Defesa da Fé


A era dos patriarcas - Mito ou história?


Por Kenneth A. Kitchen

Especialista em arqueologia bíblica, professor emérito de egiptologia e membro honorário de pesquisa em arqueologia da Universidade de Liverpool, Inglaterra


Os dados bíblicos apontam os fatos objetivos do Mundo Antigo de uma forma excepcional, estabelecendo a confiabilidade geral dos períodos bíblicos. Mais de um século atrás, o grande candidato a reconstrutor da história israelita antiga, Julius Wellhausen, afirmou que “nenhum conhecimento histórico dos patriarcas poderia ser obtido a partir de Gênesis. Abraão, Isaque e Jacó eram apenas uma miragem glorificada da história hebraica mais tardia, projetada para trás no tempo.

A partir de então, entre 1940 e 1960, os estudiosos William Foxwell Albright e Cyrus H. Gordon tentaram mostrar que a era patriarcal, tal como descrita na Bíblia, poderia ser estabelecida sobre específicos panos de fundo do Oriente Próximo, notadamente no período da Média Idade do Bronze, aproximadamente 1800 a.C.

Desde meados da década de 1970, um grupo de estudiosos pequeno, mas altissonante, nomeadamente Thomas L. Thompson, John Van Seters e Donald B. Redford, tem reexaminado parte do material invocado por Albright e Gordon e, corretamente, esse grupo tem rejeitado uma série de comparações defeituosas, especialmente entre as narrativas patriarcais e as condições sociais refletidas nas tabuletas Nuzi (antiga cidade perto do rio Tigre – século 15 a.C.). Esses estudiosos não conseguiram lidar com todo o peso das evidências. Como Julius Wellhausen, concluíram que as histórias dos patriarcas são criações ficcionais, datadas do exílio na Babilônia (século 6o a.C.), ou mais tarde, e são historicamente inúteis.

Diante disso, como ficamos nós, que cremos na Bíblia? Será que existem evidências extrabíblicas sobre os patriarcas ou não? É certo que seus nomes não foram identificados em quaisquer dos documentos originais antigos, embora isso tenha acontecido com os nomes de outras figuras bíblicas, tais como: Ezequias, rei de Judá (no século 8o a.C.; Sambalate, governador de Samaria (no século 5o a.C.); e o rei Davi (no século 10o a.C.). Mas, a ausência dos nomes dos patriarcas no extrarregistro bíblico histórico é, em si, inconclusiva, pois ausência de evidência não é evidência de ausência. O que o futuro trará, não podemos saber, exceto que ele será cheio de surpresas, como a recente descoberta da inscrição da “Casa de Davi” atesta.


A inscrição “Casa de Davi”


Em 1993, os arqueólogos descobriram uma inscrição de pedra na antiga cidade de Dã que se refere à “Casa de Davi”. A inscrição da “Casa de Davi” (Inscrição de Tel Dan) é a primeira referência ao antigo rei Davi fora da Bíblia. Especificamente, essa pedra é um pilar de vitória de um rei em Damasco, datado de cerca de 250 anos após o reinado de Davi, que menciona um “rei de Israel da Casa de Davi”. Depois desse dia, mais pedaços de inscrição foram descobertos no local, permitindo que os arqueologistas reconstruíssem, por completo, a seguinte declaração: “Eu matei Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, e eu matei Acazias, filho de Jeorão, rei da Casa de Davi”. Surpreendentemente, esses são os líderes judeus ligados à linhagem de Davi, conforme registrado na Bíblia.

Para avaliar o material que possuímos, devemos começar com as narrativas de Gênesis, contendo as histórias dos patriarcas e suas famílias, que são vistas, por toda a Bíblia, como os ancestrais dos clãs mais tardios do antigo Israel.

Temos duas datas muito sólidas para trabalhar. Êxodo 1.11 nos diz que os escravos israelitas construíram Ramsés, a cidade do faraó Ramsés II (c. 1279-1213 a.C.), o que sugere que o século 13 a.C. era o tempo de Moisés. A primeira referência extrabíblica de “Israel” como um povo em Canaã é sobre o famoso monumento hieroglífico erguido pelo faraó Merneptá, conhecido como a estela de Merneptá (estela é uma placa de pedra funerária). De acordo com a inscrição nessa placa funerária, Israel existia em Canaã, em 1209 a.C., uma data inteiramente consistente com a colocação de Moisés e do Êxodo no século 13 a.C., o que, em termos arqueológicos, corresponderia à idade do bronze tardia.

Trabalharmos olhando para trás, até a data dos patriarcas, os valores em Gênesis e Êxodo sugerem que eles viveram 400-430 anos antes do Êxodo, talvez por volta do século 17 a.C. Genealogias bíblicas de Jacó a Moisés e Josué (entre 7 e 11 gerações), por outro lado, sugerem que os patriarcas viveram pelo menos 220 anos antes do Êxodo. De acordo com essa combinação de elementos egípcios e bíblicos, os patriarcas, então, devem ser datados da primeira metade do segundo milênio a.C (idade do bronze). Mas, que provas objetivas, independentes da Bíblia, temos para apoiar a idade do bronze como sendo a era dos patriarcas?


O preço dos escravos


Um item importante envolve o preço de escravos em siclos de prata. A partir de antigas fontes do Oriente Próximo, sabemos o preço dos escravos em detalhes por um período de duração de cerca de doi mil anos, a partir de 2400 a.C., indo até 400 a.C.

