Defesa da Fé

Edição 94

Uma celebração especial no templo


Por Roger Liebi

Doutor pelo Whitefield Theological Seminary (EUA)

http://www.beth-shalom.com.br


O nascimento de Jesus foi o acontecimento mais significativo da história. Com sua vinda a este mundo, confirmou-se a esperança de salvação, a promessa de luz sobre as trevas e a certeza de que Deus não se esquecera da humanidade.

Jesus, como legítimo menino judeu, foi submetido a todos os rituais exigidos pela lei de Moisés. Acompanhando os acontecimentos iniciais de sua vida, podemos ter uma ideia mais clara da importância deles e do cuidado extremo de Deus em fazer com que o seu próprio Filho cumprisse tudo o que havia ordenado ao povo de Israel.


O sacrifício de purificação de Maria


Depois do nascimento de Jesus em Belém (Mt 2.1; Lc 2.1), Maria foi considerada ritualmente impura por quarenta dias, segundo a lei para parturientes em Levítico 12.1-8 (Cf. Lv 15.5-8). Sete dias depois de dar à luz, no final do dia, ela deveria imergir em um banho ritual.

Normalmente, uma pessoa que se submetia a essa cerimônia era considerada pura na noite do dia seguinte, mas, no caso do parto, as normas eram outras.

A parturiente somente poderia ser considerada purificada pelo banho ritual na noite do 40º dia (após o parto). Ou seja, no final de um período de 33 dias (conforme citado no Comentário de Rashi, erudito judeu, sobre Levítico 12.4).

No dia seguinte, ela podia apresentar sua oferta de purificação no templo. Para isso, Maria e José se dirigiram com o bebê a Jerusalém, ao templo do Senhor (Lc 2.22-24): “Passados os dias da purificação deles segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito ao Senhor será consagrado; e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida lei: Um par de rolas ou dois pombinhos” (Cf. Lv 12.8). A lei do Senhor ordenava: “Consagra-me todo primogênito; todo que abre a madre de sua mãe entre os filhos de Israel, tanto de homens como de animais, é meu” (Êx 13.2).


A oferta de pessoas pobres


A Torá exigia que a mãe que tivesse um filho deveria trazer um cordeiro de um ano para o holocausto e uma rola ou um pombinho para o sacrifício pelos pecados (Lv 12.6). Mas, se alguém fosse muito pobre e não pudesse trazer esse sacrifício, a lei permitia trazer apenas duas rolas ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado (Lv 12.8).

O termo rola significa “pomba adulta”, diferente dos “pombinhos” da mesma espécie. Maria e José viviam em pobreza, de modo que não tinham condições financeiras para apresentar os sacrifícios usuais.

Maria se dirigiu ao átrio das mulheres e depositou o valor correspondente ao seu sacrifício de aves nos gazofilácios, que tinham a inscrição: “Ofertas de aves” e “Pombas para o holocausto”.

Enquanto um sacerdote sacrificava as pombas no altar e as apresentava como sacrifício, seguindo prescrições detalhadas, Maria, depois de subir a escadaria de quinze degraus, encontrava-se diante da porta de Nicanor. Como não estava trazendo sacrifícios que exigissem a imposição de mãos, ela não precisava passar pela porta que ficava ao norte, nem pela área da Shekiná (átrio interno) para chegar ao local de sacrifício no altar.

Após a apresentação do sacrifício, Maria estava ritualmente limpa (Lv 12.8).


A mãe impura e a criança pura


Nesse contexto, prestemos atenção ao seguinte: segundo a lei, após o nascimento, a criança não era considerada impura, somente a mãe. Por isso, apenas ela tinha de ser purificada pelo banho ritual e pelos sacrifícios no templo. Esses detalhes nas prescrições dos rituais de purificação nos trazem lições espirituais bem mais profundas: Maria era pecadora como todas as outras pessoas (Rm 3.23). E, também, precisava de um Salvador, o que testificou maravilhosamente no seu cântico em Lucas 1.47. Somente a criança, Jesus, era imaculada e perfeita em todos os aspectos (2Co 5.21; 1Jo 3.5).


O cumprimento da profecia messiânica de Malaquias relativa ao templo


Esse foi um dia extremamente especial dentro do contexto do plano de salvação. Nessa ocasião, cumpria-se, pela primeira vez, a profecia do último profeta do Antigo Testamento, que havia dito que o Messias viria “de repente” ao seu templo (Ml 3.1).


