Defesa da Fé


Quem crê no fim dos tempos?


Um panorama escatológico sobre a crença no retorno de Jesus


Por Alderi Souza de Matos

Doutor em história da Igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil


Desde o seu início, o movimento cristão tem-se caracterizado por um nítido elemento apocalíptico. O cristianismo tem uma concepção linear da história, apontando para um fim que marcará a consumação de todas as coisas. Esse elemento já estava fortemente presente no judaísmo pré-cristão, especialmente nos profetas e salmos do Antigo Testamento, com a sua esperança messiânica e a sua mensagem sobre o Dia do Senhor, a intervenção de Deus na história para libertar Israel dos seus inimigos e instaurar uma era de justiça e paz. Jesus manteve essa ênfase escatológica ao fazer da vinda iminente do reino de Deus a sua mensagem principal. Os apóstolos, nos escritos que vieram a compor o Novo Testamento, preservaram a convicção da Igreja primitiva de que os cristãos vivem em dois tempos, entre o “já” e o “ainda não”. O Filho de Deus já veio ao mundo, morreu e ressuscitou; ao mesmo tempo, Ele ainda voltará para consumar todo propósito de Deus em relação à humanidade. O reino de Deus está presente, mas ainda não alcançou a sua plenitude. Essa permanente tensão tem feito que os cristãos, a cada geração, se preocupem, com maior ou menor intensidade, com as questões referentes ao fim dos tempos.

Este artigo procura sintetizar algumas das principais atitudes dos cristãos ao longo da história em relação à volta de Cristo e aos acontecimentos a ela relacionados, entre os quais o milênio, isto é, a noção de que Cristo, na sua volta, irá instaurar um reino literal sobre a terra, durante mil anos.


A escatologia dos primeiros séculos


O período apostólico foi caracterizado por uma intensa esperança escatológica, como se pode constatar nas epístolas paulinas e gerais e, também, no Apocalipse. Todavia, ao contrário da opinião da crítica bíblica moderna, a demora ou o adiamento da parousia (termo técnico para a “presença” ou segunda vinda de Cristo) não parece ter causado grande comoção entre os primeiros cristãos. Eles simplesmente passaram a interpretar os eventos de outra maneira. Com o passar do tempo, surgiu o entendimento de que a volta de Cristo poderia não ser um evento iminente, mas, sim, muito distante no futuro. E aqueles que afirmavam o contrário foram encarados com desconfiança.

Muitos dos primeiros cristãos parecem ter entendido a ressurreição de Cristo como o início do milênio. Aliás, as preocupações milenaristas ou quiliásticas (do grego chilioi = “mil”) foram generalizadas nos primeiros séculos da Igreja. Papias (60–120 d.C.), um dos chamados “pais apostólicos”, foi o primeiro autor subseqüente ao Novo Testamento a descrever o milênio, assim como também o fez o gnóstico Cerinto (100 d.C.), embora a sua descrição dos prazeres físicos do milênio tenha escandalizado os ortodoxos. Em sua obra, Diálogo com Trifo, o judeu, o apologista Justino Mártir (c.100-165) foi um passo além de Papias ao afirmar que o milênio teria início após a vinda do anticristo e a segunda vinda de Cristo. Os fiéis mortos iriam ressuscitar e reinar com Cristo por mil anos na nova Jerusalém. Assim, ele é considerado por muitos o primeiro “pré-milenista”, ou seja, defensor da noção de que a volta de Cristo precede o milênio. Justino foi seguido nessa opinião pelo célebre bispo Irineu de Lião (130–200 d.C.), um discípulo de Papias, em sua monumental obra apologética Contra as heresias, dirigida contra os gnósticos.

Justino e Irineu viram a segunda vinda de Cristo e o milênio como eventos distantes no tempo. Todavia, no final do século 2o, alguns cristãos começaram a ver sinais de que o milênio era iminente, como foi o caso dos montanistas. Por volta do ano 172, Montano e suas auxiliares, Priscila e Maximila, começaram a afirmar que o milênio havia começado e que, em breve, Jerusalém iria descer nas proximidades da Frígia, na Ásia Menor. Também, disseram que Deus lhes dera autoridade sobre a Igreja e que rejeitar os seus pronunciamentos era blasfemar contra o Espírito Santo. No início do século 3o, Hipólito de Roma predisse que Cristo estabeleceria o milênio no ano 500, sendo um dos primeiros escritores antigos a fixarem uma data específica para a segunda vinda. Ele fez esse cálculo no seu comentário pioneiro sobre o livro de Daniel, partindo da premissa de que Cristo nascera 5500 anos após a criação do mundo. Assim, a segunda vinda e o início do milênio se dariam 500 anos depois e o mundo terminaria no ano 7000, uma idéia comum naqueles dias.