Sob o império de Akkad, na Suméria (2371-2191 a.C.), um escravo produtivo era comprado por dez a quinze siclos de prata, embora o preço tenha caído ligeiramente para dez siclos durante a terceira dinastia de Ur, ainda na Suméria (2113-2006 a.C.).

No segundo milênio a.C., durante o início do período babilônico, o preço dos escravos subiu para vinte siclos, aproximadamente, como podemos depreender das leis de Hammurabi (primeiro rei do império babilônico) e dos documentos de Mari (um dos mais antigos documentos existentes sobre as migrações semitas, em direção à Suméria, na Mesopotâmia).

Nos séculos 14 e 13 a.C., em Nuzi e Ugarit (antigas cidades da Mesopotâmia), o preço chegou a trinta siclos e, por vezes, mais. Nos outros quinhentos anos posteriores, os mercados de escravos da Assíria exigiram o valor entre cinqüenta e sessenta siclos por escravo e, sob o império Persa (5o e 4o séculos a.C.), a inflação elevou os preços para até 90 ou 120 siclos.

Esses dados, conforme podemos constatar, fornecem um sólido corpo de evidências por meio do qual podemos comparar os números na Bíblia em que o preço dos escravos é mencionado em várias ocasiões. A primeira ocorre nas narrativas patriarcais: José é vendido a viajantes ismaelitas por cerca de vinte siclos de prata, o preço de um escravo no Oriente Próximo por volta do século 18 a.C. Vejamos o texto bíblico, que diz: “Ao passarem os negociantes midianitas, tiraram José, alçando-o da cova, e venderam-no por vinte siclos de prata aos ismaelitas, os quais o levaram para o Egito” (Gn 37.28).

Outra referência é a aliança do Sinai, quando Moisés, sob as instruções de Deus, estabelece as leis que regem as pessoas quando elas se instalam na terra prometida (Êx 20). Uma das leis diz respeito à indenização a ser paga ao proprietário de um escravo se o boi de alguém levar o escravo à morte: o responsável deveria reembolsar o proprietário de escravos com “trinta siclos de prata”, o que reflete o preço dos escravos no século 14 ou 13 a.C. Vejamos o que o texto diz: “Se o boi escornear um servo, ou uma serva, dar-se-á trinta siclos de prata ao seu senhor, e o boi será apedrejado” (Êx 21.32).

Mais tarde, no século 8o a.C., Menahem, rei de Israel, resgata alguns israelitas de Pul, rei da Assíria. Para obter o dinheiro, Menahem taxa todo israelita em “cinquenta siclos de prata” e, mais uma vez, isso está de acordo com a soma dos custos de escravos na época: “Então veio Pul, rei da Assíria, contra a terra; e Menaém deu a Pul mil talentos de prata (cinquenta siclos), para que este o ajudasse a firmar o reino na sua mão” (2Rs 15.20).

Em cada caso, o preço do escravo, no registro bíblico, encaixa-se com o período geral a que se refere. Se todos esses valores tivessem sido inventados durante o exílio (século 6o a.C.) ou no período persa por algum escritor de ficção, por que o preço de José não reflete o custo de um escravo no momento em que a história foi supostamente escrita, de noventa a cem siclos? Nesses casos, mesmo os céticos concordam que é mais razoável supor que os dados refletem a realidade bíblica.


Os tratados e os convênios


Outro tipo de evidência vem do conhecimento sobre os tratados e convênios já a partir do terceiro milênio a.C. O assunto é complexo, mas basta dizer que, agora, podemos construir uma tipologia dos tratados que nos permite datá-los pela sua forma e estrutura essencial, que variam ao longo do tempo e de lugar para lugar.

À medida que os seus rebanhos pastavam para cima e para baixo em Canaã, os patriarcas necessitavam fazer acordos com seus vizinhos, que podem ser caracterizados, em termos bíblicos, como convênios ou tratados. Em Gênesis 14.13, por exemplo, aprendemos que Abraão entrou em uma aliança com três governantes amorreus: Manre, Escol e Aner: “Então veio um que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu. Ora, este habitava junto dos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol, e de Aner; estes eram aliados de Abrão”.

Em três outros lugares em Gênesis, aprendemos não só a existência de outros convênios ou tratados, mas, também, seus termos. Abraão e Isaque fazem tratados em separado com Abimeleque, de Gerar (Gn 21, 26); e Jacó faz um acordo com Labão (Gn 31). A partir dos relatos breves desses três convênios, é possível selecionar alguns elementos essenciais para a nossa análise.

Em primeiro lugar, em cada caso, um juramento introdutório é parte do pacto. O juramento é exigido. Vejamos o caso de Abraão: “Naquele mesmo tempo, Abimeleque, com Ficol, o chefe do seu exército, falou a Abraão, dizendo: Deus é contigo em tudo o que fazes; agora, pois, jura-me aqui por Deus que não te haverás falsamente comigo, nem com meu filho, nem com o filho do meu filho; mas segundo a beneficência que te fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste” (Gn 21.22,23).

Vejamos, agora, o caso de Isaque: “Então Abimeleque veio a ele de Gerar, com Aüzate, seu amigo, e Ficol, o chefe do seu exército. E perguntou-lhes Isaque: Por que viestes ter comigo, visto que me odiais, e me repelistes de vós? Responderam eles: Temos visto claramente que o Senhor é contigo, pelo que dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos um pacto contigo” (Gn 26.28).

Além disso, o pacto é aceito: “Respondeu Abraão: Eu jurarei.” (Gn 21.24).

Vejamos o caso de Isaque: “Então Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam. E levantaram-se de manhã cedo e juraram de parte a parte; depois Isaque os despediu, e eles se despediram dele em paz” (Gn 26.30,31).

