Defesa da Fé


O Deus de amor e o extermínio dos cananitas


Perguntas que exigem um veredicto


Por William Lane Craig

Graduado em Teologia pelo Wheaton College (1971), e pós-graduado no Trinity Evangelical Divinity School, da Universidade de Birmingham (Inglaterra), e da Universidade de Munique (Alemanha).

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira


A destruição das nações na terra prometida


“Quando o SENHOR, teu Deus, te tiver introduzido na terra, a qual passas a possuir, e tiver lançado fora muitas nações de diante de ti, os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus, sete nações mais numerosas e mais poderosas do que tu;

e o SENHOR Deus, as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas concerto, nem terás piedade delas; nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos e não tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós e depressa vos consumiria. Mas, assim lhes fareis: derrubareis os seus altares, quebrareis as suas estátuas, cortareis os seus bosques e queimareis a fogo as suas imagens de escultura. Porque povo santo és ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há. O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava; e, para guardar o juramento que jurara a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito. Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos; e dá o pago em sua face a qualquer dos que o aborrecem, fazendo-o perecer; não será remisso para quem o aborrece; em sua face lho pagará. Guarda, pois, os mandamentos, e os estatutos, e os juízos que hoje te mando fazer” (Dt 7.1-11).


Indagação I:


Frequentemente, são levantadas muitas questões a respeito da ordem de Deus aos judeus para que cometessem genocídio contra as pessoas que habitavam a terra prometida. Alguns entendem que esses atos não se ajustam com o conceito ocidental de Deus, como sendo um “doce e meigo Pai celestial”.

Nesse contexto, são apresentadas justificativas, como, por exemplo, os pecados de idolatria, o sacrifício infantil, a prostituição desenfreada, entre outras. Contudo, nesse âmbito se insere a dificuldade desconfortável para muitos cristãos sobre a realidade da morte de bebês inocentes que, em tese, não poderiam ser responsabilizados pelos pecados da comunidade em que nasceram.

Como seria possível, biblicamente, conciliar a ordem divina para matar as crianças com o conceito de amor e santidade de Deus?


Indagação II:


Uma tentativa de resposta é direciona ao fato de que Deus teria usado o exército israelita para julgar os cananitas, de maneira que a eliminação deles seria moralmente correta por parte dos judeus porque estariam obedecendo a uma ordem divina. Contudo, essa interpretação parece não responder à pergunta anterior satisfatoriamente, e ainda se assemelha, um pouco, com a maneira como os muçulmanos justificam a violência de Maomé em suas incursões bélicas por meio da jihad (a “guerra santa”). Sendo assim, outro impasse que surge no contexto dos genocídios no Antigo Testamento é:

Existiria alguma diferença entre a violência expressa no Antigo Testamento e aquela que há nos versículos do Alcorão?


O Deus compassivo


De acordo com o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento), quando Deus tirou seu povo da escravidão do Egito e os fez voltar para a terra dos seus antepassados, Ele os instruiu a matar todo o povo cananita que estava vivendo naquela região (Dt 7.1,2; 20.16-18). A destruição seria completa: homens, mulheres e crianças seriam mortos. O livro de Josué conta a história dos israelitas levando a cabo a ordem de Deus, cidade após cidade, do começo ao fim de Canaã.

Essa história ofende a nossa sensibilidade moral. Ironicamente, contudo, essa mesma sensibilidade, no Ocidente, foi basicamente formada por nossa herança judaico-cristã, que nos ensinou os valores intrínsecos dos seres humanos, a importância da conduta justa e a necessidade da adequada punição para o crime. Assim, a própria Bíblia inculcou em nós, cristãos, os valores que essas histórias do Antigo Testamento parecem caprichosamente violar.

A ordem para matar os cananitas seria supostamente absurda porque ela parece estar em franco desacordo com o retrato de Javé, o Deus de Israel, tal como Ele é pintado nas Escrituras hebraicas. Contrariamente à retórica vituperante de alguns, como o ateu Richard Dawkins, o Deus das Escrituras hebraicas é um Deus de justiça, que sofre de compaixão.

De fato, não é possível ler os livros dos profetas do Antigo Testamento sem identificar o profundo cuidado de Deus pelos pobres, oprimidos, humilhados e órfãos, entre outros. Deus requer justas leis e justas regras. Javé, literalmente, pede às pessoas que se arrependam de seus caminhos errados, para que não sejam julgadas por Ele: “Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ez 33.11).

