Defesa da Fé

Edição 87

Culturas: A Bíblia é contra ou a favor?


Por Solano Portella

“Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os fi lhos dos homens edifi cavam; e o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra” (Gênesis 11.5-9).

Definir cultura não é uma tarefa fácil. Ricardo Gondim, em seu livro É proibido, 1 indica que os antropólogos já criaram mais de trezentas defi nições. Você, possivelmente, já ouviu ou já proferiu a seguinte expressão: “Isso faz parte do contexto cultural”. Ou, com certeza, já ouviu palestras sobre “missões transculturais”. Como, então, poderíamos defi nir esse conceito? Em certo sentido, cultura se refere ao conjunto de características peculiares que identifi cam uma sociedade em determinada época. Em outro, porém, é muito mais que isso. A palavra em si vem do latim e signifi ca “trabalhar o solo” ou “cultivar”. No seu sentido mais amplo, representa o resultado da aplicação do conhecimento humano no desenvolvimento de obras e atividades que possuem mérito e qualidade, e também o envolvimento de outros na apreciação e apreensão dessas obras e atividades. Neste artigo, gostaríamos de discutir um dilema freqüente: aquele que coloca a fé cristã em antagonismo com a cultura, levando o crente a um isolamento social ou a uma aceitação indiscriminada de todos os aspectos da sociedade em que vive.


O fator “Cultura”


Um dos problemas que confrontamos é que a visão da sociedade secular tende a classifi car como “cultura” tudo o que caracteriza uma comunidade, considerando essas formas de expressão moralmente neutras. Ou seja, tudo o que um povo produz é considerado “cultura”, seja erudita ou popular.

Não existe o certo ou o errado quando se trata de cultura, mas apenas uma questão de usos e costumes. Essa compreensão não é bíblica. O crente tem de ter sempre o discernimento moral para separar as formas comportamentais que não condizem com a Palavra de Deus, independentemente se são classifi cadas como “cultura” popular ou não. Muitos líderes evangélicos têm, também, aceitado esse conceito e, por isso, buscam uma adaptabilidade total da fé cristã. Qualquer tentativa de correção de aspectos culturais é rotulada de “ocidentalização do evangelho”, ou violência cultural. Chega-se a ponto de se dizer que temos de ter “teologias regionais”, ou seja, uma teologia sul-americana, uma outra africana, e assim por diante, como se os princípios descritivos revelados por Deus não tivessem uma fonte única e imutável: a sua Palavra.

Não podemos, portanto, simplesmente aceitar uma civilização como ela é sem termos, antes, uma visão clara do que ela apresenta de contrário à Palavra de Deus. O apóstolo Paulo, o maior “missionário transcultural”, não hesitou em fazer observações sobre os habitantes da Ilha de Creta (cultura na qual estava inserido o jovem pastor Tito) que, nos dias de hoje, seriam consideradas “politicamente incorretas”. Paulo, citando um próprio poeta daquele povo: Epimênides, diz em Tito 1.10-13: “Porque existem muitos insubordinados, faladores frívolos, e enganadores, especialmente os da circuncisão. É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância. Foi mesmo dentre eles, um seu profeta que disse: cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos. Tal testemunho é exato. Portanto repreende-os severamente, para que sejam sadios na fé”.

Paulo reconhece, então, que existiam comportamentos genéricos que caracterizavam aquela cultura, e vários desses comportamentos nada mais eram do que desvios da atitude que Deus não esperava dos seus servos. Tito, em seus esforços para edificar aquela igreja, foi obrigado a reconhecer que muito daquela “cultura” fora trazido para o seio da igreja (1.5). E teve de rejeitar tal “cultura” e “repreender severamente” (v.13) e “com toda autoridade” (2.15) os que refl etiam aquele “comportamento cultural típico dos cretenses” dentro da igreja.

A nossa responsabilidade de transmitir e viver adequadamente o evangelho em qualquer cultura não nos libera de estarmos alertas aos aspectos antibíblicos exibidos na formação dos povos.

