Defesa da Fé


A escuridão em torno dos iluminados


Uma exposição das inconsistências envolvendo a sociedade secreta dos Illuminati


Por Elvis Brassaroto Aleixo

Teólogo e mestre em Crítica Literária pela UNICAMP


Há quatro anos, aproximadamente, o mundo consagrou o romance O código da Vinci, de Dan Brown. As razões para tamanho sucesso, sem dúvida, não teve relação com a destreza literária do autor, até porque o livro é péssimo. Sua criatividade mirabolante e capacidade de distorcer a verdade levaram ao engano milhares de pessoas em todo o mundo, inclusive alguns cristãos.

A obra começava com um testemunho antes mesmo de seu prólogo, com a seguinte declaração: “Todas as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos neste romance correspondem rigorosamente à realidade”. Contudo, o livro era um amontoado de equívocos nas áreas das artes, da história e da teologia, ensejando muitas anedotas entre os especialistas.

Começamos essa matéria rememorando isso porque percebemos que algumas pessoas são tão habilidosas ao defender convictamente suas mentiras que, muitas vezes, nós mesmos não conseguimos reproduzir a mesma veemência ao defendermos aquilo que de fato é verdade.

Essa a impressão que tivemos ao assistirmos aos vídeos sobre o suposto movimento secreto dos Illuminati disponibilizados no Youtube, site que permite que seus usuários carreguem e compartilhem vídeos em formato digital. Nesses vídeos, vemos uma apresentação contundente de mentiras e especulações apocalípticas que vêm confundindo muitos cristãos, como ocorreu com a obra de Dan Brown.

Assim como Defesa da Fé se posicionou naquela ocasião, desmascarando a farsa do “Código”, nesta feita igualmente julgamos necessária uma matéria com vistas a esclarecer as impropriedades que continuam grassando no seio da Igreja evangélica brasileira sobre os Illuminati.

Salientamos que, devido ao caráter eletrônico das fontes, essa matéria não possuirá uma bibliografia sobre o tema, mas colocaremos em nosso site (www.icp.com.br) os links para aqueles que desejarem conferir a fidelidade de nossos comentários.

Os boatos envolvendo os Illuminati se inserem na atmosfera religiosa das sociedades secretas e das teorias conspiratórias, por isso, anteciparemos alguns comentários sobre esses conceitos, a fim de ambientarmos os leitores e, então, apresentarmos a história do grupo, e as especulações veiculadas sobre eles, de maneira mais contextualizada.


O que é uma sociedade secreta?


O laço sanguíneo foi o fator responsável pela criação dos primeiros grupos sociais. Seguindo uma evolução, os próximos fatores foram os casamentos entre as tribos, o desenvolvimento dos grupos religiosos e, de maneira um pouco mais complexa, a criação dos clubes políticos, os primeiros a adotarem o secretismo.

O aspecto misterioso das antigas sociedades secretas apóia-se em várias justificativas, tais como: a preservação de segredos místicos, o usufruto de alguma magia ou conhecimento exclusivo e, principalmente, a autoridade espiritual que esse conhecimento conferia aos adeptos sobre os demais membros das tribos.

Em geral, entre as peculiaridades que nortearam as sociedades secretas ao longo dos séculos, destacamos o controle sexual entre seus membros; a elevada moral e a disciplina na observância dos ritos; o alto emprego da simbologia e da linguagem hermética; os juramentos e rituais de iniciação; a tendência à filantropia, como estratégia para mascarar o caráter religioso do grupo por meio de ações sociais; o poder político e a conseqüente influência sobre as sociedades; e, obviamente, o secretismo.

É relevante lembrar que algumas características das sociedades secretas derivam do gnosticismo primitivo e são altamente reprováveis pela Bíblia, como, por exemplo, a identificação de fagulhas da divindade presente na vida de certos indivíduos espirituais e a salvação baseada em um conhecimento especial sobre a própria condição humana.

São (ou foram) exemplos de sociedades secretas mais conhecidas: a Maçonaria, a Ordem Rosacruz, a Teosofia, a Ku Klux Klan, a Ordem DeMolay, e, mais importante para o nosso propósito aqui, os Illuminati.


O que é uma teoria conspiratória?


São teorias sensacionais que visam a explicação de planos sigilosos e terríveis de uma sociedade secreta, cuja existência é inimaginável para o grande público. Em geral, essas teorias não se fundamentam na verdade, sendo produto de mentes imaginativas e excêntricas inclinadas às fábulas e lendas (1Tm 4.7; 2Tm 4.4).