Curiosamente, o objetivo de Hipólito com essa data distante foi atenuar as expectativas de muitos de seus contemporâneos. Ele falou de um líder da Igreja síria que havia levado o seu povo ao deserto para aguardar a segunda vinda. Outro líder, do Ponto, no norte da Ásia Menor, havia predito que Cristo voltaria dentro de um ano. Quando isso não aconteceu, os seus seguidores ficaram arrasados. Muitos abandonaram a fé: “As virgens se casaram; os homens se retiraram para as suas fazendas e aqueles que haviam imprudentemente vendido as suas possessões foram vistos, mais tarde, mendigando”.

Outra tentativa de atenuar as expectativas milenistas foi feita pelo grande teólogo do século 3o, Orígenes (185–254 d.C.). Sua interpretação bíblica alegórica, não-literal, deu mais ênfase às ações praticadas pelos cristãos do que à cronologia dos eventos escatológicos. Algumas décadas mais tarde, quando a última perseguição imperial se abateu sobre a Igreja (303–311 d.C.), houve a especulação de que a temida tribulação podia ter chegado, sendo o imperador Diocleciano e o seu vice, Galério, a primeira e a segunda bestas de Apocalipse 13. Logo depois, com a vitória de Constantino e a completa inversão da situação da Igreja, muitos tiveram a impressão de que o milênio finalmente havia chegado.


A escatologia de Agostinho


Inicialmente, o grande bispo de Hipona havia abraçado a posição milenarista da maioria dos antigos cristãos. Todavia, na sua obra mais importante, A cidade de Deus (427 d.C.), ele passou a entender os mil anos de Apocalipse 20 como o período que teve início com a encarnação de Cristo, ou seja, a era da Igreja cristã. Essa nova posição, muitas vezes chamada de “amilenismo” (isto é, a negação de um milênio literal), tornou-se concepção predominante entre os cristãos ocidentais, inclusive os reformadores protestantes, por quase mil e quinhentos anos. Na era da Igreja, os santos já reinam com Cristo, embora não seja de modo tão pleno como acontecerá no reino eterno de Deus.

As razões apontadas para essa mudança de pensamento são várias. Entre elas, o fato de que, à medida que os anos passaram, Agostinho se concentrou cada vez mais nas realidades celestiais, tanto presentes quanto futuras. A terra e as realidades históricas tornaram-se cada vez menos importantes para ele. A idéia de um milênio literal na terra após a volta de Cristo parecia-lhe demasiado grosseira; tudo o que importava era a cidade de Deus. Os cristãos são peregrinos cujo verdadeiro lar é a pacífica cidade que está além da história humana. “Sem essa esperança”, disse ele, “a presente realidade é uma falsa felicidade, ela é de fato uma completa miséria”. Portanto, a primeira vinda de Cristo deu início aos últimos tempos da história humana. A consumação está além deste mundo, quando Cristo reinar plenamente no meio do seu povo restaurado, quando tiverem ficado para trás as lutas e ambigüidades da era presente.


A escatologia nos tempos da Idade Média


Curiosamente, a passagem do ano 1000 teve pouco significado apocalíptico para as pessoas da Idade Média, porque o cálculo dos anos, a partir do nascimento de Cristo, ainda era relativamente recente. Todavia, isso não significa que o cristianismo medieval estivesse pouco interessado em especulações sobre o final dos tempos. Por volta de 950, um monge chamado Adso escreveu um tratado sobre o anticristo que popularizou a idéia do “último imperador mundial”, o grande monarca que precederia a vinda do anticristo. Um elemento que alimentou o apocaliptismo desse período foi a corrupção da Igreja e a inércia dos seus líderes, situação que suscitou protestos como o da abadessa alemã Hildegarde de Bingen (1098-1179). Todavia, o mais famoso escritor sobre temas apocalípticos naquela época foi o abade Joaquim de Fiore (1135-1202), outro proponente da reforma da Igreja. Ele especulou que, logo após o ano 1200, duas forças anticristãs, possivelmente muçulmanos e hereges, iriam atacar, derrotar e perseguir intensamente os cristãos. Assim purificados, um papa reformador e as ordens monásticas criariam um mundo mais santo, onde as pessoas alcançariam uma compreensão inigualável do sentido oculto das Escrituras. Por um período indeterminado, os cristãos dominariam o mundo em um clima de paz.

