Defesa da Fé

Edição 94

A santificação do Natal


Por Matthew J. Slick

Presidente do Christian Apologetics & Research Ministry


O Natal é a festa mais popular do ocidente. Tanto os religiosos quanto os seculares a celebram, mas por diferentes razões. Alguns veem a época do Natal como a melhor do ano para negócios, devido à tradição da troca de presentes, enquanto outros a consideram um tempo para celebrar o nascimento de Jesus. Para ambos, é um feriado muito importante.

A palavra inglesa Christmas (Natal, em português) vem de dois vocábulos antigos: Christes maesse, que significam the Mass of Christ, ou seja, (“a missa de Cristo”, em português). Vem da missa católica romana, em que o sacerdote reoferece o sacrifício de Cristo na cruz durante o momento da comunhão.


A mitologia romana


As origens do Natal remontam a tempos anteriores ao nascimento de Cristo, quando as culturas antigas celebravam a mudança das estações. No hemisfério norte, na Europa, por exemplo, o solstício de inverno, que é o dia mais curto do ano, ocorre por volta do dia 25 de dezembro. Essas celebrações eram baseadas no declínio do inverno. Como, durante o inverno, os animais permaneciam presos, as pessoas ficavam dentro de suas casas, e as colheitas não cresciam. As pessoas sabiam que o inverno passava da metade e, por isso, faziam desse período um tempo de celebração.

No antigo sistema religioso romano, Saturno era o deus da agricultura. Cada ano, durante o verão, o deus Júpiter forçaria Saturno para fora da sua posição dominante e os dias iriam se tornando mais curtos. Em seu templo, em Roma, os pés de Saturno eram simbolicamente amarrados com correntes até o solstício de inverno, quando os dias começavam a se alongar novamente. O solstício de inverno era um tempo de celebração e troca de presentes, pois a dureza do inverno começava a desvanecer e os dias a se tornarem mais longos.

A data de 25 de dezembro, especialmente, coincidia com o dia do nascimento do deus-sol chamado Fírgia na cultura antiga dos Bálcãs. No império romano, no tempo de Cristo, o festival de inverno era conhecido como Saturnália. A Igreja romana não permitiu a participação na Saturnália até, aproximadamente, o século 4o, quando ela adotou o feriado e tentou convertê-lo na celebração do nascimento do Senhor. Eles a chamavam de “Festa da natividade”, que foi incorporada à cultura ocidental desde então.


O simbolismo da árvore e do musgo


Um dos símbolos da vida encontrados na celebração da Saturnália era o uso de árvores verdes. Essas plantas, que permaneciam verdes durante todo o ano, eram, frequentemente, usadas nas diferentes culturas como símbolo de vida e renascimento. Eram, algumas vezes, decoradas como uma forma de adoração nas cerimônias religiosas de algumas culturas e associadas à fertilidade.

O musgo era considerado uma planta curativa e usado em muitas práticas médicas antigas. Os celtas acreditavam que a planta, um parasita das árvores verdes, continha a alma das árvores em que eles viviam. Os druídas usavam o musgo em suas cerimônias religiosas. Os sacerdotes druídas os cortavam e os distribuíam ao povo, que os colocavam sobre as portas das suas casas. Supunham que isso os protegeria de várias formas de mal.


A incerteza da data natalícia


Não há menção na Bíblia do dia em que Jesus nasceu. Várias teorias já foram levantadas que posicionam o nascimento de Jesus em abril, outubro e setembro. Mas, ninguém sabe com certeza.

Adicionalmente, o nosso calendário é falho. Está, pelo menos, quatro anos atrasado. Isso é confirmado quando comparamos os registros bíblicos do evangelho e os registros extra-bíblicos conhecidos acerca de Quirino, o governador da Síria (Lc 2.2) e Herodes, o Grande (Mt 2.19) que morreu em 4 a.C., no ano do nascimento de Jesus. Curiosamente, Jesus nasceu quatro anos antes de Cristo.