Por exemplo, por mais cultural que seja e por mais que faça parte da nossa formação, do ponto de vista bíblico, nada existe de recomendável para o famoso “jeitinho brasileiro”.

O livro já mencionado de Ricardo Gondim, que é polêmico e desafi a o nosso pensamento, e, em muitos sentidos, é muito bom, falha ao aceitar a opinião de E.A. Nida, quando diz que “um cordão para cobrir o corpo de uma mulher é uma questão cultural, dentro da visão indígena, nada tendo de imoral” (p.31).

Mas será que “cultura” é algo tão supremo e destituído de valor moral assim? Não foi o próprio Deus quem vestiu o homem caído em pecado (Gn 3.21)? Não seria a exigüidade de roupas dos índios, junto com seus costumes de explorar as mulheres no trabalho e até de assassinar as primeiras crianças, quando são do sexo feminino, uma evidência de uma sociedade distanciada dos princípios de Deus, carente do evangelho salvador de Cristo? Será que os missionários terão de preservar todos os aspectos daquela sociedade (porque se constituem em “cultura”) ou deverão procurar reformá-la e transformá-la à luz da Palavra? E nós, que faremos em meio à nossa sociedade? Vamos aceitar também “as danças sensuais” como uma expressão cultural inocente ou vamos reconhecê-la como uma banalização da imoralidade que é?


O que o crente tem a ver com a Cultura?


Por outro lado, existe a cultura verdadeira. Ou seja, o resultado do conhecimento aplicado no caldeirão das peculiaridades e diversidades operadas por Deus em todos os povos. Enquanto muitos crentes não exercitam discernimento e aceitam tudo o que é classificado como “cultura” sem se preocupar com a adequação moral e bíblica do que é apresentado, outros têm a compreensão de que qualquer coisa produzida fora da igreja, sendo do campo “secular”, não deveria ser apreciada.

Qual deve ser a abordagem equilibrada quanto a essa questão? O que a Palavra de Deus tem a nos ensinar? O Salmo 24 nos diz: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. A verdade é que a visão bíblica não faz uma separação entre o secular e o sagrado. Todas as coisas pertencem a Deus. O diabo tem atuado temporariamente na terra, mas ele é um usurpador — não é o rei por direito. Sabemos que um dos sinais da vitória final de Jesus Cristo é que Deus o exalta: “… para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra” (Fl 2.10). As demandas de Deus caem sobre todos os homens, crentes e descrentes. Seus mandamentos são válidos em todas as ocasiões e situações. Deus é a fonte de tudo aquilo que verdadeiramente tem valor e de todo o desenvolvimento veraz do conhecimento humano.


Cultura não é “Coisa do mundo”?


Temos nos acostumado a identificar o mundo como sendo uma expressão que indica apenas algo material que podemos ver e tocar. Esse tipo de compreensão coloca as coisas materiais como sendo a esfera de domínio de Satanás. Mas a Palavra de Deus nos instrui sobre o verdadeiro conceito de “mundo”. Em Gálatas 5.19-22, temos bem clara a oposição que deve ser alvo de nossa preocupação — a diferença entre o mundo e o reino de Deus:


O mundo X o reino

O mundo X o reino Obras da carne X obras do Espírito O “mundo” está descrito nos versículos 19 a 21. Ele é o domínio daquilo que se constitui nas obras da carne.

O reino de Deus está nos versículos 22 a 26 e se constitui no fruto do Espírito.


Obras da carne X obras do Espírito

“Porque as obras da carne são anifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”.

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando- nos uns aos outros”.


A separação que existe entre o bem e o mal é ético-religiosa, não é uma questão de matéria versus espírito. As coisas que constituem o bem são concretas, e são também espirituais. Por outro lado, as coisas que constituem o mal também são de natureza espiritual (Ef 6.12), isto é, não estão identificadas apenas com coisas e questões materiais.

