Defesa da Fé


As teorias sobre os Illuminati


Fábulas de uma conspiração mundial secreta


Por G. Richard Fisher

Tradução Elvis Brassaroto Aleixo


“Assim o Senhor me falou, com sua forte mão sobre mim, advertindo-me de que não andasse pelo caminho deste povo, dizendo: Não chameis conjuração a tudo quanto este povo chama conjuração; não temais o que ele teme, tampouco vos assombreis. Ao Senhor dos Exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, e seja ele o vosso assombro” (Is 8.11-13).

A definição literal da palavra Illuminati é “o iluminado”. Foi um termo que designou inúmeros grupos desde meados do século 18. No presente século, alguns segmentos da igreja evangélica têm-se interessado pelo assunto e, às vezes, têm apresentado até mesmo certa obsessão pelos Illuminati.

Acreditamos ser melhor falar sobre Illuminati como um conceito e não como um grupo, porque há dúzias de teorias conflitantes sobre quais pessoas seriam os representantes do grupo “legítimo” e o que estariam planejando hoje. Muitos tendem a se envolver fortemente em uma investigação e perseguição aos Illuminati, atraídos pelo convencimento de que existe um plano de controle governamental e uma conspiração mundial secreta iminentes por trás de todos os acontecimentos atuais. Entretanto, as datas predeterminadas para esse acontecimento chegam e passam, mas o referido “plano” nunca é colocado em prática.

Algumas vezes, as teorias apresentam um esquema que tende a apontar o anticristo como uma pessoa específica em determinado grupo. Em geral, os Illuminati recebem o crédito por todas as ações por trás das Revoluções Francesa e Americana, sendo eles os cérebros que ditam as normas teóricas do comunismo, controlando todos os bancos e o dinheiro do mundo, a fim de assumirem o controle mundial a qualquer instante.


Documentação sobre os Illuminati


É bom ponderar que nem todas as pessoas que sustentam e promovem idéias conspiratórias semelhantes podem ser vistas como extremistas fanáticos ou membros de alguma seita. Algumas, de fato, têm ganhado proeminência no seio da igreja evangélica. O escritor e televangelista norte-americano Pat Robertson, por exemplo, escreve em seu livro, intitulado The New World Order (“A nova ordem mundial”), que os Illuminati estão a ponto de inaugurá-la em nossa geração. Tudo baseado em folclores e mitos que resistem ao tempo.

Brooks Alexander, do projeto Spiritual Counterfeits (Fraudes religiosas), comenta, de maneira clara, a grande falta de documentação que envolve a “teoria da conspiração mundial”: “Rumores e especulações ganham terreno em meio a dados escassos. Um boato circunstancial sugestivo [mas infundado] pode ir tão longe quanto nossas mentes estiverem dispostas a suportá-lo [...] Alguns teóricos são sérios, pesquisadores qualificados, mas tiveram de conquistar sua credibilidade em um contexto dominado por extremistas e desinformados. Em geral, esse não é o caso dos entusiastas das conspirações”.

A idéia de Illuminati foi resgatada por ninguém menos que Henry Ford (com um auxílio anti-semítico lamentável). Nas três décadas seguintes, a idéia foi perpetuada por homens como Gerald Winrod e Myron Fagin. Entretanto, a proposta dos Illuminati não se popularizou até a geração dos anos 60, com a rejeição crescente ao governo norte-americano, especialmente por meio da difusão dos materiais e da literatura da Sociedade John Birch , que era anti-sionista e anti-semita . A partir disso, desenvolveu-se uma concepção ilusória acerca dos Illuminati como um grupo quase que onipresente, capaz de observar tudo por meio de tecnologias recém-inventadas, como um grande big brother. Nesse contexto, os detalhes sobre as ações para o controle mundial tornaram-se secundários, até mesmo insignificantes. O que importava era a idéia de que todos estavam sendo, de alguma maneira, controlados e observados.

Alguns anos após, os Illuminati foram culpados pela crise da energia enfrentada pelos EUA e pelo escândalo de Watergate. Eles passaram a ser descritos como “filhos das trevas”, “adoradores do demônio”, não raramente associados aos cavaleiros templários, aos gnósticos e aos adoradores egípcios do sol.

