Defesa da Fé


O crime de estupro no islamismo


Por Daniel Greenfield

PhD em sociologia pela Cambridge University


O Islã não considera o estupro um crime contra a mulher, mas, sim, um crime contra os pais e os maridos. Se um marido estuprar a própria esposa, não é considerado crime. Trata-se de uma regra que alguns eruditos muçulmanos continuam pregando nos dias de hoje. Recentemente, um canal de TV islâmico do Reino Unido foi censurado por transmitir essa visão.

Quando Lara Logan viajou ao Egito, para cobrir os protestos da Praça Tahrir, não sabia que estava indo trabalhar em um país onde os porcentuais de mulheres agredidas sexualmente, principalmente as estrangeiras, são tão altos que se tornaram universais. Em uma profissão politicamente correta, tais verdades são politicamente incorretas. E, mesmo hoje em dia, toda a cobertura da imprensa evita, cuidadosamente, mencionar uma palavra perigosa: Islã.

A cultura muçulmana do estupro não começou na Praça Tahrir, nem vai terminar lá. Começou, na verdade, quando, em 624, Maomé descobriu um modo engenhoso de recompensar seus seguidores. Em acréscimo aos troféus de guerra, ele lhes deu permissão para capturar e estuprar mulheres casadas. Antes, isso seria considerado adultério. Agora, é um incentivo para ser um dos santos guerreiros do Islã. Não é difícil imaginar como era feio e terrível o acampamento dos seguidores de Maomé para uma mulher. É por isso que a burca foi inventada.

Os apologetas islâmicos insistem em que a burca tem algo a ver com a modéstia feminina, mas o Corão explica abertamente porque a burca foi criada: “Digam às suas esposas e filhas, e às mulheres dos crentes, que vistam seus mantos (véus) por cima do corpo todo, para que se distingam e não sejam molestadas”.

O hijab foi inventado por motivo semelhante no Líbano, nos anos 70, para distinguir as mulheres xiitas, a fim de não serem molestadas por terroristas islâmicos. O propósito da burca era parecido com uma marcação de gado, separando as mulheres casadas com maridos muçulmanos das mulheres escravas capturadas na guerra. As primeiras eram propriedade de seus maridos e intocáveis, as últimas, presas legítimas para qualquer um.

Quando o Grande Mufti da Austrália, Sheik Hilaly, justificou uma infame série de estupros cometidos por gangues ao comparar as mulheres à carne abandonada diante de um gato, ele explicou o fundamento da antiga cultura muçulmana do estupro. As mulheres são sempre a parte culpada, porque são mulheres. Se elas se recusam a se desfeminizar usando a burca e se tornando apenas mais um fantasma assombrando as ruas do Cairo ou Sidney com sua ausência de individualidade, então elas são, automaticamente, culpadas de seu próprio estupro.


A mulher como objeto imoral


No Ocidente, o estupro é crime porque é um ataque a um ser humano. No Islã, só é crime por ser um ato sexual que acontece fora do casamento. Em muitos países islâmicos, a zina, adultério ou conduta sexual imoral em geral, é uma acusação que pode ser feita tanto contra o estuprador quanto contra a sua vítima.

Mesmo no caso em que Maomé ordenou a execução de um estuprador, ele, primeiro, “perdoou” sua vítima por tomar parte no ato. Na medida em que o Islã criminaliza o estupro, faz isso por considerar tal ato crime de propriedade ou perturbação da ordem pública, e impõe exigências elevadas de prova cuja satisfação torna-se quase impossível.

Em muitos países muçulmanos, as mulheres são objetos, não sujeitos. Fisicamente, seus corpos inteiros são considerados awrah, uma palavra árabe que significa “nudez”, “falha” ou “defeito”, termos que resumem amplamente a visão muçulmana sobre as mulheres. Até mesmo suas vozes são consideradas awrah, ou seja, até uma mulher totalmente coberta é uma coisa imoral ao falar. A mulher existe no Islã como um objeto imoral. E isso dá aos homens muçulmanos a permissão implícita de atacá-la, enquanto se culpa a própria natureza dela por “tentá-los” a cometer o ato.

