Defesa da Fé


A inutilidade das genealogias mórmons


Por João Flávio Martinez

Ministro do evangelho da Igreja Batista, presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas e graduado em história e teologia.


O verdadeiro propósito de todo o trabalho genealógico dos mórmons é prover informação para os rituais do batismo pelos mortos; ordenanças seladas por procuração, quando marido e esposa são selados no casamento para o tempo e a eternidade; e ordenação e doações para parentes mortos, cujo propósito é ajudar a salvá-los ou exaltá-los.

Para levar esses ritos a efeito, os mórmons procuram o nome dos mortos, por meio de pesquisa genealógica, quando, então, são batizados em seu lugar. O presidente Joseph Fielding Smith disse: “O maior mandamento que nos é dado, e é obrigatório, é o trabalho do templo por amor de nós mesmos e por amor de nossos mortos”.


A documentação mórmon


A igreja mórmon guarda o microfilme de toda essa obra genealógica em grandes túneis cavados em uma montanha de granito em Little Cottonwood Canyon, ao sudeste de Salt Lake City, nos Estados Unidos. Essas genealogias são traçadas até séculos atrás. Quarenta e cinco milhões de pessoas já foram batizadas por procuração. Somente em 1975, mais de três milhões foram batizados em dezesseis templos mórmons. Treze equipes de televisão nos Estados Unidos e outras 67 equipes ao redor do mundo trabalham para acrescentar informação microfilmada acerca dos mortos àquelas que já existem. Mais de 120 milhões de dólares já foram gastos com este fim.

Em 1966, “a carga total de microfilme incluía 579.679.800 páginas de documentos. Havia mais de cinco bilhões de nomes nos arquivos. A igreja gasta cerca de quatro milhões de dólares por ano com a Sociedade Genealógica, que tem 575 empregados e é dirigida por uma junta, da qual fazem parte dois apóstolos”.


Advertência bíblica


A todos os que estão presos por sacerdotes e genealogias, recomendamos uma leitura muito pertinente. Libertadora! Adeus, sacrifícios. Adeus, sacerdotes. Adeus, genealogias! Não é mais preciso oferecer sacrifício por nossos pecados. Jesus ofereceu, “para sempre, um único sacrifício pelos pecados” (Hb 10.12), e, assim, desfez a necessidade de qualquer outro sacrifício.

A função principal dos sacerdotes do Antigo Testamento era oferecer sacrifícios de sangue como propiciação pelo pecado (Lv 9.1,2). Todos os seus sacrifícios simbolizavam o dia em que Cristo, o Cordeiro de Deus, derramaria seu sangue por nossos pecados. Quando Jesus morreu na cruz, a figura foi cumprida, logo, a necessidade de sacrifícios e, também, de sacerdotes deixou de existir.

Os mórmons, freqüentemente, alegam que todas as outras igrejas são falsas, exceto a deles. Uma das razões para isso, segundo eles, é que não temos autoridade, porque não temos sacerdócio oficial, apóstolos e, muito menos, profetas. Mas, o que Deus diz Deus a esse respeito?


O sacerdócio na igreja


Todo cristão, agora, é declarado sacerdote!

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).

“João, às sete igrejas que se encontram na Ásia: Graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono, e da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos, e o soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém” (Ap 1.4-6).

A morte de Cristo elimina o sacerdócio formal judaico. O véu do templo, que simboliza a separação da humanidade de Deus, foi “rasgado de alto a baixo” quando Jesus morreu e tornou-se nosso sumo sacerdote, dando-nos acesso direto a Deus (Hb 10.18-21). Agora, podemos chegar à presença de Deus por meio do seu sacrifício. Jesus é o nosso sumo sacerdote, o nosso sacrifício e o nosso mediador. Não precisamos de nenhum outro.

