Defesa da Fé

Edição 94

Jesus


Emanuel e Filho do homem


Por Ronald Hanko

Ministro da Igreja Protestante Reformada em Washington (EUA)


Tradução de Felipe Sabino de Araújo Neto

O nome Emanuel, ou Imanuel, é encontrado somente duas vezes na Escritura, na promessa de Isaías 7.14 e em seu cumprimento, em Mateus 1.23. O nome significa “Deus conosco”. O final El significa Deus e o restante, o pronome “conosco”. Essa é, de fato, a interpretação do nome dada por Deus, por meio do anjo Gabriel, em Mateus 1.23.

O nome foi, em primeiro lugar, anunciado no Antigo Testamento ao rei Acaz pelo profeta Isaías em seu livro, na referência 7.14. O nome foi anunciado como parte do sinal que Deus estava dando a Acaz, a fim de assegurar aos fiéis em Judá de que Deus não os tinha esquecido num tempo tão difícil, e que jamais os esqueceria.

Mais tarde, quando a profecia de Isaías foi cumprida no nascimento e escolha do nome de Cristo, Deus mostrou como Ele estaria com o seu povo e o motivo pelo qual jamais iria esquecê-los. Deus estaria com eles “no” Emanuel e nunca os esqueceria “por causa” do Emanuel.

Portanto, o nome Emanuel refere-se ao fato de que Jesus é Deus e homem numa pessoa. Nele, Deus está conosco na forma mais próxima possível, tomando nossa natureza humana em união consigo. Assim, o nome Emanuel é o cumprimento de todas as promessas pactuais de Deus de ser o Deus de seu povo e habitar com ele.

De fato, Jesus como Emanuel é Ele mesmo o cumprimento desse pacto de amizade e comunhão. Por meio da união das naturezas divina e humana em si mesmo, Jesus nos torna participantes da natureza divina (2Pe 1.4) e, como o Filho unigênito de Deus, habita conosco e em nós em união inquebrantável (Gl 2.20), de forma que Ele é osso e carne conosco (Ef 5.30).

Como Emanuel, Jesus é o verdadeiro tabernáculo ou templo de Deus e cumpre a promessa de Apocalipse 21.3, que diz: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus”. Essa é a razão de não haver templo na nova Jerusalém, pois “o seu templo é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro (Ap 21.22).

O nome Emanuel também se refere à obra de Cristo, pois Deus não pode estar “com” pecadores, exceto mediante a expiação pelo pecado. O nome, então, é uma recordação do fato de que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19). Deus está conosco em Emanuel como um que nos vem em nossa condição perdida, toma nossos pecados sobre si e, assim, remove todos os nossos pecados para nos redimir e nos libertar deles.

Que bênção é, portanto, esse nome Emanuel para todos aqueles que creem nele. Numa palavra, ele é a mensagem toda do evangelho, ensinando-nos sobre o nosso Salvador e sobre a bênção da salvação nele.

Porque Jesus é o Emanuel, é também chamado de o Filho do homem, expressão que enfatiza a humanidade real de nosso Salvador. Este é o nome que Jesus usa para si, e é encontrado com muita frequência no evangelho de Lucas, como era de se esperar. Da mesma forma que João enfatiza a verdade maravilhosa de que Jesus é Deus e usa, para isso, a expressão “Filho de Deus”, Lucas também enfatiza a verdade de que Jesus é como nós em tudo, exceto no que tange ao nascimento sobre o pecado e em seu cometimento. A ênfase de Lucas sobre a humanidade de Cristo é, também, o motivo de o nascimento e a infância de Cristo serem mais plenamente relatados por Lucas.

O fato de que Jesus é o Filho do homem significa que Jesus nasceu neste mundo como nós, que viveu e morreu aqui, que é “osso e carne” conosco e que é, de fato, parte da raça humana como nós. Isso até mesmo significa que Jesus foi “um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15).

Que Jesus era verdadeira e plenamente homem é tão importante como a verdade de que Ele é Deus. Se não fosse um homem, como nós, em todas as coisas, Jesus não poderia ser nosso Salvador. Como homem, Ele tomou o lugar de Adão (1Co 15.45-47) e nos representa diante de Deus. Como nosso representante, Ele tomou nossos pecados sobre si, assumiu a plena responsabilidade por eles e fez expiação por nós.

Se Jesus não fosse homem, não poderia ter sofrido e morrido. Se Jesus não fosse plenamente humano, não poderia, em justiça, ter tomado o nosso lugar sobre a cruz e ter sido punido por nossos pecados, pois o homem deve sofrer pelo pecado do homem e não Deus. Se Jesus não fosse como nós em todas as coisas, não poderia ser um sumo sacerdote misericordioso e compassivo, que “pudesse compadecer-se de nossas fraquezas” (Hb 4.15).

Como homem, Jesus é aquele em quem habita corporalmente a plenitude da divindade (Cl 2.9). Portanto, Jesus é aquele por meio de quem e por quem conhecemos o Deus invisível e todo-glorioso, aquele em cuja face brilha “a luz do conhecimento da glória de Deus” (2Co 4.6). Quem me vê”, Jesus disse, “vê o Pai” (Jo 14.9).

Existe, então, grande conforto para os crentes no nome “Filho do homem”. O nome é a forma de o próprio Jesus nos dizer que viveu aqui sobre a terra, sofreu as mesmas coisas que sofremos, sendo tentado em tudo como nós, morreu nossa morte e ressuscitou novamente para a glória eterna. Tal nome nos assegura de que Ele conhece todas as nossas necessidades, não somente como aquele que conhece todas as coisas, mas também como alguém que teve aquelas mesmas necessidades “nos dias de sua carne” (Hb 5.7).

Somos convencidos, mediante esse nome, de que Jesus é capaz de nos ajudar em todas as nossas fraquezas e enfermidades, visto que as conhece de primeira mão.

Esse nome nos lembra que um homem realizou a expiação pelos pecados dos homens e que a morte de Cristo tem poder salvífico.

Que nome poderoso!


Fonte:

HANKO, Ronald. Doctrine according to Godliness. Reformed Free Publishing Association, p.125-6.

Bíblia Apologética com Apócrifos Curso Básico de Teologia Curso Básico de Grego Bíblico Curso Médio de Teologia Série Apologética Curso Bacharel de Teologia Curso Teologia Online

ICP - Instituto Cristão de Pesquisas © Todos os direitos reservados. 2017