, os quais editou, adicionando-lhes comentários. Distribuiu esses manuscritos em quatro livros, incluindo a estes um quinto volume, escrito de próprio punho.

Esta coleção alcançou renome entre os confucionistas sob o título “Os cinco clássicos”. São eles: “o livro das mudanças – I Ching”, utilizado como instrumento de arte divinatória; “o livro dos anais – Shu K´ing”, que versa sobre os exemplos deixados pelos ancestrais, tidos como cruciais para a compreensão da mente de Confúcio; “o livro da poesia – Shih Ching”, cujo conteúdo, poesias, segundo Confúcio, era capaz de colaborar com a construção de um caráter que formava homens virtuosos; “o livro das cerimônias – Li Chi”, destinado ao homem superior, para ensiná-lo a agir de forma correta e com respeito às tradições, e os “os anais da primavera e do outono – Ch´um Ch´iu”, que comenta os eventos ocorridos na província de Lu, contemporaneamente ao “mestre” Confúcio.


Pontos básicos da doutrina confucionista

No confucionismo não existe um deus criador do mundo, nem uma igreja organizada ou sacerdotes. O alicerce místico de sua doutrina é a busca do Tao, conceito herdado de pensadores religiosos anteriores a Confúcio. A base da felicidade dos seres humanos é a família e uma sociedade harmônica. A família e a sociedade devem ser regidas pelos mesmos princípios: os governantes precisam ter amor e autoridade como os pais; os súditos devem cultivar a reverência, a humildade e a obediência de filhos.

Confúcio pregava que o ser humano deveria cultuar seus antepassados já extintos, numa representação que se exigia do prolongamento do respeito que se tinha pelos pais ainda vivos. O homem, de acordo com esta doutrina, é composto por quatro dimensões: o eu, a comunidade, a natureza e o céu - fonte da auto-realização definitiva.

Pregava também o que considerava “as cinco virtudes essenciais do ser humano”, as quais relacionou em amar o próximo, ser justo, comportar-se adequadamente, conscientizar-se da vontade do céu e cultivar a sabedoria e a sinceridade desinteressadas.

É possível traçar um sumário referente às doutrinas do confucionismo, que esteja preso aos seus termos-chave ou caminhos. Uma abordagem superficial sobre estes princípios é capaz de revelar a estrutura doutrinária básica da crença confucionista.

O primeiro deles é o Jen. Trata dos conceitos que abrangem a humanidade, a bondade e a complacência do homem para com o homem. Jen, neste aspecto, se constitui na regra maior; a norma que reflete a reciprocidade, ou seja, que exorta a não atingirmos alguém da forma como não gostaríamos de ser atingidos. Esta seria a virtude maior segundo o confucionismo, que compreende o exercício desta regra como antídoto para a guerra e a intolerância mundiais.

Outro princípio confucionista importante é o Chun-tzu. Este termo pode ser traduzido por “homem gentil” ou “homem em seu melhor aspecto”. Os ensinamentos de Confúcio tinham por alvo o homem de virtudes, ao qual o mestre se referia em termos de que, aquele que pudesse por em prática as “cinco normas”, seria digno de ser chamado “homem em seu melhor aspecto”. Estas cinco normas são a humildade, magnanimidade, sinceridade, diligência e cortesia.

A humildade livra do escárnio; a magnanimidade atrai os semelhantes, a sinceridade desenvolve confiança entre os que o rodeiam e a cortesia o favorece diante de seus subalternos. O homem que baseia sua conduta nesses preceitos é aquele que pode mudar a sociedade.

Há ainda o Cheng-ming. É necessário segundo Confúcio, para que haja uma sociedade que habite na ordem, que cada integrante desse grupo desempenhe o papel que lhe cabe, para que, em conseqüência, um rei haja como um rei e um cavaleiro haja como cavaleiro.

A este respeito se estabeleceu uma discussão entre Confúcio e o duque Ching de Sh´i, que indagou-lhe sobre a questão do governo, obtendo como resposta: “Que o governante governe, que o cidadão ocupe seu espaço, que o filho seja filho e o pai seja pai”. (Confúcio, 12.11; Os analectos). É do repertório temático de Confúcio, ainda a seguinte declaração: “Disse Tzu-lu: Se o senhor Wei deixasse a você a administração de seu estado, o que reputarei como maior em importância? Resposta do mestre: “Se algo tiver de ser posto em primeiro lugar, seria a retificação dos nomes”. (Confúcio, 13.13; Os analectos).

O Te, termo que se traduz, literalmente, por “poder”, mas seu conceito dentro confucionismo é bem mais amplo. Trata, por exemplo, do poder para governar. Esta expressão traduz muito mais do que mero poder físico e, talvez por isso, haja a necessidade de que os detentores deste poder sejam homens virtuosos (Chun-Tzu), com potencial para induzir seus súditos à obediência, por meio de um modelo irrepreensível de virtudes. Enquanto Confúcio atuava entre os homens, esse entendimento extraviou-se, posto que em sua época a força física era tida como a única forma eficaz de se ordenar a sociedade.

O Li, um dos vocábulos chave de Confúcio. Seu significado vai além de uma mera tradução específica e, cada uma de suas interpretações deve estar atrelada aos contextos de sua aplicação. Ele pode significar propriedade, reverência, cortesia, ritual ou padrão ideal de conduta.

No livro de cerimônias do confucionismo, o Li-Chi, discute-se o conceito sobre este vocábulo nos termos do diálogo entre Ai, o duque, e Confúcio: “Qual é o grande Li? [...] Por que você fala sobre o Li como se fosse algo importante?” Resposta: “Seu humilde servo não é capaz e nem digno de compreender o Li”.

A partir daí prosseguiu Confúcio discorrendo sobre todo o seu aprendizado, esclarecendo que, aos seus olhos, de todas as coisas pelas quais as pessoas vivem, o Li é a maior. Sem ela não saberíamos como adorar devidamente os espíritos do universo, ou como especificar com exatidão qual seja a função que cabe ao monarca e seus ministros, ou como definir diferentes graus de relação em famílias, por isso que um Chun-Tzu (“homem gentil”) dá tanto valor ao Li.

E, finalmente, o Wen, conceito que está ligado às artes pacíficas, aquelas às quais Confúcio dava tanto valor. Neste ramo se inclui a música, a poesia e demais modalidades artísticas típicas da cultura chinesa.

Confúcio condenava a cultura contemporânea, por acreditar que ela não trazia qualquer virtude inerente aos seus ensinamentos. Quanto a isso, declarava: “Por certo, quando alguém diz: os ritos, os ritos, não devem estar destacados apenas em presentes de jade ou de seda, da mesma forma que quando alguém diz: a música, a música, não pode estar presa ao pensamento de sinos e tambores...”.

Dada esta verdade confucionista, presumia-se que aqueles que desprezassem as artes pacíficas estariam desprezando os caminhos virtuosos do homem e o próprio céu.


Ensinamentos de Confúcio

Nenhum dos escritos que compõem a relação a seguir contém os ensinamentos tipicamente confucianos, por isso optamos por não elencá-los no cânon da religião, entretanto, constituem uma antologia com base na qual Confúcio transmitiu seus preceitos na forma em que chegaram até nós.

“Os analectos”, que formam a fonte mais importante desta crença, está composto de declarações tanto de Confúcio quanto de seus discípulos. “A grande erudição”, que trata da educação e do treinamento que se aplica àquele cujo plano de vida almeja o título de “homem gentil”. Esta obra, porém, não é atribuída ao fundador do confucionismo, o que se prova pelo fato de advir de um período posterior a sua existência (250 a.C.). “A doutrina da moderação”, que se refere ao relacionamento existente entre a natureza humana e a ordem natural do universo, cuja escrituração não possui origem autoral específica. E o “O livro de Mêncio”, que era um aplicado discípulo e propagador dos ensinamentos de Confúcio, e teria redigido este volume por volta do ano 300 a.C., colecionando ensinos da época confuciana e tentando acomodá-los de forma ordenada em sua publicação. Esse trabalho expõe uma visão idealista da vida, procurando ressaltar a bondade que, segundo Mêncio, é imprescindível à natureza humana.


O fundador

Os seus ensinamentos ainda estão em evidencia, milhões de pessoas os seguem fielmente, como norma e filosofia de vida. Na China, principalmente, é venerado acima de todos os seres da terra; em todas as cidades, por menores que sejam, há templos onde se lhe rende culto, geralmente em templos suntuosos, em paredes pintadas com a cor vermelha.

Filósofo, teórico social e fundador de um sistema ético (mais que religioso), Koung Fou Tseu (Confúcio) viveu na China feudal entre 551 e 479 a.C. Teria sido contemporâneo de Buda, muito embora a história não registre um encontro pessoal entre esses dois personagens, que existiram num período imediatamente anterior aos filósofos gregos Sócrates e Platão.

Suas origens foram muito humildes, porém, desde jovem demonstrou grande inclinação por livros antigos e, com o tempo, desempenhou alta posição como coletor de impostos do estado de Lu, atual província de Shang-Tsung, na China. Ainda neste período casou-se, mas foi um relacionamento de curta duração, culminando com divórcio. Esta rápida relação gerou um casal de filhos a Confúcio. Após meio século de vida foi promovido ao cargo de oficial no governo de Lu.

Os chineses reconheceram em Confúcio a amplitude e profundidade de sua sabedoria, o que o levou a ser conhecido como Kung, o sábio. Entretanto, todas essas honrarias não o impediu de se envolver em uma intriga política cuja conseqüência o obrigou a peregrinar treze anos de uma corte a outra, com o objetivo de persuadir os monarcas a adotarem suas idéias sobre a justiça e a convivência em harmonia. Decepcionado com os resultados, Confúcio acabou refugiando-se no ensino de seus ideais atraindo ao seu redor inúmeros discípulos, os quais foram os responsáveis por conservar seus ensinamentos até os dias de hoje.


I Ching

Trata-se de um livro de adivinhação que fora com posto sob os princípios da relação cambiante entre as forças do yin e do yang. Sua leitura depende da compreensão de oito triagramas e mais sessenta e quatro hexagramas de linhas unicamente quebradas ou não quebradas, as quais, para os seguidores originais, tinham um grande significado para aqueles que fossem capazes de desvendar a chave das mesmas. É bastante complexo e enigmático.

Grande parte da cultura chinesa, desde as ciências naturais até política, confia seus destino a esse livro. Investigam suas influências e as possíveis mudanças a que qualquer ser humano tem de enfrentar ao longo de sua vida. Não é raro ver em uma ou outra esquina da China algum adivinho se preparando para realizar uma leitura nestes escritos. Apesar de constar na abordagem desta disciplina a autoria do I Ching é conferida a Lao-Tsé (fundador do taoísmo) e não a Confúcio que, aliás, consultava com certa freqüência o referido livro. A obra continua assediada, pois ainda hoje, alguns políticos chineses não são capazes de tomar algumas decisões sem antes consultá-lo.


