Defesa da Fé


A teologia do perdão no islamismo


Por João Flávio Martinez

Desde a queda do homem no Jardim do Éden, o ser humano tem lutado com um sentimento de culpa que o leva a buscar o perdão, a fim de que consiga ter uma consciência tranqüila. Logo, a finalidade deste artigo é expor de que forma os muçulmanos procuram o perdão divino.


A identificação do pecado no islamismo


No islamismo, o pecado é um ato para o qual a punição precisa ter o mesmo peso e a mesma natureza. O islamismo ensina que ninguém nasce com uma natureza pecadora. Eis porque os islâmicos não aceitam a necessidade da morte de Jesus na cruz. O Alcorão, inclusive, muda o nome de Jesus para “Isa”, com o intuito de eliminar o significado hebraico da palavra, que quer dizer “salvador”.

O islamismo divide o pecado em duas grandes categorias: os maiores e os menores. Um dos capítulos do Alcorão, a Sura 53:32, assim reza: “Aos que evitam grandes ofensas e obscenidades, mas são inclinados a fraquezas, a misericórdia do seu Senhor é grande”.

Os teólogos muçulmanos diferem entre o número dos possíveis “pecados maiores”, mas, tradicionalmente, são sete. Vejamos:

1) Comparar Alá com qualquer outro ser

2) Praticar magia

3) Cometer assassinato

4) Praticar roubo

5) Abusar de órfãos (Maomé foi órfão)

6) Fugir da batalha (em contexto de guerra)

7) Acusar falsamente uma mulher de adultério

Cada pecado tem a sua própria punição. Para alguns pecados, como o adultério, por exemplo, há vários tipos de punições. Há variação também de acordo com o sexo do pecador. De acordo com a tradição islâmica, as mulheres merecem punição mais severa, embora essa distinção não se ache no Alcorão.


A concessão do perdão no islamismo


Alguns dos pecados menores são expiados por meio do ritual da lavagem, no qual os muçulmanos são obrigados, por Maomé, a lavar certas partes do corpo antes de orar a Alá. Se não se lavarem antes, Alá não aceitará suas orações. Como cristãos, podemos nos regozijar, porque o sangue do Cordeiro, Jesus Cristo, nos lavou de uma vez para sempre! (1Pe 3.18; 1Jo 1.9).

Os teólogos muçulmanos também discordam quanto ao número de diferentes maneiras pelas quais um muçulmano pode receber o perdão para os pecados menores e maiores. As mais comuns estão baseadas nos versos do Alcorão e do Hadith (ditos e ensinos de Maomé e dos Califas – seguidores de Maomé). Algumas delas são:


Exercitar boas obras

Os muçulmanos acreditam que Deus os julgará usando uma balança para comparar o peso das boas obras com o das más obras. Na tentativa de aumentar o peso das boas obras, acreditam que existem algumas obras cujo peso Deus multiplica por dez. A oração da sexta-feira na mesquita é um exemplo. Alguns versos do Alcorão dizem: “Aos que impedem o mal com bem – deles será a Última Morada, nos jardins do Éden, nos quais entrarão, e aos que foram bons para os seus pais e esposas e para as suas sementes” (Sura 13:22,23), “pois as coisas boas removem as más” (Sura 11:114).


Praticar o jejum

Os muçulmanos também acreditam que podem expiar os pecados por meio do jejum. No Sura 33:35, está escrito: “Os homens e as mulheres que jejuam, para eles Deus tem preparado o perdão e uma paga poderosa”.


Receber o testemunho do marido

Segundo a cultura muçulmana, essencialmente patriarcal, a aprovação de uma esposa pelo seu marido assegura a entrada dela no paraíso. O Hadith diz que Maomé declarou: “Toda mulher que morre, e que teve a aprovação do marido, pode entrar no paraíso”.


Recitar o Alcorão

No Hadith, segundo Masoud (um dos “amigos de Maomé”, expressão também conhecida pelo título de Al Sahaba), Maomé disse: “Àquele que lê o Alcorão e o memoriza, Deus o conduz ao paraíso e lhe garante, pela sua intercessão, a salvação de dez parentes que merecem o fogo”.


Confessar os dois credos

Os dois credos são: “Não há outro Deus senão Alá” e “Maomé é o profeta de Alá”. Isso está relacionado ao que Abi Thur, um dos Al Sahaba, disse: “Eu vim sobre o profeta de Deus [Maomé], que dormia com uma túnica branca. Ele acordou, dizendo: ‘Todo aquele que afirmar que não há Deus, senão Alá, tem garantida a sua entrada no Paraíso’. Eu perguntei: ‘Mesmo se ele cometer adultério e roubar?’. Ele respondeu: ‘Mesmo se cometer adultério e roubar’. Perguntei de novo: ‘Mesmo se ele cometer adultério e roubar?’. Ele respondeu, mais uma vez: ‘Mesmo se ele cometer adultério e roubar!’”.


Obedecer ao marido

A obediência da esposa ao seu marido ganha o perdão para o seu pai. Ibn Malik, outro Al Sahaba, e um dos reitores do Alcorão, conta a história de um homem que saiu para uma jornada e advertiu à sua esposa que ela não saísse do seu quarto no andar de cima. O pai dela morava no andar de baixo e ficou doente. A mulher mandou uma pessoa pedir a permissão do profeta para visitar o pai no andar de baixo da casa. Ele respondeu: “Obedeça ao seu marido”. O pai da mulher morreu e foi sepultado sem a presença dela. Mais tarde, o profeta a informou que Deus havia perdoado o seu pai como resultado de sua obediência ao marido.


Praticar a peregrinação (o Hajj)

Uma pessoa pode receber o perdão quando peregrina a Meca, na Arábia Saudita (terra natal de Maomé). O Sura Al-Baqara, 2:158, diz: “Todo aquele que faz a peregrinação à casa, ou à visitação, não deve ser culpado”.


A graça provedora do perdão


A despeito de tanta coisa que poderia ser dita sobre o perdão segundo a ótica bíblica, regozijamo-nos como cristãos, pois a graça de Deus em Cristo provê o único remédio para o pecado. O evangelho da graça é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). A graça de Deus operou desde a eternidade para traçar o plano de salvação (Ef 3.10,11). A graça de Deus atuou “no passado” para desvendar o plano de redenção pela voz dos profetas (Hb 1.1). A graça de Deus trabalhou “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4) para concretizar o plano pela morte, sepultamento, ressurreição, ascensão e coroação de Cristo. A graça de Deus opera em nossos dias para perdoar os pecados do homem em resposta a uma fé obediente.

Diferentemente do islamismo, a condição para o perdão no cristianismo é claramente apresentada pelo apóstolo Pedro e não se baseia em nossas obras ou méritos: “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38 – grifo do autor).

Assim, a cruz que os muçulmanos negam foi justamente o preço do nosso perdão!

Por isso, Theodore Williams, acertadamente, disse: “O cristianismo é a religião dos perdoados”.

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