Todo aquele que aceita o Cordeiro sacrificial de Deus como propiciação por seu pecado e se torna cristão, passa a fazer parte dessa geração escolhida e é incluído nesse sacerdócio real. Temos a autoridade da Palavra de Deus e a habitação do Espírito Santo, que prometeu guiar-nos na verdade, a Palavra de Deus. Todos nós fomos nomeados seus embaixadores, o que nos dá imensa e certa autoridade (2Co 5.17-21). Isso não é verdade com relação ao “sacerdócio” mórmon.


As genealogias judaicas e a história


Os registros genealógicos judaicos, completamente destruídos pelos romanos, eram guardados cuidadosamente pelos judeus por causa de linhagens familiares e heranças tribais. Tanto Mateus como Lucas registram a genealogia de Cristo. Deus permitiu que essa genealogia fosse inserida em sua Palavra para que a messianidade de Jesus Cristo pudesse ser provada. Centenas de anos antes de Jesus Cristo, os profetas disseram que Ele viria de determinado povo, de determinada tribo, de determinada linhagem, de determinado indivíduo, de uma família específica. Isso fazia parte da prova magnífica de Deus de que Jesus Cristo foi Deus na carne, como dizia ser.

Depois de Jesus ter sido crucificado, Tito, no ano 70 A.D., destruiu todos os registros genealógicos de Jerusalém. Por conta disso, só restaram as informações registradas na Palavra de Deus. O Senhor Deus estava dizendo: “O Messias já veio e sua genealogia já foi provada. Está terminado”.

Os registros genealógicos eram um meio pelo qual se provavam as qualificações dos sacerdotes. Sua linhagem podia ser traçada até Arão. Ao instituir o sacerdócio judaico, Deus escolheu somente uma das doze tribos de Israel, os levitas, para serem sacerdotes. Da tribo de Levi, ele escolheu um homem, Arão, como sumo sacerdote. Todos os sacerdotes verdadeiros descendiam de Arão (Êx 28.1–31.10; Lv 8.2–9; Nm 3.1-4). Qualquer pessoa que não fosse descendente de sangue de Arão e afirmasse ser sacerdote, era sacerdote falso, a despeito das vozes que ouvisse ou das visões que tivesse reivindicando tal sacerdócio de Deus. Não importava. A descendência de Arão devia ser comprovada.

Ao permitir Deus que esses registros genealógicos fossem destruídos, depois de tê-los preservado miraculosamente por séculos, o Senhor tornou impossível que qualquer pessoa traçasse sua descendência de Arão e, assim, reivindicasse ser o sacerdote aarônico! Qualquer homem, hoje, que alega ser sacerdote segundo Arão é um falso sacerdote.

Além disso, Deus admoesta as pessoas de que “não se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que antes promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé” (1Tm 1.4). De novo, sua Palavra diz: “Evita discussões insensatas, genealogias, e contendas, e debates sobre a lei” (Tt 3.9).

Nesta era da graça, o sistema judaico foi deixado de lado por Deus. Somente os que gostariam de ser mais hebreus que os próprios hebreus apegar-se-iam ao sistema há muito rejeitado por Deus. É por isso que não temos listas do sacerdócio aarônico, listas segundo a ordem de Melquisedeque ou de qualquer outra espécie na Igreja estabelecida por Jesus Cristo. Não há tal ofício hoje. A igreja do Novo Testamento não tinha necessidade desse ofício e qualquer igreja que tiver uma ordem oficial de sacerdotes não é igreja neotestamentária. Pode ser tudo, menos Igreja cristã.


A salvação pela graça


Os mórmons dão muita importância ao sacerdócio aarônico e ao sacerdócio de Melquisedeque. Contudo, não pode haver sacerdotes hoje. Não duvidamos da integridade e da sinceridade de muitos que afirmam ser sacerdotes e daqueles que crêem que sejam. Mas, tentar restaurar o que Deus já desfez e colocar os homens, pelo menos em parte, de volta às obras, em vez de deixá-los inteiramente sob o sangue de Cristo para salvação completa e inteira, é trágico, tanto agora como na eternidade, para eles e para os que os seguem.