Xintoísmo


A religião do Japão, a terra dos deuses


Faze-me conhecer, SENHOR, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil (Sl 39.4)


Uma das profissões de fé mais antigas do mundo, o xintoísmo é uma religião étnica, ou seja, é a religião de um único povo, no caso, o japonês, que se formou no interior deste e com ele cresceu, a ponto de povo e religião formarem uma só coisa com a cultura, a história e a mentalidade. Por essa qualidade, o xintoísmo não é uma religião proselitista, ou seja, não envia missionários para difundi-la entre outros povos; a única tentativa foi feita na Coréia durante o período de ocupação colonial no séc. VI.

Em sua origem, o xintoísmo não possuía nome, doutrina nem dogmas. Constituía-se de um conjunto de ritos e mitos que explicavam a origem do mundo, do Japão e da família imperial. Os protagonistas desses mitos eram os Kamis, deuses ou energias divinas que habitam todas as coisas e se sucedem por gerações, desde a criação do mundo. Recebe o nome de xintoísmo (caminho dos deuses) para distinguir-se do confucionismo e do budismo.

A diferença do xintoísmo em relação às demais se define por não se tratar de uma instituição baseada em um sistema exclusivamente de crenças, possuindo mais de uma definição, dentre as quais uma delas enxerga a religião como uma maneira muito familiar de vida e que também se associa a lugares familiares. Essa religião desenvolveu-se naturalmente entre seus nativos, os quais aprenderam a aplicar seus valores e atividades diárias a conceitos que se relacionam com a questão religiosa, formando então a receita que propaga todo o conjunto. Por causa desse caráter, o xintoísmo que não goza de um corpo doutrinário bem definido e dotado de organização, nem tampouco um código de conduta coeso e sistemático.


O que significa “xintoísmo”

O termo nipônico shinto se origina em uma nomenclatura chinesa transcrita como shen-tao, ambas traduzidas por “caminho dos deuses”. Todavia, a aplicação deste termo à religião japonesa só ocorreu no século VI d.C., e isso, com a finalidade de evidenciar sua distinção do budismo.

Com relação à terminologia, vale destacar uma característica xintoísta, que se refere à noção que se tem de Kami que refere-se ao conceito do poder sagrado que crê-se existir tanto no inanimado quanto naquilo que tem vida. Eruditos da fé xintoísta definiram o termo e seu significado, explicando que esta religião mostrava um poderoso senso de presença de deuses e de espíritos que estão ligados à natureza, aos quais se atribui o termo Kami, traduzido nesta ótica por “seres superiores”, o que propicia a veneração a estas personalidades do além.

O contingente declarado destes seres impossibilita a criação de um rol sistemático que sirva a uma organização na adoração e mesmo planejar uma hierarquia sistematizada, de forma estável.

O xintoísmo prega que o primeiro “deus” celestial teria dado orientações a Izanagi e a Izanami, divindades macho e fêmea do panteão japonês, para que criassem o mundo e em particular as ilhas que compõem o território japonês.

Empregando, segundo a crença, o processo de geração sexual, criaram então a terra, os kami (deuses) dos montes, das árvores e dos riachos, o deus do vento e o deus do fogo, assim prosseguindo até a constituição completa do planeta.

Mesmo considerando suas personagens que usufruem poderes de divindades, a linha que as separa dos homens é por demais estreita. Os japoneses xintoístas acreditam que descendem dos kami (deuses), e que a linhagem dos imperadores deriva de uma potestade superior chamada Amaterasu. Essa teria enviado seu filho, Ni-ni-gi, para a terra (Japão), a fim de governá-la em seu lugar, providencia que determinou a procedência da linhagem imperial japonesa. Foi esta tradição que impôs em tempos hodiernos um xintoísmo que determinou a expansão nacionalista.

Outra divisão um pouco confusa é verificada entre os kami (deuses), que supostamente se dividem entre os pessoais e os impessoais. Os impessoais são os que não se associam a lugares ou coisas particulares, o que atribuiria personalidade a estas entidades. Além disso, vale também ressaltar que a mitologia que cerca alguns deuses e deusas é estritamente antropomórfica, isto é, procura atribuir forma humana a santidades às quais se devotam.


O cânon xintoísta

Apesar de os xintoístas não cultivarem a crença de que volumes isolados possam apresentar veracidade quanto a revelações plenamente inspiradas, e sobre as quais a religião esteja alicerçada, atribuem sacralidade a dois volumes de sua literatura, os quais exercem influência sobre o comportamento do povo. São eles: O Ko-ji-ki, ou “registro das questões antigas” e Nihon-gi, as “crônicas do Japão”. O primeiro contém grande carga de mitologia, lendas e enredos históricos ligados ao desenvolvimento da civilização japonesa. O segundo, com certa semelhança, traz em seu conteúdo a crônica sobre a origem do Japão e os fatos decorridos até o ano de 700 d.C.

A escrituração de ambas é atribuída a uma mesma época e data aproximadas (720 d.C.), e se prestam a narrar os eventos sucedidos no Japão cerca de mil e trezentos anos antes, antecedência que não as impede de serem classificadas como obras recentes, posta a antigüidade histórica do xintoísmo.


Desenvolvimento do xintoísmo

Como religião puramente japonesa e considerando a antigüidade desta nação, constatamos que sua fundação também jaz num período remoto.

O amor e o respeito que o povo japonês declina em louvor aos seus arquipélagos fomentam a crença de que desta região tenha principiado toda a criação divina, idéia que percorre a linha do tempo da história xintoísta, juntamente com seus conceitos inaugurais.

Este idealismo nacional e amor pátrio são os pontos de maior relevância quando o assunto é a presença exclusiva desta cultura religiosa apenas em solo japonês. A crença a respeito da divindade deste território, embora antiga, surgiu como dogma bem mais tarde. Para os xintoístas, o Japão seria “o centro do nosso universo de fenômenos”. É dessa crença que surge o nome do país, dado pelos próprios nativos: Nippon, significando “a origem do sol”.

Enquanto durou a segunda guerra mundial, era comum o ensino que transmitia às crianças a respeito da procedência divina dos imperadores japoneses, supostamente provenientes da deusa Amaterasu. Ainda segundo a tradição, essa deusa teria concedido à casa imperial japonesa o direito divino de governar, entretanto, esta prerrogativa encontra seu fim em 1946, quando o imperador Hiroito repeliu este suposto direito divino de administração temporal.

Até 552 d.C. o xintoísmo usufruía primazia no Japão, porém, daí em diante, encontramos o budismo em ascensão, conquistando popularidade entre os nipônicos. Já em 645, Kotoku, imperador da época, adere ao budismo, repelindo o xintoísmo com todos os seus ideais, práticas e cultura patrióticas. Entre 800 e 1700, o xintoísmo aparece dando os primeiros sinais de adesão ao sincretismo, misturando sua essência com elementos budistas e confucionistas. Nessa época, a modalidade de xintoísmo que poderíamos qualificar como “raiz”, sofreu um drástico declínio.


Pontos básicos da doutrina xintoísta

Por volta do ano de 1700 o xintoísmo vivencia um avivamento, com o qual estudiosos contribuíram analisando textos arcaicos relacionados às origens mais remotas dessa crença japonesa.

Hirata, um dos mais eruditos membros de grupo de cooperação avivalista, pronunciou-se a este respeito afirmando que as duas doutrinas xintoístas fundamentais são: O Japão é o país dos deuses e, conseqüentemente, seus habitantes são descendentes destas divindades. Entre o povo japonês e os chineses, os indianos, os russos e os outros povos do mundo, há uma diferença de espécie, e não somente de grau, segundo ressalva. O Mikado (termo usado por estrangeiros para se referirem ao imperador) é o verdadeiro filho do céu, o qual tem o direito de reinar sobre os quatro oceanos e também sobre os dez mil países.

No que concerne à adoração, destaca-se no xintoísmo, à semelhança de outras religiões orientais, um panteão de deuses que impede práticas sistemáticas de culto a todos. As obras sacras do xintoísmo ensinam que apenas algumas das muitas divindades possuem consideração para que possam ser adoradas com solidez, mas há uma que se destaca das demais. A Amaterasu, “a grande deusa do sol”.

Esta divindade possui um grande e exclusivo santuário imperial dedicado apenas a sua adoração, e está localizado em Isé, acerca de trezentos e sessenta quilômetros de Tóquio, sendo considerado pelos praticantes o principal centro de adoração do Japão. Proceder à adoração neste templo é rotina que remonta a tempos anteriores a Jesus Cristo.

Amaterasu, como principal divindade japonesa, tem sua sexualidade definida como feminina, já que se insere no ato da adoração que é dela que provém todos os antepassados divinos originados na cultura xintoísta, o que se constitui em elemento único, se considerarmos as principais formas de divindade cultuadas pelo homem ao redor do mundo.


Xintoísmo hoje

Atualmente, o xintoísmo não possui mais o caráter de religião oficial do Japão e tampouco é regulamentado politicamente. A derrota do Japão na guerra de 1945, durante a segunda guerra mundial, condenou o xintoísmo à abolição quanto a sua oficialidade religiosa. Esta queda retirou das mãos do Governo a administração dos santuários xintoístas, determinando até os tempos hodiernos, uma manutenção patrocinada pela iniciativa privada nacional japonesa.

Variadas seitas com características xintoístas têm surgido recentemente sendo muito comumente iniciadas por líderes locais que obtêm “revelações” através de experiências transcendentes. A maioria desses novos messias é, na verdade, mulher, característica contrastante em relação às demais religiões do mundo. Algumas dessas “novas religiões”, chamadas shinko shukyo, são ainda do período de 1603 a 1868, como a Tenrikyo que tem Nakayama Miki (1798-1887) como fundadora, e cujo nome significa “Religião da Divina Sabedoria”. Há ainda outras que surgiram entre 1868 e 1945 como a Omoto, a Hito no Michi e a Soka Gakkai. A Seich-no-Ie é de 1930, fundada por Masaharu Taniguchi.


O “caótico” panteão xintoísta

Segundo o xintoísmo, no princípio tudo era o caos e do caos surgiram as cinco grandes divindades xintoístas: Amenominakanushi, “o senhor do nobre centro celestial”; Takamimusubi, “o grande gerador do deus prodigioso”; Kamimusubi, “o divino gerador do deus prodigioso”; Umashiashikabihikoji, “o mais velho soberano do cálamo”; e Amenotokatachi, “o eternamente deitado no céu”. Este último suscitou sete gerações divinas, sendo que destas, as duas últimas gerações, Izanagi (varão que atrai) e Izanami (mulher que atrai), foram responsáveis pela criação do arquipélago do Japão, no caso o mundo, e as inúmeras entidades secundárias, muitas das quais associadas a cada ilha. Esses dois seres teriam supostamente modelado a massa disforme que era o mundo (o caos) dando origem a dez filhos que representam os elementos da natureza: São eles: divindade da atmosfera, do vento, das águas, dos pântanos, do outono, das árvores, das montanhas, do barco de cânfora, a deusa do alimento e o deus do fogo.