São teorias que supõe que um grupo de conspiradores está envolvido num plano e suprimiu a maior parte das provas desse mesmo plano e do seu envolvimento nele. O plano pode ser qualquer coisa, desde a manipulação de governos, economias ou sistemas legais até a ocultação de informações científicas importantes ou assassinato.

Logicamente, quando essas teorias vêm à tona, impactam as pessoas ignorantes sobre os assuntos que envolvem a conspiração. Na maioria das vezes, os incautos assumem uma condição de leigos atraídos pelas “desafiadoras” perguntas: “Você não sabia...?”; “Você nunca parou para pensar...?”; “Você nunca percebeu...?”. Na verdade, não sabíamos, não paramos para pensar e não percebemos porque se tratam de invencionices.

As teorias conspiratórias necessitam de um eficaz meio de comunicação para conseguir adesão e os dias em que vivemos, com a Internet e a globalização, proporcionam um campo muito fértil para isso, a ponto de os especialistas já pensarem num “conspiracionismo” como fenômeno cultural. Os vídeos sobre os Illuminati é um expressivo e atual exemplo desse fenômeno.


As DEZ conspirações mais famosas do mundo


1. A chegada do homem à Lua é uma montagem televisiva da NASA.

2. O governo dos EUA esteve por trás do atentado de 11 de setembro.

3. A princesa britânica Diana não morreu num acidente de carro, mas foi assassinada.

4. Os judeus controlam o Wall Street, centro econômico do mundo.

5. A cientologia domina Hollywood, centro cinematográfico do mundo.

6. Paul McCartney está morto e foi substituído por um sósia.

7. A AIDS foi criada pelo homem em laboratório.

8. O assassinato do presidente dos EUA, John F. Kennedy, foi arquitetado pela CIA ou KGB.

9. Uma raça de lagartos alienígenas mutantes domina a terra.

10. Os Illuminatis controlam o mundo.


O que significa Illuminati?


Illuminati é palavra oriunda do latim, sendo o plural de illuminatus, e significa “aquele que é iluminado”. Tradicionalmente, o termo refere-se a uma sociedade secreta iluminista, fundada em 1o de maio de 1776, na Bavária, Alemanha.

Como o nome é essencialmente sugestivo, não é de se espantar que vários grupos o tenham tomado para si ao longo dos séculos. Inúmeros adeptos de seitas esotéricas e secretas evocaram para si o título “iluminados”, apregoando supostas revelações gnósticas escondidas e cifradas às pessoas normais.

Para se ter uma idéia da disputa pelo título Illuminati entre as seitas, basta dizer que, historicamente, reivindicaram o nome, além dos illuminati da Bavária, os paladianos, os illuminés, os martinistas, os alumbrados, os rozacruzes e os irmãos do livre espírito. Alguns desses grupos precederam aos próprios illuminati bavarianos. Leia os breves comentários a seguir:


A Ordem de Palladium

Suposta sociedade secreta satanista. O nome “palladiano” vem de pallas e refere-se à sabedoria e ao aprendizado. O Palladium seria uma seita anticristã esotérica, fundada no século 19 por altos representantes da maçonaria. Para os palladistas, o ídolo era a imagem do Baphomet dos Templários. Representam o auge da cultura intelectual satanista, ou melhor, da adoração a Lúcifer como o princípio da laicidade e da iluminação. Os mestres maçons, gestores da sociedade, seriam também chamados de Illuminati ou “iluminados”.


Os Alumbrados

Movimento religioso espanhol do século 16 em forma de uma seita mística, perseguida e considerada herética pela Igreja Católica. Originou-se em pequenas cidades da Região Central de Castela, em torno de 1511. Acreditavam entrar em contato direto com Deus por meio do Espírito Santo, pelas visões e experiências místicas, o que levou a Inquisição espanhola a escrever pelo menos três editais contra o grupo. Uma de suas primeiras líderes, nascida em Salamanca, filha de um trabalhador, era conhecida como La Beata de Piedrahita. Ela chegou ao conhecimento da Inquisição em 1511, reivindicando manter conversas com Jesus e a Virgem Maria.