Em outra passagem, mais precisamente em 1Timóteo 4.3,4, Paulo fala contra os que proíbem “o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças”. Isso esclarece que a verdadeira religião não é ascética. Ascetismo é a separação artificial entre o mundo material (físico), supostamente inferior, e o mundo espiritual (metafísico), supostamente superior. Como já vimos em Gálatas 5, não podemos identificar maldade com matéria e bondade com espírito. Tudo procede de Deus. Tanto as coisas materiais como as espirituais são desvirtuadas pelo pecado e pelo diabo, subvertendo a ordem da criação.

A idéia de que matéria é algo ruim é um conceito do monasticismo católico, dos escritos de Tomás de Aquino e do pensamento das religiões orientais, como, por exemplo, o budismo e a seita Hare Krishna, mas não é uma visão bíblica da realidade.

Verificamos que criamos, na igreja, uma dissociação artificial entre o sagrado e o profano. Falhamos em reconhecer que todas as coisas provêm de Deus. Estamos em uma criação caída, sob o pecado, mas cabe a nós, servos fiéis, exercermos o domínio que nos foi outorgado por Deus, para a sua glória. Isso quer dizer procurarmos adquirir o melhor conhecimento e desenvolver a apreciação pelas coisas belas da criação e aquelas que Deus permitiu às pessoas desenvolverem. Ao mesmo tempo, devemos ter discernimento cristão para rejeitar as distorções malignas existentes nas manifestações culturais.


A Cultura e o domínio da Criação


O homem é a coroa da criação, feito de uma forma toda especial à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.27). Tanto o homem quanto a mulher foram criação especial de Deus. Esse tema é retomado e explicado em mais detalhes no capítulo 3 de Gênesis.

A maioria dos teólogos cristãos identifica a questão da “imagem de Deus” no fato de que o homem foi criado com a possibilidade de refletir certos aspectos das características de Deus (os chamados atributos comunicáveis), como, por exemplo, conhecimento, justiça, santidade, amor (algumas características da divindade nunca foram compartilhadas ao homem: os atributos incomunicáveis. Por exemplo, a eternidade, a absoluta perfeição e a imensidão de Deus). Em outras palavras, a imagem de Deus no homem torna o homem uma criatura moral. Essa imagem foi afetada pela queda, pelo pecado, mas permanece como um diferencial do homem e será restaurada em sua plenitude na nossa glorificação (Rm 8.29; 2Co 3.18).

Calvino disse: “A imagem de Deus se estende a tudo aquilo que, na natureza do homem, excede o que existe nos animais” (Institutas, I, 15). A permanência de aspectos essenciais da imagem de Deus no ser humano, mesmo depois da queda, é comprovada, em adição, pela referência de Gênesis 9.6, que diz: “Porque Deus fez o homem conforme a sua imagem”.

O ser humano, com essas características, é, portanto, o recebedor capaz da delegação de domínio sobre a criação recebida em Gênesis 1.28. Os versos 28 a 30, apresentam os primeiros mandamentos dados ao homem. Estabelecem a situação de primazia, comando e administração da criação, recebida diretamente de Deus. O homem não é um acidente na criação, antes, foi especialmente colocado nela para servir a Deus, e a criação subsiste como base para servi-lo em seu propósito maior.

Gênesis 1 se encerra com a declaração de adequação da criação, só que, desta vez, em seu fecho, o texto sagrado apresenta um qualificativo a mais e registra que tudo quanto Deus fizera “era muito bom”!

Gênesis 1.28 nos ensina que Deus criou o homem e o ordenou a “dominar a terra e a sujeitá-la”. Por essa razão, colocou os outros seres viventes ao seu serviço e sob sua administração.

A mesma ordenança divina se repete em Gênesis 9.1-3, depois da queda e do dilúvio.

O exercício do domínio é impossível sem o conhecimento. Logo, tem muito a ver com cultura:

1º) Significa que Deus dá legitimidade a todas as áreas do conhecimento e das atividades humanas (exceto, é óbvio, aquelas que representam envolvimento em práticas contrárias à lei moral de Deus) que comandam as pessoas a desenvolverem o conhecimento verdadeiro sobre a criação divina. Todo e qualquer estudo sobre essa questão, à luz da Palavra de Deus, está dentro da legítima atuação do servo de Deus.