No entanto, nenhum dos estudantes sérios dos Illuminati concorda totalmente em vários pontos encontrados na literatura atual, eivada de anti-semitismo, idéias de comunismo internacional, cumplicidade entre redes de bancos com a maçonaria, bruxaria e satanismo. Até mesmo a queda do comunismo foi incapaz de comprometer a crença dos obcecados por essa teoria conspiratória, pois os tais insistem em defender que um comunismo internacional ressurgirá com uma nova roupagem, mais insidiosa.

Há até mesmo algumas idéias exóticas que apresentam os Illuminati como seres alienígenas, vindos de outro espaço sideral. Existem muitas bibliografias dedicadas à relação entre os óvnis e as teorias de conspiração. As distorções e supostos testemunhos são inúmeros, desde meras visitações até abduções. A ficção científica inspira os propensos a fantasiarem histórias. Qualquer pessoa pode navegar na Internet e encontrar centenas e centenas de sites sobre ufologia. Schawa (um website muito procurado) dedica-se a informar o mundo sobre teorias de conspiração alienígenas e, também, a vender cartões detectores de aliens e quites de defesa pessoal.


Os Illuminati da Baviera


A primeira história real que poderíamos estabelecer com certeza em relação aos Illuminatti remonta à Baviera, Alemanha. Em maio de 1776, na Baviera, o dr. Adam Weishaupt, jesuíta e doutor em direito canônico da Universidade Ingolstadt, fundou uma sociedade secreta chamada “A ordem dos Illuminati”, com o apoio e a adesão das lojas maçônicas da Alemanha. Se considerarmos que esta ordem era composta por maçons e que a maçonaria também é uma sociedade secreta, então temos que “A ordem dos Illuminati” era uma espécie de sociedade secreta dentro de outra sociedade secreta.

Em 1785, os Illuminati da Baviera foram descobertos e suprimidos pelas autoridades governamentais sob a acusação de estarem planejando destronar os reis da Europa. Esses dados são unânimes em todos os relatos históricos sobre os Illuminati. Mas, há controvérsias em outros pontos. Segundo os especialistas, alega-se que a família Rothschilds teria patrocinado Weishaupt durante a existência da Ordem. Mas, isso não tem fundamento, pois os Rothschilds não tinham estabelecido sua instituição financeira bancária até meados de 1800, data posterior à derrocada do grupo Illuminatti original. Os Rothschilds não eram mais que meros negociantes até a virada do século, logo, a relação dessa família com a Ordem é totalmente improcedente.

Outra informação falsa é a de que Edmond Rothschild teria difundido o sionismo (em oposição gritante à teoria Illuminati, que muitos alegam ser anti-semita). É fato que Rothschild patrocinou os primeiros judeus a voltarem para Israel, mas isso não teve nada a ver com o “pai do sionismo”, Theodor Herzl, e as políticas sionistas pioneiras. Tudo isso poderia ser fartamente provado por meio de um simples levantamento dos diários de Herzl e de seus arquivos no museu de Jerusalém.

Ainda outra relação infundada alega que Adolf Hitler teria sido patrocinado pelos Rothschilds. Ora, a empresa bancária dos Rothschilds veio à falência na Alemanha em 1901. Suas propriedades, tanto neste país quanto na Áustria, foram confiscadas por Hitler nos anos 30 e a família sobreviveu apenas tendo poupadas as suas vidas. Alguns sócios da família foram ainda barganhados como mercadoria e comprados novamente por grande custo.

Outro documento, às vezes referido na discussão que envolve a relação entre os Illuminati e o anti-semitismo é conhecido como The Protocols of the Learned Elders of Zion (Protocolos dos anciãos intelectuais de Sião). Esses papéis mitológicos, supostamente originários na Europa de 1800, revelariam uma reunião secreta entre Satã e doze anciãos de Sião num cemitério. Na verdade, essa ficção surgiu da fértil imaginação de Hermann Goedsch, um carteiro da antiga Prússia, em 1868. Em seu romance, chamado Biarritz (nome de uma cidade francesa), havia um capítulo cujo título era “No cemitério judeu de Praga”, em que ele narra uma reunião entre Satã e os judeus proeminentes daquela época.