A profetisa Ana no templo


Para uma judia, a visita ao átrio das mulheres era um acontecimento extraordinário. Ela não podia se aproximar do templo além desse ponto, a não ser que o sacrifício que quisesse trazer ao Senhor exigisse a imposição de mãos, mas, para isso, ela teria de entrar pela porta das mulheres, que ficava no átrio interno, ao Norte, dirigindo-se ao lugar do holocausto no altar. Quando as mulheres iam ao templo para orar, ficavam no átrio das mulheres.

Lucas, ao relatar o nascimento de Jesus e a purificação ritual de Maria, que aconteceu mais de um mês depois, fala, também, de uma profetisa que sempre podia ser encontrada no templo, a viúva Ana, da tribo de Aser: “Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2.36-38).

Por ocasião do nascimento de Jesus, Ana tinha, portanto, 84 anos de idade. Concluímos que ela vivenciou pessoalmente a maior parte da história emocionante e turbulenta do povo de Israel no primeiro século antes de Cristo, período marcado por forte expectativa pela vinda do Messias.

Ana nasceu no final do reinado de Alexandre Janeu (103-76 a.C.). Descendente da dinastia dos macabeus, assumiu indevidamente o título de rei. Como seu irmão, Aristóbulo (104-103 a.C.), ele também transgrediu o princípio bíblico da separação de poderes e unificou o reinado e o sacerdócio, o que só deveria acontecer na pessoa do Messias.


A invasão romana de Jerusalém


Após a morte de Janeu, Alexandra, sua viúva, assumiu o governo (76-67 a.C.). Foi uma era dourada muito breve. Os filhos de Alexandra, Hircano II (reinou em 67 e de 63 a 43 a.C.) e Aristóbulo II (67-63 a.C.) disputaram o poder, dando aos romanos pretexto para marcharem sobre Jerusalém, a fim de que a ordem fosse restabelecida.

Por volta de 47 a.C., Júlio César fez de Antipater procurador da Judeia. Mas, Antipater foi morto em 43 a.C. Seus filhos, Herodes e Fasael, deram continuidade à sua política. Após a vitória de Otaviano (filho adotivo de César, o futuro imperador César Augusto) sobre os inimigos de seu pai, em 42 a.C., na cidade de Filipos (na Macedônia), Fasael e Herodes foram nomeados “tetrarcas da Judeia”.

No ano 40 a.C., a Judeia foi ocupada pelos partas, que fizeram de Antígono (40-37 a.C. — filho de Aristóbulo II) rei-sacerdote em Jerusalém. Em Roma, Herodes foi nomeado “rei dos judeus” pelo Senado.

Após três meses de sítio, Herodes conseguiu conquistar Jerusalém com tropas romanas, em outubro de 37 a.C., no yom kippur (ou seja, o “dia da expiação”). Antígono foi executado. Começava o domínio sangrento de Esaú (por seus descendentes, os edomitas) sobre o povo de Jacó.


O primeiro encontro com o Messias no Templo


Depois de apenas sete anos de casamento, Ana tornou-se viúva. Tinha uma percepção bem nítida da época em que vivia e tornou-se uma mulher de oração. O segundo templo era, por assim dizer, sua segunda casa, onde ela esperava pelo Consolador prometido a Israel.

Depois de décadas de espera ansiosa pela interferência de Deus, ela teve o privilégio de se encontrar pessoalmente com o Messias, quando Ele, com poucas semanas de vida, fez sua primeira visita ao templo. Esse acontecimento, ao qual poucos dão atenção, tem grande significado no plano de salvação e causou, no coração de Ana, uma gratidão muito profunda para com Deus. Quando viu o bebê, Ana começou a falar sobre o cumprimento das profecias messiânicas dadas pelo Senhor no Antigo Testamento a todos os moradores da cidade de Jerusalém que também esperavam pelo Salvador prometido.


Na porta dos primogênitos


Depois do nascimento do Salvador em Belém, Maria estava ritualmente impura por mais de um mês. Ela teve de se purificar por meio de um banho de imersão e dos sacrifícios prescritos na lei. No 41º dia após o nascimento, ela, José e o menino vieram ao templo em Jerusalém para apresentar os sacrifícios exigidos em Levítico 12. Esse momento era oportuno para resgatar o filho primogênito pelo ritual de Pidjon Ha-Ben (que, em hebraico, significa “resgate do filho”). Para entender o significado desse procedimento, são necessárias algumas observações prévias. Vejamos:

Após a execução do juízo divino sobre os primogênitos egípcios, o Senhor declarou propriedade especial todos os primogênitos israelitas, uma vez que eles haviam sido poupados por causa do sangue do cordeiro, imolado em seu lugar. A partir de então, os filhos mais velhos passaram a ser consagrados ao ministério do Senhor.