Caso contrário, como poderíamos “dominar a criação”?

2º) 1Coríntios 10.31 nos indica como deve ser esse envolvimento. Tudo o que fazemos na vida, até as coisas mais mecânicas e instintivas, como, por exemplo, comer e beber, deve ser realizado com a plena conscientização da glorificação a Deus. Era justamente essa a visão de vida dos reformadores. Para eles, o cristianismo era vida e não apenas uma filosofia idealista compartilhada. Temos de ser cuidadosos para não apresentarmos a fé cristã ao mundo como sendo um conceito distanciado que não interage no dia-a-dia das pessoas.


Cultura e beleza foram utilizadas por Deus no tabernáculo e no templo do Senhor


O tabernáculo

Em Êxodo 25.1-9, temos uma descrição dos diversos tipos de matérias-primas, trabalhos e artes utilizados sob o direcionamento e prescrição direta de Deus. Isso não somente legitima as diferentes profissões, mas também a arte e a cultura contidas em cada um dos artefatos descritos.

O artigo de uma autora cristã nos chama a atenção para o seguinte fato: “Deus permitiu que os israelitas recebessem jóias e roupas do povo do Egito e aceitou com agrado a contribuição voluntária de uma parte desses itens, que foram transformados em utensílios e enfeites para o tabernáculo, o lugar em que Ele [Deus] seria adorado”.

Moisés transmitiu a mensagem: “Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor; cada um, de coração disposto, voluntariamente a trará por ofertaW ao Senhor: ouro, prata, bronze, estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino, pêlos […] peles […] pedras de ônix e pedras de engaste” (Êx 35.5-9).

Êxodo, do capítulo 35 ao 39, descreve a beleza desse tabernáculo e os detalhes das vestes dos sacerdotes, tudo do melhor e do mais bonito.

Ouro, linho, pedras preciosas, anéis, argolas, coroa... Quando os israelitas tiraram o espólio do povo de Canaã, na medida em que Deus permitiu, o Senhor nunca deu ordens para que deixassem de lado as jóias e as roupas bonitas que estariam entre as riquezas que poderiam levar, e muito menos que as aproveitassem de outra maneira.

Portanto, nas diretrizes bíblicas sobre a construção do tabernáculo, vemos a aprovação divina de várias expressões de cultura e, o que é interessante, a apreciação de objetos de mérito procedentes de descrentes.


O templo do Senhor

Em 1Reis 6.7, lemos sobre planejamento, arquitetura e engenharia. Em 1Reis 7.14, sobre metalurgia e trabalho específico em cobre. Sabemos que essas atividades não podiam ser executadas sem conhecimento e cultura. Academicamente falando, seria necessário conhecer certas ciências, como matemática, física, química, além de habilidades artísticas reconhecidamente superiores.

O templo, erguido como símbolo (1Rs 8.27) e testemunho (1Rs 8.41), é um selo de aprovação de Deus à apreciação daquilo que o homem pode produzir de belo e ao conhecimento básico das diversas profissões, quando essas coisas são encaminhadas à glória divina.


A Cultura real tem mérito e qualidade


Já nos referimos à tendência de definir tão abrangentemente o conceito de cultura que todas as formas comportamentais são aceitas como valiosas. Essa mesma tendência se estende a outras áreas de realizações humanas, como, por exemplo, as artes plásticas e a música. Somos ensinados, por algumas pessoas, que tudo que provém espontaneamente de um povo deve ser aceitado e, até mesmo, trazido para a igreja. “É tudo uma questão de estilo”, nos dizem. Será que é mesmo assim (Fl 4.8,9)?