Esse relato inspirou outro documento chamado Rabbi’s Speech, cuja tradução é: “O discurso do rabino”. Na Rússia e na Alemanha, esse discurso estimulou as perseguições e os pogroms, nome russo como ficaram conhecidos os ataques violentos em massa contra pessoas, muitas vezes judias, com a destruição simultânea de suas casas, negócios e locais de culto.

Em 1920, “O discurso do rabino” mudou de nome, surgindo então os “Protocolos dos anciãos intelectuais de Sião”. Milhões de cópias desse documento circularam entre 1930 e 1940, e foram compulsoriamente lidas nas universidades alemãs da época, especialmente devido à conspiração mundial judaica que os protocolos revelavam.

Outra fonte constantemente manipulada é o livro intitulado Proofs of a Conspiracy Against All Religions and Governments of Europe (Provas de uma conspiração contra todas as religiões e governos da Europa), escrito por John Robison, continuamente usado nos encontros secretos dos maçons, dos Illuminati e das sociedades de leitura. A obra, publicada pela primeira vez em 1975, é atualmente conhecida apenas como Provas da conspiração. É muito interessante ler Robison para entender o que de fato ele disse e o que ele não disse, pois não é de admirar que muitos, entre aqueles que o citam, nunca o tenham lido de fato.

Robison, um matemático escocês, reproduziu em sua obra os segredos de Weishaupt. Como ele mesmo era um maçon, revela em seu livro que a maçonaria alemã havia sido corrompida por Weishaupt. Robison não menciona qualquer relação entre Weishaupt e os Rothschilds ou os judeus. Apenas adverte aos seus leitores que a maçonaria da Grã-Bretanha poderia manter-se “pura” se não ignorasse as lições deixadas por Weishaupt, nada além disso.

É muito difícil conceber como alguém pode extrair comunismo, envolvimento de instituições financeiras americanas e conspiração judaica dos escritos de Robison. É como tentar apanhar laranjas de uma macieira. A inconsistência e a ausência de evidências são incontornáveis.


Diversas especulações sobre os Illuminati


Agora, propomos aos leitores um olhar mais acurado sobre os grupos identificados com os Illuminati. Freqüntemente, eles se baseiam nos materiais escritos por Nesta Webster, mística britânica que morreu em 1960 e acreditava na reencarnação, no fascismo e na conspiração mundial dos judeus. Sua vida e escritos têm sido averiguados e expostos pelo pesquisador Richard Gilman no livro Behind World Revolution: the Strange Career of Nesta Webster (Por trás da revolução mundial: a estranha trajetória de Nesta Webster). Apesar disso, os escritos de Nesta continuam sendo empregados como fonte por cristãos como o televangelista Pat Robertson e tantos outros, numa clara demonstração do quanto suas pregações “evangélicas” dependem dessas idéias. Nesta Webster conseguiu tecer um pano cheio de verdades e falsidades ao redor de sua simpatia com as teorias de Hitler e isso confundiu muitas pessoas.

Esta matéria não tem a pretensão de esmiuçar as várias diferenças existentes em cada uma das teorias sobre os Illuminati. Tal dificuldade existe porque os Illuminati são identificados por meio de muitíssimas variáveis e porque seus adeptos freqüentemente alteram seus discursos a cada ano. Contudo, o que apresentaremos a seguir está amparado pelas sérias pesquisas desenvolvidas e publicadas no livro de Neal Wilgus, intitulado The Illuminoids: Secret Societies and Political Paranóia (Os iluminóides: as sociedades secretas e as paranóias políticas).

1. O sociólogo francês Jacques Ellul afirma que o grupo dos Illuminati foi fundado no século 11 pelos discípulos de Joachim de Floris, místico, teólogo e esoterista italiano, fundador da ordem monástica de São Giovanni, em Fiori, Itália. Teria sido banido da sociedade em 1507.

2. National Review, periódico norte-americano de tendência política convervadora, declara que os seguidores de Joachim ainda existem.