Javé enviou um profeta até mesmo para a cidade pagã de Nínive, por causa da sua compaixão pelos habitantes, “homens que não sabiam discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jn 4.11). O próprio Pentateuco contém os dez mandamentos, um dos maiores códigos morais da antiguidade, os quais moldaram a sociedade ocidental. Até mesmo o severo “olho por olho, dente por dente” não foi uma descrição de vingança, mas uma medida punitiva específica para cada crime, servindo para moderar a violência. Mas, como esse discurso de “violência moderada” pode se harmonizar com a promoção de genocídios?


O julgamento de Deus


O julgamento de Deus é qualquer coisa, menos caprichoso. Quando o Senhor anunciou que julgaria Sodoma e Gomorra pelos seus pecados, Abraão, corajosamente, perguntou: “Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinquenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25).

Tal como o negociante do Oriente Médio pechincha em uma barganha, Abraão, continuadamente, diminuiu o preço e, cada vez mais, Deus se comprometeu, sem nenhuma hesitação, garantindo a Abraão que, se houvessem até mesmo dez pessoas justas naquelas cidades, Ele não a destruiria por causa delas.

Mas, se as coisas são assim, por que o Deus de Israel ordenou ao exército judeu exterminar o povo cananita? É precisamente porque esperamos que Deus agisse com justiça e compaixão que achamos essas histórias tão difíceis de compreender. Como Deus poderia ordenar soldados a matar crianças?

Antes de qualquer esboço de resposta, devemos, em primeiro lugar, indagar a nós mesmos o que está em jogo aqui. Suponhamos que concordemos que, se Deus, que é perfeitamente bom, existe, Ele não poderia ter emitido semelhante ordem. O que se segue? Que Deus não existe? Absolutamente!

Temos, frequentemente, observado grupos ateus apresentarem essa ordem de matança como uma refutação ao argumento moral sobre a existência de Deus. Mas, eles estão, obviamente, enganados. A afirmação de que Deus não pode ter emitido tal ordem não falsifica ou diminui qualquer das duas premissas no argumento moral que defendemos. A saber:


Premissa 1: Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem

Premissa 2: Valores morais objetivos existem

Conclusão: Então, Deus existe


De fato, à medida que os ateus pensam que Deus fez algo moralmente errado na ordenação do extermínio dos cananitas, eles próprios afirmam a “premissa 2”. Então, qual é o suposto problema?

O problema, parece-nos, é que, se Deus não emitiu tal ordem, então a história bíblica deve ser falsa. Quaisquer dos incidentes nunca realmente aconteceram, foram apenas folclore israelita. Outra hipótese seria: se tais narrativas são verídicas, então Israel, cheio de um completo fervor nacionalista, imaginando que Deus estava do lado dos judeus, inventou que Deus comandou a nação no cometimento dessas atrocidades, quando, de fato, Ele não os comandou. Em outras palavras, esse problema realmente apresenta uma objeção à inerrância e infalibilidade bíblica.

De fato, e ironicamente, muitos críticos do Antigo Testamento não acreditam que os eventos da conquista de Canaã ocorreram. Eles tomam essas histórias como parte da lenda da fundação de Israel, de forma semelhante ao mito de Rômulo e Remo e a fundação de Roma. Para tais críticos, o problema dos mandamentos supostamente contraditórios de Deus desaparece.

Diante disso, sugerimos apresentar o problema em uma perspectiva totalmente diferente. A questão da inerrância bíblica é importante, mas não é comparável à importância da existência de Deus. Se, como cristãos, não pudermos encontrar uma boa resposta para o genocídio dos cananitas, e se nos convencermos de que tal comando é inconsistente com a natureza de Deus, então teremos de desistir da inerrância bíblica.

Pensamos que um bom começo para tentar dirimir o problema é enunciar a teoria ética que fundamenta nossos julgamentos morais. De acordo com a versão do mandamento divino ético que defendemos, as nossas obrigações morais são constituídas pelos mandamentos de um santo e amoroso Deus. Uma vez que Deus não emite ordens a si mesmo, não tem obrigações morais para cumprir. Com isso, queremos asseverar que Deus, certamente, não está sujeito às mesmas obrigações e proibições a que nós estamos.

Por exemplo, não temos qualquer direito de tirar a vida de um inocente. Para nós, o cometimento desse ato nos tornaria assassinos. Mas, Deus não se submete à semelhante proibição. O Senhor pode dar e tirar a vida como Ele decidir. Todos os cristãos reconhecem isso quando censuram alguma autoridade humana que aprova legislações que permitem tirar vidas, como se estivessem “brincando de ser Deus”. Isso ocorre com as questões que envolvem a bioética, a eutanásia e o aborto, somente para citar algumas circunstâncias. Deus não tem qualquer obrigação de estender nossas vidas por mais um segundo sequer. Se Ele quiser nos desferir a morte agora, esta é uma prerrogativa dele: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17.28).

