Defesa da Fé


A Ordem Internacional das Filhas de Jó


Em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó (Jó 42.15)


Por Natanael Rinaldi,

Consultor apologético do CACP e do ICP


A Bíblia recomenda aos pais que ensinem seus filhos nos caminhos de Deus, dizendo: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6). Tornando mais claro o assunto sobre o que ensinar, a Palavra de Deus nos diz o seguinte: “Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os guardares [os mandamentos], para que bem te suceda, e muito te multipliques, como te disse o Senhor Deus de teus pais, na terra que mana leite e mel” (Dt 6.3). E ainda: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (Dt 6.4-7).

Pois bem! Se você, caro leitor, tivesse uma filha num colégio e ela fosse convidada para participar de uma rodada de pizza e, no convite, tivesse uma indicação de que se tratava da arrecadação de fundos para uma entidade com o nome de Ordem Internacional das Filhas de Jó, você investigaria qual a finalidade dessa instituição ou simplesmente daria à filha o dinheiro para pagar o valor do ingresso? Isso não é uma hipótese. Foi o que aconteceu com uma pessoa relativamente nova na fé evangélica. Na época, ela estava sendo assediada por um movimento de caráter religioso, que se apresenta como se fosse uma entidade voltada ao aspecto estritamente secular.

E você, prezado leitor, já ouviu falar da Ordem Internacional das Filhas de Jó?


História e finalidade


Naturalmente, pode causar surpresa saber que a Ordem Internacional das Filhas de Jó é uma entidade, ligada à maçonaria, que trabalha na formação das jovens. Mas essa não é a única Ordem da maçonaria voltada ao segmento jovem. Os maçons possuem, ainda, a Ordem DeMolay, destinada ao público jovem, cujo objetivo é introduzir rapazes de famílias maçônicas nessa entidade religiosa.

Bem, voltando à Ordem Internacional das Filhas de Jó, ela foi fundada em 1920, pela Sra. Ethel T. Wead Mick, em Omaha, no Estado de Nebraska, EUA, com os principais propósitos:

1. Reunir meninas com parentesco maçônico para a construção do seu caráter por meio dos desenvolvimentos espiritual e moral, destacando os ensinamentos voltados à reverência a Deus e às Escrituras Sagradas;

2. Lealdade à bandeira e ao país em que se encontrem;

3. Respeito e amor para com os pais e guardiões.

A fundadora, compreendendo a importância dos ensinamentos bíblicos recebidos, desde a infância, de sua mãe (que era cristã), especialmente as belas lições encontradas no livro de Jó, decidiu dedicar parte de seu tempo e talento ao propósito de tornar possível a todas as moças compartilharem daqueles raros privilégios que ela possuía.

Após diversos anos de estudos e considerações minuciosas, com a assistência de seu marido, dr. William H. Mick, entre outros eficientes e dedicados colaboradores, ela fundou a Ordem Internacional das Filhas de Jó, em homenagem à memória de sua mãe, Elizabeth D. Wead.

Os arquivos oficiais revelam que muitas reuniões preliminares foram realizadas por mestres maçons e membros da Ordem Estrela do Oriente, entre os anos de 1918 e 1920.

Os trabalhos ritualísticos da Ordem são baseados no triângulo, nas três filhas de Jó, na Bíblia, na educação e na representação emblemática das eras latinas e gregas.

A Ordem Internacional das Filhas de Jó foi organizada com o consentimento de J. B. Fradenburg, grão-mestre da grande Loja Maçônica de Nebrasca, EUA, e da Ordem Internacional Estrela do Oriente, representada por sua dirigente, Sra. Anna J. Davis, e seu grande patrono, Irmão James E. Bednar. Contudo, toda essa anuência estava condicionada à observância das seguintes regras:

• Ser conhecida como Ordem Internacional das Filhas de Jó;

• Ser uma sociedade composta por moças em evolução que acreditem em Deus e possuam parentesco maçônico;

• Ter como espaço de reunião um local chamado Bethel, que significa “casa de Deus”. O primeiro Bethel foi instalado no templo maçônico de Omaha, Nebraska. Desde então, os Bethéis se multiplicaram por muitos países;

• Basear-se no livro de Jó, com referência especial ao seguinte texto: “E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos” (42.15);

• Ser ensinado e desenvolvido em três épocas (não graus);

• Ter como lema: “A virtude é uma qualidade que enobrece uma mulher”;

• Ter como símbolos a Bíblia Sagrada, a cornucópia da fartura e o lírio do vale;

• Prestar juramentos baseados na honra;

• Ser uma organização democrática, com direito de apelar à autoridade suprema, com todos os membros e guardiães sujeitos às leis da Ordem;

• Ter um Supremo Conselho Protetor, com constituição e leis consoantes às regras da Ordem.