3. O cabalista francês, Eliphas Levi, alega que o grupo dos Illuminati foi fundado por Zoroastro, na Pérsia, e introduzido na Europa pelos cavaleiros templários, no século 12.

4. Levi também ensina, em seu livro History of Magic (A história da magia), que o grupo do Santo Vehn (espécie de versão católica medieval do Ku Klux Klan ) foi a base para os Illuminati.

5. Arkin Darual, em sua obra History of Secret Societies (História das sociedades secretas), identifica Hassan Sabbah como o fundador dos Illuminati em 1092.

6. De acordo com a Enciclopédia Britânica, o grupo dos Illuminati foi fundado por Adam Weishaupt, em 1776, e suprimido pelo governo da Baviera, em 1785.

7. Revistas norte-americanas populares dos anos 70, como Teenset, entre outras, apregoavam que os Illuminati controlavam o mundo empresarial da música, especialmente o rock, e que eles eram os responsáveis por arquitetar, muito habilmente, todos os assassinatos envolvendo os cantores e músicos que precederam aquela época.

8. A revista americana American opinion declarou que o “Conselho americano de relações internacionais” surgiu como uma manifestação contra uma conspiração mundial. Esse Conselho permanece como um dos principais opositores dessas teorias conspiratórias nos livros sobre o assunto.

9. Um jornal de Chicago, em 1968, apontou o prefeito da cidade como um membro dos Illuminati e disse que George Washington e Weishaupt eram a mesma pessoa.

10. Em 1969, Easter Magazine, outro periódico, afirmou que Richard Nixon (37° presidente dos EUA), Aga Khan (46º imame dos ismailitas), Lord Omar (co-fundados do discordianismo ) e John Kennedy (35° presidente dos EUA) eram todos membros dos Illuminati e foram asssassinados porque não quiseram seguir os ditames da organização secreta.

11. O olho da pirâmide, no verso da nota de um dólar, teria sido dado a Thomas Jefferson (3° presidente dos EUA e principal autor da declaração de independência) por um misterioso homem vestido de preto, que desapareceu. Presume-se que seja o selo dos Illuminati. Essa especulação é promovida pela editora Jack Chick Publicações, especialmente na série de revista em quadrinhos As cruzadas. O departamento do tesouro dos EUA, em Washington D.C., distribuiu folhetos explicativos sobre os símbolos na moeda americana, identificando o olho como “o olho de Deus”.

12. John Robison, maçon do século 19 (mencionado anteriormente nesta matéria), advertiu sobre a influência dos Illuminati da Baviera na maçonaria.

13. Nesta Webster (também citada anteriormente nesta matéria), em sua obra World Revolution (Revolução mundial), alegou que os Illuminati controlam os socialistas, os comunistas e os anarquistas.

14. De acordo com o High I.Q. Bulletin, os Illuminati são invasores alienígenas do planeta Vênus.

15. No livro Cosmic Trigger: the final Secret of Illuminati (Disparo cósmico: o último segredo dos Illuminati), o autor de ficção científica, Robert Anton Wilson, sugere que possa ter havido contatos entre seres humanos e alienígenas da estrela Sírius, a mais brilhante do céu noturno. Wilson afirma que os alienígenas têm usado as mentes humanas como receptores, por meio de um tal neurogenética interestelar, e que esses contatos podem responder tudo sobre a origem dos Illuminati.

16. Teria sido por meio da Sociedade Vril que Adolf Hitler iniciou-se no ocultismo, de acordo com a Libertarian American. Essa agência de informações declara, ainda, que a frente política dos Illuminati teria como objetivo principal o socialismo cristão e não o socialismo russo.

17. A Sociedade John Birch foi o primeiro órgão a falar sobre os Illuminati, em 1962. Sua distorção particular é ensinar que há um acordo entre os banqueiros do mundo, o “Conselho americano de relações internacionais”, o comunismo e os Rothschilds. O empréstimo mais popular da tese de John Birch foi feito em 1971, por meio do livro None dare call it conspiracy (Ninguém ousa chamar de conspiração). Seu autor, Gary Allen, datou o ano para o início do controle mundial como sendo 1976.