Às vezes, o juramento é precedido pela invocação de testemunhas: no pacto de Jacó com Labão, um monte de pedras e um pilar servem como testemunhas: “Agora, pois, vem, e façamos um pacto, eu e tu; e sirva ele de testemunha entre mim e ti. Então tomou Jacó uma pedra, e a erigiu como coluna. E disse a seus irmãos: Ajuntai pedras. Tomaram, pois, pedras e fizeram um montão, e ali junto ao montão comeram. Labão lhe chamou Jegar-Saaduta, e Jacó chamou-lhe Galeede. Disse, pois, Labão: Este montão é, hoje, testemunha entre mim e ti. Por isso, foi chamado Galeede” (Gn 31.44-48).

No pacto de Abraão com Abimeleque, o próprio Deus é chamado para atuar como testemunha: “Agora, pois, jura-me aqui por Deus que não te haverás falsamente comigo, nem com meu filho, nem com o filho do meu filho; mas, segundo a beneficência que te fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste” (Gn 21.23).

Como vimos, os acordos ou cláusulas são aceitos. No pacto de Abraão com Abimeleque, Abraão concorda em não se envolver falsamente com Abimeleque ou sua família (o que implica o respeito à sucessão familiar). Determinados direitos a terreno e fornecimento de água também estão previstos (Gn 21.23,30). Já o pacto de Isaque com Abimeleque inclui uma cláusula que se abstenham de hostilidades: “Você não vai nos prejudicar, assim como não molestamos você” (Gn 26.29). Jacó e Labão, em sua aliança, estabelecem uma linha de fronteira entre os respectivos territórios (Gn 31.52).

Uma vez acordado, o evento é marcado por uma maldição, como sanção por violação dos termos do tratado, que parece estar implícito nas palavras juramentadas por Jacó e Labão: “Que o Deus de Abraão e o Deus de Naor julgue entre nós” (Gn 31.53). Além disso, a realização do pacto é, por vezes, acompanhada de uma cerimônia. Os acordos entre Isaque e Abimeleque e entre Jacó e Labão são marcados por uma festa (Gn 26.30; 31.54); e Abraão aparentemente planta uma árvore para comemorar o seu acordo com Abimeleque: “Abraão plantou uma tamargueira em Beer-Seba, e invocou ali o nome do Senhor, o Deus eterno” (Gn 21.33).

A história dos tratados e convênios é longa, variada e não podemos adentrá-la na íntegra aqui. Mas, alguns elementos essenciais serão suficientes para auxiliar em nossos estudos. No terceiro milênio a.C., os mais antigos tratados da Mesopotâmia seguem regras de composição sumérias. Esses tratados são caracterizados pela repetição considerável de recursos-padrão em cada seção do tratado.

Assim sendo, cada estipulação ou convenção do tratado de Eannatum com Umma (personagens sumérios) é precedida por um juramento formal e seguida por uma maldição que incorpora um segundo juramento. O tratado entre Naram-Sin e Elam (personagens caldeus) também tem um juramento formal antes de cada estipulação. Mais a Oeste, em Ebla (antiga cidade do Norte da Síria), as coisas foram drasticamente simplificadas. Um prólogo e uma maldição são seguidos por uma longa lista de requisitos, então as maldições foram invocadas pela violação do todo.

Muito recentemente, alguns tratados se tornaram, em parte, disponíveis a partir de Mari e Tell Leilan (Noroeste da Síria), datando do início do segundo milênio a.C., tempo em que poderíamos situar os patriarcas. Esses tratados apresentam uma base semelhante àquela dos pactos patriarcais na Bíblia.

Em primeiro lugar, as divindades são citadas como testemunhas do juramento vinculando as partes no tratado. Maldições não aparecem preliminarmente nos “pequenos tabletes”, mas apenas no final dos “grandes tabletes”. A invocação das divindades e o juramento são seguidos por cláusulas proibindo as hostilidades, estabelecendo laços comerciais, formando alianças, e assim por diante. Uma cerimônia geralmente acompanha a elaboração do tratado, que consiste em um banquete e sacrifício, ou na troca de presentes.

As características comuns entre esses tratados, do início do segundo milênio, e os convênios registrados em Gênesis são impressionantes. Os tratados, alianças e convênios descritos em Gênesis diferem em forma e estrutura dos tratados do terceiro milênio a.C., mas são muito parecidos com os tratados do início do segundo milênio a.C., correspondente à nossa datação da era dos patriarcas para o início do segundo milênio, algo cerca de 1950-1700 a.C.

Essa conclusão é reforçada por evidências concernentes à forma e à estrutura dos tratados mais tardios. Cerca de 1.400 a.C., o tratado médio-hitita Ishmerikka define suas estipulações entre testemunhas e juramentos. Isso difere dos tratados do início do segundo milênio — tanto daqueles atestados na Bíblia quanto daqueles de Mari e Leilan — nos quais as testemunhas e os juramentos precedem as estipulações. No final do segundo milênio, vemos um maior desenvolvimento da forma e da estrutura. Numerosos tratados imperiais hititas dos séculos 14 e 13 a.C. foram encontrados, os quais refletem um elaborado esquema de sete elementos. A saber:


Título (preâmbulo)

Prólogo histórico

Pressupostos

Recitação do depósito do tratado

Leitura do tratado (opcional)

Testemunhas

Maldições e bênçãos


Curiosamente, esta estrutura de sete elementos também caracteriza a aliança do Sinai (Êx 20–31, 34–35; Lv 1–7,11–26). Vejamos:

1. Em primeiro lugar, o preâmbulo é dado em Êxodo 20.1: “Deus falou todas estas palavras”.

2. Em segundo, o prólogo e um breve histórico seguem em Êxodo 20.2: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”.