O que isso implica é em que Deus sempre teve o direito de tomar a vida dos cananitas quando Ele julgasse melhor. Quanto tempo eles viveriam e quando eles morreriam sempre foi decisão de Deus e não dos homens. Então, o problema não é o extermínio dos cananitas, propriamente. O problema é que Deus mandou que os exércitos israelenses dizimassem tais vidas. Isso não seria como mandar alguém cometer assassinato? Absolutamente, não! Tratemos um pouco melhor desse assunto.


O suposto assassinato dos israelitas


O ato era moralmente obrigatório para os soldados israelitas, em virtude do mandamento divino, ainda que, se cometido pela própria iniciativa humana, isso fosse um erro. Na teoria do mandamento divino, então, segue que Deus tem o direito de ordenar uma ação que, se não fosse expressão de um mandamento divino, seria pecado, mas que se torna moralmente obrigatória em virtude deste mandamento. Em síntese, se não houvesse o mandamento, o cometimento da ação seria pecaminoso, mas, havendo-o, deveria ser obedecido sem qualquer ônus espiritual ou moral.

Mas, ainda persiste um problema: tal ordem não seria contrária à natureza de Deus? Vamos olhar este caso mais de perto. É significativa a história da destruição de Sodoma por Javé — que se comprometeu a salvar as pessoas justas da cidade, ainda que constituíssem, aos olhos humanos, um número muito pequeno. Afirmamos isso porque, como sabemos pelo enredo bíblico, os cananitas não eram pessoas justas, por isso estavam sob o julgamento de Deus.

De fato, antes da escravidão no Egito, Deus falou a Abraão: “Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos […] e a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia” (Gn 15.13,16).

Pensemos nisso! Os amorreus eram habitantes de Canaã, logo, eram cananitas, em certo sentido. Logo, temos que Deus suspendeu o julgamento aos habitantes de Canaã por quatrocentos anos porque a perversidade dessas nações ainda não tinha atingido a medida daquilo que seria insuportável para Deus!

Esse é o Deus que suporta a dor que nós conhecemos nas páginas das Escrituras hebraicas. Perceba, estimado leitor: Deus até mesmo permitiu que o seu povo escolhido definhasse na escravidão por quatro séculos antes de libertá-lo do cativeiro egípcio e concluir que o povo cananita estava pronto para o julgamento.

No tempo de sua destruição, a cultura cananita era, de fato, devassa e cruel, abraçando práticas tais como: prostituição cultual e até mesmo sacrifício de crianças. Afirma o texto bíblico que os cananitas deveriam ser destruídos “para que não vos ensinem a fazer conforme todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, e pequeis contra o SENHOR, vosso Deus” (Dt 20.18).

Deus tinha razões moralmente suficientes para o seu julgamento santo de Canaã, e Israel foi meramente o instrumento da justiça divina, da mesma forma que centenas de anos depois Deus usaria as nações pagãs da Assíria e Babilônia para julgar Israel. Vemos que Deus, em sua justiça e amor, não usou pesos e medidas diferentes!


A matança das crianças inocentes


Mas, e quanto ao ato de tirar a vida de crianças inocentes? A terrível totalidade da destruição foi, incontestavelmente, justificada, devido à proibição da assimilação dos costumes das nações pagãs. No ordenamento da destruição completa dos cananitas, o Senhor falou: “Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria” (Dt 7.3,4).

Esse mandamento é parte e parcela de toda a estrutura da complexa e característica lei judaica de práticas puras e impuras. Para a contemporânea mente ocidental, muitas regras da lei do Antigo Testamento parecem absolutamente bizarras e sem sentido: não misturar linho com lã, não usar os mesmos recipientes para carnes e laticínios, entre outras. O impulso que sobrepujava essas regras, contudo, era a proibição de vários tipos de mistura. Linhas distintivas são esboçadas no texto bíblico: “isto e não aquilo”. Esse expediente legislativo serviu como um tangível e diário lembrete de que Israel era um conjunto especial de pessoas separado para Deus.

Por meio dessa rígida e severa dicotomia, Deus ensinou a Israel que qualquer assimilação com a idolatria pagã era intolerável. Foi essa a forma divina de preservar a saúde e a posteridade espiritual de Israel. A matança das crianças cananitas serviu para prevenir uma assimilação da identidade cananita e como uma ilustração concreta e detalhada da separação de Israel como um povo exclusivo de Deus.