Os Illuminés

Foi um movimento que parece ter chegado à França a partir de Sevilha, em 1623, e alcançou, a seguir, a Picardia, quando se juntou, em 1634, a Pierre Guérin, pároco de Saint-Georges de Roye. Em 1625, Pierre abriu uma escola para jovens, cuja formação foi confiada às mulheres. Por motivos de inimizade, alguns professores da entidade foram acusados de heresia e associação aos Alumbrados da Espanha. Pierre foi preso e interrogado em 1634. Cem anos depois, outro grupo mais obscuro que os Illuminés surgiu no Sul da França, em 1722, mais possivelmente associado com os Alumbrados do que o grupo anterior, e parece ter perdurado até 1794.


Os Martinistas

São chamados assim os discípulos ou seguidores de Martinez de Pasqually. Seu pai tinha uma patente emitida pelo Rei Charles Stuart, do Reino Unido, em 20/5/1738, outorgando-lhe o cargo de Grão-Mestre Delegado, com autoridade para levantar templos para o Grande Arquiteto do Universo (o GADU da maçonaria) e transmitir a Carta Patente ao seu filho mais velho. A patente e os poderes foram transmitidos, depois de sua morte, ao seu filho Martinez de Pasqually, que contava com a idade de 28 anos. Martinez foi o fundador de uma ordem composta exclusivamente por maçons: a Ordem dos Cavaleiros Maçons, Sacerdotes Eleitos do Universo. De todas as ordens maçônicas iluministas que afloraram na França, durante o século 18, nenhuma teve influência comparável ao Martinismo.


A Ordem Rosa Cruz

Muito antiga, insere-se na tradição esotérica ocidental. Esta Ordem hermética é vista por muitos rosacrucianistas antigos e modernos como um Colégio de Illuminati, formado por grandes adeptos, com o intuito de prestar auxílio à evolução espiritual da humanidade. Alguns metafísicos consideram a Ordem Rosacruz como parte da corrente de pensamento hermético-cristão do período dos tratados ocidentais de alquimia do século 14. Outros historiadores sugerem a sua origem a um grupo de protestantes alemães, entre 1607 e 1616, quando três textos anônimos foram elaborados e lançados na Europa. A influência desses textos foi tão grande que a historiadora Frances Yates denominou este período do século 17 de O período do Iluminismo Rosacruz.


Os Irmãos do Livre Espírito

Foi um movimento leigo cristão que floresceu no Norte da Europa, nos séculos 13 e 14. Surgiu em um momento de grande trauma na Europa Ocidental, durante o conflito entre o decadente papado de Avinhão e o Sacro Império Romano. A Guerra dos Cem Anos, a Peste Negra, o início da Inquisição, a queda dos Templários e os conflitos internos da Igreja servem como exemplos dos conflitos. Neste momento de crise dentro da Igreja e da sociedade como um todo, houve uma forte sensação de que o fim do mundo estava próximo e, por isso, a questão sobre a espiritualidade do homem e da salvação tornou-se mais importante. As pessoas deixaram de encontrar as respostas espirituais que procuraram a partir de Roma, e os movimentos dissidentes, como, por exemplo, os Irmãos do Livre Espírito, surgiram em toda a Europa pregando uma visão alternativa do cristianismo. Eles também foram chamados de Illuminati.

Como se vê, a mera definição de quem foram os Illuminati não é tão simples como os vídeos apresentam. É claro que não seria conveniente aos produtores dos documentários problematizarem a existência dos Illuminati ao longo da história, pois isso enfraqueceria a autenticidade e a originalidade dos Illuminati da Bavária, grupo explorado pelos vídeos. Por certo, não seria conveniente dizer que teorias de conspiração existiram aos montes e que sociedades secretas que reivindicaram o título de Illuminati precederam aos próprios bavários.


Os Illuminati da Bavária


O fundador dos Illuminati da Bavária foi o professor universitário e jesuíta Adam Weishaupt (1748-1830), em 1o de maio de 1776, auxiliado pelo barão Adolph Von Knigee, que atuou como co-fundador. O grupo era constituído por iluministas radicais que se intitulavam “perfecionistas”. O nome original do movimento foi Antigos e Iluminados Profetas da Bavária, mas, com o tempo, passou a ser chamado de Illuminati bávaros. A maioria dos integrantes do grupo era maçom e a estrutura hierárquica do movimento era tripartida da seguinte maneira:

• Classe 1 – Berçário: formado pelos chamados Ofícios de Preparação; Noviciado, Minerval e Illuminatus Menor;

• Classe 2 – Maçonaria: formada pelos graus ascendentes de Illuminatus Maior e Illuminatus Regente, também chamados de Cavaleiros Escoceses;

• Classe 3 – Mistérios: era subdividida nos graus de Mistérios Menores (Presbítero e Regente) e Mistérios Maiores (Magus e Rex).