Músicas e roupas para os deuses do xintó

Os deuses xintoístas gostam de música. Nesta religião a música é elemento indispensável para o chamamento das divindades, é o ritual a que os xintoístas denominam “Kagura”. Desde os tempos mais remotos da religião a “Kagura” era empregada e crê-se que esse ritual seja capaz de abrandar os espíritos, além de divertir os deuses. Outra curiosidade sobre o panteão xintó é que todos os deuses vestem roupas aristocráticas confeccionadas por Amaterasu (a deusa do sol) e suas tecelãs. Isso legou um costume que atravessou séculos, pois até os dias de hoje são as sacerdotisas as responsáveis por tecer os trajes para as grandes cerimônias.


Taoísmo


A religião do Tao, o caminho


Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14.6).


O taoísmo foi, de certa forma, uma reação ao confucionismo e predominou principalmente no Sul da China. Mas, devido ao contexto cultural, as duas religiões apresentam diversas semelhanças. Ou seja, o taoísmo também é um sistema filosófico fortemente influenciado pela religião popular.

O desenvolvimento desta religião relaciona-se ao sábio Lao-tsé (“velho filósofo”), contemporâneo de Confúcio. Ocupou cargos de confiança como zelador dos arquivos do império chinês, na cidade de Loyang, capital da província de Ch´u. A posição estatal do “velho filósofo”, entretanto, tomou-o de uma fadiga que estava instalada não em sua carne, mas em seus valores. Isso porque a administração estatal de sua época agia de forma tirânica para com os súditos do império, e isso se refletia no próprio conceito de governo que as autoridades locais possuíam.

A partir de seus ideais pessoais, Lao-tsé passou a expor suas idéias concernentes a uma forma de vida mais modesta como padrão a ser seguido pelos homens; divorciando-se das honrarias e sem necessidade de uma busca infrutífera pelo conhecimento. Este posicionamento culminou com a demissão de seu cargo, recolhendo-se em seu lar.

Uma vez que seus discursos já haviam atraído estudantes e discípulos interessados, espécie de movimento que dispensava, viu-se obrigado a alongar-se do lar estabelecido entre a civilização, para poder buscar paz e meditação longe de todos.

Adquiriu então uma carroça e um boi negro e partiu, abandonando a sociedade na qual estava inserido e que reputava demasiadamente corrupta. Porém, foi impedido pelo amigo Yin-hsi, que após tomar parte em seu plano, impediu-lhe a passagem. Este amigo resolve exortá-lo com palavras que o intimavam a inscrever todos os pontos essenciais de seus ensinamentos para que, após sua partida, todos tivessem acesso, já que esta era a marca que o identificava entre todos.

Foi nesta oportunidade que Lao-tsé redigiu o Tao Te Ching, ou “o caminho e o seu poder”, outras vezes traduzido por “o caminho e o princípio moral”, um pequeno livro de aproximadamente 5.500 palavras. Diz-se que após a entrega deste documento ao amigo, Lao-Tsé teria subido a montaria com destino ao pôr-do-sol, encerrando neste episódio sua lembrança entre o povo.

Uma segunda versão da história relata o amigo Yin-hsi instando com Lao-Tsé para que o levasse consigo, após ter lido o tratado a pedido redigido, porém, qualquer que tenha sido o real enredo, certo é que a obra foi deixada para trás, passando a ser reconhecida como a primazia literária do taoísmo.


O cânon taoísta

O tratado escrito por Lao-tsé propõe uma modalidade de governo feito com arte, pretensamente escrito para as autoridades da época. Seu tratado tenta implantar entre os dirigentes, um governo que se fortificasse naturalmente e não baseado na tirania. Essa idéia obviamente não alcançou o respeito e, menos ainda, a adesão de qualquer governante contemporâneo.

O Tao Te Ching também tem seu lado filosófico orientando seus portadores a correta forma de procederem para resistirem aos terríveis flagelos que, à época, assolavam a China. Seu conteúdo é tímido, sem a pretensão comum que se observa em obras filosóficas, colocando o homem num plano inferior, exatamente para supostamente ajudá-lo a destituir-se das ambições e capacitando-o a resistir ante as adversidades.

Os estudiosos e historiadores ainda não chegaram a um consenso quanto à data da escrituração deste compêndio, embora tradicionalmente se aceite que o livro tenha sido escrito por Lao-tsé no século VI a.C.

A idéia mais recente sobre este volume qualifica-o como sendo uma compilação datada de 300 a.C. O ambiente que se vislumbra na história que serve de referencial para o texto, está em maior conformidade com uma China atribulada do que com o período que historiadores tradicionalistas defendem.

O Tao Te Ching era considerado fonte da sabedoria e solução para todos os problemas da vida. Ensinava, entre outras coisas, que os homens deveriam viver uma vida simples, sem reconhecimento ou poder. Compaixão, moderação e humilhação são as três bases éticas do taoísmo. Todavia, seu principal conceito é o Tao, algo difícil de explicar, mas que define todas as coisas. Embora rejeitasse a idéia de um Deus criador, o Tao era algo indefinido que existia antes de todas as coisas. Depois desse conceito, o mais importante era o Yin e Yang, o positivo e o negativo, as forças que, segundo o taoísmo, equilibram todas as coisas. É o conceito que está por trás das artes marciais, da acupuntura, do Tai Chi Cuan, e do Feng Shui.

A formação do cânon taoísta ainda contou com a importante participação de um dos discípulos de Lao-tsé, Tchuang-tseu, que escreveu 33 livros (número aproximado) sobre a filosofia de Lao-tsé. Resultado: 1.120 volumes, os quais compõem o cânon taoísta. Depois de Lao-tsé, esse discípulo é o mais importante representante do taoísmo. As explanações de Tchuang-tseu sobre a matéria derivada do taoísmo evidenciam seu caráter filosófico, o qual ele ajudou a popularizar. Podemos constatar isso em suas próprias palavras, quando diz: “Certa feita, eu, Chuang Chou, sonhei que era uma borboleta e que me sentia feliz como uma borboleta [...] Subitamente, despertei, e lá estava eu, um bem visível Chou. Não sei dizer se foi Chou quem sonhou que era uma borboleta, ou se uma borboleta sonhou que era Chou. Entre Chou e uma borboleta deve haver uma distinção. Chama-se isso de transmutação das coisas”.

A respeito da morte de sua esposa, afirmou: “...Quando ela morreu, como poderia deixar de ser afetado? Mas quando repensei sobre a questão, percebi que, originalmente, ela não tivera vida, e não somente não tivera vida, mas também não tivera forma, e não somente não tivera forma, mas também não tivera força material. No limbo, entre a existência e a não-existência, houve uma transmutação, e a força material evoluiu...”. Estas colocações demonstram-nos o quanto este discípulo primava pela responsabilidade filosófica quanto à fundamentação dos ensinos de Lao-tsé para o taoísmo.


Tao, o caminho

O conceito principal do Tao Te Ching é aquele que se refere ao Tao, o qual não permite a simplicidade em sua elucidação, uma vez que, como a palavra “Tao” literalmente signifique “caminho” ou “vereda”, é certo que seu pensamento vai muito além disso.

Assim, as palavras de abertura do Tao Te Ching, numa explanação um tanto complexa, exprimem que o Tao (caminho) que porventura possibilite sua própria compreensão, não pode ser o verdadeiro Tao (caminho). O entendimento deste conceito se firma na tese que diz que o nome que pode ser pronunciado não pode ser um nome verdadeiro.

Vemos na famosa declaração taoísta o seguinte: “Aqueles que sabem, não dizem; e aqueles que dizem, não sabem”. Por se expor dessa forma, a palavra Tao é reputada como sendo da língua de origem, expressão e significado misteriosos; acima de toda a compreensão, imaginação e bom senso humano. Todavia, é daqui que se parte se o adepto desejar encontrar o caminho para a realidade última, ou seja, a verdade máxima sobre toda a existência. Seria, num conceito mais simplificado, o caminho do universo, aquele através do qual o indivíduo teria condições de dirigir sua vida.

Quanto a este tema, levanta-se a questão: Dada a complexidade que envolve toda a aura taoísta, como poderia alguém basear, estruturar ou alinhar sua vida a partir do Tao? Se a filiação ao “caminho do Tao” é o alvo a ser seguido pelo homem, como deverá proceder o indivíduo para alcançá-lo?

A resposta taoísta para estes questionamentos previsíveis é verificada no próprio Tao Te Ching, que descobre esta possibilidade aos seus seguidores, mediante o exercício da iniciativa básica, a qual se denomina Wu Wei, significando, literalmente, “inação”.

Este princípio abomina toda forma de violência, seja física, verbal ou mesmo aquela que reside apenas em nosso inconsciente. O homem então tem de cultivar atitudes espontâneas, promovendo uma existência pacífica entre os demais, distanciando toda forma de tensão e agressividade e possibilitando uma convivência harmoniosa entre o homem e a natureza. Esta é a única autêntica manifestação de vida que está genuinamente alicerçada no Tao.


O yin e o yang

Assim como não existe hinduísmo sem ioga, não existe taoísmo sem o conceito de yin-yang. Ele sintetiza as duas partes contraditórias e complementares dos fenômenos da natureza e que se relacionam mutuamente. Pode representar tanto os dois fatores opostos, assim como duas partes que compõem a essência de um aspecto. As propriedades básica do yin-yang são: todas as coisas de tendência a fluir para cima, para fora, o aspecto da claridade, mobilidade, excitação, vitalidade, calor, insubstanciabilidade, atividades funcionais, rápidas e claras pertencem a Yang. Ao contrário, todas as coisas com a tendência para fluir para baixo, para dentro, obscuridade, tranqüilidade, inibição, astenia, esfriamento, coisa substancial e pesada pertencem a Yin.

A natureza de Yin ou de Yang não é absoluta mas relativa, já que a exigência é determinada pelas condições interiores. Cada aspecto compreende duas partes contraditórias, Yin e Yang. Ambos transformam-se mutuamente sob determinadas circunstâncias, mas dentro da parte Yin e da parte Yang está incluída a sua parte oposta, ou seja, dentro da natureza Yang, está o Yin e vice-versa.

Cada um destes princípios é interdependente e expressa de forma diversa o Tao. A participação do homem neste princípio está referido como “misturar-se com o ciclo universal, todavia sem esforçar-se, unindo-se ao Tao, e portanto, alcançando o objetivo”.

Originariamente do território e da cultura chinesa, surgiu um conceito de maior amplitude a respeito do Yin e do Yang, o qual ensina que uma vida harmônica pode ser adquirida tão somente quando operamos de modo a permitir que estas duas forças interajam.


As duas faces do taoísmo

Taoísmo filosófico


Esta vertente se apega às tradições verdadeiramente taoístas. Estamos falando de um ramo ateísta que não aceita nenhum Deus pessoal. O taoísmo que se ampara na filosofia tem suas origens anotadas em 300 a.C. e descreve o Tao como a fonte da verdade última, isto é, inatingível e inabalável, tentando instalar o homem numa relação harmoniosa com a natureza, para permitir-lhe o livre exercício de suas faculdades instintivas e imaginárias.