A tribo de Levi no lugar dos primogênitos


Depois de ter recebido oralmente a lei no monte Sinai, a nação de Israel falhou tragicamente ao adorar o bezerro de ouro (Êx 32). Nessa situação de crise, a tribo de Levi demonstrou especial fidelidade e dedicação a Deus (Êx 32.26-29). Em razão dessa atitude, o Deus eterno elegeu essa tribo para exercer o sacerdócio e ministrar no santuário, ocupando a posição que era dos primogênitos de todas as doze tribos de Israel (Nm 3.12; 8.16,18). Os primogênitos dos levitas não precisavam ser resgatados logo após o nascimento, mas os primogênitos das outras onze tribos tinham de ser resgatados por cinco siclos de prata. Esse valor destinava-se ao sustento dos sacerdotes. O resgate podia ser efetuado a partir do 31º dia após o nascimento (Nm 18.16). Mas, o dia específico para esse ritual não é definido pela Torá.


O resgate do filho


Esse ritual é praticado ainda hoje no judaísmo. Nos Estados Unidos, é costume dar os cinco siclos na forma de cinco dólares de prata. A prática de hoje é como naquela época: os pais escolhem o sacerdote que receberá o dinheiro e proferirá a bênção sobre o recém-nascido.

Maria e José cumpriram as duas ordenanças na mesma oportunidade: a apresentação do primogênito e a purificação da mãe após o parto. Assim, no 41º dia de vida do menino Jesus, seus pais, José e Maria, realizaram os dois rituais exigidos pela lei de Moisés: “Passados os dias da purificação segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito ao Senhor será consagrado (Êx 13.2); e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida lei: Um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2.22-24;. Lv 12.8).

O texto de Lucas diz que os pais levaram o menino a Jerusalém e o apresentaram ao Senhor. Por onde eles entraram para cumprir o mandamento do Pidjon-Ha-Ben?

Sabemos que a porta do meio da edificação de acesso ao templo, no lado Sul do átrio, era chamada de “Porta dos primogênitos” (sha’ar ha-bekhoroth). Portanto, Maria e José vieram do Sul e subiram pelas escadas, entrando pela porta do meio em direção à área da Shequiná (átrio interno).

No mesmo dia em que Maria e José tinham de cumprir suas obrigações no santuário, Simeão, o justo, também veio ao templo. Na Porta dos Primogênitos, ele tomou o menino nos braços — como se costumava fazer por ocasião do resgate dos primogênitos: “Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo...” (Lucas 2.25-27a).

Seguramente, Simeão era um sacerdote que, movido pelo Espírito Santo, veio ao templo justamente nesse momento, tendo a oportunidade de praticar, com o Messias, a cerimônia de Pidjon Ha-Ben. Ele já havia esperado, com muita ansiedade, a chegada do Salvador prometido, e Simeão foi escolhido para cumprir a tarefa sacerdotal de resgatar o primogênito (Lc 2.22-35).

A Bíblia continua narrando que “quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação , a qual preparaste diante de todos os povos: Luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo Israel. E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia” (Lc 2.27b-33).

É interessante perceber que os pais receberam a bênção, mas o menino não: “Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino será destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações” (Lc 2.34,35).

Que singular cerimônia de Pidjon Ha-Ben! (“resgate do filho”). Normalmente, o sacerdote designado para proferir a bênção abençoava a criança. Simeão, propositalmente, não o fez. Em lugar da criança, ele abençoou os pais (Lc 2.34). Ele estava observando o princípio espiritual expresso em Hebreus 7.7: “Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior”.

O velho Simeão não tinha o direito de abençoar o Messias. Diante de Deus, ele era inferior ao menino de 41 dias de idade, pois esse menino era o eterno Filho de Deus que se tornara homem. Maria e José, sim, podiam ser abençoados por ele. Maria, como mãe de Jesus, e José, como pai de criação do Messias, eram pessoas normais como todos nós. Simplesmente haviam sido escolhidos pelos desígnios soberanos de Deus para realizar tarefas específicas.