Programa Jobie-to-Bee


O programa Jobie-to-Bee é um projeto que visa a integração de meninas menores de dez anos. As abelhinhas, como são chamadas, podem se iniciar na Ordem por meio desse programa. É uma forma de envolvê-las nas atividades sociais do Bethel, antes que se tornem membros definitivos. O projeto “Abelhinhas” pode ser implantado em qualquer Bethel.


Subordinação à maçonaria


Segundo site oficial da Ordem Internacional das Filhas de Jó (http://www.iojd.org), um Bethel, para ser instalado, precisa ser patrocinado por uma loja maçônica, um corpo maçônico ou um grupo de maçons.

A autorização para a instalação de um Bethel, a exemplo do que já lemos, vem dos Estados Unidos, por meio da Suprema Guardiã, que, após aprovar o novo Bethel, envia aos interessados uma Carta Constitutiva, documento que endossa e oficializa o novo templo.

É necessária a realização de atividades filantrópicas, o que inclui angariar fundos para caridades específicas, além de coletas para caridades nacionais e trabalhos sociais em favor dos necessitados.


Confronto bíblico


Qualquer leitor menos informado sobre os ensinos maçônicos e as obrigações impostas às jovens da Ordem em questão, notará que, em confronto com a Bíblia, não há o que criticar dos itens expostos como responsabilidades das integrantes da Ordem. Mas, para os que estão a par dos ensinos e práticas maçônicos, podemos afirmar que não há compatibilidade entre os ensinos da maçonaria e os ensinos bíblicos.

Como justificativa primordial para a finalidade ou propósito da criação da Ordem, estão indicados: “Construção do caráter pelo desenvolvimento espiritual e moral, destacando os ensinamentos voltados à reverência a Deus e às Escrituras Sagradas”.

Ora, a construção e desenvolvimento do caráter, voltados à reverência a Deus e à Bíblia, porventura, não são assuntos tratados nas igrejas evangélicas, mais especificamente nas escolas dominicais? Seriam insuficientes tais ensinos, a ponto de se precisar de uma entidade maçônica que viesse complementar o ensino recebido nas igrejas? Ou seriam deuses diferentes, como ensina a maçonaria?

Por outro lado, para que fosse criada a organização da Ordem Internacional das Filhas de Jó, precisou-se da aprovação de pessoas eminentes na maçonaria. Logo, se vê que a Ordem é governada pelos moldes e ensinos maçônicos. Com isso, destacamos dois pontos fora dos princípios bíblicos:


A identidade do Grande Arquiteto

O deus da maçonaria é chamado de GADU – Grande Arquiteto do Universo. O problema é que o GADU maçônico não é um deus identificável. O Dicionário da maçonaria, p.52, de Joaquim Gervásio Figueiredo, declara no verbete GADU: “Nome pelo qual, na maçonaria, se designa Allah, Logos, Osiris, Brahma, dos diferentes povos, já que ali se considera o Universo como uma Loja ou Oficina em sua máxima perfeição”.

A Bíblia, porém, é contrária ao politeísmo de modo incisivo: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá” (Is 43.10). E ainda: “As imagens de escultura de seus deuses queimarás a fogo; a prata e o ouro que estão sobre elas não cobiçarás, nem os tomarás para ti, para que não te enlaces neles; pois abominação é ao Senhor teu Deus” (Dt 7.25).


A postura maçônica diante da Bíblia

Os líderes maçônicos têm três ensinos relacionados com a Bíblia. Vejamos: a Bíblia é apenas um símbolo; um maçom não é obrigado a acreditar nos ensinamentos da Bíblia; algum outro livro pode substituir a Bíblia.

No Dicionário da maçonaria, p.122, no verbete intitulado “Decoração da Loja”, está escrito: “O Volume da Ciência Sagrada, o Esquadro e o Compasso, juntamente com a Carta Constitutiva, formam a decoração da Loja. Nas Lojas maçônicas cristãs, o Volume da Ciência Sagrada é formado pelo Antigo e Novo Testamento, e nas Lojas judaicas, só pelo Antigo Testamento; nas maometanas, pelo Corão; nas budistas, pelo Tripitaca; nas indostânicas, pelos Vedas. Varia segundo a Escritura Sagrada de cada povo. Os candidatos juram sobre a Escritura Sagrada de sua religião, porque dali é que emana a luz de acordo com o que o fiel tem de se conduzir”.