Até os descrentes estão começando a abrir os olhos para um julgamento mais adequado do que é considerado “arte” e “cultura”. O caderno regional de uma revista semanal de circulação nacional publicou um ensaio no qual o articulista descrevia a sua visita à Bienal de São Paulo 2 em companhia de um amigo, conhecedor de “arte”. Em frente a uma tela branca, o seu amigo conhecedor exclamava, entusiasmado: “É um marco!”. Intrigado com várias outras obras estranhas que recebiam a admiração do amigo, entre elas uma pedra cheia de chicletes pregados nela, ele indicou que não estava entendendo nada. O amigo entendido “explicou” ao apreciador perplexo:

“A arte não lida com a beleza, mas com a transgressão”. Ora, certamente esse não é o critério de Deus. Por mais difícil que seja discernirmos os critérios de julgamento, a nossa apreciação da cultura e das artes nunca pode desprezar a pergunta: “Isso possui realmente qualidade e mérito?”. Vimos que Deus, na criação, avaliou o que fez, passo a passo, e viu que era “bom”, ou seja, a criação possuía valor intrínseco. Semelhantemente, o Senhor Deus escolheu formas de artes que eram “belas” para os locais de adoração. Sejamos, portanto, apreciadores da cultura real (popular ou erudita), que tem mérito e qualidade.


Consideração final


Muitas perguntas pairam sobre nossas cabeças e deveríamos nos esforçar para responder, biblicamente, a cada uma delas:

Será que temos absorvido aspectos da nossa sociedade como “cultura”, sendo que esses aspectos, na realidade, contrariam preceitos da Palavra de Deus?

O que devemos dizer da “cultura de negócios” encontrada em nossa sociedade, aquela que leva vantagem em tudo, será que ela agrada a Deus?

Estamos nos destacando pelo nosso testemunho de contraste ou pelo nosso envolvimento inconseqüente com as manifestações “culturais” de nossa sociedade?

Será que temos nos isolado indevidamente e falhado em reconhecer as bênçãos de Deus, providenciadas por sua graça comum, quando permite que o homem escreva, componha ou produza algo que é belo e agradável? E as igrejas?

Estão absorvendo aspectos de uma cultura que contraria a Palavra de Deus ou têm reagido, de forma extremada, proibindo o que Deus não proíbe?

E qual tem sido o impacto da cultura, ao longo da história, na liturgia da igreja?

Qual deve ser o papel da igreja na transformação da cultura de um povo?

Recentemente, temos visto muitos artistas que se declaram convertidos, mas que não discernem nenhuma maldade ou imoralidade na forma de expressão que marcou suas carreiras. Por exemplo, uma dançarina, meio cantora, famosa por suas músicas entremeadas de grunhidos e suspiros, pelas roupas sumárias que usa e por sua dança erótica de segundas implicações, continua se apresentando e divulgando essa forma de “cultura” ao mesmo tempo em que se identifica com a igreja evangélica.

Será que isso está certo e agrada a Deus? Oremos para que o Senhor possa nos conceder o discernimento necessário, para que tenhamos vidas cristãs autênticas que honrem o santo nome do Senhor em todos os aspectos de nossa vida.


PARA REFLETIR:

Texto bíblico / Síntese

Gênesis 1.24-31 / A cultura é produto do domínio da criação.

Êxodo 25.1-16 / Deus utiliza o produto da cultura no seu tabernáculo.

1Pedro 3.10-18 / O crente consciente e integrado na sociedade pratica o bem.

Colossenses 1.9-18 todas as culturas. / Cristo deve ter a preeminência em tudo e em.

Colossenses 1.19-28 / Cristo é a plenitude de Deus para todas as culturas.

João 14.1-4; 17.14-23 / Cidadãos dos céus,mas unidos no mundo para transformar.

1Coríntios 10.26-31 / Tudo deve ser feito para a glória de Deus.


Leitura adicional

HORTON, Michael S. O cristão e a cultura. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998.

RICHARDSON, Don. O fator melquisedeque. São Paulo: Edições Vida Nova, 1986.

GONDIM, Ricardo. É proibido. São Paulo: Mundo Cristão, 1998.

FISHER, John. What on the World Are we Doing? Ann Arbor: Vine Books, 1996.


Notas:

1- Mundo Cristão, 1998.

2- Veja, SP, 2/12/98, p.122.

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