O taoísmo religioso


Como herança religiosa, o taoísmo popular transformou-se em uma religião de magia, exorcismos e culto aos antepassados. É extremamente politeísta, idólatra e esotérica, praticante da necromancia.

A partir do imperador Han (século 7o d.C.), Lao-tsé passou a ser adorado. Por isso, agora, o taoísmo possui sacerdócio, templos, sacrifícios e iniciações para os discípulos, além de crer na vinda de uma era de paz e harmonia que transformará a presente era.

Durante o desenvolvimento desta corrente, implantou-se gradualmente o panteão de deuses, formando-se consenso sobre a existência do céu e do inferno, culminando, quase que num último estágio de desenvolvimento religioso, com deificação do precursor Lao-tsé.


O fundador

O taoísmo tem suas raízes na figura misteriosa de Lao Tsé; alguém de cuja história pouco se sabe e, mesmo o que é conhecido, carece de credibilidade. Em verdade, é difícil definir o que é lenda e o que é verdade em relação à sua vida. Aliás, há até historiadores que chegam a ponto de protestar o fato de realmente ele ter existido e isso devido aos precários relatos que apontam a data de seu nascimento que se apresenta com variação em mais de meio século (entre 604 e 570 a.C.).

Pelo menos duas narrativas sobre sua vida podem nos dar uma noção das razões para esse ceticismo. A primeira delas declara que Lao Tsé já nasceu com idade avançada com cabelos e barba brancos, além das rugas características de todo ancião. A outra narrativa diz-nos sobre um estranho apelido que sua mãe lhe teria conferido: “orelhas de ameixeira”. Esse seria o “carinhoso apelido” com que sua mãe lhe referia, justificando-se pelo fato de o ancião ter nascido embaixo de uma ameixeira e também devido às orelhas enormes que possuía.


O corpo no taoísmo

Segundo o taoísmo o corpo humano deve ser entendido como um sistema de energia composto, o que os taoístas chamam de ch’i, que é a energia ou fluxo vital, isto é, o sangue. Entretanto, num sentido mais estrito ch’i ainda pode referir-se à respiração ou à consciência. Diante disso, se estabelece intrínseco relacionamento entre o corpo a mente e o meio ambiente, características que conduziram os adeptos da filosofia taoísta ao desenvolvimento de variadas técnicas médicas alternativas as quais baseiam-se nas linhas meridianas do corpo. Mas o que seriam os meridianos? Conforme a filosofia taoísta, trata-se de canais que conduzem o ch’i através de todo o corpo humano. Eles seriam os responsáveis pela alimentação dos órgãos vitais e pelo equilíbrio entre o yin e o yang. No corpo humano, o interior é Yin e a superfície é Yang; porém os órgãos internos podem dividir-se em Yin e Yang. Os cinco órgãos – coração, fígado, baço ou pâncreas, pulmão e rins são Yin. As seis vísceras – intestino delgado e grosso, vesícula biliar, estômago e bexiga são Yang. As linhas meridianas demarcam-se por pontos no corpo em que a acupuntura auxilia a administrar o fluxo de ch’i.


Notas de referência:

1 Wing-Tsit Chan, editor, A sourcebook in Chinese Philosophy, Princeton University Press: Princeton, Nova Jérsei, p. 190.

2 Idem, p.209.


Budismo


A religião de Buda, o iluminado


Ali (em Jesus) estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo (Jo 1.9)


O budismo é uma das mais antigas religiões não-cristãs, e que séculos após séculos, continua fazendo discípulos muito além das terras orientais. A origem do budismo está no hinduísmo, religião na qual Buda é considerado a nona encarnação ou avatar de Vishnu.

Trata-se do sistema ético, religioso e filosófico criado na região da Índia pelo príncipe hindu Sidarta Gautama, o Buda, que viveu entre 563 e 483 a.C. aproximadamente. O termo Buda é um título, não um nome próprio, significa aquele que sabe ou aquele que despertou, deriva-se de Bodhati, que significa ele desperta-se ou compreende, e se aplica a alguém que atingiu um nível superior de entendimento e a plenitude da condição humana.


Quem foi Sidarta Gautama?

Sidartha nasceu em uma família nobre do Nepal, gozando, desde a natividade, do título de príncipe, sendo criado em confinamento no palácio até os 29 anos, quando, após desabrochar para o mundo e conhecendo suas fragilidades, fica chocado ao descobrir as doenças, a velhice e a morte. A partir daí, esmera-se por conseguir respostas que expliquem as causas do sofrimento humano, juntando-se a um grupo de ascetas, indivíduos que praticavam o exercício prático que leva à efetiva realização da virtude e à plenitude da vida moral; iniciando um período monástico de seis anos, no qual apenas jejuou e meditou. Esta auto-flagelação, entretanto, não proporcionou a Sidharta a elucidação de seus questionamentos, frustração que o leva a separação do grupo originário, quando, numa oportunidade solitária, sentado sob uma figueira, tem a revelação das “quatro verdades nobres” do budismo, cujo conteúdo sintetiza sua doutrina.

Diz-se que Sidarta morreu por volta dos oitenta anos de idade. Morto, o Buda, segundo a tradição, teria sido cremado e suas cinzas distribuídas pelo território, para serem guardadas como relíquias sagradas. Tem início, a partir daí, a veneração budista.


O canôn budista

A principal obra canônica budista é o tripitaka, assim conhecida como coleção budista, traduzida no sânscrito para “coleção tripla” ou “três cestos”. Esta obra encerra os escritos budistas mais antigos e consiste da organização de 31 livros em três volumes, ou cestos. O primeiro é o cesto da disciplina (vinaia pitaca) que versa sobre normas que devem ser observadas pelos monges e monjas. O segundo é o cesto de discursos (suta pitaca), cujo conteúdo constitui-se dos sermões e parábolas de Sidarta e seus discípulos. E, finalmente, o terceiro, o cesto da última doutrina (abidama pitaca), que são comentários baseados nas doutrinas budistas em geral.


Pontos doutrinários básicos do budismo

Buda ensina que a verdade foi descoberta por ele e não inventada. Assim, qualquer pessoa poderá, também, descobri-la seguindo seus ensinamentos. Segundo os budistas, crer em Buda não significa crer e adorar a sua imagem, mas sim a “verdade” que ele descobriu e que constitui a Lei da Natureza. A fé, na concepção budista, é uma predisposição interior que propicia ao homem abrir o coração para a chamada “tríplice pedra preciosa”: o Buda; o Dharma, que é a lei do budista e o Sangha; sua comunidade. Esta fé, entretanto, permite ao budista acumular a prática de antigas religiões nas quais desenvolveu crenças, podendo definir, dentre quantas desejar, a qual divindade se devotará.

A concepção de Buda sobre Deus era semelhante a do ateísmo, divergindo apenas quanto à existência, posto que ela era possível, todavia, para Sidharta, inútil, pois a confiança em divindades ou demônios não ajuda nem atrapalha. O homem deveria sempre depositar sua confiança em si mesmo e vencer o sofrimento, essência da vida humana. Sidarta enfatizava que o sofrimento procedia do desejo e que para se atingir a salvação seria necessário eliminá-lo. Quando se consegue isso, entra-se num estado de bem-aventurança, o nirvana. Quando se alcança o nirvana, a alma humana torna-se uma com o Absoluto, isto é, a realidade última. Os ensinos (dharma) de Sidarta encontram-se resumidos nas “quatro verdades nobres”. São elas:

A realidade do sofrimento. Todo sofrimento humano é resultado do carma passado. As ações de uma pessoa determinarão o ciclo de reencarnações pela qual ela terá de passar até chegar ao nirvana.

A causa do sofrimento. A causa do sofrimento é o desejo: gratificação, o desejo da existência e também o da não existência.

O fim do sofrimento. O sofrimento pode e deve ser totalmente eliminado. O objetivo central do budismo é dar ao homem a eterna libertação do sofrimento por meio da libertação de todo o desejo, o que eqüivale a ser liberto do ciclo interminável de reencarnações e entrar no bem-aventurado estado do nirvana.

O caminho para a eliminação do sofrimento. Trata-se de oito passos básicos destinados a suprimir o desejo e, desta maneira, abrir o caminho para a iluminação, conhecidos como “os oito caminhos nobres”. Os caminhos estão divididos em três categorias: moralidade: palavras, ações e vida corretas, concentração: sabedoria, esforço e pensamento corretos; visão ou compreensão correta e aspirações corretas.

Estas doutrinas têm sido compreendidas e proclamadas principalmente por três grandes escolas de filosofia budista, a Hinayana, a Mahayana e ainda a Vajrayana.


O pequeno veículo

É o budismo hinayana. Trata-se da forma mais remota dessa religião, também conhecida como Theravada, que significa “pequeno veículo”, uma expressão que explica o fato de só os monges terem acesso a esta corrente, possuindo maior expressividade nos países do sul da Ásia, como Sri Lanka, Mianmar, Camboja, Laos e Tailândia. Seus seguidores acreditam que a única forma de se chegar ao nirvana, que é o estado de ausência total de sofrimento, é detendo a paz e a plenitude a que se chega por uma evasão de si na expansão da sabedoria, é resignando-se à vida dentro de uma ordem monástica.

A sociedade dos monges está dividida em duas partes, cada qual para o respectivo sexo. Seus componentes seguem uma rotina bastante sistemática, levantando-se cedo, buscando a esmola antes do meio dia e, num ato contínuo, realizam a única refeição do dia. À tarde, entregam-se à meditação e ao repouso até a hora estabelecida para a leitura das escrituras, durante a reunião pública. A noite é reservada para o banho purificador e, depois, emprega-se um longo período noturno para o diálogo que se desenrola entre grupos de dois ou mais irmãos da casta monástica. Além do costumeiro jejum praticado entre os monges e monjas, também se reúnem para a celebração do uposatha (observância), ritual que se constitui num retiro de rigorosos jejuns e que se realizam a cada quarto de lua.


O grande veículo

É o budismo mahayana. Surgida no século II a.C., esta vertente do budismo é traduzida do sânscrito por “grande veículo”, por permitir que um grande número de pessoas alcance a salvação. O mahayana define que, ainda que a aspiração final do ser humano seja o nirvana, o sábio que já o tenha alcançado, chamado de bodhisattva, ou futuro Buda, tem o poder e o dever de adiar sua morte e libertação do sâmsara, para dedicar-se a ensinar aos seus semelhantes os meios para se chegar ao nirvana, numa atitude prioritária de compaixão com os demais seres humanos. Duas correntes budistas se projetam com destaque dentro desta filosofia bastante conhecida no Ocidente, que são o budismo tibetano e o zen-budismo.

