Defesa da Fé


O perfil eclesiástico da CCB


Por Natanael Rinaldi

Em continuação à primeira matéria desenvolvida sobre a CCB, prosseguimos nossa exposição abordando alguns aspectos que nos permitem melhorar nossa concepção sobre o perfil dessa denominação evangélica. A primeira parte do texto que segue tem caráter meramente enciclopédico, é de domínio público, e usufrui da anuência dos membros da CCB. A segunda, desenvolvida pelo apologista Natanael Rinaldi, aprofunda-se um pouco mais no exclusivismo comentado na edição anterior e nos prepara para iniciarmos as reflexões bíblicas mais controversas sobre a CCB nas próximas edições.


A liturgia da CCB


O culto da CCB segue uma ordem preestabelecida, mas sem uma liturgia fixa, assim, os pedidos de hinos, orações, testemunhos e pregação da Bíblia são feitos de forma espontânea, baseados na inspiração do Espírito Santo. Os serviços são solenes, com uma atmosfera formal; desse modo, evitam-se manifestações individualizantes, mas preza-se a participação coletiva.

Há uma série de práticas no culto, como, por exemplo, o uso do véu pelas mulheres; a prática do ósculo santo na saudação entre irmãos e irmãs; assento separado nas igrejas entre homens e mulheres; as orações são feitas de joelhos; podem haver até três orações no início do serviço e apenas uma no final, como agradecimento; também são permitidas até três pregações no mesmo culto, todavia, por tradição, decidiu-se que uma única pregação é suficiente, evitando-se, assim, que uma pregação se sobreponha à outra.

O padrão de realização do Culto é igual em quaisquer de seus templos.


A hierarquização da CCB


Segundo os estatutos da CCB, suas atividades são conduzidas por um ministério organizado, servindo sem expectativas de receber salários , distribuído segundo as necessidades de cada localidade, constituído por anciãos, cooperadores do ofício ministerial e diáconos. Somente os anciãos e diáconos são ministros ordenados.

Para todos os cargos de ministério, auxiliares de jovens e menores, músicos oficializados, encarregados de orquestras e administradores, as pessoas devem ser batizadas conforme a doutrina seguida pela Congregação Cristã no Brasil.

Vejamos, a seguir, as funções desempenhadas na CCB:


Ancião

Responsável pelo atendimento da obra, realização de batismos, santas ceias, ordenação de novos obreiros (anciãos e diáconos), apresentação de cooperadores do ofício ministerial e cooperadores de jovens e menores, atendimento às reuniões para mocidade, encarregado de conferir ensinamentos à igreja, cuidar dos interesses espirituais e do bem-estar da igreja, entre outras funções.


Diácono

Responsável pelo atendimento assistencial e material à igreja. É auxiliado por irmãs obreiras chamadas de “irmãs da obra da piedade”. Assim como o ancião, atende a diversas congregações de sua região.


Cooperador do ofício ministerial

Responsável pela cooperação nos ensinamentos e presidência dos cultos oficiais e das reuniões de jovens e menores em determinada localidade (desde que não haja um cooperador de jovens e menores responsável pelo atendimento dessa localidade), não podendo realizar batismos, Santa Ceia, reuniões para mocidade, ordenações, entre outras coisas que só cabem ao ancião ou ao diácono.


Cooperador de jovens e menores

Responsável por atender às reuniões de jovens e menores de sua comum congregação.


Músico

Membro habilitado que, depois de passar por testes musicais, é oficializado para tocar nos cultos e demais serviços.


Encarregado de orquestra

Músico oficializado, designado para coordenar o ensino musical aos interessados e organizar ensaios musicais da orquestra da congregação.


Examinadoras

São organistas mulheres, oficializadas, designadas para avaliar outras organistas aprendizes no processo de oficialização.


Auxiliar de jovens e menores

São jovens, rapazes ou moças solteiros, designados para preparar e organizar os recitativos das reuniões de jovens e menores individuais ou em grupo e cuidar da ordem e da organização durante a reunião.


A administração da CCB


Existe um ministério material, constituído por presidente, tesoureiro, secretário, auxiliares da administração, conselho fiscal e conselho fiscal suplente. Os administradores são eleitos a cada três anos e o conselho fiscal, anualmente, durante a Assembléia Geral Ordinária. É permitida a recondução ao cargo.