O que foi o Iluminismo?


Iluminismo é um conceito que reúne diversas tradições filosóficas, sociais, políticas, correntes intelectuais e atitudes religiosas. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo melhor, mediante a introspecção, o livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Pode-se falar em diversos microiluminismos, diferenciando especificidades temporais, regionais e de matiz religiosa, como nos casos do Iluminismo tardio, do Iluminismo escocês e do Iluminismo católico.

Os Illuminati da Bavária conseguiram representação na maioria dos países da Europa, mas especialistas acreditam que nunca ultrapassaram a marca de dois mil membros. Na época, essa sociedade secreta atraiu grandes nomes da filosofia, da arte, da política e de outros segmentos culturais importantes. Para se ter uma noção, constavam, entre os membros, o célebre escritor alemão Goethe e o filósofo Herder, seu conterrâneo.

Não demorou e os Illuminati se infiltraram na maçonaria com o escopo de dominá-la em algumas regiões da Europa, mas foram denunciados pela Grande Loja da Inglaterra, pela Grande Oriente da França e pelos teósofos de Swedenborg, fato que tornou a presença dos Illuminati malvista na Ordem maçônica.

Cerca de oito anos após a fundação do grupo, Karl Theodor, príncipe-eleitor da Bavária, aprovou um edito que determinou a dissolução dos Illuminati. No documento, o príncipe advertiu do perigo que eles representavam à Igreja Católica e, principalmente, às monarquias européias, devido aos objetivos ideológicos políticos dos integrantes. Weishaupt foi exilado em Regensburg por ocasião da perseguição empreendida contra os Illuminati, em 1785. Caçados, tratados como criminosos, os Illuminati da Bavária desapareceram completamente do Sul da Alemanha, em 1786. Poucas lojas resistiram, e, mesmo assim, apenas na Saxônia, e somente até 1789, o que nos leva a atribuir não mais que treze anos de existência ao grupo.


A invenção dos Illuminati contemporâneos


Teóricos de conspiração acreditam que os Illuminati resistiram à perseguição na Europa por causa de seus envolvimentos com a maçonaria. Tais Illuminati modernos, segundo estes reacionários, teriam estado por trás da Revolução Francesa, da Revolução Americana, da Revolução Russa, entre outros eventos, e, hoje, estariam levando a termo um plano secreto para dissipar as monarquias européias e a religião cristã, com vistas ao estabelecimento de uma Nova Ordem Mundial baseada na razão científica. Contudo, não há evidências para apoiar a hipótese de que o grupo de Weishaupt tenha sobrevivido sequer até o século 19. Mesmo assim, vários grupos pós-modernos têm usado a fama dos Illuminati da Bavária para criar seus próprios ritos, alegando representá-los, entre os quais se incluem: Ordo Illuminatorum, Die Alten Erleuchteten Seher Bayerns, The Illuminati Order.


A conspiração dos Illuminati no Brasil


Em nosso país, os Illuminati, segundo os teóricos da conspiração, foram chamados de “aquisitores”, termo alusivo à prosperidade financeira e à influência desses membros na economia do país. As raízes desse grupo no Brasil estariam supostamente relacionadas à renúncia do presidente Jânio Quadros, que declarou abrir mão do cargo por “não agüentar presidir o país sob o peso de forças terríveis”, que seria a pressão impetrada no governo pelos tais “aquisitores”.

Os crédulos dessa teoria se esforçam para associar todos os escândalos políticos que ocorreram no país desde a ditadura militar aos “aquisitores”. Entretanto, é importante esclarecer que a existência desse grupo não é reconhecida por qualquer historiador sério. E não existe sequer um trabalho acadêmico que a confirme. A propósito, investigações científicas foram empenhadas para tentar relacionar o grupo à morte dos presidentes Juscelino Kubitschek (1902 – 1976) e João Goulart (1919 – 1976), mas nada concreto foi apresentado.


Qual é a essência dos vídeos sobre os Illuminati?


Como o leitor já percebeu, não se trata de responder aos Illuminati ou de refutá-los como grupo secreto, porquanto, este simplesmente não existe em nossos dias. O objetivo desta matéria é deixar clara a inconsistência dos vídeos, que, baseados em fábulas engendradas, alarmaram a comunidade evangélica do nosso país. Para tanto, apresentamos uma síntese das principais idéias conspiratórias contidas nesses documentários.