O budismo tibetano desponta no final do século VIII, surgindo da fusão das tradições que derivavam do budismo e do hinduísmo, passando a ser reconhecida como a primitiva religião do Tibete. É nesta ramificação budista que se encontra o representante de uma famosa ordem monástica, o chefe espiritual dalai-lama, que é considerado um bodhisattva.

Já o zen-budismo nasceu na China, no século VI, onde foi introduzido pelo mestre indiano Bodhidarma, difundindo-se principalmente no Japão, a partir do final século XII, passando a influenciar a cultura e as artes marciais, além do modo de pensar do povo japonês. Está alicerçado no exercício da meditação e na prática da postura e da respiração, como meios de se atingir os ápices desejados durante a meditação, dando muito mais ênfase a esta nuança da seita do que aos exercícios teóricos e aos estudos das escrituras. Acreditam os praticantes desta modalidade de budismo, que o corpo é dotado de sabedoria própria, e que esta deve ser empregada para fins de ordenamento da vida cotidiana.

O zen-budismo tem como base os chamados sutras, que na literatura da Índia, são tratados em que se reúnem, sob a forma de breves aforismos, as regras do rito, da moral e da vida cotidiana. Os sutras do rito mahayana são quatro; o sutra da sabedoria; da flor de lótus; do lótus sublime e o sutra do Buda Amina.


O veículo do diamante

Trata-se do budismo vajrayana, também traduzido por “veículo do diamante”. É a corrente menos difundida e que mais aponta diversidade com as origens do budismo, perseverando em aspectos que mereceram apenas a crítica de Buda, ou seja, o ritualismo, a mística e a magia. Reclamou espaço como corrente budista no século VI, propagando-se posteriormente pela Mongólia e Tibete, onde é conhecido como Lamanismo, uma vez que reconhece a autoridade tanto política quanto religiosa do dalai-lama, personalidade máxima no budismo tibetano.


O budismo hoje

Embora os preceitos budistas não tenham a pretensão de possuir uma validade absoluta, contempla-se entre seus adeptos um ardor missionário bastante expressivo. Esta filosofia propaga o próprio desejo de Buda, de que seu conhecimento seja transmitido ao mundo e não restrito a um grupo específico no meio budista. Após a morte do Buda, o grupo religioso passou a se alastrar em regiões bastante além de suas origens. Apresentando um discurso que versa sobre a libertação de todos os homens, o budismo hoje, possui um número de seguidores equiparável ao número de evangélicos, conquistando a simpatia de inúmeras pessoas no Ocidente.


A simbologia da flor de lótus

“As portas da iluminação se abrirão para todos, indiscriminadamente, com uma única condição: a fé e a compaixão”. Fé como sentimento que nos une através da essência, e compaixão como atividade que nos une através da prática e vivificação desta essência. Este é um fragmento do sutra de lótus, muito reverenciado entre os mais de oitenta mil ensinamentos atribuídos a Buda.

A flor de lótus é sagrada no budismo. É a responsável por conferir designação à posição mais tradicional para a prática de meditação budista. A planta desabrocha em mangues, mas sem que sua flor seja maculada com as impurezas do local. Os budistas entendem o local impuro como o mundo em que vivemos e a flor de lótus como a prática transformadora na fé e na compaixão, em sintonia com Buda. Assim essa flor jamais se manchará. É importante salientar que esta flor possui a característica de desabrochar junto com a semente do próximo fruto. Portanto se perpetua, assim como deve se perpetuar e gerar frutos as práticas dos budistas.


O budinha

Quem nunca viu a imagem carismática do budinha japonês, barrigudo e baixinho sentado na posição de lótus? Muito comum em nosso país, essa silhueta de Buda é completamente equivocada. Sidarta Gautama era hindu e nunca teve estas características, antes, diz-se que chegou a emagrecer até a ponto de ficar em “pele e osso” por se dedicar a práticas austeras.

A crendice popular prega que o ato de deixar a imagem do budinha de costas para a porta é capaz de impedir que os males entrem em sua casa. É muito frequente também o depósito de moedas à sua volta como uma espécie de oferenda.

Entretanto, essa imagem não surgiu do imaginário popular. O budinha realmente existiu. A verdadeira identidade do budinha é “Hotei” ou “Hotei-san”. Era um monge zen chinês peregrino e que possuía exatamente os traços anatômicos aqui destacados. Devido à sua aparência farta, artisticamente foi integrado em muitas obras artísticas e poesia. Não há dados precisos acerca de quando e porquê ele passou a figurar entre os santinhos da sorte. Hotei-san faleceu em 916 d.C.


Hinduísmo


A religião das varnas, as castas


Pois o SENHOR vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas (Dt 10.17)


O hinduísmo é um conjunto de princípios, doutrinas e práticas religiosas que surgiram na Índia, a partir de 2000 a.C. O termo é ocidental e é conhecido pelos seguidores como Sanatana Dharma, do sânscrito (língua original da Índia), que significa “a ordem permanente”. Na história da cultura indiana, encontra-se a inigualável força da religiosidade de seu povo, que vai desde a definição de uma casta, até os hábitos milenares adotados e que fazem parte do cotidiano social, numa mescla de religião e cultura. Tudo está fundamentado nos Vedas, que significa “conhecimento” em sânscrito, língua indo-européia do ramo indo-ariano na qual foram escritos os quatro Vedas, entre 1200 e 900 a.C., e que, entre os séculos VI a.C. e XI d.C., se tornou a língua da literatura e da ciência hindu.

Atrelado a um politeísmo que acomoda um panteão de mais de trinta mil divindades e à crença na reencarnação, o hinduísmo é a terceira religião do mundo em número de praticantes, e seus preceitos influenciam fortemente a organização desta classe social.


Como surgiu o hinduísmo

A tradição dos Vedas nasceu com os arianos, grupo étnico das estepes da Ásia central, que a levaram para a região da Índia em 1500 a.C., quando da invasão e conquista dos vales dos rios Indo e Ganges. Está estribada na lembrança da comunidade hindu sobre deuses tribais e cósmicos, sendo repassada oralmente e, posteriormente, grafada em seus livros sagrados, os Vedas.

Esta antiga civilização quase não comportava o meio rural, tendo o povo se aglomerado em sociedades urbanas e que se concentrava principalmente no atual Paquistão e a noroeste da Índia. Subjugadas as civilizações do Vale do Indo, exatamente por aqueles que traziam o idioma dos árias, observou-se então o surgimento de elementos que favoreceram a instituição de castas, tradições e crenças diversas, as quais posteriormente receberiam o nome de hinduísmo.

Com o passar dos anos, o idioma indo-europeu trazido pelos colonizadores, foi sendo substituído pelo sânscrito, este, desenvolvido entre os indianos natos e que é hoje o idioma sagrado pelo qual se transmitem os textos do hinduísmo, além da filosofia e da cultura indiana.


O cânon hindu

O cânon hindu está fundamentado nos quatro livros dos Vedas, um conjunto de textos sagrados compostos de hinos e ritos, denominados de Rigveda, Samaveda, Yajurveda e Artharvaveda. Estes quatro volumes são divididos em duas partes: a porção do trabalho (rituais politeístas) e a porção do conhecimento (especulações filosóficas), também chamada de Vedanta.

Outras obras escritas também são destacadas entre os hindus, como os Puranas, que formam a narrativa sobre a tríade divina do hinduísmo, formada pelos deuses Brahma, Shiva e Vixenu, descrevendo ainda as festas, condutas sociais e religiosas do hindu. Contam também com um poema histórico que narra a grande epopéia do povo hindu.

Este poema possui nada menos que noventa mil versos, e é a compilação de um antigo material épico indiano, provavelmente escrito entre o II século a.C. e o I século d.C. Ele ainda trata da luta do bem e do mal, dos cultos a Shiva e Vishnu e as lutas entre as tribos hindus; descreve os Upanishads, que são as aulas dos mestres; o Ramayana, outro poema, este, sobre o amor de Rama por Sita, além do Código de Manu, outro conjunto de normas, regras e práticas sociais hindus.

A parte que encontra mais reverência entre os fiéis do hinduísmo, destaca o discurso de Krishna ao herói desta novela, Arjuna, também conhecido como Bhagavad-Gita, ou, o canto do bem-aventurado, isto é, de Krishna como avatar, a reencarnação de um deus supremo, e, especialmente, no hinduísmo, a reencarnação do deus Vishnu.

O discurso transcorre, num primeiro momento, sobre o dharma da classe kshatriya, a varna (forma como se denominam os grupos ou castas no hinduísmo) guerreira. Outra parte que integra o poema é o Shanti Parvan; um discurso sobre a ética e o governo, este, pronunciado pelo moribundo Bhishma. Uma última história é a de e Damyanti, que tem o propósito de advertir os seguidores contra os malefícios do jogo.


Pontos doutrinários básicos do hinduísmo

O hinduísmo é uma religião panteísta, ou seja, prega que Deus é tudo e tudo é Deus. O universo é deus, e estando unido ao universo, todos são deuses. Ensina também que este mesmo deus é impessoal. Muitos deuses adorados pelos hindus são amorais e imorais.

Segundo os Vedas, o homem está preso à realidade cíclica e eterna que se resume em morte e renascimento, condição irrevogável chamada sâmsara, e segundo a qual o homem está fadado a reencarnar e a sofrer em infinitas vidas. As reencarnações alcançam tanto o ser humano como o animal e são regidas pelo carma, que é o preceito segundo o qual é traçada a forma como renascemos em nossa vida atual, todavia sendo definida na vida anterior, colocando tudo na dependência do estágio espiritual que alcançamos e os atos que praticamos numa vida póstuma. O hindu busca fundir-se a Brahman, a chamada verdade suprema; um espírito que rege o Universo. Esta condição só pode ser conquistada libertando-se do sâmsara pela purificação de seus infinitos carmas, atingindo o estágio conhecido como nirvana, a sabedoria resultante do conhecimento de si mesmo e do universo. A busca e o alcance do nirvana estão intrinsecamente ligada às práticas religiosas, as orações e a ioga, mas muitos hindus adotam também dietas vegetarianas e a renúncia aos bens e prazeres materiais, prática conhecida como ascetismo, e que muitos tem por imprescindível para alcançar o nirvana.


O sistema de castas

No hinduísmo há um sistema de separação de grupos entre os fiéis, e que foi se codificando com o passar do tempo, estamos falando do conceito de Varna.

Segundo a literatura sagrada hindu, os homens, devido à soberana vontade de seus deuses, devem pertencer a diferentes classes sociais, as chamadas castas, sendo que esta separação é determinada logo na natividade do indivíduo, respeitando-se sempre a ascendência paterna. Uma vez sendo esta uma norma religiosa e que excede em importância qualquer outra, não pode ser modificada por intervenção humana, já que se considera entre os hindus, que a fidelidade aos ritos ditados pela literatura espiritual é um dos elementos que proporcionam ao indivíduo o gozo celeste.