3. Em terceiro, temos as estipulações, primeiro as básicas (os dez mandamentos), em Êxodo 20.3-17. Depois, as regulamentações detalhadas para reger a vida social (Êx 21–23, 25–31) e a provisão relativa a uma morada (tabernáculo) para o divino soberano (Êx 35). Em Levítico 1–7 e 11–25, o serviço ao soberano (o culto) e outras normas religiosas e sociais para a comunidade.

4. Em quarto, o texto (o “testemunho” na maioria das versões em inglês) deve ser depositado com a arca da aliança no santuário (Êx 25.16).

5. Em quinto, um altar e doze pilares (alusão às doze tribos), provavelmente, cumprem o papel de testemunhas mudas (Êx 24.4-8).

6. Por último, as bênçãos (por obediência) e as maldições (por desobediência) completam a sequência (Lv 26).

Esse formulário dos séculos 13 e 14 é encontrado, também, na renovação da aliança do Sinai, conforme registros em Deuteronômio 1–32 e Josué 24. Muita coisa aconteceu desde a saída dos israelitas do Sinai até sua chegada à Jordânia, à beira de Canaã. Assim, em Deuteronômio, por exemplo, encontramos um preâmbulo mais longo (Dt 1.1-5) e, após, um prólogo histórico muito maior (Dt 1.6-3.29), como era normal naquele período.

Em seguida, vêm as estipulações. Vejamos passo a passo:

• Os comandos básicos: os dez mandamentos, em Deuteronômio 4.

• Os comandos mais amplos nos capítulos 5–11 e as regras mais específicas nos capítulos 12–26.

• O documento da aliança deve ser depositado na arca da aliança, no santuário (Dt 31.9-13).

• Ao mesmo tempo, Moisés ordena aos anciãos a realizarem periódicas leituras públicas da lei.

• Para as testemunhas, temos a canção de Moisés (Dt 31.19), o texto registrado em Deuteronômio 32 e o livro da aliança de Israel (Dt 31.26). Além disso, o céu e a terra também são chamados na qualidade de testemunhas (Dt 31.28).

• Finalmente, há um conjunto de bênçãos (Dt 28.1-14) e muitas maldições (Dt 28.15-68).

É extraordinário como os tratados que, segundo a cronologia bíblica, recaem no período dos patriarcas, assemelham-se aos tratados do início do segundo milênio a.C. E os convênios sinaíticos (de Sinai) assemelham-se aos tardios tratados do segundo milênio a.C. Em ambos os casos, a cronologia bíblica é totalmente amparada pela evidência externa.

Tratados a partir do início do primeiro milênio a.C. são novamente diferentes. Quase todos esses tratados têm apenas quatro elementos: título, testemunhas e maldições ou mais estipulações (no Ocidente) ou estipulações mais maldições (no Oriente). Não têm os prólogos históricos, as bênçãos de reciprocidade e muito menos depósito ou cláusulas de leitura.

Se o texto bíblico tivesse sido escrito em meados do primeiro milênio a.C., seria de esperar que os convênios patriarcais e os tratados estivessem nessa mesma forma (o mesmo seria válido para as alianças do Sinai). Entretanto, pelo contrário, as formas dos tratados se encaixam nos tempos em que a Bíblia posiciona as narrativas. Em suma, essa tipologia de tratados fornece material verdadeiro que fundamenta amplamente a cronologia bíblica.


As condições geopolíticas


Há um terceiro tipo de evidência relacionado à mudança geopolítica na situação das terras bíblicas. Em Gênesis 14, Abraão e cinco reis cananeus travaram uma guerra perto do Mar Morto contra seus senhores, consistindo em uma aliança de quatro reis de Elam, Mesopotâmia e Anatólia meridional.

Ora, é verdade que as alianças que Abraão fez com seus vizinhos — pequenos reis cananeus — podem ter ocorrido, pelo menos, desde o início da idade do bronze (terceiro milênio a.C.) até o final do século 13 a.C. Mas, eles teriam sido menos prováveis durante o período da dominação egípcia dos séculos 15 a 13 a.C.

Nos séculos 12 e 11 a.C., contudo, novas condições se apresentaram em Canaã: a emergência de Israel, o aumento da liga dos filisteus e a consolidação do poder arameu, na Região Norte. Portanto, a situação em Canaã não é muito útil para responder à nossa questão cronológica, exceto para dizer que a aliança entre Abraão e os reis cananeus deve ter ocorrido antes do século 12.

Contudo, mais a Leste, a situação era completamente diferente. Na história da Mesopotâmia e seus vizinhos, verificamos que as condições geopolíticas topam com a situação em Gênesis 14 em apenas um período: a era dos patriarcas, de acordo com a cronologia bíblica.

No final do terceiro milênio a.C., a Mesopotâmia foi dominada durante um tempo por um poder único, a terceira dinastia de Ur, que foi derrubada por Elam, cerca de 2.000 a.C. Então, por aproximadamente 250 anos, nenhum poder único governara majoritário na Mesopotâmia, de Ur a Carquemis. Em vez disso, a área da cidade fervilhava com maiores e menores Estados, combinando e recombinando em constante mudança de alianças.