Os eventos não se harmonizaram com essas previsões otimistas. Por vários séculos, os imperadores continuaram a entrar em choque com os papas, mas nem aqueles nem esses promoveram as reformas que a Igreja reclamava. Essa situação, aliada a outras realidades negativas na sociedade mais ampla, continuaram a inspirar não só a literatura apocalíptica, mas, também, os movimentos dessa natureza, como, por exemplo, o dos taboritas, seguidores extremados de João Hus, e o do frade dominicano Jerônimo Savonarola (1452–1498).

Um fato pouco conhecido são as motivações escatológicas por trás das viagens exploratórias de Cristóvão Colombo (1451–1506). O famoso navegador era assíduo estudioso da Bíblia e estava familiarizado com a escatologia de Joaquim de Fiore. Ele preparou o chamado Livro de profecias, uma coleção de predições sobre o fim do mundo e o retorno de Cristo, no qual procurou demonstrar que suas viagens serviam a um propósito divino. A descoberta de um caminho mais curto para o Oriente não só proporcionaria os fundos para a conquista de Jerusalém das mãos dos infiéis, como, também, possibilitaria a pregação do evangelho a todas as nações, dois requisitos para a volta de Cristo.


A escatologia nos tempos da Reforma


Os principais reformadores protestantes contestaram muitas doutrinas da Igreja medieval, mas não manifestaram maiores preocupações com a escatologia predominante, herdada de Agostinho. Todavia, Lutero se afastou de alguns aspectos do amilenismo medieval. Por exemplo, ele questionou a glória da Igreja histórica, cria que o papado era a manifestação do anticristo e entendia a vinda do Senhor como uma ocasião feliz e não como um dia de ira.

Como Lutero, Calvino também rejeitou explicitamente a posição milenista, considerando-a infantil e equivocada. Ele cria que a idéia do milênio impõe um limite ao reino de Cristo. Em grande parte, a escatologia de Calvino concentrou-se no futuro dos indivíduos. Nas Institutas da religião cristã, ele aborda a ressurreição final no contexto de uma seção mais ampla sobre como os indivíduos recebem a graça de Cristo. Para ele, a escatologia tem um sentido prático, pois a meditação sobre a vida futura é um elemento essencial da vida cristã.

Muito diferente foi o entendimento sobre assunto por parte de alguns anabatistas radicais. O episódio que mais contribuiu para dar uma reputação negativa ao anabatismo no século 16 ocorreu na cidade alemã de Münster. Tudo começou em 1530, quando Melchior Hoffman começou a pregar sermões apocalípticos em Estrasburgo, anunciando a vinda literal e iminente do reino de Deus. Após três anos de pregação incessante, as autoridades o lançaram na prisão, mas os seus seguidores, os melquioritas, surgiram por toda parte. Um deles foi Jan Matthys, um padeiro de Haarlem, na Holanda. Proclamando ser Enoque, a segunda testemunha do livro do Apocalipse, ele começou a pregar, de maneira agressiva, e a enviar grupos de seguidores pelos Países Baixos. Dois deles, Jan van Leyden e Gerard Boekbinder, foram para Münster, onde o principal orador da cidade, Bernhard Rothman, estava pregando idéias anabatistas a grandes multidões.

Ouvindo as notícias, Matthys teve a visão de que Münster deveria ser o local da Nova Jerusalém e se mudou para aquela cidade com os seus seguidores. No início de 1534, após a fuga de parte da população católica e luterana, Matthys assumiu o controle da cidade. Teve início, então, um período de repressão que visava “purificar” a cidade, com rebatismos forçados, confisco de propriedades, queima de livros e a execução de um ferreiro pelo próprio Matthys. No domingo de Páscoa de 1534, acompanhado de alguns seguidores, Matthys atacou o exército do bispo que estava acampado fora da cidade, sendo imediatamente morto e decapitado. Jan van Leyden assumiu a liderança, ungiu a si mesmo rei, instaurou um reino de terror e introduziu inovações, como, por exemplo, a poligamia. Em 25 de maio de 1535, o exército do bispo invadiu a cidade e matou quase todos os habitantes. Leyden e dois companheiros foram torturados até a morte com ferros em brasa. A esperança de uma nova Jerusalém havia terminado em tragédia.