Além disso, se acreditarmos (como vários cristão acreditam) que a graça de Deus é estendida àqueles que morrem na infância, a morte dessas crianças representou a salvação delas, por mais que isso seja chocante à nossa concepção. Na verdade, somos tão apegados à perspectiva naturalista terrena que nos esquecemos de que uma parcela daqueles que morrem está felizes por deixar esta terra pela alegria incomparável da vida espiritual em Deus. Então, o Senhor não fez nada errado ao tomar a vida daquelas pessoas.

Olhando por esse prisma, o que Deus teria feito de errado ao comandar a destruição dos cananitas? Nada, em relação aos cananitas adultos, porque eles eram corruptos e mereciam o julgamento. Nada, em relação às crianças, porque elas herdaram a vida eterna. Então, onde há a transgressão ou incompatibilidade? Ironicamente, entendemos que a maior dificuldade de todo este debate é o erro de pensar que os soldados israelenses tomaram a iniciativa por si mesmos. Poderíamos imaginar o que seria ter de invadir uma casa e matar uma mulher aterrorizada e seus filhos? O efeito psicológico nesses soldados israelenses seriam brutais e perturbadores.

Entretanto, novamente estamos pensando a partir de um ponto de vista ocidental e cristianizado. Para as pessoas do mundo antigo, a vida já era brutal. Violência e guerra eram fatos da vivência cotidiana das pessoas no oriente antigo. Evidências desse fato é que os autores que narram essas histórias (sejam bíblicas ou não) nunca mencionam qualquer indício de peso na consciência por parte dos soldados envolvidos. E mais: normalmente, os soldados participantes e vitoriosos nessas batalhas se tornaram heróis nacionais.

Além disso, nada poderia ilustrar melhor, para os israelitas, a seriedade de sua chamada como povo escolhido de Deus do que esta separação entre os povos. Javé não estava brincando com eles. Antes, estava falando sério. E, se Israel apostatasse, a mesma coisa que ocorreu com os cananitas aconteceria com eles, como, de fato, podemos ver no cativeiro babilônico e assírio.


A diferença entre o Antigo Testamento e o Alcorão


Para encerrar, queremos dissipar outro problema bem mais fácil de responder. Seria possível relacionar tudo isso à jihad islâmica (“guerra santa”)? De maneira nenhuma!

O islamismo vê a violência como um meio de propagar a fé muçulmana. Divide o mundo em duas partes: a dar al-Islam (“casa da submissão”) e a dar al-harb (“casa da guerra”). A primeira são aquelas terras que se submetem ao islamismo; a segunda, são aquelas nações que ainda não se submeteram. Assim é como o islamismo verdadeiramente vê o mundo.

Em contraste, e diríamos até que opostamente, a conquista de Canaã representou o justo julgamento de Deus sobre aquelas pessoas. O propósito não era fazê-los se converterem ao judaísmo. A guerra não foi usada como um instrumento de propagação da fé judaica. Além do mais, o extermínio dos cananitas representou uma circunstância histórica incomum, não uma habitual forma de comportamento.

O problema com o islamismo, então, não é que ele defende a teoria moral errada; é que ele adora o Deus errado. Se os muçulmanos pensam que as nossas obrigações morais são constituídas de mandamentos de Deus, então concordamos com eles. Mas, os muçulmanos e os cristãos possuem concepções radicalmente diferentes sobre a natureza de Deus. Os cristãos creem que Deus é um Deus amoroso, ao passo que os muçulmanos acreditam que Deus ama somente os muçulmanos. Alá não tem amor pelos incrédulos e pecadores, por isso eles podem ser mortos indiscriminadamente. Para o islamismo, quatro séculos de tolerância para o julgamento de Alá seria um absurdo. Ademais, no islamismo, a onipotência de Deus supera tudo, inclusive sua própria natureza. O Deus islâmico é absolutamente arbitrário em sua conduta com a humanidade.

Em contraste, os cristãos sustentam que a natureza santa e amorosa de Deus determina seus mandamentos. A questão não é, então, qual teoria moral está correta, mas qual é o verdadeiro Deus, o que é bem diferente!


Considerações finais


Se o pecado é a contradição do homem em relação a Deus e à sua vontade expressa, Deus não pode ser complacente para com o pecado e continuar sendo Deus. A realidade da ira de Deus faz parte da mensagem bíblica tanto quanto a sua graça. Não podemos perder de vista que a ira de Deus é sua justiça reagindo contra a injustiça e, assim como as misericórdias de Deus se renovam a cada manhã para com seu povo, a sua ira também se renova todas as manhãs contra os ímpios. E, sobretudo, precisamos sempre insistir na maior expressão do amor de Deus e sua justiça: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3.16-18).


“Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ez 33.11)


“Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25)

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