Alguns, como Isin e Larsa, Mari, e, em seguida, Assíria e Babilônia, tornaram-se mais proeminentes do que outros. Estados como esses, ocasionalmente, chefiaram as grandes alianças, mas o poder ainda estava dividido. Como um texto antigo, frequentemente citado, observa: “Não há rei que é forte apenas por ele mesmo. Entre dez e quinze estão seguindo Hammurabi, o homem da Babilônia; assim, também, Rim-Sin, o homem de Larsa; assim, também, Ibal pi-el-homem de Eshnunna; assim, também, Amut pi-a-el homem de Qatna; vinte reis estão seguindo Yarim-Lim, o homem de Yamhad”.

Outros documentos do período, repetidamente, referem-se a aliança entre três, quatro e cinco poderes. Além disso, as campanhas militares da Mesopotâmia para o Levante (parte oriental do território) estão bem atestadas a partir do terceiro milênio a.C. Uma guerra da aliança abraâmica contra uma aliança dos reis do Oriente, no período dos patriarcas, é certamente plausível nesse contexto.

Na verdade, um relato, a partir do início do segundo milênio, é semelhante a Gênesis 14, embora, do ponto de vista oposto, isto é, o da aliança dos reis orientais. Em uma esplêndida inscrição de Iahdun-Lim de Mari, somos informados de que Shamsi-Adad I, da Assíria, chegou ao Líbano, avançou, passando nas montanhas de madeira, e prosseguiu para o mar Mediterrâneo; ele fez oferenda para celebrar o seu sucesso (como Abraão dizimou a Melquisedeque, em Gênesis 14.20) e impôs seu governo e “tributo perpétuo” sobre os povos do Levante que ele conquistou, que foi pago até o ano da inscrição, quando Shamsi-Adad I derrotou uma aliança de quatro outros vassalos que se rebelaram.

Por volta do século 18 a.C., porém, a situação mudou drasticamente na Mesopotâmia. Os triunfos de Hammurabi, da Babilônia, e de Shamsi-Adad I, da Assíria, encerraram a era das alianças rivais, com as numerosas cidades-estados mesopotâmicas desaparecendo para sempre. A partir de então, a terra foi dominada por apenas duas potências: Assíria e Babilônia. Durante dois séculos (1550-1350 a.C.), elas partilhavam o poder com Mitanni (imperador que reinou no Nordeste da Mesopotâmia). Mas, isso foi tudo.

Não só o mapa político da Mesopotâmia, em seguida, torna-se incompatível com a situação tal como descrita em Gênesis 14, mas no Norte, na Anatólia, houve mudanças drásticas: os chefes e os senhores foram absorvidos no reino hitita que dominara a área até cerca de 1200 a.C. Mais tarde, durante o primeiro milênio a.C., o Levante foi dominado pelos arameus e pelos Estados neo-hititas do Norte. Também por Israel (mais tarde, Israel e Judá), pelos filisteus, no Sul, pelos fenícios ao longo da costa e, no devido tempo, por Amon, Moabe Edom, no Leste da Jordânia. Todos, entretanto, caíram sob a sombra crescente da Assíria e, na maioria dos casos, desapareceram politicamente.

Assim, existe um — e somente um — período que se adapta às condições refletidas em Gênesis 14 — o início do segundo milênio a.C. Somente nesse período é que a situação na Mesopotâmia permite a mudança de alianças, e só então Elam participa ativamente nos assuntos do Levante, enviando emissários não só para Mari, mas para lugares distantes, como Qatna, no Orontes, na Síria.


As referências ao Egito


Referências bíblicas ao Egito fornecem a evidência adicional para datar os patriarcas na idade do bronze médio. Abraão e Jacó encontram faraós egípcios. Abrão (como era chamado então) permaneceu no Egito durante a fome (Gn 12.10-20). Jacó, com sua família, visita José no Egito durante outro período de fome, permanecendo lá até morrer, dezessete anos depois (Gn 45.28– 47.28). Jacó, somos informados, assenta em Gósen, no delta do Nilo oriental. Não há razão para acreditar que Abraão tenha ido mais longe do que esse ponto no Egito.

Sob as XII e XIII dinastias (séculos 20 a 17 a.C.), faraós egípcios tinham um palácio e templos no delta do Nilo oriental — chamado (pelo menos em parte) Ro-waty (cuja tradução, em português, é: “boca dos dois caminhos”), onde a estrada costeira de Canaã encontra a estrada de Wadi Tumilat, no delta oriental. A XIII dinastia foi seguida pelo período dos hicsos, nos séculos 17 e 16 a.C. Os reis hicsos tomaram conta do centro do antigo Egito, no delta do Nilo oriental, e reconstruíram-na como sua capital de verão, chamada Avaris.

Portanto, a partir do século 20 ao 16 a.C. , o período de tempo que temos, por outros motivos, atribuídos aos patriarcas (séculos 19 a 17 a.C), o governo egípcio teve uma presença real em Gósen, no delta do Nilo oriental. Antes desse período, não havia qualquer posto delta da realeza, desde que os faraós do antigo império construíram apenas até Bubastis (cidade do Antigo Egito, situada no delta do rio Nilo, perto da moderna Zagazig. As ruínas são conhecidas, hoje, como Tell Basta).