18. De acordo com o jornal Los Angeles Free Press, a Sociedade Teosófica é o órgão que chefia os Illuminati.

19. Há quem sugira a Sociedade John Birch como chefe dos Illuminati.

20. O pioneiro da difusão do controle mundial judaico foi Gerald Winrod, nos anos 20 e 30 do século passado. Em sua publicação, The Hidden Hand (A mão escondida), ele popularizou os “Protocolos dos anciãos intelectuais de Sião” e apontou os judeus como sendo os culpados pela Grande Depressão (considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século 20). O governo mundial, o banco mundial e os judeus apóstatas estariam prestes a tomar o controle do mundo.

21. Segundo o Bulletin to Restore the Contitution, da região de Fort Collins, Colorado, os Illuminati são compostos por adeptos do Fabianismo , da Mesa-redonda , do comunismo, do Clube de Bilderbergers , do “Conselho americano de relações internacionais”, do Rotary Club , entre outros.

22. A Golden Dawn (Amanhecer Dourado) é outra seita indicada. Allister Crowley teria criado esse grupo satânico na Inglaterra na virada do século 19. Chamando a si mesmo de anticristo, ele praticou diversos rituais envolvendo práticas imorais. O segredo foi mantido apenas para que ele conseguisse escapar da perseguição do governo. Crowley não tinha nada a ver com as conspirações, o controle mundial ou mesmo com as personalidades políticas. Sua seita foi perpetuada na Inglaterra por Margaret Murry e, nos EUA, por George Gardiner, nos anos 50, ficando conhecida como Wicca, o culto de bruxaria.

23. Alberto Rivera, ex-jesuíta anticatólico, afirma que a conspiração mundial é encabeçada pelo Vaticano.

24. O escritor sufista Adries Shah diz que os Illuminati são muçulmanos devotados ao sufismo, corrente mística e contemplativa do islamismo.

25. A visão de John Todd, sacerdote da Wicca, é uma combinação de muitas teorias, mas com algumas peculiaridades. De acordo com Todd, os Illuminati são maçons e bruxos que compõem o “Conselho americano de relações internacionais”, juntamente com membros da máfia mundial.

26. Nenhuma das questões anteriores, pois todas elas seriam falsas. Os Illuminati desenvolveram todas essas histórias para confundir as pessoas e se manterem escondidos. Ninguém jamais poderá descobrir quem são eles.

Adicionado a tudo isso, temos ainda as diversas lideranças evangélicas que se embrenharam nessas teorias conspiratórias. Jack Van Impe, Charles Taylor, John Hagee, Peter e Paul Lalonde, Larry Burkett, Pat Robertson prosseguem perpetuando a contribuição cristã para a paranóia dos Illuminati.


O que a Bíblia tem a dizer


A Bíblia fala muito sobre apostasia e nos recomenda sobre o que fazer a respeito. Na mente dos adeptos dessas teorias conspiratórias, tudo é muito mais complicado e sinistro, como podemos ler num recente artigo sobre religião e política, que assim pondera: “O medo de uma conspiração secreta contra a civilização ocidental, o cristianismo e o sistema empresarial americano é um tema recorrente que permeia nosso contexto. Na verdade, trata-se de uma resposta superficial inventada por líderes desesperados em prover uma razão simples que justifique porque as bases européias e a cultura cristã têm sido solapadas pelo humanismo secular e substituídas por um multiculturalismo pervertido e amoral no Ocidente, algo que ninguém consegue explicar facilmente. A maior expressão desse sintoma é a insistência do mito Illuminati em nossa sociedade”.

A Igreja cristã enfrenta essa guerra com todas as suas vertentes: religiões, seitas, materialismo, pensamentos novaerenses, misticismo, emocionalismo, humanismo, etc. Segundo a Bíblia, os pés da imagem vista por Daniel eram feitos de uma mistura de ferro e barro que não se ligariam (Dn 2.43). Satanás certamente está feliz por trabalhar em meio ao caos e à divisão e ele realmente não necessita de uma organização simplista e centralizada para conseguir cumprir sua “agenda”. Os pés de ferro e barro (que se misturam, mas não se ligam) somente serão destruídos pela “pedra cortada sem o auxílio de mãos”, que é o reino de Deus na terra (Dn 2.33-35, 44,45).