As castas também estão divididas hierarquicamente e, baseado nesta tradição, os que pertencem às classes mais altas gozam de todos os privilégios previstos na seita, enquanto que os que se acham resignados às varnas mais baixas, não usufruem nenhum.

No princípio, o número de castas existentes se resumia a quatro. As três mais importantes derivavam de uma divisão que já ocorria entre uma horda de colonizadores árias, enquanto que a quarta, por não se achar inserida sequer na sociedade, estando limitada aos grupos que se sujeitaram aos invasores, não podia ser contada com aquelas que advinham destes povos. Vejamos quais são elas:

Os brâmanes. São os portentosos colecionadores da sabedoria contida nos Vedas, acumulando ainda a responsabilidade da ministração dos sacrifícios, atributos exclusivos àqueles que detém o poder sacerdotal e o conhecimento dos mantras sacrificiais, isto é, fórmulas encantatórias que têm o poder de materializar a divindade invocada. Os hindus acreditam que a partir destas fórmulas os deuses se tornam obrigados a baixar à terra, aceitar os alimentos e bebidas e a ouvir as orações dos sacerdotes.

Kshatriya. É a classe dos guerreiros e dos príncipes, os quais funcionam ainda como defensores dos tesouros, tendo ainda por atribuição a instigação dos sacrifícios e a proteção do país.

Vaishya. É a classe dos que desenvolvem atividades braçais e produtivas, como a criação de gados, a agricultura e o comércio.

Shudra. Não possui qualquer outra atividade dentro da sociedade hindu, à exceção de funcionar como servo.

A partir da proliferação de ramificações das castas dentro da sociedade hindu, o número de classes aumentou substancialmente. Atualmente, a regra para definição de a qual das castas pertencerá a criança hindu, está diretamente ligada a atividade ocupacional que ela desenvolverá e esta, seguindo a hereditariedade paterna.

Os sem-castas, também conhecidos como párias, constituem-se num grupo numeroso, ao qual o líder político e religioso indiano Mahatma Gandhi, chamava karijan, que significa “filhos de Deus”, entretanto, a sociedade hindu não parece ter tido o mesmo sentimento fraternal por esta casta, qualificando-os posterior e genericamente como dulit, ou “excluídos”.

Em prol destas castas inferiores emergiu um governo que reconheceu a igualdade social diante do Estado e aboliu o sistema de castas. A Índia independente também abortou oficialmente este sistema, tornando-o inexistente ante o governo, não se nomeando mais castas entre a sociedade; adotando medidas que favoreçam as castas tidas por inferiores e demais providências que efetivamente baniram a desigualdade ditada pela fé hindu.

Em 1950, Nehru, líder hindu à época, declarou que, em dez anos, conseguiria desarticular todo o sistema de castas, entretanto, a sociedade comum pareceu não aceitar a intervenção governamental, desejando a prevalência da tradição, o que promoveu um entrave no processo de extinção das castas, fazendo com que até hoje, esta norma prevaleça entre o povo.


O rio Ganges

É impossível falar do panteão de deuses do hinduísmo sem mencionar seu rio mais sagrado, o Ganges. Grande parte da mitologia hindu relaciona-se diretamente com o Ganges, ou Gangá Ma (Mãe Gangá), como os devotos hindus o chamam. Quais seriam as razões para devotar tanta reverência a um rio?

Os hindus crêem que o Ganges tem o poder de libertar, purificar, limpar e curar os crentes. O Vixenu Purana declara: “Os santos, que são purificados por se banharem nas águas deste rio, e cujas mentes estejam devotadas a Quesava (Vixenu), obtêm a libertação final. O rio sagrado, ouvindo-se dele falar, ao ser desejado, visto, tocado, ao se banhar nele, ou ao se cantar hinos por ele, dia a dia purifica todos os seres. E aqueles que mesmo vivendo à distância exclamarem ‘Gangá e Gangá’ serão libertados dos pecados cometidos durante as três existências prévias”.

Os indianos acorrem ao rio para realizar a puja, ou adoração, oferecendo flores, salmodiando orações e recebendo dum sacerdote o tilaque, a mancha de pasta vermelha ou amarela na testa. Daí eles entram na água para se banhar. Muitos também bebem a água, embora seja altamente poluída por esgotos, substâncias químicas e cadáveres. Mas, tão grande é a atração espiritual do Ganges que milhões de indianos almejam banhar-se pelo menos uma vez no seu ‘rio santo’, poluído ou não. Outros trazem os corpos de seus entes queridos para serem cremados em piras na margem do rio, e daí talvez as cinzas sejam lançadas no rio. Eles crêem que isso garante a felicidade eterna para a alma que partiu. Os muito pobres para pagar uma pira funerária simplesmente lançam no rio o corpo coberto, onde é atacado por aves necrófagas, ou simplesmente se decompõe.


A tríade do panteão hindu

Apesar das milhares de divindades, há no hinduísmo alguns “deuses favoritos”. Os três mais proeminentes são Brama, o criador, Vixenu, o preservador e Xiva, o destruidor.

Brama, embora seja central na mitologia hindu, não ocupa um lugar de destaque na adoração do hindu mediano. De fato, bem poucos templos são dedicados a ele, embora seja considerado o grande criador.

Xiva, também comumente chamado de Mahexa (Supremo Senhor) e Maadeva (Grande Deus), é o segundo maior deus do hinduísmo, e a adoração que lhe é prestada chama-se xivaísmo. Ele é descrito como “o grande asceta, o mestre iogue sentado, mergulhado na meditação nas encostas do Himalaia, com o corpo besuntado de cinzas e a cabeça coberta de cabelo emaranhado”.

Vixenu, uma benevolente deidade solar e cósmica, é o centro da adoração para os seguidores do vaixnavismo. Ele aparece sob dez avatares, ou encarnações, incluindo Rama, Críxena e o Buda. Outro avatar é o Vixenu Naraiana, “representado em forma humana adormecido sobre a serpente enrolada Xexa ou Ananta, flutuando nas águas cósmicas com sua esposa, a deusa Lacximi, sentada a seus pés ao passo que o deus Brama surge de um loto que cresce do umbigo de Vixenu” (Enciclopédia de Crenças do Mundo, em inglês).


Judaísmo


...Discípulo dele (Jesus) sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés (Jo 9.28)


O termo “judaísmo”, assim como o termo “judeu”, provém da raiz “Judá”. A história dessa profissão de fé remonta ao ano 722 a.C., quando o cativeiro assírio marcou o fim do reino do norte, Israel, proporcionando a ascensão do reino do sul (Judá), que se manteve preservado dos efeitos das invasões por mais de cento e cinqüenta anos. Em 586 a.C., entretanto, tem início o cativeiro babilônico, que pôs fim à resistência do reino do sul por determinado período.

Um grupo de remanescentes constituído quase que por apenas membros da tribo de Judá, retorna a sua terra após setenta anos com o propósito de realizar seus objetivos primordiais, empenho este que culminou com o restabelecimento da nação de Israel. “Judá” e “judeu” tornaram-se então expressões que sempre estariam relacionadas, promovendo uma ligação intrínseca à nomenclatura religiosa e o nome da descendência da qual são oriundos. Dessa forma, a história, a sociedade, a religião e o governo (teocrático) predominantes em Israel, são partes de um todo chamado judaísmo.


As origens do judaísmo

Segundo a tradição histórica, as origens do judaísmo tem seu alicerce firmado no pacto de Abraão (Gn 12.1). Na religião judaica sempre se observou um código de normas baseado exclusivamente na revelação, não demonstrando princípios que pudessem ser identificados como filosofias. Foi norteado por estas revelações que se documentaram as batalhas nas quais teve parte o povo israelita, posto que o êxito ou fracasso de seus guerreiros estavam sempre relacionados a sua espiritualidade e lealdade ao Deus que admitiram para si, cujo nome deriva de um grupo de quatro letras hebraicas, identificadas no alfabeto latino por “YHWH”, com tradução para algumas variantes, uma delas, Yahweh.

Tudo o que se relaciona com Israel durante a história se mede tendo por parâmetro o exercício da fé e a obediência às normas constantes de seus escritos sagrados. Essa postura milenar que tem lugar até hoje entre o povo granjeou-lhes o título de povo do livro (Bíblia), uma vez que ele é o padrão de leis e de conduta social, embora não seja exclusivo.


O canôn judaico

Constitui-se numa relação de normas que regem tanto a vida espiritual como a social, proporcionando aos seguidores um sólido padrão de conduta, mesmo nos casos em que a fé judaica passou a enumerar paralelos filosóficos.

Com o surgimento do cristianismo, o judaísmo sentiu a necessidade de fixar em definitivo a relação de livros que identificariam seu código de fé, mas isso não ocorreu com a esperada praticidade, uma vez que grupos diversos dentro do judaísmo apontavam padrões diversos de literatura. Entre os saduceus e os samaritanos, porém, estabeleceu-se como definitivo o Pentateuco; a relação dos cinco primeiros livros da Bíblia, escritos por Moisés. Já entre os fariseus e palestinos adeptos do judaísmo, prevaleceu o cânon que hoje se observa também entre os protestantes, ou seja, o que contém trinta e nove livros, indo de Gênesis (o princípio de todas as coisas) à Malaquias, o último dos profetas menores. Há ainda o cânon chamado “alexandrino”, que aderiu a versão da LXX (septuaginta), que incorpora os livros tidos apócrifos e que se acham na Bíblia empregada pela igreja romana, sendo esta a versão utilizada, a princípio pelos judeus da diáspora.


O Talmude e a Midrash

O texto da Lei requeria uma norma de interpretação e esta realidade trouxe à tona uma publicação paralela aos escritos e que tinha esta específica finalidade, o Talmude e a Midrash.

O Talmude inclui as determinações civis e religiosas que não estão arroladas na Torah, além de apresentar explicações que esclarecem questões da Torah e do próprio Talmude. Há uma escritura incluída no Talmude, a Mishnah, uma espécie de sumário da lei oral que havia entre os séculos V a.C. e o século II d.C. A própria Mishnah se acha ligada a Gemara, por ser esta uma espécie de literatura de apoio que explica e amplia a Mishnah. O Talmude pode ser subdividido em duas partes; o Talmude palestino, concluído no século V d.C. e o babilônico, terminado dois séculos mais tarde.

A Midrash, literatura cujo conteúdo se destina à exegese da doutrina judaica, foi desenvolvido entre os séculos IV e XII d.C., e também possui duas subdivisões: o Halakha e o Haggadah. O primeiro traz as leis judaicas tradicionais, acompanhadas de preceitos mais detalhados sobre a lei e que não aparecem no texto original escrito. O segundo é composto pelas interpretações livres e inclusão de determinado número de parábolas ilustrativas, totalmente baseado nos ensinamentos das Escrituras.


Pontos doutrinários básicos do judaísmo

O judaísmo é uma religião monoteísta. Para um judeu não há Deus fora de Yahweh; um Deus que se revela a si mesmo, sendo também ele que forma o conhecimento espiritual e as normas éticas, traçando aos seus seguidores uma possibilidade de salvação que se acha intimamente ligada à justiça pessoal. O crescimento virtuoso das questões espirituais como o pós-morte e a imortalidade da alma não achou espaço no modelo original, sendo posteriormente alcançado de forma progressiva.