Depois que os governantes hicsos foram expulsos, o poder egípcio nativo foi retomado, sob a dinastia XVIII, a qual tripulou suas expedições para Canaã, basicamente de Memphis, a 100 quilômetros ao Sul da fronteira do Sinai. Durante o período entre 1550 e 1300 a.C., não havia qualquer residência real no delta. Apenas o último rei da dinastia XVIII, Haremhab (1327-1295 a.C.) mostrou interesse em renovar o templo do deus Seth, em Avaris (Seth é o deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, dos animais e das serpentes). A XIX dinastia, no entanto, teve origem no delta oriental, possuindo um palácio de verão lá, movendo, finalmente, sua capital para Pi-Ramesse, construído por Ramsés II. Esse foi o palco para os eventos do Êxodo (1.11; 12.37), que incluem: o decreto do faraó para a matança dos recém-nascidos hebreus, o nascimento de Moisés, o homicídio praticado por Moisés, a experiência com a sarça ardente, as dez pragas e a saída dos israelitas do Egito.

No século 12 a.C., depois de Ramsés VI, Pi-Ramesse foi abandonado e os seus magníficos edifícios se tornaram ruínas. Durante os períodos posteriores (1070-300 a.C.), Tanis / Zoã, no delta oriental, serviu como porta de entrada do Egito para o Levante, tal como é indicado por referências nos Salmos e pelos profetas posteriores.

O Salmo 78.12,43 nos deixa entrever a “idade do ferro” para o Êxodo, citando seus milagres “na terra do Egito, na região de Zoá”: “Maravilhas fez ele à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoá [...] quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto, e o ofenderam no ermo! Voltaram atrás, e tentaram a Deus; e provocaram o Santo de Israel. Não se lembraram do seu poder, nem do dia em que os remiu do adversário, nem de como operou os seus sinais no Egito, e as suas maravilhas no campo de Zoã”.

Isaías despreza funcionários do faraó em Zoã como tolos: “Na verdade, estultos são os príncipes de Zoã; o conselho dos mais sábios conselheiros de faraó se embruteceu. Como, pois, a faraó direis: Sou filho de sábios, filho de reis antigos? Onde estão agora os teus sábios? anunciem-te agora, e te façam saber o que o Senhor dos exércitos determinou contra o Egito. Estultos tornaram-se os príncipes de Zoã, enganados estão os príncipes de Mênfis; fizeram errar o Egito, os que são a pedra de esquina das suas tribos” (Is 19.11,13).

Mais tarde, Ezequiel anuncia a iminente destruição de Zoã e outras cidades do Egito: “E assolarei a Patros, e porei fogo a Zoã, e executarei juízos em Tebas; e derramarei o meu furor sobre Pelúsio, a fortaleza do Egito, e exterminarei a multidão de Tebas; também atearei um fogo no Egito; Pelúsio terá angústia, Tebas será destruída, e Mênfis terá adversários em pleno dia” (Ez 30.14-16).

Mais uma vez, o nosso conhecimento sobre as residências egípcias no delta do Nilo oriental é cronologicamente coerente com o que encontramos nas narrativas bíblicas, tanto em relação aos patriarcas, no início do segundo milênio a.C., quanto em relação ao Êxodo, no final do segundo milênio a.C., fatos que, dificilmente, seriam conhecidos, caso alguém se pusesse a escrever ficcionalmente no século 6o ou 5o a.C.


O mundo social dos patriarcas


É verdade que, no passado, houve esforços para estabelecer um paralelo entre o mundo social dos patriarcas e o mundo social refletido nos tabletes Nuzi (século 15 a.C.), algo que não foi levado a efeito em muitos aspectos. Paralelos errados de Nuzi sobre os ídolos, imagens, vendas de primogenituras, bênçãos de leito de morte, “irmandade” e outros elementos foram efetivamente esquadrinhados pelos assim chamados estudiosos “desconstrucionistas”, como Thomas Thompson e John Van Seters. Mas, ainda assim, há um conjunto sólido e factual de comparações legítimas que, mais uma vez, apontam para o início do segundo milênio a.C., por meio de características sociais apresentadas nas narrativas dos patriarcas.

Um desses pontos legítimos de comparação se refere às leis de herança. Jacó tinha duas esposas, Raquel e Lia, cada qual lhe proporcionara uma concubina, Bila e Zilpa, e Jacó teve filhos com todas elas. Na bênção final de Jacó (Gn 49), todos os filhos compartilharam, aparentemente, da mesma forma, na herança. Não há qualquer indício de uma porção dupla para o primeiro nascido.

Nas leis proferidas no Êxodo, no entanto, o mais velho obtém uma porção dupla. Em Deuteronômio 21.15-17, a exigência atribuída à porção dupla é que o filho mais velho fosse “o primeiro fruto da sua masculinidade” [do pai]: “Se um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a quem despreza, e ambas lhe tiverem dado filhos, e o filho primogênito for da desprezada, quando fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito; mas ao filho da aborrecida reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver, porquanto ele é as primícias da sua força; o direito da primogenitura é dele”.

A expressão muito utilizada é a mesma de Rúben, na bênção de Jacó: “A primícia do meu vigor” ou “o primeiro fruto da minha masculinidade”: “Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, preeminente em dignidade e preeminente em poder” (Gn 49.3). Contudo, nesse contexto, nem Rúben nem Judá, que substituiu Rúben, que tinha dormido com a concubina de seu pai, recebem uma porção dobrada da bênção patriarcal.

Atualmente, temos informações extrabíblicas relativas às leis de herança no antigo Oriente Próximo. No século 20 a.C., as leis da Lipit-Ishtar providenciaram partes iguais a todos os filhos. Duzentos anos mais tarde, no século 18 a.C., as leis de Hammurabi deram aos filhos da primeira esposa de um homem a “primeira escolha”. Então, do século 18 ao 15 a.C., segundo as leis em Mari e Nuzi, um filho primogênito natural obteve uma cota do casal, enquanto o filho adotivo não. E, no primeiro milênio, segundo as leis neobabilônicas, quando um homem tinha duas esposas, os filhos da primeira esposa obtinham uma cota dupla, enquanto os filhos da segunda mulher obtinham apenas uma única cota.