Em uma sociedade tribal, o estupro é um crime contra a propriedade e a honra. Para o pai, a virgindade da filha é um item valioso que aumenta seu valor de mercado. Casá-la é uma maneira de estabelecer um relacionamento entre duas famílias. Para o marido, a castidade de sua esposa mantém o valor de sua propriedade e garante que a prole é realmente sua. Atacar uma mulher é cometer um crime contra a propriedade comunal de uma família. Mas, uma mulher sozinha não tem direitos sobre seu corpo, como Lara Logan descobriu na Praça Tahrir.

Uma mulher desacompanhada não tem dono.

Uma mulher estrangeira está fora da proteção do sistema tribal que utiliza vendetas (vinganças) familiares para resolver disputas. Não é à toa que os porcentuais, já estratosféricos, de assédio sexual no Cairo sobem a um valor universal quando se incluem as mulheres estrangeiras.

A burca coloca a responsabilidade de se desfeminizar e, também, de sinalizar que as mulheres são propriedades de seus respectivos maridos muçulmanos. Séculos de jurisprudência islâmica põem na mulher o peso da responsabilidade por qualquer ataque, como objeto que tenta os homens a pecar. O raciocínio circular do Islã diz que, se um homem ataca uma mulher, é porque ela o tentou. A feminilidade é inerentemente um objeto de tentação. A burca e o hijab começaram como um modo de desfeminizar as mulheres para sua proteção, mas terminaram como uma acusação às mulheres. As mulheres passaram a não mais ser desfeminizadas para sua proteção, mas para a proteção dos homens.

Por que as mulheres teriam de ser desfeminizadas, tendo seus rostos cobertos e sua voz silenciada, se não houvesse uma força terrível e misteriosa na feminilidade que provoca os homens? Foi exatamente isso o que afirmou o ex-presidente do Irã, quando disse que “as pesquisas científicas mostram que os cabelos das mulheres emitem raios que enlouquecem os homens”. Mais recentemente, um clérigo iraniano explicou que as mulheres que não se vestem com modéstia corrompem os homens e causam terremotos. As rotas de voo de aviões iranianos tiveram de ser desviadas de um estádio onde mulheres jogavam futebol com medo de que seus raios capilares pudessem afetar os passageiros.

Por trás dessa loucura dos raios capilares esconde-se uma ideia pior, a de que as mulheres são criaturas não naturais e os homens não são responsáveis por sua conduta diante delas. Se um homem estupra uma mulher, talvez os raios capilares dela o tenham levado a agir dessa forma. Se elas podem causar terremotos, por que não? A cultura jurídica ocidental diz que os homens têm mais autocontrole quando tratam com as mulheres. A jurisprudência islâmica cria razões contra as mulheres para inocentar seus estupradores.

Como seria possível vender a ideia de direitos iguais para pessoas que veem as mulheres como objetos perigosos que têm de ser trancados a sete chaves? Sob o Islã, uma mulher não pode dizer “não”, exceto passivamente, ao se desfeminizar, ao permanecer de purdah (é a prática de impedir as mulheres de serem vistas pelos homens que não sejam seus parentes diretos) em casa ou levar um purdah ao sair, cobrindo todo o corpo e rosto com uma burca, jamais encontrando o olhar de um homem ou a ele se dirigindo. E, mesmo que ela siga todas as regras e seja atacada, então, talvez, tenham sido seus raios capilares que ultrapassaram o tecido negro da burca. Logo, no fim das contas, não há jeito de uma mulher ser inocente, exceto se não nascer. Enquanto objeto, ela é sempre culpada de seduzir os homens. Os níveis de culpa podem variar. Se os níveis são bastante baixos, ela pode ser “perdoada” por causar imoralidade e seu estuprador pode receber uma pena, e sua família ainda pode matá-la, a fim de enterrar, junto com o seu corpo, a vergonha que ela representa para eles.


