Defesa da Fé


O poder da ressurreição


O maior evento de todos os tempos


Por Dave Hunt

Autor de diversos livros e colaborador da Chamada da Meia-noite Internacional http://www.chamada.com.br


A oração de Paulo pelos crentes efésios é muito específica. Ele pede a Deus que lhes dê entendimento e conhecimento mais profundo de Cristo. E seria bom se buscássemos o mesmo para a nossa vida. Contudo, isso não é algo que se possa aprender num seminário ou mesmo num estudo bíblico ou na leitura de livros devocionais. O desejo de Paulo era que eles recebessem de Deus, voluntariamente, o “espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele” (Ef 1.17-23).

Especificamente, Paulo ora para que eles conheçam a “suprema grandeza” do poder que Deus queria demonstrar na vida deles. A explicação de Paulo sobre esse assunto é muito esclarecedora. O apóstolo nos fala sobre esse poder em Filipenses 3. Esse poder era, de fato, o que ele tanto desejava para si mesmo. Por isso, o chamou de “o poder da sua ressurreição” e declarou: “Para o conhecer, e o poder [dynamis] da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fp 3.10-12).

Será que Paulo estava em dúvida quanto à sua salvação, achando que, talvez, não estivesse qualificado para a ressurreição dos crentes no dia do arrebatamento da Igreja? Dificilmente! Ele está nos dizendo que a ressurreição não é apenas um evento histórico do qual nos lembramos com satisfação e alegria, mas também o maior acontecimento da história (passada, presente e futura) de todo o cosmos! O maior evento de todos os tempos no Universo é também um dos mais difíceis de entender. Falamos sobre esse acontecimento de uma forma extremamente trivial, mas ele é o pivô em torno do qual toda a história se articula, sendo dividida, para sempre, em duas partes. A divisão do tempo não deveria ser apenas a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo); deveria ser a.R. (antes da Ressurreição) e d.R. (depois da Ressurreição).

Diante dos telescópios e dos meios tecnológicos de que dispomos hoje para aparentemente esquadrinhar os mais remotos cantos do Universo, as palavras de Davi no Salmo 19 assumem um significado ainda mais profundo: “Os céus proclamam a glória de Deus”. A Criação é a maior expressão visível de poder, e nós nos curvamos em espanto e adoração quando pensamos no Deus infinito que está por trás de tudo o que se pode ver. Mas, Paulo diz que isso não é nada em comparação com o poder demonstrado na ressurreição de Jesus Cristo, e esse é o grande poder que Paulo queria que os efésios experimentassem diariamente.

De fato, Paulo nos diz que a ressurreição é a maior prova do poder de Deus jamais apresentada e cuja grandeza não pode ser superada. Precisamos entender o porquê dessa afirmação e o motivo pelo qual Paulo orou daquela forma. Afinal de contas, “a vida estava nele [em Cristo]” (Jo 1.4). Jesus disse: “Tenho poder para a dar [minha vida] e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” (Jo 10.18). Então, por que foi necessário um poder tão grande para ressuscitar Cristo dentre os mortos?

Durante sua vida na terra, e antes de sua própria ressurreição, Cristo havia ressuscitado muitos dentre os mortos. Mas, aqueles a quem ele ressuscitou, como Lázaro (Jo 11.1-43) e o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-16), morreram novamente após alguns dias ou anos, para aguardar a ressurreição de todos os crentes, no arrebatamento da Igreja.

Como o doador da vida, Jesus Cristo, por intermédio de quem foram criadas todas as coisas (Jo 1.3), poderia ser morto? Temos, aqui, uma aparente contradição. Foi o próprio Cristo que disse, a respeito de sua vida: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou” (Jo 10.18). Entretanto, Pedro acusa os judeus de terem matado Jesus: “Vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.23). Dirigindo-se ao conselho rabínico, Estêvão usa uma linguagem ainda mais forte: “Do qual vós, agora, vos tornastes traidores e assassinos ” (At 7.52).

O motivo pelo qual foi necessário usar o maior poder jamais aplicado, a fim de ressuscitar Jesus Cristo dentre os mortos, só pode estar associado ao tipo de morte que Ele morreu. Deus havia declarado que a penalidade para o pecado é a morte, que é a eterna separação de Deus. Mas, será que esse castigo não é forte demais? Adão e Eva foram expulsos do jardim paradisíaco por seu Criador (que os havia colocado ali) por causa de uma infração aparentemente pequena: comer determinado fruto. Isso é motivo para um castigo eterno?