A herança dos filhos de Jacó, em Gênesis 49, e a lei de uma porção dupla para o mais velho na época do Êxodo, como descrito em Deuteronômio, são coerentes com o desenvolvimento das leis de herança, conforme descrito em textos externos, dando a confirmação adicional para a nossa datação dos patriarcas na Idade Média do bronze.


Considerações finais


Após lermos tudo isso, o que seriam, então, as narrativas de Gênesis sobre os patriarcas? Seriam históricas ou apenas contos de fada? Ou alguma coisa entre as duas? Olhemos a evidência externa para a nossa orientação. Do Egito, da Mesopotâmia, da Síria, da Anatólia e de outras regiões temos um considerável corpo de narrativas. Esses escritos (excluindo os mitos que dizem respeito apenas aos deuses) podem ser divididos em três grupos principais. Em primeiro lugar, narrativas autobiográficas e biográficas sobre indivíduos importantes. Em segundo, lendas históricas, que pretendem recontar a vida de figuras históricas do passado. E, por último, contos puramente ficcionais, geralmente envolvendo personagens anônimos.

Biblicamente, é lógico que as narrativas dos patriarcas são históricas e, nesse âmbito, não há debate aqui. Entretanto, como esta matéria pretende apresentar dados extrabíblicos para confirmar os relatos de Gênesis, conclui-se que, à luz daquilo que a arqueologia descobriu até aqui, as narrativas dos patriarcas caem, em algum lugar, entre o primeiro e o segundo grupo, mais próximas do primeiro que do segundo. O mais cético dos estudiosos precisa admitir isso quando se depara com as evidências! Em outras palavras, julgando-as por meio de dados estritamente externos (não os nossos preconceitos), as tradições dos patriarcas seriam classificadas como substancialmente verdadeiras.

Inegavelmente, hoje, há evidências extrabíblicas de que as narrativas sobre os patriarcas são essencialmente confiáveis: não há qualquer necessidade de “reconstruir” a história hebraica antiga, pois ela está fielmente descrita na Bíblia. Ao invés de os céticos tentarem usar a arqueologia para desconstruir o enredo bíblico, deveriam procurar rever o conhecimento do que é basicamente um esboço histórico confiável, e trabalhar para preenchê-lo a partir da enorme riqueza da arqueologia, com o auxílio que a própria Bíblia propicia.


Fonte: publicado na Biblical Archaeological Review, 21:02, mar-abr/2005.


Notas de referências:

1 WELLHAUSEN, Julius. Prolegomena zur Geschichte Israels. 6th edition (Berlin: de Gruyter, 1927), p. 316; reimpresso como Prolegomena to the History of Ancient Israel (New York: Meridian Books, 1957).

2 Ver BRIGHT, John. A History of Israel (London: SCM Press, 1972), p. 76.

3 Ver THOMPSON, Thomas L. The Historicity of the Patriarchal Narratives (Berlin: de Gruyter, 1974); SETERS, John. Abraham in History and Tradition (New Haven: Yale Univ. Press, 1975); e REDFORD, Donald B. A Study of the Biblical Story of Joseph (Leiden: Brill, 1970).

4 V. David Found at Dan, BAR 20:02.

5 PRICE, Donald. Stones cry out, p.166, 167. Publicado em português pela CPAD, sob o título Pedras que clamam.

6 V. Which Picture Is the Israelites? (com respostas de Anson F. Rainey [“Rainey’s Challenge,” BAR 17:06] e Frank J. Yurco [“Yurco’s Response,” BAR 17:06]).

7 Para um sumário, ver MENDESOHN, Isaac. Slavery in the Ancient Near East (New York: Oxford Univ. Press, 1949), p. 117.

8 Para as leis de Hammurabi, seções 116, 214 e 252. Para Mari, ver G. Boyer, Archives Royales de Mari VIII (Paris: Imprimerie Nationale, 1958), p. 23; e M. Van De Mieroop, Archiv für Orientforschung 34 (1987), p.10,11.

9 Ver EICHLER, Barry L. Indenture at Nuzi (New Haven: Yale Univ. Press, 1973), p. 16–18; e Mendelsohn, Slavery in the Ancient Near East, p.118.

10 Para Assyria, ver JOHNS, C.H.W. Assyrian Deeds and Documents 3 (Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1924), pp. 542–546. Para os períodos Neo-Babilônicos e Persas, ver MEISSNER, Bruno. Babylonien und Assyrien 1 (Heidelberg: Winter, 1920), p. 365-6; e seu Warenpreise in Babylonien (Berlin: de Gruyter, 1936), p.35-6. V. tb. DANDAMAEV, Muhammed. Slavery in Babylonia, from Nabopolassar to Alexander the Great (626–331 B.C.) (DeKalb, IL: Northern Illinois Univ. Press: 1984), p. 195–206.

11 Para Tell Leilan e seus arquivos, ver EIDEM, J. Annales Archéologiques Arabes de Syrie 38/39 (1987–1988), p.110–127; e Eidem’s contribution in Revue d’Assyriologie 85 (1991), p. 109–135. Para o Tratado de Till-Abnu of Leilan com Assyria, ver EIDEM, J.; CHARPIN, D.; JOANNES F. (eds.). Marchands, Diplomates et Empereurs (Paris: Editions Recherche sur les Civilisations, 1991), p. 185–207. Para mais informações sobre tratados Mari, ver em Marchands, Diplomates et Empereurs, p.139–47; ver também DURAND, J.M.; MEYER L.; GASHE H; VALLAT F. (eds.) Fragmenta Historiae Elamicae (Paris: Editions Recherche, 1986), p.111–28.