Indubitavelmente, pode haver muito mais teorias do que estas que mencionamos sobre os Illuminati e as combinações entre elas podem ser infindas, dependendo da imaginação de seu pregador, muitas delas possuindo teor religioso ocultista. Mas, seja qual for ela, é fácil perceber que a maioria das correntes sobre os Illuminati não possui bases histórica ou filosófica. O único denominador comum é a idéia de um conceito sobre os Illuminati. Durante praticamente duzentos anos, os Illuminati foram retratados como detentores de todos os recursos necessários para tomar o controle mundial, apesar de isso não ter ocorrido ainda. Na verdade, não há meios para que exista um grupo de pessoas tão exclusivamente poderosas para levar semelhante plano a efeito, por isso, todas as teorias se apresentam estéreis, ineficazes e ineficientes.

O iminente controle mundial por uma organização ou grupo de pessoas é um assunto revisitado desde 1776. Os mórmons, os ingleses, os japoneses, todos se candidataram, em diferentes períodos da história, como protagonistas desse grande e utópico grande feito. No final das contas, é muito provável que aqueles que escrevem artigos como este sejam vistos pelos adeptos das conspirações como um Illuminatti dentro de um grande esquema, tentando esconder a verdade.

Satanás pode e está usando essa especulação desesperada sobre os Illuminati como mais uma estratégia para enfraquecer a Igreja de Cristo e minar suas bases. Satanás tem difundido a idéia da existência dos Illuminati para dividir a Igreja em meio ao medo e à histeria religiosa. Os frutos disso são principalmente a confusão e a negação da soberania de Deus no controle dos acontecimentos mundiais.

Reconhecer a existência do pecado em todos os governos e sistemas político-econômicos é algo muito diferente de enxergar uma conspiração em toda a história da humanidade. Esperar pela vinda de Cristo como única solução viável demonstra uma visão de mundo pessimista que não tem fundamento bíblico. O texto do apóstolo Paulo, em 2Timóteo 2.1-3, ainda é um princípio válido para os nossos dias. Ainda podemos ver lideranças políticas sendo influenciadas pelo poder da oração.

Sim, há pequenas conspirações aqui, ali e em qualquer lugar. O plano para a crucificação de Jesus poderia ser visto, em certo sentido, como fruto de uma conspiração criada por fariseus, saduceus e escribas. Mas, uma conspiração mundial é muito difícil de ser imaginada se considerarmos as diferenças étnicas, raciais, religiosas, políticas, culturais, etc. Todas elas seriam barreiras intransponíveis para o cumprimento de um plano em escala mundial.

Ler toda a história da humanidade sob as lentes de uma conspiração mundial é algo muito simplista e reducionista. É ignorar a diversidade e a complexidade existentes no mundo e reduzir tudo a poucas pessoas trabalhando em prol de um plano abominável. É empacotar toda a história numa pequena caixa e deixar de fora Deus, seu plano, seu poder, sua vontade e sua Palavra.

Mas, alguém poderia objetar, dizendo: “A Bíblia não fala de um controle mundial exercido pelo anticristo?”. Sim, mas nenhum texto da Bíblia o apresenta como algo próximo ao conceito de Illuminati que temos exposto aqui. E, mesmo que esse fosse o caso, tentar armazenar armas, água e comida, como alguns adeptos das conspirações propõem, seria como se tentássemos impedir Judas de fazer o que ele estava predestinado a fazer.

O cenário exato do futuro é algo sobre o que os cristãos dedicados têm refletido há séculos. Podemos continuar a debater sobre o futuro, mas jamais permitir que isso divida o corpo de Cristo. E nisso, novamente, a maioria das idéias sobre os Illuminati não passam nem perto daquilo que a Bíblia apresenta. Muitas interpretações proféticas surgiram, fracassaram e foram ridicularizadas pelos não-crentes, trazendo vergonha para a Igreja. Se Deus quisesse que a Igreja soubesse previamente quem seria o anticristo, ele teria revelado isso na Bíblia. Pensemos sobre como vários líderes evangélicos nomearam impropriamente césares, papas, napoleões, mussolinis, hitleres, entre tantos outros presidentes e líderes mundiais como anticristos! Por que nós temos de repetir os mesmos erros óbvios do passado?