1. O controle das treze famílias

Todo o governo mundial está nas mãos de apenas treze famílias, que somam, aproximadamente, 125 homens e algumas mulheres e detêm cerca de 70% do capital financeiro mundial. As principais famílias desse grupo seriam a Rothschild e a Rockefeller. Todos os ramos da sociedade estariam sob o controle deles: política, economia, religião, educação, entretenimento. Tudo seria supostamente dirigido pelos líderes desses clãs, cujos laços familiares remontariam a milhares de anos.

O principal objetivo dessas famílias seria o estabelecimento de uma Nova Ordem Mundial. Mas, antes, precisariam dissolver a soberania de todos os governos, erradicar as fronteiras entre países e aniquilar as religiões do mundo, a fim de promover uma unidade dos moldes daquela arquitetada pelos construtores da torre de Babel (Gn 11.1-32).

Para esse mundo imaginável ser controlado, seria preciso reduzir a população de mais de seis bilhões de pessoas a apenas 20%, o que seria algo por volta de quinhentas mil, objetivo principal do Clube de Bilderberg, dirigido por uma das treze famílias. Essa parcela reduzida da população viveria fiscalizada por câmeras e satélites numa espécie de gigantesco “Big Brother”.


2. A aniquilação de 80% da população mundial

Haveria várias maneiras de se fazer isso, como, por exemplo, guerras, vírus e bactérias criados em laboratórios, vacinações letais, entre outros métodos. Hitler teria sido um dos illuminati satanista e teria dado uma amostra sobre como fazer isso, ao dizimar milhões de judeus na tragédia do holocausto.


3. O ataque terrorista contra o World Trade Center

Adam Weishaupt teria estabelecido 25 metas aos Illuminati, a fim de que estes viessem a controlar o mundo. Mais de 90% dessas metas já teriam sido conquistadas e, como agradecimento a Satanás pelo que já foi realizado e ainda pelo que deveria ser realizado, seria necessário o oferecimento de um megasacrifício humano, o que já teria acontecido por ocasião do ataque terrorista envolvendo as torres gêmeas do World Trade Center.


4. A associação dos Illuminati com Aleister Crowley

O maior satanista que já existiu foi Aleister Crowley, que teria sido o principal sacerdote dos Illuminati e o responsável pela criação da maioria dos símbolos satânicos e de diversos planos para a difusão do ocultismo no mundo. Os Illuminati, portanto, seriam supostos profetas de Satanás. Suas predições teriam sido compartilhadas ao mundo por meio de mensagens subliminares, cujo teor somente pode ser entendido com o conhecimento da numerologia e simbologia satânicas.


5. As profecias satânicas subliminares

Um dos indícios das tais profecias subliminares poderia ser visto em uma cena de perseguição do filme “Exterminador do futuro II”, em que se percebe a inscrição “Cuidado com 9 de setembro” em determinado viaduto destruído por um caminhão. Outra profecia sobre esse atentado teria aparecido num episódio do desenho Os Simpsons, em que dois personagens (Lisa e Bart) formam a data “9/11” com uma nota de dólar e a capa de uma revista em quadrinhos. O afamado filme Matrix, desenvolvido como trilogia, também estaria repleto de explicações sobre os intentos ocultos dos Illuminati.


6. A manipulação de palavras e números

Segundo os vídeos, aos Illuminati devem ser atribuídos os créditos pelo desenvolvimento de vários idiomas, entre eles, o inglês. Assim, eles teriam criado a palavra God, que, em inglês, significa “Deus”, como maneira de blasfemar contra o Criador, pois God, lido ao contrário, seria dog, cujo significado, na mesma língua, é “cão”, designação comum de Satanás no ocultismo.

Nesta mesma senda, o número que representaria Deus seria o 10, por ser ele o alfa e o ômega, letras que, no alfabeto grego, representam 1 e 0, respectivamente. Daí o serviço de prestação de socorro nos EUA ser convocado pelo número 911, cuja soma de algarismos resultaria em 11 (9 + 1 +1), número alusivo a Satanás. Assim, teclar o 911 seria ir um passo além de Deus, isto é, pedir auxílio a Satanás, ainda que o usuário não tenha consciência disso.