Nem Paulo nem Pedro afirmaram ser sacerdotes, a não ser no sentido em que todo cristão é. Como sacerdotes, podemos chegar a Deus por nós mesmos mediante o sangue do Senhor Jesus Cristo. Tornamo-nos sacerdotes quando alcançamos sua salvação completa, graciosa e eterna. Segundo a Escritura, Jesus é o único meio de salvação, mais nada (Ef 2.8,9).

Examinemos, ainda, a parábola em que Jesus falou a respeito do fariseu e do publicano, em Lucas 18.9-14. O fariseu, inegavelmente, pertencia à “única igreja verdadeira”, ou seja, ao sistema de adoração que Deus havia estabelecido no Antigo Testamento. E esse sistema ainda retinha sacerdotes, legitimamente, mas ocorreu antes da cruz. Portanto, o fariseu podia gabar-se de pertencer à única igreja verdadeira estabelecida por Deus e de respeitar um sacerdócio autorizado. O fariseu era muito religioso e, aparentemente, pelos padrões humanos, muito bom. Ele orou: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho” (Lc 18.11,12). Ele era fiel à igreja, cria em Deus, dava o dízimo de tudo quanto ganhava, era justo nos negócios e não tomava dinheiro à força ou por meios desonestos. Tratava o próximo com justiça, pagava suas dívidas e era fiel à esposa.

O publicano, por outro lado, era uma confusão. Tratava-se de um judeu que os outros consideravam ter-se vendido aos conquistadores romanos. Cobrava impostos dos judeus para os romanos. Uma das maneiras pelas quais esses publicanos desprezíveis conseguiam levar vantagem era cobrar mais imposto do que os romanos exigiam e embolsar a diferença. Alguns, por meio disso, tornavam-se ricos. O publicano não tinha boas obras que o recomendassem a Deus. É significativo que ele nada tenha dito a Deus sobre orações, dízimos e, muito menos de não ser adúltero. Ele era um pecador miserável, desonesto e sem esperança. Então, perguntamos aos mórmons: qual desses dois homens vocês deixariam entrar no céu?

O publicano orou, nem mesmo levantando os olhos para os céus, batendo no peito, em sua agonia da necessidade e convicção do pecado: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”.

Indagamos novamente: qual dos homens foi para casa “justificado”, livre do pecado, salvo?

Disse Deus a respeito do publicano: “Este desceu justificado para sua casa, (salvo, perdoado, justificado com Deus), e não aquele”. Muitos amigos mórmons me dizem, com grande veemência: “Você quer dizer que um homem que ia à igreja, tinha uma vida correta, pagava as dívidas, etc., podia morrer e não ir para o céu, e que um homem que mentia, roubava, trapaceava e levava uma vida má, podia dizer: ‘Jesus, salva-me’, e ser salvo nos últimos dias ou horas de sua vida? Besteira!”. Sim, é exatamente isto o que queremos dizer, e a Bíblia o prova. Basta ler o diálogo entre Jesus e o ladrão arrependido na cruz (Lc 23.39-43), e também a parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20.1-16).

Todos nós temos uma natureza pecaminosa. Quantidade alguma de obras jamais poderá mudar essa natureza. Somente Jesus pode realizar essa mudança. Em qualquer ponto da vida que uma pessoa aceitar a Cristo como Salvador pessoal, é aí que ela se torna nova criatura em Cristo. Então, as boas obras fluirão dela, não para comprar a salvação, mas, em amor e gratidão, provar que foi salva.

O sangue do Senhor Jesus Cristo pode lavar qualquer pessoa quando, honestamente, ela vier a Ele com todo o seu coração. Nada mais satisfará a Deus!


Notas:

1 SMITH, Joseph Fielding. Doctrines of Salvation, vol. 2, p.149.

2 TURNER, Wallace. The Mormon Establishment. Boston: Houghton Mifflin, 1966, p. 81,82.

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