As teorias existentes sobre os Illuminati são dispersas, confusas e muito mal documentadas. As palavras de Paulo a Timóteo permanecem pertinentes a nós ainda hoje:

“Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina, nem se dêem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora” (1Tm 1.3,4).

“Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade” (1Tm 4.6,7).

“Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais [...] Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência (1Tm 6.3,4, 20).

A Igreja precisa estar preparada para enfrentar a loucura pelo reinado milenial, a datação da volta de Cristo, as síndromes de apocalipses, o ressurgimento recorrente das teorias sobre os Illuminati e tantos outros modismos que nos ameaçam diariamente. Temos uma escolha a fazer: acreditar nas fábulas dos Illuminatti, com suas dezenas de teorias contraditórias, ou acreditar na Palavra de Deus.

Qual será a sua escolha?


Fonte: Ministério PFO - Personal Freedom Outreach (http://www.pfo.org)


Notas explicativas e referências:

1 Spiritual Counterfeits Project Newsletter, Jan.-Feb. 1984, pg. 6.

2 Henry Ford foi um empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo.

3 A John Birch Society é um grupo de pressão política de extrema-direita, americacentrista que apoia o anticomunismo, governo limitado e liberdade pessoal. Foi fundada em 1958 por Robert W. Welch Jr., em Indianápolis, Indiana, e nomeada em homenagem a John Birch, um oficial da inteligência militar dos Estados Unidos e missionário Batista na 2a Guerra Mundial, que foi assassinado em 1945 pelos militantes do Partido Comunista da China.

4 Anti-sionismo é a oposição política, moral ou religiosa às várias correntes ideológicas incluídas no sionismo, inclusive ao estado judeu, criado com base nesse conceito. Eventualmente, o termo também é, muitas vezes, aplicado à oposição política ao governo de Israel, sobretudo se motivada por denúncias de violações sistemáticas de direitos humanos dos palestinos, incluindo crimes de guerra. Da mesma forma, muitas vezes se estabelece a identidade entre anti-sionismo e anti-semitismo, de modo que, afinal, uma boa parte dos opositores do governo de Israel, incluindo muitos judeus, é considerada anti-semita.

5 Anti-semitismo é a aversão ou hostilidade contra os semitas, especialmente os judeus, como etnia. Inicialmente, manifesta como hostilidade de caráter religioso, a exemplo do antijudaísmo do Medieval, no século 20, na Alemanha nazista, motivou verdadeira perseguição, baseada em doutrinas supostamente científicas.

6 O Grande Irmão, Big Brother no original, é um personagem fictício no romance 1984, de George Orwell, o enigmático ditador da Oceania. Na sociedade descrita por Orwell, todas as pessoas estão sob constante vigilância das autoridades, principalmente por teletelas (telescreen), sendo constantemente lembrados pela frase propaganda do Estado: “ O Grande Irmão zela por ti” ou “O Grande Irmão está-te observando” (do original Big Brother is watching you). A descrição física do "Grande Irmão" assemelha-se a Josef Stalin ou Horatio Herbert Kitchener.

7 O caso Watergate foi o escândalo político ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos da América que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon, eleito pelo partido republicano. Watergate, e, de certo modo, tornou-se um caso paradigmático de corrupção.