Para construções de templos, utilizam-se, na maioria dos casos, de voluntariado mobilizado em esquema de mutirão. Para outros serviços das igrejas, como portaria, limpeza, som, fundo bíblico sem fins lucrativos, entre outros, também são escolhidos, entre os membros, voluntários que não possuem expectativa de receber salário.

Segundo os seus estatutos, a CCB não possui registro de membros, considerando que estes devem responder somente a Deus; não prega o dízimo e mantém-se pelo espírito voluntário dos seus membros, que contribuem com coletas anônimas e voluntárias. O exercente de qualquer cargo espiritual ou de administração se mantém pelo seu trabalho, ou meios próprios, uma vez que é vedada qualquer espécie de remuneração ou retribuição pelo exercício dessas atividades ou pela ministração de serviços espirituais ou sacramentos.

As mudanças de caráter doutrinário na CCB são discutidas em assembléia anual e pelo conselho de anciãos, formado pelos anciãos mais antigos no ministério (não necessariamente de idade). Nessas assembléias, são considerados “tópicos de ensinamentos”, os quais, tomados em reuniões e por oração, tratam de assuntos relacionados à doutrina, costumes e comportamento na atualidade.

A organização eclesiástica da CCB é uma forma adaptada do governo presbiteriano: um grupo de igrejas locais é reunido em uma “região administrativa”, normalmente correspondente a um município nos Estados onde a igreja é maior e vários municípios onde a Congregação é menor, presidida por um conselho de anciãos e por um corpo administrativo. As regiões administrativas são agrupadas em “regionais”, que, por sua vez, se concentram nas assembléias estaduais. O organismo máximo é a Assembléia Geral, que ocorre na congregação do Brás (SP), anualmente, sempre no mês de abril.


A orquestra da CCB


A CCB possui uma orquestra de música sacra muito valorizada. E provê aos fiéis escolas musicais gratuitas e ensaios musicais em suas dependências. Atualmente, o órgão é o único instrumento permitido às mulheres, sendo possível aos homens a execução de mais de vinte outros tipos de instrumentos.

O hinário da CCB é intitulado de Hinos de louvores e súplicas a Deus. Possui muitas melodias de autores norte-americanos e italianos, com algumas poesias traduzidas e semitraduzidas do inglês e do italiano. São 450 hinos e, entre eles, há especiais para batismos, santas ceias, funerais, cinqüenta peças para as reuniões de jovens e menores e sete coros. Esse hinário é motivo de orgulho para muitos membros que defendem, sem conhecimento, que todas as suas melodias são inéditas, originais e, conseqüentemente, superiores aos louvores dos hinários oficiais de outras denominações, como, por exemplo, a Harpa Cristã assembleiana e o Cantor Cristão batista.

A Congregação Cristã não produz gravações de seus hinos, e muito menos as autoriza.


A política na CCB


A CCB é uma organização religiosa apolítica, crendo na separação total entre Estado e religião. Não mantém ligação, nem se manifesta de forma alguma em relação a causas ou partidos políticos, candidatos a cargos públicos, ou qualquer outra instituição ou organização, governamental ou não. Se algum membro de seu corpo ministerial aceitar cargos políticos, deverá renunciar ao seu cargo congregacional. Seus membros são doutrinados a não votarem em candidatos que neguem a existência de Deus e a sua moral.


A mídia e CCB


A CCB não possui propaganda em meios de comunicação, como, por exemplo, rádio, televisão, imprensa escrita, ou qualquer outro tipo de propagação da sua doutrina que não seja o ato de freqüentar quaisquer de suas igrejas pelos interessados em conhecê-la. A CCB não autoriza que seus trabalhos, sejam eles cultos ou não, sejam gravados e reproduzidos.


Sete pontos que revelam o caráter exclusivista da CCB


A seguir, apresentaremos alguns aspectos que reafirmam mais detalhadamente o exclusivismo da CCB apresentado na edição anterior. Esclarecemos que não temos a pretensão de esgotamento desses aspectos e não nos deteremos em refutar biblicamente cada uma dessas características, primeiro pela obviedade bíblica das respostas e, segundo, por não ser esta a proposta dessa exposição, que é, tão-somente, o delineamento do perfil da CCB.