12 No início do Segundo Milênio a.C. nos textos Mari, podemos verdadeiramentee seguir os cursos de negociações entre dois reis (por exemplo, de Babilônia e Eshnunna). As negociações, tabletes nºs 372 e 469, foram publicadas por D. Charpin em Archives Royales de Mari, XXVI/2 (Paris: Editions Recherche sur les Civilisations, 1988), p.144, 179–182, 393–395. Quando dois reis desejavam fazer um tratado, um enviava ao outro um “documento-esboço”, o assim chamado “pequeno tablete”, em sua terminologia. O recebedor iria então decidir quais modificações eram desejadas, e enviava sua contraproposta em outro documento-esboço ou “pequeno tablete”. Uma vez que ambas as partes chegassem num acordo final, juramentos completos eram proferidos, e cópias de cópias do texto definitivo, o assim-chamado “longo tablete”, era permutado.

13 KITCHEN, Kenneth A. Genesis 12–50 in the Near Eastern World. In: He Swore an Oath, Biblical Themes from Genesis 12–50; Estudos por D.J. Wiseman (Cambridge: Tyndale House, 1993), p. 74–77.

14 Quase tão breves sãos os preâmbulos e prólogos do tratado entre o rei Hitita Mursil II e Niqmepa de Ugarit, em cerca de 1300 a.C.: “Assim diz o Sol, Mursil o Grande Rei, Rei da terra Hitita”; e então, “Assim para você, Niqmepa, embora eu tenha [reconciliado] você e seus iguais, e eu tenha procurado assegurar sua instalação como rei no trono de seu pai, assim você e seu povo são agora meus súditos”.

15 O livro de Josué contém um abreviado relato: primeiro, um curto preâmbulo (Js 24.2b); segundo, um extenso prólogo historio (Js 24.2c-13); terceiro, estipulações e comandos envolvendo um general chamado para a obediência do povo (24.14-24); quarto, o depósito do texto, com Josué escrevendo seu trabalho “no livro da lei de Deus” (Js 24.26); quinto, o cenário de uma grande pedra no santuário do tabernáculo como uma testemunha (Js 24.56-24); e por último, abençoando pela obediência e amaldiçoando pela desobediência, implícito em Josué 24.20. Compare o prólogo da longa narrativa na Aliança do Sinai e o livro de Josué com o recentemente publicado tratado de Tudkhalia IV e Kurunta, gravado em um esplêndido tablete de bronze (H. Otten Die Bronztafel aus Bogazkoy—Ein Staatsvertrag Tudhalijas IV [Wiesbaden: Harrassowitz, 1988], pp. 10–19).

16 Os fatos essenciais estão listados em KITCHEN, Kenneth. Ancient Orient and Old Testament. (London: Tyndale Press, 1966), pp.90–102; The Bible in Its World (Exeter: Paternoster Press, 1977), pp. 79–85; e ainda em The Fall and Rise of Covenant, Law and Treaty, em Tyndale Bulletin 40 (1989), pp.118–135. Ver também WALTON, J.H. Ancient Israelite Literature in Its Cultural Context (Grand Rapids: Zondervan, 1989), pp.95–109.

17 PRITCHARD, James B. Ancient Near Eastern Texts. 3ed. (Princeton: Princeton Univ. Press, 1969), p.628.

18 Ver KITCHEN, Kenneth. Ancient Orient and Old Testament, pp. 45ff.; para mais detalhes, ver EDZARD, D.O. Zweite Zwischenzeit Babyloniens (Wiesbaden: Harrassowitz, 1957), p.105–108, 121, 155–160, 181–182.

19 KITCHEN, Kenneth. Ancient Orient and Old Testament, p. 43–47.

20 KITCHEN, Kenneth. Ancient Orient and Old Testament, p. 46, 73.

21 Durante o período inteiro da Idade de Bronze Médio (aproximadamente 2000-1600 a.C.), a maioria de nossas limitadas evidências arqueológicas para pessoas do Oeste Asiático no Egito vem do Delta Oriental, não além; compare a rica evidência arqueológica de Tell el-Dab encontrada pela expedição australiana liderada por Manfred Bietak. Para uma introdução conveninente, veja BIETAK, Manfred. Avaris and Piramesse. 2o ed. (London: Oxford Univ. Press/British Academy, 1986), p. 238–268, 294–295.

22 A Dinastia Hicso no Egito (c. 1648-1540 a.C.) fora uma linha de governantes que chegaram de Canaã e assumiram o controle do Egito, provavelmente pelo golpe de Estado. Eles eram principalmente de origem semita ocidental, a julgar pelos seus nomes.

23 Ver PRITCHARD, James B. Ancient Near Eastern Texts. 2o ed. (1955), p.159–161.

24 Para Hammurabi, ver Leis de Hammurabi, seção 170; para Mari, ver BOYER, G. Archives Royales de Mari, 8, Text No. 1; para Nuzi, ver SPEISER, E.A. Annual of the American Schools of Oriental Research 10 (1930), p. 8, 35, 39; e para leis neo-babilônicas, ver PRITCHARD, James B. Ancient Near Eastern Texts, p.198

25 Para uma apresentação mais detalhada, ver KITCHEN, Kenneth. The Bible in Its World, p.59–65.

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