Quais são as suas razões?


O cristão é livre para celebrar essa festa que, não somente tem origem pagã, mas, também, é usada pelos incrédulos para promover o comercialismo? Em minha opinião, isso depende.

O cristão deve manter os seus padrões de retidão e devoção a Deus acima dos do mundo. O Antigo Testamento diz que devemos adorar a Deus em verdade, de acordo com o que Ele estabeleceu (Êx 20.1-4; 24.12 — 31.18). O Natal não foi estabelecido por Deus. Além disso, não há qualquer registro de que a Igreja primitiva tenha celebrado o nascimento de Cristo.

Por outro lado, existem aqueles que dizem que somos livres em Cristo e podemos celebrar qualquer dia que quisermos. Paulo diz: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (1Co 6.12— NVI). Na minha opinião, somos livres para celebrar o dia e apresento as minhas razões.

Paulo fala sobre a comida sacrificada aos ídolos (1Co 10.23-33). Essa comida era frequentemente vendida e se levantava a questão: “Os cristãos devem comer esse alimento?”. Paulo diz, no verso 25: “Comam de tudo o que se vende no mercado, sem fazer perguntas por causa da consciência” (NVI). A origem da comida era, essencialmente, pagã. Muitos animais eram escolhidos com o propósito de serem oferecidos como sacrifício para as deidades pagãs e sua carne era oferecida no mercado. Mesmo em referência a isso, Paulo diz que era lícito comer dessa carne.

Então, nos versos 28,29, ele diz: “Mas se alguém lhe disser: 'Isto foi oferecido em sacrifício', não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência, isto é, da consciência do outro e não da sua própria. Pois, por que a minha liberdade deve ser julgada pela consciência dos outros?” (NVI). Paulo está dizendo que, se você está com alguém que pode ficar escandalizado por você comer carne sacrificada aos ídolos, então não coma, não por sua causa, mas por causa da outra pessoa. Em outras palavras, comer essa carne não afeta você. Os falsos deuses não são reais. Eles não têm qualquer poder.

O texto de Paulo, em 1Coríntios 8.7-9, ecoa esta idéia, ao afirmar: “Contudo, nem todos têm este conhecimento. Alguns, ainda habituados com os ídolos, comem este alimento como se fosse um sacrifício idólatra; e como a consciência deles é fraca, esta fica contaminada. A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos” (NVI). Ainda que esta passagem mereça um pouco mais de exame, ela traz um senso de liberdade. E Jesus, definitivamente, nos tornou livres.

O Senhor, por meio do seu sacrifício, limpou-nos de nossos pecados. Quando entramos em contato com Ele, somos limpos. Não há nada nele que possa ficar imundo. A mulher que tinha fluxo de sangue e tocou em Jesus foi purificada (Mc 5.25-34). Não há ninguém que possa sujar Jesus. Da mesma maneira, Jesus tocou os leprosos e eles foram purificados (Mt 8.3). Jesus entrou em contato com muitas pessoas e não houve ninguém que o tornasse impuro. Na verdade, as pessoas é que eram purificadas.

Penso que este princípio pode ser aplicado ao Natal.

Sim, o Natal tem uma origem pagã.

Sim, o Natal é intensamente usado para fins consumistas.

Sim, muitos sequer olham para Jesus.

Mas, para os cristãos, este é um tempo de refletir sobre o nascimento do nosso Senhor e celebrá-lo.

A celebração do Natal, quando tocada por Jesus, pode ser santificada e consagrada a Ele.


Notas

Devido à sua forte associação ao catolicismo, o Natal foi, frequentemente, rejeitado por aqueles que seguiram a Reforma Protestante. Esta oposição foi baseada na crença de que isto contradiz o ensino bíblico da finalidade do sacrifício de Cristo na cruz. (Hb 9.12,24-26; 10.10-14).

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