1. A irmandade

A Lista secreta de ensinamentos de 1961, publicação da CCB, declara: “O Senhor nos guiou a somente considerar nossos irmãos aqueles que se batizam entre nós. Na obra de Deus não temos parentes nem amigos, todos somos iguais e quem não está na doutrina não é considerado como irmão, nem tem liberdade nos cultos”.


2. O jugo desigual

Os líderes da CCB ensinam aos membros a não se prenderem a um jugo desigual, apoiando sua exortação em 2Corintios 6.14. Mas, quem são os classificados como “infiéis” e estão em “trevas”, segundo eles? Resposta: os crentes evangélicos. Unir-se a um crente de outra igreja é considerado, pela CCB, jugo desigual.


3. Os sábios e entendidos

Os membros da CCB gostam de citar o discurso de Jesus: “Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25). Costumam dizer que os sábios e entendidos são os “sectários”, pessoas identificadas por eles como pertencentes a outras denominações evangélicas, pessoas que gostam de estudar a Bíblia e livros teológicos; por outro lado, os pequeninos são os membros da CCB.


4. A visitação às outras igrejas

Não bastasse ser pecado de morte se opor à CCB, também consideram pecado visitar outras igrejas evangélicas. Visitar outras igrejas é ser cúmplice de pecado de morte. Isso porque o ensino dos anciãos, mediante suas “Listas de doutrinas secretas”, declara que as manifestações espirituais em igrejas diferentes da CCB são operadas por espíritos mundanos ou demoníacos. O que está atrás dessa proibição é o receio de que se inverta a situação e que a “irmandade” observe que, nas igrejas evangélicas, se ensina a Bíblia e o medo de que os membros da CCB sejam expostos a ensinamentos bíblicos jamais acessíveis em seus cultos.


5. As declarações de estranha fé

Os líderes da CCB denominam as “declarações de fé” dos crentes evangélicos de “estranha fé”, mas não explicam ou refutam essas declarações: primeiro, porque isso não seria possível à luz da Bíblia; segundo, porque, para isso, seria preciso estudar a Bíblia que, segundo a CCB, precisa ficar de lado, sob a alegação de que a “letra mata” (2Co 3.6).


6. A proibição de leituras

É proibido aos membros da CCB ler qualquer literatura publicada por igrejas evangélicas. Essa é uma prática comum às seitas, notadamente das testemunhas de Jeová, que, enquanto distribuem sua literatura de casa em casa, recusam terminantemente a aceitar qualquer literatura que não seja publicada pela Sociedade Torre de Vigia. O que revela isso? Medo de que seus associados tomem conhecimento das falsas profecias apontadas em seus periódicos e questionem o que consideram ser o “canal de comunicação” entre Deus e os homens. Semelhantemente, procedem os anciãos da CCB.


7. A apostasia da igreja

Os líderes da CCB apregoam a apostasia da igreja cristã através dos séculos e a restauração por meio da CCB. Esta é uma reivindicação própria de movimentos sectários, cada qual indicando sua entidade religiosa como responsável pela restauração da Igreja fundada no dia de Pentecostes. Segundo esse ponto de vista, não haveria Igreja de Cristo durante certo período de apostasia, o que contradiz diametralmente a promessa de Jesus (Mt 16.18) e a ininterrupta glorificação de Deus pela Igreja, através dos séculos (Ef. 3.21). Como poderia Deus ser glorificado na Igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, se ela tivesse apostatado? Deve-se ter presente que, segundo a história da fundação da CCB, isso se deu apenas em 1910.


Considerações finais


Como se pôde observar nesta exposição, a CCB é uma igreja muito bem organizada em termos eclesiásticos e administrativos, mas possui um caráter exclusivista incompatível com as recomendações bíblicas. Na próxima edição, convidamos os leitores de Defesa da Fé a nos acompanhar numa abordagem mais detida sobre o proselitismo e a motivação dos membros da CCB para a pregação do evangelho.


(continua na próxima edição...)


1 CONGREGAÇÃO CHRISTÃ DO BRASIL Convenção. São Paulo, 1936 p. 6.

2 CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL. Estatuto, art. 8, § 1. São Paulo, 2004.

3 CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL. Estatuto Art. 23.

4 CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL. Estatuto Art. 24.

5 http://www.congregacaocrista.org.br/ Acessado em 18/4/2011.

6 CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL. Estatuto, art. 8, § 1. São Paulo, 2004

7 http://www.congregacaocrista.org.br/ Acessado em 18/04/11.

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