Essas opiniões concernentes à Bíblia estão em conflito direto com o que ela ensina sobre si mesma. Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus, única regra infalível para a vida e o caráter cristão (2Tm 3.16,17; 2Pe 1.20,21). Jesus falou que céu e terra passarão, mas não suas palavras (Mt 24.35). Afirmou que a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17.17). O uso da Bíblia pela maçonaria leva o cristão, que crê na Bíblia, a jurar fidelidade à maçonaria e não a obedecer à Bíblia.


Uma lição a ser aprendida


O que fez o irmão a que nos referimos no início deste artigo? Mandou uma carta à escola que promovia o festival de pizzas protestando contra a forma sutil de envolvimento da maçonaria no colégio.

Jesus falou que os filhos das trevas são mais sábios que os filhos da luz. A maçonaria, para obter um envolvimento maior de filhos de maçons, criou duas entidades para jovens. A primeira é a Ordem DeMolay, para os rapazes, cujo objetivo é prepará-los para ingressar na maçonaria, aos 21 anos. A segunda é a Ordem Internacional das Filhas de Jó , que, como já vimos, segue o mesmo padrão.

E nós, os cristãos, como estamos investindo em nossos jovens? Qual é o envolvimento que eles têm em nossas igrejas? Estão sendo orientados nas doutrinas fundamentais da Bíblia? Paulo se reportava ao jovem pastor Timóteo, dizendo: “E que desde a tua meninice sabes as Sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2Tm 3.15).

Fica aqui o alerta para que não permitamos que nossas filhas se envolvam, sequer minimamente, com a Ordem Internacional das Filhas de Jó, e também a reflexão para que tomemos iniciativas mais eficazes para envolver nossos jovens em prol da expansão do reino de Deus.


A Ordem DeMolay


É uma organização de princípios filosóficos, fraternais, iniciáticos e filantrópicos, patrocinada pela maçonaria, para jovens do sexo masculino com idade entre 12 e 21 anos. Fundada nos Estados Unidos, no dia 18 de março de 1919, mais precisamente em Kansas City, Missouri, pelo maçom Frank Sherman Land, é patrocinada e apoiada oficialmente pela maçonaria desde 1921. E, na maioria dos casos, cede espaço para as reuniões dos Capítulos DeMolay e Priorados da Ordem da Cavalaria — denominações das células da organização.

Foi inspirada na história de Jacques DeMolay, 23º e último grão-mestre da Ordem dos Templários, morto em 18 de março de 1314, junto a outros membros da Ordem, por não ter confessado as acusações de prática de diversos crimes, entre eles, heresias e infidelidade à Igreja Católica. As acusações partiram do rei Filipe IV de França e aceitas pelo papa Clemente V.

Aproximadamente, são 205 milhões de membros em todo o mundo e mais de 200 mil no Brasil. O DeMolay que completa 21 anos de idade é denominado Sênior DeMolay e passa a acompanhar os trabalhos da Ordem por meio da Associação DeMolay Alumni. No Brasil, distribuídos em mais de setecentos Capítulos, os milhares de DeMolays regulares de todos os estados da federação se reúnem freqüentemente.

Em 8 de abril de 2008, o deputado estadual Bruno Covas criou o Dia do DeMolay, no Estado de São Paulo, por meio da Lei estadual nº 12.905, a ser comemorado anualmente no dia 18 de março. No dia 19 de janeiro de 2010, o então presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, mediante a Lei federal nº 12.208, instituiu o dia 18 de março como o Dia Nacional do DeMolay, seguindo o exemplo de Bruno Covas, que escolheu esta data por marcar a data de falecimento de Jacques DeMolay, herói/mártir da Ordem.


Os cargos que constituem um Bethel


A graduação na Ordem é ampla e trabalha com títulos bastante atraentes às meninas, especialmente no tocante àqueles hierarquicamente superiores. Há duas classes de cargos.

Os cargos eleitos são:

• Honorável rainha

• Primeira e segunda princesas

• Guia Dirigente de cerimônias

Os cargos nomeados são:

• Capelã

• Secretária

• Tesoureira

• Musicista

• Bibliotecária

• Primeira a quinta mensageira

• Primeira e segunda zeladoras

• Guarda interna

• Guarda externa

• Porta-bandeira.

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