O monoteísmo de fato é um traço importantíssimo para o judaísmo, mas não é o único. Para destacarmos outros fundamentos doutrinários judaicos podemos nos valer de Moisés Maimônides, um judeu espanhol que viveu no século 12 a.D. Pensador sistemático, procurou condensar as crenças básicas do judaísmo, sob a forma do credo: 1 – A crença na existência de Deus. 2 – A crença na unicidade de Deus. 3 – A crença na incorporalidade de Deus. 4 – A crença na eternidade de Deus. 5 – A crença de que somente Deus deve ser adorado. 6 – A crença na profecia. 7 – A crença em Moisés como o maior dos profetas. 8 – A crença em que a Torá foi dada por Deus a Moisés. 9 – A crença em que a Torá é imutável. 10 – A crença na onisciência de Deus. 11 – A crença em que Deus recompensa e castiga. 12 – A crença na vinda do Messias. 13 – A crença na ressurreição dos mortos.


Festas solenes e outras festas

Rosh Há-Shanah é a primeira festa do ano celebrada pelos judeus e acontece no outono. Foi instituída com a finalidade de lembrar o momento em que teve início a criação do mundo. Nessa data, os judeus participantes são convidados a rememorarem o ano que se passou; corrigirem-se das faltas e voltar-se a Deus, que também é Criador e Juiz, mas, sobretudo, Pai. No culto da sinagoga, os fiéis trajam branco, como símbolo da penitência e da pureza. Um instrumento musical feito com chifre de carneiro, o shofar, é tocado repetidas vezes para estimular o arrependimento.

Outra festa importante é do Kippur, conhecida também como a festa da expiação e ocorre dez dias após a festa do ano novo. O seu dia de realização é chamado Dia do Kippur. Na sinagoga adota-se uma liturgia que dura o dia todo, na qual se entoam repetidas vezes a confissão dos pecados e as conseqüentes súplicas para a obtenção da misericórdia divina. Também acontece uma narrativa em estilo poético que rememora os ritos que o sumo sacerdote celebrava no templo durante este dia. Observa-se durante 25 horas um rigoroso jejum. Durante o ritual das confissões, todos os erros passíveis de serem cometidos entre os homens são confessados.

Além destas, há também as festas menores e as festas de peregrinação. As primeiras constituem-se da Hanukkah, a festa das luzes ou da dedicação do templo de Jerusalém, ocorrida após a vitória dos Macabeus sobre os assírios no século II a.C., e do Purin, a festa das sortes, celebrada para relembrar a salvação do povo judeu quando estava subjugado pelo império persa. Já as festas de peregrinação são: o Pesach (Páscoa), que comemora a libertação dos judeus do jugo egípcio; o Shavuoth (Pentecostes), comemoração que relembra a entrega da Lei a Moisés – os 10 mandamentos e a Torah – durante o tempo em que peregrinaram no deserto; e o Sukkoth, também chamada de “festa das tendas”, uma referência a peregrinação de quarenta anos no deserto, ocasião em o povo judeu habitou em tendas até a tomada da terra prometida.


As divisões do judaísmo

Como resultado de sua história de dispersão e exílio, há comunidades judaicas na maioria dos países. Ao longo dos séculos, costumes diferentes se desenvolveram em diferentes comunidades, e embora os judeus tenham um forte sentimento de serem um só povo, há também muitas divisões entre eles. Mencionaremos pelo menos três delas:

O judaísmo conservador é uma espécie de feliz meio termo entre o judaísmo ortodoxo e o judaísmo reformado. Não é uma seita específica dentro do judaísmo, mas uma escola de pensamentos. Teve início no começo do século 19 como reação às reformas feitas pelos rabinos. Na América, este movimento é chamado de Sinagoga Unida da América.

O judaísmo ortodoxo é a forma mais antiga do judaísmo. É formado pelos judeus tradicionalistas, unidos em torno da lei de Moisés. Observam a maioria das leis dialéticas e cerimoniais tradicionais do judaísmo. De todo judeu ortodoxo espera se que seja um estudioso das Sagradas Escrituras e das tradições judaicas. A esperança messiânica e o retorno à Palestina são doutrinas que tanto os judeus ortodoxos, como indivíduos, quanto às comunidades a eles pertencentes, sempre fizeram questão de manter.

O judaísmo reformado é a ala liberal do judaísmo. Surgiu como uma tentativa das comunidades judaicas na Europa ocidental de ajustarem-se intelectual, cultural e espiritualmente ao Iluminismo. Assim o judaísmo reformado é produto indireto do Iluminismo europeu. É como se fosse a reforma protestante do judaísmo. A ênfase recaía sobre a razão e a reformulação da liturgia.


A herança do judaísmo e do cristianismo

O judaísmo e o cristianismo são religiões marcadas por traços distintivos salientes, todavia, ambas compartilham de uma herança intelectual e espiritual bastante próxima em muitos aspectos. É isso o que alista o judeu Lapide em sua obra Israelis, Jews and Jesus: A fé em um Deus, nosso Pai; a esperança de sua salvação; a ignorância sobre os seus caminhos; a humildade diante de sua onipotência; o amor e a reverência; a dúvida quanto a nossa hesitante infidelidade; a convicção de que o amor de Deus é prejudicado pela falta de amor ao próximo; o conhecimento de que toda a fala acerca de Deus deve ser gaguejante, quando nos aproximamos dele; entre outros.


Momentos importantes na vida de um judeu

Os quatro momentos mais importantes na vida judaica são: nascimento, início da vida adulta, casamento e morte. Analisemos:

Nascimento – Oito dias após o nascimento os meninos são circuncidados, conforme o mandamento da Torá (Gn 17.10). A criança recebe um nome judaico e todos oram para que ela seja abençoada com o estudo da Torá, com casamento e com boas ações. Uma menina pode receber o nome na sinagoga por seu pai, logo após o nascimento ou em uma cerimônia especial.

Início da vida adulta – (Bar Mitsuá e Bat Mitsuá). Aos 13 anos, o menino judeu se torna um Bar Mitsuá, expressão em hebraico que significa “filho do mandamento”. Um ano antes deve receber aulas de um rabino, para aprender as leis e os costumes judaicos. Uma menina se torna automaticamente Bat Mitsuá (filha do mandamento), quando completar 12 anos. Por volta dos 15 anos elas aprendem o principal da história e dos costumes judaicos, particularmente as regras alimentares, que são responsabilidade da mulher.

Casamento – O casamento é considerado o modo de vida ideal de Deus. Os judeus têm por obrigação casar com judias, porém os casamentos mistos estão se tornando comuns. Alguns dias antes do casamento a mulher deve tomar um banho ritual. No dia do casamento, o noivo e a noiva ficam em jejum até o final da cerimônia.

O casamento propriamente dito começa com a leitura de sete bênçãos especiais. O noivo então quebra um copo com o pé, em memória da destruição do Templo. Em seguida, são levados para um quarto onde podem quebrar o jejum e ficar a sós.

Morte – A cremação não é permitida, mas alguns progressistas aceitam. Os homens são enterrados envolvidos com seu xale de oração. Não se usam flores nem música na cerimônia. Após o funeral, a família fica de luto por uma semana, e os parentes mais próximos acendem uma vela todos os anos e faz se uma prece especial na data da morte.


Kosher, as regras alimentares judaicas

Os alimentos que podem ser comidos são chamados Kosher (adequado ou permitido).

No judaísmo, a carne só pode provir de animais que ruminam e têm o casco partido. Sendo assim se excluem o porco, o camelo, a lebre, o coelho e outros. Das aves, pode-se comer as não predatórias. Dos peixes, são permitidos apenas os que possuem escamas e barbatanas; logo estão eliminados polvos, lagostas, mariscos, caranguejos, camarões etc.

Toda comida feita com sangue é proibida, já que a vida está no sangue (Lv 17.11). É proibido comer qualquer carne que não tenha sido obtida de um animal abatido segundo as regras. As frutas e verduras são todas permitidas, bem como a maioria das bebidas alcoólicas e não alcoólicas, salvo algumas exceções.

Além dessas regras, os judeus não comem derivados do leite com derivados da carne. Algumas pessoas chegam a ter duas geladeiras e duas lavadoras de louça, para que não se misturem.


Cristianismo


“...e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (At 11.26)


A palavra “cristianismo” é oriunda de “Cristo”, cujo significado é “Messias”, “pessoa consagrada”, “ungida”. Do hebraico mashiyach que foi traduzida para o grego como Christos e para o latim como Christus. É uma religião exclusivista. Jesus disse que Ele é o único caminho para o Pai (Jo 14.6), e que Ele é o único que revelou o Pai (Mt 11.27; Lc 10.22). Assim, pregamos a proeminência e exclusividade do cristianismo porque cremos naquilo que Jesus disse. Cremos em Jesus que disse ser Deus (Jo 8.58; Êx 3.14), que perdoou pecados (Lc 5.20; 7.40), e que ressuscitou da morte (Lc 24.24-29). O cristianismo envolve mais que uma simples religião, é um relacionamento íntimo com Deus. É uma confiança em Jesus e naquilo que Ele fez na cruz (1Co 15.1-4) e não naquilo que possamos fazer por nós mesmos (Ef 2.8-9).

Seu mais significativo traço distintivo é a ressurreição de Cristo e o cumprimento das profecias à sua vida relacionadas. A fé cristã prega a transitoriedade da vida terrestre que é apenas uma passagem para a vida eterna junto de Deus (Hb 11.13), usufruída por aqueles que aceitaram a Jesus como seu único e suficiente Salvador. Os ensinamentos cristãos estão contidos única e exclusivamente na Bíblia (sem livros adicionais), que está dividida entre o Antigo e o Novo Testamento. A primeira parte é a mesma do cânon judaico, já a segunda distribui-se entre Os Evangelhos, biografias de Cristo escritas pelos apóstolos Mateus, Marcos, Lucas e João; Os Atos dos Apóstolos, As Epístolas dirigidas às igrejas e o Apocalipse.

Na sua origem, o cristianismo foi apontado como uma seita surgida do judaísmo e terrivelmente perseguida (At 24.5). Quando Jesus Cristo nasceu, por volta do ano 4 a.C, na pequena cidade de Belém, próxima a Jerusalém, os judeus viviam sob a administração de governadores romanos e, por isso, aspiravam pela chegada do Messias que acreditavam que seria um homem de guerra e que governaria politicamente.

Até os 30 anos Jesus viveu anônimo em Nazaré, cidade situada no norte do atual Israel. Em pouco tempo, aproximadamente três anos, reuniu seus doze apóstolos e percorreu a região pregando sua doutrina e operando incontáveis milagres, o que o levou a ser conhecido de todos e seguido por grandes multidões. Porém, para as autoridades religiosas judaicas ele era um blasfemo, pois se autodenominava o Messias, era tido como uma espécie de agitador popular.

