Defesa da Fé

Edição 87

Adoniram Judson


Morto em 1850

A nação predominantemente budista da Birmânia, rebatizada de Mianmar, tem uma história sangrenta de missionários que entregaram as próprias vidas para compartilhar a mensagem de salvação de Jesus Cristo. Cristãos armênios chegaram à Birmânia pela primeira vez em 1612. Em 1685, foi a vez de dois missionários católicos franceses, que fundaram um pequeno hospital, apenas para serem martirizados quatro anos mais tarde. As missões protestantes começaram em 1813, quando os batistas Adoniram e Ann Judson chegaram.

Obrigado pela British East Índia Company a deixar a Índia, os judsons rapidamente se estabeleceram na Birmânia, apesar de terem sido aconselhados por William Carey, alguns meses antes, a não irem para lá. Todos os missionários anteriores acabaram mortos ou desistiram e foram embora. Mas os judsons estavam determinados, e com as habilidades lingüísticas de Adoniram, propuseram-se a traduzir a Bíblia para o idioma birmanês, tarefa concluída em 1834.

Os judsons tinham mesmo de contar com a própria determinação, pois o seu tempo na Birmânia não transcorreria sem sacrifícios.

Eles não tiveram apenas de lutar contra o calor de 40° C, as doenças e as misérias desconhecidas que tirariam a vida da primeira e da segunda esposa de Adoniram e de sete de seus treze filhos, mas também o próprio Adoniram não voltaria mais a ver seus pais e o seu irmão.

Além disso, só depois de seis anos de sua chegada à Birmânia eles conseguiram batizar seu primeiro convertido, Maung Nau.

Em 1823, Adoniram e Ann se mudaram de Rangun para a capital Ava, cerca de 500 km mais para o interior. Era um risco estar próximo do repressivo imperador. Em maio de 1824, a frota britânica chegou a Rangun e bombardeou o porto. Com isso, todos os ocidentais passaram a ser considerados espiões e, em junho, Adoniram foi arrancado de sua casa e lançado na prisão, onde sofreu diversas torturas.

Durante o tempo em que esteve preso, um dos carcereiros perguntou a Adoniram: “Quão brilhantes são as perspectivas de sua missão agora, animal estrangeiro?”. Ao que ele respondeu: “Tão brilhantes quanto as promessas de Deus, meu amigo”.

Ann estava grávida, mas ainda assim andava quilômetros todos os dias até o palácio para argumentar que Judson não era espião e pedir a clemência do imperador. Até que um dia, ela conseguiu que a situação dele fosse aliviada. Quase um ano depois, Adoniram e os outros presos foram transferidos para a prisão de uma aldeia mais distante. Ele estava magro, com os olhos fundos, vestido de farrapos e enfraquecido pela tortura.

Sua filha, Maria, havia nascido, e Ann estava quase tão magra e doente quanto Adoniram; mas ela ainda o seguia e cuidava dele o melhor que podia. Seu leite secou e o carcereiro teve pena deles e deixou que Adoniram fosse toda manhã à aldeia e pedisse que alguma mulher amamentasse a pequena Maria.

Em 4 de novembro de 1825, Judson foi posto em liberdade. O governo precisava dele como tradutor nas negociações com a Inglaterra.

Ann estava muito doente e, onze meses mais tarde, morreu de uma combinação de várias doenças tropicais. Seis meses depois, Maria também morreu.

Em 1831, aconteceu na Birmânia um grande avivamento. Judson escreveu: “Há um espírito de busca se espalhando por todos os lugares, em todo o comprimento e largura desta terra”. Ele notou que haviam distribuído cerca de 10 mil panfletos, que foram entregues somente a quem havia pedido. Alguns contristados que vieram das fronteiras com o Sião e a China disseram: “Senhor, ouvimos dizer que existe um inferno eterno. Estamos com medo. Dê-nos os escritos que ensinam como escapar”. Outros perguntavam: “Senhor, vimos uns escritos que falam sobre um Deus eterno. É você o homem que dá esses escritos? Se é o senhor, por favor, dê-nos um, pois queremos saber a verdade antes de morrer”.

Mais tarde, Judson se casou com a viúva de um de seus colegas que dera a vida no trabalho na Birmânia.

Quando Adoniram morreu, devido a doenças crônicas, havia 7 mil cristãos e 163 missionários na Birmânia. Até 1900, a comunidade batista havia crescido para quase 100 mil fiés, formada basicamente pelos nativos da tribo karen.

Louvamos a Deus pelas sementes plantadas pela vida de Adoniram na nação de Mianmar. Essas sementes continuam frutificando até hoje.


Fonte:

Concessão de VDM (missão A Voz dos Mártires). Informações extraídas de By Their Blood [Por seu sangue], de James e Marti Hefley (Grand Rapids, MI: Baker Books, 1997) e How Few There Are Who Die So Hard [Como são poucos os que não morrem fácil], de John Piper (Conferência para pastores de Bethlehem: 4 de fevereiro de 2003).

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