Dois pesos, duas medidas


Como todas as regras sociais, essas não se aplicam igualmente a todas as mulheres. A filha de uma família rica, urbana e ocidentalizada gozará da imunidade que a filha de uma família pobre de aldeia não teria jamais. A filha rica vai frequentar a Escola Londrina de Economia, usar Twitter e servir como exemplo de que seu país e o Islã são realmente muito liberais. A filha pobre será a segunda esposa de um mercador e terá sorte se ele não bater nela até a morte quando ela perder seus encantos.

Enquanto isso, os rapazes percorrerão as ruas frustrados e chateados. Roubarão tudo o que não esteja amarrado, juntar-se-ão aos protestos e assediarão sexualmente as mulheres. Quando repórteres ocidentais afluíram ao Cairo para cobrir o movimento pró-democracia, eles foram cercados do que pensaram ser manifestantes pró-democracia. O que estavam fazendo era adentrar em uma das cidades mais superpovoadas do mundo, onde gangues de manifestantes haviam esmagado a polícia e criado um estado aberto de anarquia. A cultura muçulmana do estupro fez o resto.

No que se refere aos atacantes, Lara Logan não tinha direitos que eles eram obrigados a respeitar. Ela não era a esposa ou filha de ninguém que eles conheciam. Ela não era nem mesmo muçulmana. Eles não tinham qualquer relação de parentesco com ela. Isso quer dizer que, da mesma forma que no acampamento de Maomé, ela não pertencia a ninguém. Em outras palavras, ela era de quem chegasse primeiro.

Na cultura muçulmana do estupro, uma mulher não pode ativamente recusar um homem. Pode apenas passivamente demonstrar que ela lhe é proibida ao desfeminizar-se a si mesma. Lara Logan não tinha feito isso. Mas, mesmo que tivesse feito, não lhe teria valido muito. Alguns anos atrás, até mulheres cobertas dos pés à cabeça haviam sido atacadas por gangues no Cairo. Pondo mais lenha na fogueira, vieram os cantos de Yahood, Yahood (“Judia, Judia”). Maomé decidiu tornar legal a captura e o estupro de mulheres judias. A associação não foi feita diretamente, mas indiretamente estava lá. Lara Logan foi marcada como membro de uma tribo inimiga.

O raciocínio é bizarro, mas a jurisprudência islâmica em alguns países é produto disso. Ela se origina na vontade de Maomé, cujo único princípio consistente era fazer o que ele quisesse. Como profeta, frequentemente, fazia e descumpria suas próprias leis. Então, fazia outras. Quatro testemunhas são necessárias para um ato de imoralidade sexual, porque, em determinado momento, três testemunhas acusaram a própria esposa de Maomé de tal ato. Antes disso, Maomé havia agido baseado no testemunho de apenas uma pessoa. As modificações eram convenientes!

Maomé modificou a lei para poder se casar com a esposa de seu filho e ficar trocando de esposas. Depois que Maomé recebeu outra urgente “revelação”, permitindo-lhe agir sexualmente como bem quisesse, sua esposa, Aisha, disse: “Ó apóstolo de Alá, só vejo que o teu Senhor sempre se apressa em te satisfazer”. Eis o reflexo de toda a jurisprudência islâmica! Se Alá existia somente para permitir que mulheres servissem sexualmente a Maomé, que poder podem ter as mulheres no Islã?

A cultura muçulmana do estupro se origina daquele mesmo código. Um código que existe para satisfazer e favorecer os homens muçulmanos e aviltar as mulheres como uma espécie inferior, cujo corpo é imundície, cuja forma é corrupção e que só pode ser boa na medida em que ela se torna uma não pessoa, ficando quieta e longe da vista. Ele começa com a inferioridade das mulheres e termina no paraíso, cheio de eternas virgens que jamais dizem não.

Alguém poderá perguntar o que ganham as mulheres. Todavia, o que elas ganham não importa. O Islã não foi mesmo criado para elas.

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