O Messias e o sacerdócio levítico


Os cinco siclos de prata entregues a Simeão, que, certamente, morreria em breve, foram a contribuição do Messias com o sacerdócio levítico que, por sua vez, era uma sombra do futuro ministério messiânico, que viria a ter nele seu cumprimento pleno.

O Messias nasceu para morrer. Na cruz, Ele ofereceria a si mesmo como sacrifício para nos resgatar, sem o uso de “coisas corruptíveis, como prata ou ouro... mas pelo [seu] precioso sangue” (1Pe 1.18,19).

A identificação de Jesus com seu próprio povo, sua submissão aos rituais e ordenanças da lei, tudo isso nos comove e enche o nosso coração de gratidão. Ele se identifica conosco, sabe quem somos, conhece nossas dores e nossos anseios. Neste tempo de Natal, só nos resta agradecer, de todo o coração, a Jesus, por ter-se feito homem por nós e por ter assumido, como sua, a nossa culpa!


Segundo a lei de Moisés, após o nascimento da criança, a mãe era considerada impura. Maria, como pecadora, precisou ser purificada pelos rituais no templo


Simeão abençoou José e Maria, mas não pôde abençoar o menino Jesus, porque Jesus era maior do que o sacerdote e o próprio templo!


Notas:

1 Isto é, o primeiro filho que nasce de parto normal.

2 O termo trygon significa “pomba-rola” em grego.

3 Em grego, nossoi peristêron significa “filhote de pomba”. Em Lucas 2.24, essa expressão é usada para traduzir o conceito hebraico bnei jonah, que significa “pomba jovem”, literalmente “filhos de pomba”.

4 TB Chulin 22a-22b (TB é o Talmude Babilônico). Essas aves eram consideradas “pombas jovens” (bnei jonah, em hebraico) enquanto suas penas não adquirissem um brilho dourado. Assim que elas brilhassem, passavam a ser chamadas de thorim (“pombas-rolas”).

5 Essas considerações nos levam a concluir que os sábios do Oriente, os populares “reis magos”, com seus preciosos presentes em forma de ouro, incenso e mirra, ainda não haviam chegado nessa ocasião, ou seja, 41 dias após o nascimento do Salvador (Mt 2.1). Dizemos isso porque os recursos que eles depositaram aos pés de Jesus poderiam proporcionar alguma melhoria financeira à família, ainda que não durante muito tempo.

6 Talmude Babilônico, Tamid V 6.

7 Lucas relata que Ana não se afastava do templo nem de dia nem de noite. Pelo visto, ela possuía um alojamento na área anexa ao templo herodiano.

8 A forma imperfeita do durativo elalei (“falava”) que aparece em Lucas 2.38 expressa uma ação constante e rotineira.

9 Êx 13.1,2,11-16,22,29b; 24.5; 34.19,20; Nm 3.13.

10 Os primogênitos da tribo de Levi não precisavam ser resgatados (veja CHILL: Die Mitzwoth, Zurique, 1991, p.51).

11 Conforme Levítico 12.7, mais 33 dias.

12 Isto é, que nasce de modo natural, onde a criança rompe o canal vaginal pelas contrações do parto. No judaísmo, até hoje, as crianças que nascem por operação cesariana não são submetidas ao ritual de resgate, porque, nesse caso, o bebê não “rompeu a madre” (veja CHILL: Die Mitzwoth, ibid, p.51).

13 Talmude Babilônico, Middoth I, 4; bekhoroth é o plural de bekhorah, que significa “primogenitura” ou “direito de primogenitura”.

14 Designação para o Messias, que deveria trazer consolo por toda a opressão que o povo de Israel enfrentou durante sua história. Em referência a Lamentações 1.16, o Messias é chamado de Menachem (“Consolo”) no Talmude Babilônico, em Sanhedrin 98b.

15 Em grego, apolyô, que significa “deixar morrer”.

16 Nessa declaração, encontra-se uma relação com o nome Jesus, que significa: “O Senhor é salvação”. Em hebraico,Yeshua.

Bíblia Apologética com Apócrifos Curso Básico de Teologia Curso Básico de Grego Bíblico Curso Médio de Teologia Série Apologética Curso Bacharel de Teologia Curso Teologia Online

ICP - Instituto Cristão de Pesquisas © Todos os direitos reservados. 2017