7. Profecias escondidas em programas de computador

O grupo da Microsoft Windows também teria contribuído para a promoção de mensagens proféticas subliminares. O apresentador dos vídeos desafia: digite Q33NY na fonte wingdings do programa word e o resultado obtido será: ?????, cuja leitura seria a expressão imagística do atentado de 11 de setembro. A seqüência Q33 seria o número de um dos aviões e NY, New York. Mas, o Espírito Santo teria também agido no meandro enigmático das fontes do word, em que o nome JESUS, na mesma fonte, seria convertido a ?????, em que o rosto feliz seria justificado pelo sacrifício de Cristo em nosso favor, representado no diagrama por uma cruz entre duas gotas de sangue.


8. Revelações proféticas em jogos de RPG

Outro meio de revelação profética dos Illuminati seria um jogo de RPG chamado INWO, interpretado no vídeo por Illuminati New World Order (“A Nova Ordem Mundial dos Illuminati”). Entre as cartas do jogo, constariam uma com o nome “Pentágono em chamas”, outra chamada “Ataque terrorista”, as duas profecias já cumpridas, e ainda outras várias a se cumprir, como as profecias das cartas “Desastres combinados” e “Redução da população”.


9. Outras afirmações conspiratórias

Ainda fariam parte da série de conspiração as assertivas: o aquecimento global é uma mentira; o homem nunca pisou no solo lunar; o mondex (chip implantado nas mãos) é a marca da besta; John Kennedy, presidente dos EUA, foi assassinado pelos Illuminati; Tancredo Neves não foi presidente do Brasil pelo mesmo motivo; a Globo é controlada pelos Illuminati. Etc.

Como o leitor pode concluir, não é de admirar que tanta especulação concentrada num único lugar cause tamanha confusão. O que segue é a explicação de alguns desses disparates. O espaço destinado a essa explanação não poderia dirimir todas as dúvidas, pois, para tanto, seria necessário publicar um livro. Entendemos, porém, que o simples desmascaramento de uma dessas afirmações é o suficiente para minar todas as demais.


A inexistência dos Illuminati


Em primeiro lugar, é necessário lembrar que os Illuminati da Bavária não subsistiram à perseguição que enfrentaram e, mesmo em seu curto período de existência, não se conformaram totalmente às ideologias que os vídeos lhes atribui. Existem, de fato, grupos, como, por exemplo, o Clube de Bilderberg, que possui ousadas pretensões econômicas no cenário mundial, mas muito longe de representar algo como 70% do controle financeiro do mundo, ainda que agregado a outras famílias.

O vídeo apresenta a hegemonia de um grupo que não existe e que não pode provar. É verdade que alguns grupos estão engajados na edificação de uma Nova Ordem Mundial e esse movimento é inclusive bíblico e preparatório para a assunção do anticristo, mas isso tudo é fruto de um processo histórico natural e não de um plano arquitetado secretamente.


O mondex é inconsistente como marca da besta


Quanto à marca da besta, supostamente desenvolvida pela tecnologia mondex (do grupo Master Card), em que um chip é implantado no corpo humano, Thomas Ice, especialista no assunto, recorda que muitos têm imaginado as mais variadas hipóteses sobre essa marca. Alguns dizem que ela será como o código de barras utilizado para identificação universal de produtos. Outros imaginam que seja um chip implantado sob a pele, ou uma marca invisível que possa ser lida por um scanner. Contudo, essas conjeturas não estão de acordo com o que a Bíblia diz.

Segundo ele, a marca da besta (666) não é a tecnologia do dinheiro virtual nem um dispositivo de biometria. Com propriedade, Thomas Ice entende que a Bíblia afirma, de forma precisa, que a marca da besta será: a.) a marca do anticristo, identificada com sua pessoa; b.) o número 666, não uma representação deste número; c.) uma marca, como uma tatuagem; d.) algo visível a olho nu; e.) algo sobre a pele e não dentro da pele; f.) algo facilmente reconhecível e não duvidoso; g.) algo recebido de forma voluntária; portanto, as pessoas não serão ludibriadas para recebê-la involuntariamente; h.) algo usado após o arrebatamento e não antes (segundo sua concepção pré-tribulacionista); i.) algo necessário para comprar e vender; j.) algo recebido universalmente por todos os não-cristãos, mas rejeitado pelos cristãos; k.) uma demonstração de adoração e lealdade ao anticristo; l.) algo promovido pelo falso profeta; e, por fim, m.) uma opção que selará o destino de todos os que a receberem, levando-os ao castigo eterno no lago de fogo.