8 Os Rothschild participaram dos negócios mais dinâmicos da época, em especial a indústria têxtil, que florescia em plena Revolução Industrial. As tecelagens mecanizadas da Inglaterra produziam tecidos de qualidade em grande quantidade. Os Rothschilds passaram a negociar também essa mercadoria. O comércio do algodão, oriundo da América do Norte para as tecelagens na Grã-Bretanha, permitiu que a Casa Rothschild criasse vínculos, através do Atlântico, com a florescente economia estadunidense. Os Rothchilds fizeram grande parte de sua fortuna no fim das guerras napoleónicas, quando tiveram conhecimento da vitória da Inglaterra e lançaram um rumor no mercado de que Napoleão havia ganho a guerra. Com isso, a bolsa caiu quase a zero, e os Rothchild praticamente compraram a economia inteira da Inglaterra. Quando a verdadeira notícia de que a Inglaterra venceu a guerra foi anunciada, os Rothschild emergiram como a família mais rica da Europa

9 Fascismo. É uma doutrina totalitária desenvolvida por Benito Mussolini na Itália, a partir de 1919 e durante seu governo (1922–1945). A palavra "fascismo" deriva de fascio, nome de grupos políticos ou de militância que surgiram na Itália entre fins do século 19 e começo do século 20; mas também de fasces, que, nos tempos do Império Romano, era um símbolo dos magistrados: um machado cujo cabo era rodeado de varas, simbolizando o poder do Estado e a unidade do povo.

10 Também conhecida como KKK, é o nome de várias organizações racistas dos Estados Unidos que apóiam a supremacia branca e o protestantismo, em detrimento de outras religiões. A KKK, em seu período mais forte, foi localizada principalmente na região Sul dos EUA., em Estados como Texas e Mississipi.

11 Conhecido, também, como “o velho da montanha”, foi um missionário nizarita que, no final do século 11, converteu a região montanhosa do Norte do Irã. O local era conhecido por Alamut e atribuído a um rei antigo do Daylam.

12 O Discordianismo é uma paródia de religião, baseada no caos e fundada ou em 1958 ou em 1959. Já foi descrito como "Zen para ocidentais" e converge para algumas das interpretações mais absurdas da escola Rinzai. A deusa suprema dessa religião é Éris, que, na mitologia romana, é Discórdia.

13 O Fabianismo é uma doutrina e um movimento político-ideológico socialista democrático, reformista e não marxista, de concepção inglesa. Teve origem na Fabian Society, fundada em Londres, no final de 1883 e início de 1884, por um grupo de jovens intelectuais de diferentes linhas socialistas com o propósito de reconstruir a sociedade com o mais elevado ideal moral possível. Objetivamente, tinha a finalidade de promover a gradual difusão do socialismo, entendido como fim das injustiças econômicas e sociais da sociedade liberal, burguesa e capitalista. Mas, ao mesmo tempo, rejeitava a doutrina marxista e, especialmente, a transformação pela revolução violenta. A idéia era a de que a transição do capitalismo para o socialismo poderia ser realizada por meio de pequenas e progressivas reformas.

14 A fundação Mesa-redonda foi criada em Londres, suposto centro operacional dos Illuminati, no final do século 19. Seu primeiro líder oficial foi Cecil Rhodes, o homem que, impiedosamente, manipulou a África do Sul e tomou as terras dos negros. Apesar de, na teoria, os negros terem regressado ao poder político no controle da África, as decisões efetivas continuavam sendo realizadas pelas elites européias e americanas, por meio de presidentes africanos de fachada. Rhodes teria sido um dos maiores responsáveis por tornar a independência africana uma grande ilusão.

15 O Clube de Bilderberg é uma conferência anual não-oficia,l cuja participação é restrita a 130 convidados, muitos dos quais são personalidades influentes no mundo empresarial, acadêmico, midiático ou político. Devido ao fato de as discussões entre as personalidades públicas oficiais e líderes empresariais (além de outros) não serem registradas, esses encontros anuais são alvo de muitas críticas. O grupo de elite se encontra anualmente, em segredo, em hotéis cinco estrelas reservados espalhados pelo mundo, geralmente na Europa, embora, algumas vezes, tenha ocorrido no EUA e no Canadá.

16 O Rotary é uma organização de líderes de negócios e profissionais que presta serviços humanitários, fomenta um padrão de ética em todas as profissões e tem como missão estatutária “ajudar a estabelecer a paz e a boa vontade no mundo”. Rotary Club é definido como um clube de serviços à comunidade local e mundial sem fins lucrativos. Não é secreto nem filantrópico ou social.

17 Religion in Politics, june 15, 1997, p. 59.

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