Por tudo isso foi preso e morto (crucificado). A tendência era que seus seguidores se dispersassem e seus ensinamentos fossem esquecidos, porém, ocorreu o contrário. É justamente nesse fato que se assenta a fé cristã. Como haviam antecipado os profetas no Antigo Testamento, Cristo ressuscitou, apareceu a seus apóstolos e ordenou que se espalhassem pelo mundo pregando sua mensagem de amor, paz, restauração e salvação.

O cristianismo firmou-se como uma religião de origem divina. Seu fundador foi o próprio filho de Deus, enviado como salvador e construtor da história junto com o homem. Ser cristão, portanto, seria engajar-se na obra redentora de Cristo, tendo como base a fé em seus ensinamentos.

Rapidamente, a doutrina cristã se espalhou pela região do Mediterrâneo e chegou ao coração do império romano. A difusão do cristianismo pela Grécia e Ásia Menor foi obra especialmente do apóstolo Paulo, que não era um dos doze e foi chamado para a missão pelo próprio Jesus (At 9.1-19). Em Roma, muitos cristãos foram transformados em mártires, comidos por leões em espetáculos no Coliseu, como alvos da ira de imperadores atacados por corrupção e devassidão.

Em 313 d.C., o imperador Constantino se converteu ao cristianismo e concedeu liberdade de culto, o que facilitou a expansão da doutrina por todo o império. Antes de Constantino, as reuniões ocorriam em subterrâneos, as famosas catacumbas que até hoje podem ser visitadas em Roma.

Desvios de percurso e situações históricas determinaram os cismas que dividiram o cristianismo em várias confissões. O primeiro grande cisma veio em 1054, quando o patriarca de Constantinopla, Miguel Keroularios, rompeu com o papa, separando do cristianismo controlado por Roma as igrejas orientais, ditas ortodoxas.

Depois, já no período da Idade Média, o cristianismo enfrentou seus maiores desafios, foi quando ocorreu o segundo grande racha. O teólogo alemão Martinho Lutero, membro da ordem religiosa dos Agostinianos, revoltou-se contra a prática da venda de indulgências e passou a defender a tese de que o homem somente se salva pela fé.

Lutero foi excomungado e fundou a Igreja Luterana. Não reconheceu a autoridade papal, negou o culto aos santos e aboliu a confissão obrigatória e o celibato entre os padres e religiosos. Porém, manteve os sacramentos do batismo e da eucaristia.

Mais tarde, a chamada Reforma Protestante deu origem a outras inúmeras igrejas cristãs que continuam até os nossos dias servindo aos propósitos do Senhor Deus na terra.


A possibilidade matemática de Jesus cumprir todas as profecias

As probabilidades a seguir foram calculadas por Peter Stoner em Science Speaks (Moody Press, 1963). Stoner diz que usando a moderna ciência da probabilidade em referência a oito profecias, encontramos que a chance de um único homem ter vivido antes da presente época e ter cumprido plenamente todas as oitos profecias é de 1 em 10 (17). Isso seria 1 em 100,000,000,000,000,000. Para ajudar a compreender esta estonteante probabilidade, Stoner ilustra isto supondo que “se nós tivéssemos 10 (17) moedas de 0,50 dólar e então espalhássemos pelo território do Texas cobriríamos toda a face do estado em uma altura de cerca de 70 cm. Seria como se marcássemos uma dessas moedas e a agitássemos junto com toda a massa de moedas sobre todo o estado e pedíssemos para que nos apontar onde esta moeda está. Que chance ele teria de acertar na primeira oportunidade? Esta é a mesma chance que os profetas tinham de escrever oito profecias e elas se cumprirem em um único homem”. No entanto, temos ainda que considerar que a Bíblia menciona cerca de 456 profecias sobre o Messias e que foram cumpridas rigorosamente. Isto é uma evidência cabal de que Jesus não cumpriu as profecias por mero acidente.


A ficção de “O Código da Vinci” contra a história bíblica

Já há alguns anos o mercantilismo percebeu que afrontar as crenças cristãs é algo muito rentável. De tempos em tempos surge alguém com um filme ou livro com este intuito. O último frenesi está sendo causado pelo livro “O código da Vinci”, de Dan Brown. Em resumo o livro propõe desvendar um suposto mistério mantido em segredo por uma sociedade secreta chamada “O priorado de Sião”. A igreja católica seria a responsável por se esforçar e guardar este segredo até os nossos dias. Mas em que consiste o grande segredo? Em que Jesus fora casado com Maria Madalena, que estava grávida quando Cristo foi crucificado. Os descendentes daquela criança ainda sobrevivem e mantêm-se no anonimato protegidos pelo Priorado de Sião, que é também o guardião da verdadeira fé em Jesus e Maria Madalena, baseada na teoria do sagrado feminino. E o que tem Da Vinci com tudo isso? A suspeita é que o pintor tenha gravado a sua devoção ao Santo Graal Feminino na representação da Última Ceia, na qual a personagem à direita de Jesus não seria São João, mas Maria Madalena, sua companheira.

Pouquíssima coisa deste enredo pode ser classificada como propriamente original. A maioria procede do fantasioso trabalho Holy Blood, Holy Grail e o resto são retalhos de ridículas e gastas teorias esotéricas e gnósticas. Thomas Roeser, pesquisador do Chicago Times, elenca alguns deslizes da obra: apresenta os Jogos Olímpicos da antiguidade como uma celebração dedicada a Afrodite, em vez de a Zeus, como seria o correto; aponta os Templários, que supostamente são os guardiões do ‘segredo’ da Madalena, como os construtores das catedrais do seu tempo, quando na verdade foram os bispos europeus; as catedrais góticas não têm qualquer simbolismo feminino como se vê na obra; o escritor cria uma personagem católica que mata para impedir que o ‘segredo’ da Madalena venha a público, um monge do Opus Deis, porém esta organização não possui monges em sua hierarquia eclesiástica; e, além disso, a obra contém inúmeros erros geográficos.

Mesmo assim, a livro está no topo de vendas em vários países do mundo e seu enredo ganhará as telas do cinema em breve. Trata-se de mais uma ficção cristã que merece uma análise mais profunda em futura edição de Defesa da Fé.


A Reforma Protestante – “O grande cisma do cristianismo”

Foi na dieta de Spira, em 1529, que os cristãos reformistas foram apelidados, pela primeira vez, de “protestantes”, devido ao protesto que os príncipes alemães fizeram ante o autoritarismo do catolicismo. A faísca para o estopim da Reforma foi acesa em 1517, pelo reformador Martinho Lutero, que protestou e condenou o uso das indulgências fixando suas 95 teses na porta da igreja católica de Wittenberg, Alemanha (31/10/1517).

Por seu ato “rebelde” Lutero foi chamado a comparecer na dieta de Worms, a fim de se retratar, mas se negou a fazê-lo. Sua atitude alterou profundamente a história do cristianismo. A Reforma prosperou e as igrejas protestantes foram fundadas em todas as partes do mundo. Hoje, graças a Deus, uma grande parcela da população ocidental é protestante. E o Brasil caminha a passos largos para ser conquistado totalmente pelo protestantismo.

Mês passado, em comemoração ao nascimento de Lutero (10/11/1483), foi veiculada uma excelente produção cinematográfica sobre sua vida. O filme leva seu nome: “Lutero – rebelde, gênio, libertador”. A produção conta a história da reforma com muita veemência e paixão. O filme mostra o lado humano de Lutero, com a mulher, sofrendo com a guerra. Segundo o presidente do Conselho da Igreja Luterana Brasileira, Luiz Artur Eicholz, “o filme consegue trazer o tempo da reforma para os dias de hoje de uma forma muito compreensível”. Rolf Keunecke, delegado do Sínodo Vale do Itajaí, ficou impressionado com o cenário e a didática do filme: “as imagens são muito impactantes e ajudam a compreender melhor o limiar do protestantismo”. Rolf Köhntopp, delegado do Sínodo Norte Catarinense, declarou que “‘Lutero’ mostra que o cristão em nenhum momento pode negar a Deus, por maior que seja a pressão. O filme causa um choque muito forte, mostra a realidade. ‘Lutero’ é uma lição de vida muito grande e também de fé e convicção”.

Sabemos o quanto é difícil e raro encontrar na mídia secular trabalhos com propostas com esta do filme “Lutero” e que ainda sejam dignos dos testemunhos que acabamos de ler. Por isso, recomendamos aos nossos leitores a apreciação desta produção, o que certamente acrescentará informações relevantes sobre a reforma, o reformador e a época em que se deu esse importante advento.


“Pergaminhos do Mar Morto no Brasil”

A autenticidade das escrituras bíblicas sempre esteve na mira dos críticos de plantão. Mesmo os “atiradores de elite”, aqueles que julgavam impossível errar o alvo, cansaram-se de tanta frustração. Nunca acertaram o alvo, na verdade, porque ele não existe. Muitos e de muitas formas foram os que gastaram suas vidas neste intento. Alguns se renderam e acabaram reconhecendo sua veracidade. Outros, não chegaram a tanto, mas perderam o vigor da convicção que apresentavam inicialmente. Este tema é importantíssimo para o cristianismo e judaísmo. A fidelidade das Escrituras encerra questões prioritárias para ambas as religiões. Teriam os escritos do Antigo Testamento existido tal como os conhecemos hoje? O que temos nas mãos não seriam textos mutilados, alterados e distorcidos ao longo dos séculos? Esses eram os ataques mais freqüentes à Bíblia, até a grande descoberta dos pergaminhos do mar morto, os documentos mais antigos já encontrados do Antigo Testamento. Unanimemente, esta é considerada a mais importante descoberta arqueológica para os cristãos em todos os tempos.

Escritos em hebraico e aramaico, em folhas de pergaminhos, os manuscritos foram encontrados por beduínos em 1947 em cavernas de Qumran, a 25 km de Jerusalém, nas proximidades do Mar Morto. A boa notícia é que eles estão em nosso país. Aliás, é a primeira vez que esta exposição se realiza na América Latina. A mostra foi uma iniciativa da Calina Projetos Culturais e do Instituto de Antigüidades de Israel, que coordena a pesquisa arqueológica israelense.

A exposição contempla dez textos, sendo três originais, de textos bíblicos dos livros Gênesis, Êxodo, Deuteronômio, Levítico, Salmos e Isaías. A exposição inclui copos de medida, garrafas, jarros, potes, pratos, moedas, tigelas, sandálias e tecidos, todos encontrados próximos à mesma região.

Depois de uma temporada de cerca de dois meses no Museu Histórico Nacional, no Rio, quando foi vista por mais de 150 mil pessoas, a exposição chegou a São Paulo no mês passado. Os crentes em geral e especialmente os apologistas não podem perder esta singular oportunidade de contemplar esta que é uma das evidências arqueológicas mais concretas da fé que defendemos.

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