É possível que a tecnologia do mondex possa representar o início de tudo isso, mas precisa haver grande evolução em sua aplicação. Por isso, precisamos ser cautelosos em nossa conclusão, pois, em tempos idos, muitos crentes viram no código de barras o cumprimento de Apocalipse 13.15-18 e deixaram de comprar alimentos básicos por causa disso. Acabaram sendo envergonhados por falta de conhecimento da Palavra de Deus.


O aniquilamento da população mundial


Muitos acreditaram que o surgimento da Influenza H1N1 foi uma invenção laboratorial, assim como sua vacina, e as duas foram desenvolvidas com o intuito de iniciar o processo de dizimação da população mundial.

Irresponsavelmente, alguns líderes religiosos recomendaram aos seus seguidores não tomarem a vacina em decorrência desse suposto fato, propagado pela Internet com rótulo de ciência. Levados pela síndrome do apocalipse, pessoas veicularam na grande rede vídeos, textos e depoimentos informando que a vacina contra a gripe poderia ser mais letal que a própria doença e que os governos mundiais tornariam obrigatória a vacinação com intenções malignas de reduzir a população mundial.

Um dos vídeos, disponibilizados no Youtube, intitulava-se: “Está chegando a hora da vacina. Quem viver verá!”. Pouco tempo se passou, muitas pessoas foram vacinadas no mundo inteiro e nada aconteceu. Os pregadores da última hora, que acusaram a vacina de ser uma estratégia de morticínio, simplesmente fizeram de conta que nada falaram e continuaram suas vidas normalmente.


A fonte wingding não é uma chave para a revelação de segredos ocultos


Esse tipo de expediente especulativo é altamente subjetivo. Wingdings é uma fonte tipográfica criada pelos designers Kris Holmes e Charles Bigelow para Microsoft, em 1990, com o nome oficial de Lucida Icons, Arrows, and Stars. Renomeada wingdings em 1992, foi distribuída em todas as edições do sistema operacional Windows a partir da versão 3.1. Em lugar dos caracteres alfanuméricos tradicionais, wingdings apresenta grupos de sinais gráficos, como setas, emotions, pictogramas, formas geométricas, símbolos religiosos e do zodíaco e ornamentos tipográficos.

Diante dessa gama de referências, não seria muito difícil a obtenção de algumas seqüências inquietantes, mas fruto de pura coincidência. Ademais, para que tais resultados “surpreendentes” sejam obtidos, muitas regras precisam ser observadas, o que requer certa manipulação. Por exemplo: a.) o idioma escolhido e o tipo de alfabeto digitado antes da conversão pode comprometer o resultado final (um teclado com caracteres hebraicos ou árabes, por exemplo); b.) algumas conversões somente dão certo com letras maiúsculas, enquanto outras apenas com minúsculas, e ainda há aquelas que exigem a digitação de algumas letras minúsculas e outras maiúsculas; c.) não se pode tentar fazer conversão de frases, mas apenas de palavras pequenas ou siglas; d.) só “funciona” para fatos e acontecimentos relacionados à humanidade, mas nunca ao indivíduo comum; e.) não se pode usar a expressão “não”. Entre outras regras.


A inconsistência lingüística do anagrama god-dog


A analogia entre God (Deus) e dog (cão) não pode ser sustentada pela evolução lingüística das palavras nem ratificada pela etimologia, ciência que estuda as origens dos vocábulos.

A primeira forma escrita conhecida da palavra germânica god vem do Códice Argenteus, situado no século 6o. A própria palavra inglesa é derivada do protogermânico gudan. A maioria dos lingüistas concorda que a forma proto-indo-européia reconstruída ?hu-tó-m estava baseada na raiz ?hau, que significava “chamar” ou “invocar”. A palavra germânica para God era originalmente neutra, podendo ser aplicada a ambos os gêneros, mas, durante o processo de cristianização do povo germânico, o termo assumiu exclusivamente o gênero masculino.

A palavra dog é oriunda do inglês medieval dogge, que, por sua vez, evoluiu do inglês arcaico docga, que era uma raça de cachorro. O termo também pode ser derivado do protogermânico dukkon, que significava “músculo do dedo”. A palavra mostra, ainda, similaridade com o diminutivo formado pelo sufixo ga no inglês antigo, tal como em frogga (“pequena rã”) picga (“pequeno porco”), stagga (“pequeno veado”) e wicga (“pequeno besouro”). Assim, docga poderia ser uma referência ao cachorro pequeno, doméstico.