A experiência escatológica americana


Nos séculos 17 e 18, com o advento do Iluminismo, houve um forte declínio do entusiasmo apocalíptico que havia caracterizado o cristianismo europeu durante vários séculos. Todavia, do outro lado do Atlântico surgiu uma nova maneira de encarar a escatologia que ficou conhecida como pós-milenismo, a crença de que a segunda vinda iria ocorrer após o milênio de paz e prosperidade para a Igreja. Esse período, o milênio, seria implantado com os esforços da Igreja, auxiliada por Deus. O pós-milenismo revelou uma atitude de profundo otimismo com relação ao progresso da Igreja e da sociedade, e foi uma doutrina geralmente aceita pelos protestantes norte-americanos até a segunda metade do século 19. Essa doutrina dominou a imprensa religiosa, os principais seminários e grande parte dos ministros, além de estar implantada na mentalidade popular.

O primeiro articulador dessa doutrina nos Estados Unidos foi o famoso teólogo calvinista e pastor congregacional Jonathan Edwards (1703-1758). No contexto do Primeiro Grande Despertamento, do qual foi um dos principais personagens, Edwards anteviu uma era de contínuo avanço do evangelho até que, por volta do ano 2000, surgisse o milênio, um período de paz, notável conhecimento, santidade e prosperidade geral. A maior contribuição de Edwards foi o entendimento de que essa obra resultaria de uma combinação da atuação do Espírito Santo com o uso de meios como a pregação do evangelho e o cultivo dos “meios ordinários de graça”. Para ele, essa visão pós-milenista era um incentivo necessário para sustentar os melhores esforços da Igreja.

A influência de Edwards continuou por várias gerações, principalmente após a Revolução Americana, quando surgiu um renovado interesse pela escatologia bíblica. Seu discípulo, Samuel Hopkins, publicou, em 1793, uma obra intitulada Tratado sobre o milênio, dando grande ênfase ao ativismo social e expressando a convicção de que a grande maioria dos seres humanos iria se converter. Suas expectativas pareceram se confirmar com a ocorrência de um avivamento muito mais vasto nas primeiras décadas do século 19, o Segundo Grande Despertamento. Neste, o personagem de maior destaque foi o avivalista Charles G. Finney (1792-1875), que levou às últimas conseqüências a ênfase de Edwards no uso de meios por parte da Igreja. Outro fervoroso partidário do otimismo pós-milenista, Finney entendia que o avivamento não era um fenômeno sobrenatural, mas resultava do uso apropriado de certas técnicas, às quais denominou de “novas medidas”.

O contínuo progresso da nova nação norte-americana e a ocorrência de mais um avivamento, em 1858, intensificaram as esperanças pós-milenistas, expressas nos termos mais triunfalistas possíveis. Mas, com a Guerra Civil (1861-1865) e os grandes problemas gerados pela imigração, urbanização e industrialização, o entusiasmo pós-milenista entrou em refluxo. Seus últimos vestígios se manifestariam no movimento do Evangelho Social, no início do século 20, que ainda insistiu em falar na conversão da sociedade e na implantação do reino de Deus na terra. O cenário estava preparado para o retorno triunfal do velho pré-milenismo abraçado por muitos cristãos antes de Agostinho.


A escatologia da era dispensacionalista


Em meio ao pós-milenismo dominante, começaram a surgir nos Estados Unidos, ainda na primeira metade do século 19, diversos movimentos de natureza fortemente apocalíptica, como foi o caso dos mórmons (“os santos dos últimos dias”) e seu profeta Joseph Smith. Outro líder influente foi William Miller, um fazendeiro da Nova Inglaterra que, por meio do estudo da Bíblia, especialmente do texto de Daniel 8.14, concluiu que Cristo iria voltar em 1843 ou 1844. A partir de 1838, a grande divulgação de suas idéias por publicações e conferências despertou enorme interesse popular. Todavia, quando as previsões de Miller não se materializaram, seus seguidores ficaram completamente desiludidos e amargurados com ele, que morreu quase esquecido, em 1849. Mesmo assim, alguns de seus simpatizantes permaneceram firmes. Um pequeno grupo da Nova Inglaterra, liderado por James White e Ellen G. White, concluiu que Miller estava certo na previsão da data, mas errado sobre o local. Em 22 de outubro de 1844, Cristo, de fato, purificou o santuário segundo a profecia de Daniel, mas o santuário estava no céu e não na terra. Cristo não apareceu na terra em virtude da não-observância do sábado por parte da Igreja. Assim, surgiu a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Mais importante para o evangelicalismo norte-americano e mundial foi o pré-milenismo dispensacionalista. As origens desse movimento remontam ao inglês John Nelson Darby (1800-1882), talentoso líder dos Irmãos de Plymouth. Suas idéias foram popularizadas nos Estados Unidos por C. I. Scofield por sua famosa Bíblia Anotada. Esse sistema derivou o seu nome do fato de dividir a história em diversas eras ou dispensações. Outra peculiaridade estava na convicção de que Deus tem dois planos completamente diferentes atuando na história: um para os judeus e outro para a Igreja. Todavia, sua doutrina mais controvertida e distintiva é a do arrebatamento da Igreja, quando Cristo virá para os seus santos, seguido da tribulação, da consumação do plano de Deus em relação aos judeus e da segunda vinda, ocasião em que Cristo voltará com os seus santos. Então, virá o milênio, seguido do juízo final e do novo céu e da nova terra.