Ora, como se vê, etimologicamente god não tem nada a ver com dog. Na verdade, a técnica de ler palavras de trás para frente sempre proporcionou um sem-números de possibilidades em qualquer idioma, e fazer disso algo exato é ilógico, iniciativa de mentes supersticiosas e predispostas a crer em qualquer coisa. Quem não se recorda do Código da Bíblia, do jornalista Michael Drosnin e do matemático Eliyahu Rips? Eliminando espaço entre as palavras hebraicas, com a ajuda de um software, que lia palavras em todas as direções, eles alegaram encontrar uma série de revelações ocultas no texto bíblico, contudo, quando Brendan Mckay, matemático australiano, aplicou a mesma técnica ao livro Moby Dick, chegou aos mesmos resultados, e estamos falando, agora, de uma teoria bem mais complexa do que a inversão de uma palavra ou as conversões para a fonte wingding!


As conseqüências do aquecimento global


E o que dizer da afirmação de que o aquecimento global é uma farsa? Será mentira que o Ártico e a Groelândia estão derretendo? Que os ursos polares e outros animais do Ártico respondam. Será mentira que, devido ao aquecimento das águas, a ocorrência e intensidade dos furacões dobraram nos últimos trinta anos? Que os sobreviventes a essas catástrofes respondam. Será mentira que o Brasil e outros países até então “seguros” não entraram na rota dos ciclones? O litoral Sul do Brasil pode dizer algo sobre isso. Enfim, será mentira que o nível do mar está subindo? Será mentira que o deserto está crescendo? Será mentira que as pessoas estão morrendo por causa de secas, inundações e outros fatores relacionados diretamente ao aquecimento global? Como alguém poderia dar crédito a comentários que neguem tantas evidências?


Considerações finais


Muito mais poderia ser dito. Entretanto, acreditamos que o que foi compartilhado seja suficiente para mostrar todo o sensacionalismo e a improcedência dos vídeos que tanto frisson causou entre os evangélicos. A preparação dos sistemas de coisas deste mundo para a recepção do anticristo, envolvendo os cenários político, econômico, religioso e cultural é um fato bíblico e não se pode negar isso. Contudo, explorar teorias conspiratórias para incitar o pânico na igreja evangélica não é uma atitude de cristãos comprometidos com as Escrituras. Por isso, alertamos os leitores: acautelai-vos! Boatos dessa natureza, sem qualquer preocupação com a veracidade, não foram os primeiros e não serão os últimos. Com o advento da Internet, estaremos sujeitos a outras conjecturas semelhantes. Estejamos atentos e preparados para instruir a igreja e, quando for necessário, levantarmos nossas vozes. Que o Espírito Santo nos conceda sempre o discernimento necessário para não supervalorizarmos nem subestimarmos os acontecimentos ao nosso redor. E não nos esqueçamos: “Não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele constituídas” (Rm 13.1).

Amém!


Referências bibliográficas:

BARNHART, Robert K. The Barnhart Concise Dictionary of Etymology: the Origins of American English Words, HarperCollins.

BARTON, B. The Church of Satan. New York: Hell Kitchen Productions, 1990.

HARVEY, Graham. Satanismo: realidades e acusações. Revista de Estudos da Religião, nº 3, 2002, p. 1-18. In: http://www4.pucsp.br/rever/rv3_2002/p_harvey.pdf

KOIFMAN, Fábio. História dos presidentes do Brasil: de Deodoro a Juscelino (vol.1). Rio de Janeiro: Editora Rio, 2003.

KOIFMAN, Fábio. História dos presidentes do Brasil: de Jânio a Lula (vol.2). Rio de Janeiro: Editora Rio, 2003.

ICE, Thomas. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. Chicago: Moody Press, 1995.

KLEIN, Sheley. As sociedades secretas mais perversas da história. São Paulo: Planeta, 2007.

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ROUANET, Sérgio Paulo. As razões do iluminismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

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STEVENSON, David. As origens da maçonaria: o século da Escócia (1590–1710). São Paulo: Masdras, 2009.


Links para assistir a alguns vídeos sobre os Illuminati:

Parte I - http://www.youtube.com/watch?v=EzcRoh2-DLo

Parte II - http://www.youtube.com/watch?v=jDVDUT3KpK8&feature=related

Parte III - http://www.youtube.com/watch?v=2uueQlCHhCk&feature=related

Parte IV - http://www.youtube.com/watch?v=TQGC8fX7pPw&feature=related

Parte V - http://www.youtube.com/watch?v=EoO6CElQs-Q&feature=related

Parte VI - http://www.youtube.com/watch?v=OV_gRHqwnrw&feature=related

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