Inicialmente, os evangélicos conservadores viram o dispensacionalismo com suspeitas. Todavia, a luta contra o liberalismo teológico aproximou os dois grupos, permitindo que os pré-milenistas fossem conquistando espaços. Em 1878, a Conferência Bíblica de Niagara aprovou uma declaração de fé que incluía, além de abertura ao pré-milenismo, ênfases evangélicas tradicionais, como, por exemplo, a autoridade das Escrituras e a necessidade da conversão pessoal. Embora tenham diferenças na área da escatologia, fundamentalistas e pré-milenistas perceberam que possuíam muitas convicções comuns, o que os levou a firmar alianças por algum tempo. O pré-milenismo também contou com o apoio de líderes populares, entre eles, o evangelista Dwight L. Moody, e com a criação de institutos bíblicos. O fato é que, no final do século 19, o pré-milenismo parecia muito mais realista do que o pós-milenismo, e os seus defensores apontavam para um grande número de problemas sociais, tais como: os “sinais dos tempos” e as evidências de que a sua posição era a mais correta.


A escatologia do século 20


Um dos fenômenos mais importantes da história da Igreja no século 20 foi o surgimento do movimento pentecostal, que teve, como uma de suas características mais distintivas, o falar em línguas. Curiosamente, os estudiosos apontam para o fato de que o pentecostalismo inicial tinha como enfoque principal a segunda vinda de Cristo. O dom de se expressar em outras línguas (xenoglossolalia) era visto simplesmente como um instrumento para a colheita final de almas antes do arrebatamento da Igreja. Essa preocupação já estivera presente em Edward Irving (1792-1834), pastor presbiteriano escocês, considerado precursor do movimento carismático, e foi muito saliente nos primeiros líderes pentecostais: Charles Fox Parham e William J. Seymour. Depois de 1910, quando ficou claro que os missionários não estavam recebendo habilidades miraculosas de falar em outras línguas humanas, os pentecostais começaram a dar maior ênfase às línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo e como uma linguagem devocional de oração. Mesmo assim, a preocupação escatológica não foi esquecida. Um exemplo disso é a Igreja do Evangelho Quadrangular, que tem como uma das quatro convicções básicas implícitas no seu nome a volta de Cristo.

Após a Segunda Guerra Mundial, o pré-milenismo despertou um interesse sem precedentes graças a fenômenos como as armas atômicas, a criação do Estado de Israel, a guerra fria entre os blocos capitalista e comunista e o surgimento da União Européia. O número de publicações sobre o tema foi impressionante, com os autores oferecendo as mais diferentes interpretações dos eventos contemporâneos à luz das profecias bíblicas. Um grande campeão de vendas por muitos anos foi o livro de Hal Lindsay, intitulado A agonia do grande Planeta Terra (1970). Muitos filmes também foram produzidos nessa área, inclusive pela indústria cinematográfica secular.

O fim da União Soviética, em 1989, e o transcurso do ano 2000 apresentaram novos desafios e a necessidade de reinterpretações, como certamente ocorrerá, também, com os últimos atentados terroristas nos Estados Unidos e suas conseqüências. Os cristãos de todas as eras ficam imaginando se o fim dos tempos não irá chegar à sua geração. Não poderia ser diferentes em nossos dias, principalmente à luz de acontecimentos tão impressionantes que o mundo tem testemunhado. Importa que os seguidores de Cristo cumpram as solenes tarefas que lhes foram confiadas, até que Cristo venha!

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