Infelizmente, tratamos o pecado com muito descaso, vendo apenas o ato em si e esquecendo contra quem ele é cometido. O pecado de Adão e Eva não foi apenas comer o fruto proibido. Foi desafiar e se rebelar deliberadamente contra aquele que havia criado não só a eles, mas todo o Universo: Deus. Na nossa perspectiva, o pecado de Davi — adultério, assassinato e mentira — foi muito mais condenável. Mas, Davi sabia o que era o pecado: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos” (Sl 51.4).

Em sua essência, o pecado é uma traição intencional, uma rebelião clara e desafiadora contra o Criador do Universo. Precisamos nos lembrar desse fato. A maioria dos cristãos, quando convencidos pela consciência, cai com o rosto em terra e confessa seus pecados, não está realmente confessando o horror do que fizeram. Não basta se arrepender dos atos praticados. É preciso confessar também que, não importa quão trivial nos pareça o ato que praticamos, o que fizemos foi repetir a traição de Adão e Eva contra o Senhor Deus. Se não reconhecermos isso com convicção profunda no coração, a confissão será incompleta.

Agora, começamos a entender porque foi necessária “a suprema grandeza do seu poder” (Ef 1.19) para ressuscitar Cristo dentre os mortos. O escritor de um hino disse, com muita propriedade: “Foi o enorme fardo dos nossos pecados que te deitou no túmulo, ó Senhor da vida”. O que quer dizer isso? Como poderiam os nossos pecados ser lançados sobre o Cristo sem pecado? Isso, certamente, não foi feito quando Pilatos condenou o Senhor Jesus, nem quando os ímpios soldados romanos o açoitaram e o pregaram numa cruz. Contudo, é isso que alguns filmes cristãos retratam.

Isaías escreveu: “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado” (53.10). Claramente, o que os homens fizeram com Cristo não teve nada a ver com o Senhor moê-lo e fazer de sua alma um sacrifício pelo pecado. O pecado tem uma dimensão moral e espiritual que Cristo teve de suportar por todo indivíduo, e nenhum outro poderia fazê-lo.

O nosso Salvador não tinha de ser apenas perfeitamente sem pecado para poder pagar pelos pecados dos outros; Ele tinha de ser infinito. Ninguém, a não ser Deus, poderia satisfazer a justiça dessa forma. Mas, a sentença havia sido pronunciada contra a humanidade. Portanto, Deus, apesar de infinito, não poderia pagar essa pena, a não ser que se tornasse totalmente homem sem deixar de ser Deus. Por isso, a necessidade do primeiro e único nascimento virginal.

Os ateus alegam que seria injusto um inocente pagar pelos culpados. Isso seria verdade, não fosse por outra dimensão da cruz. Para os que creem, Deus considera a morte e a ressurreição de Cristo como se fossem a sua própria morte e a sua própria ressurreição. Todo aquele que crê sofre uma milagrosa transformação interior, que foi prometida por Cristo, a qual o próprio Cristo chamou de “nascer de novo” (Jo 3.3-16). Isso não é um clichê. É realidade.

Pilatos não tinha ideia do que estava dizendo quando apresentou Cristo à multidão agitada: “Eis o homem!”. Aquele era o homem como Deus queria que fosse. Paulo o chamou de “o segundo homem” e de “o último Adão” (1Co 15.45,47). Em outras palavras, desde Adão — criado pela mão de Deus no jardim, sem contaminação — até Jesus, o último Adão — formado no útero de uma virgem, sem contaminação — não havia ninguém de quem se pudesse dizer: “Eis o homem como Deus queria que fosse”.

“O enorme fardo dos nossos pecados”, que teria mantido a humanidade no lago de fogo para sempre, poderia ser suportado pelo Ser infinito na Cruz, onde Ele se colocou entre Deus e o homem. Se a Justiça Infinita não tivesse sido satisfeita pelo pagamento integral dos nossos pecados, efetuado por Cristo, Ele não poderia ter saído daquele sepulcro.

A penalidade para o pecador é ser banido eternamente da presença de Deus e de todo o seu universo e lançado no exílio no lago de fogo. Esse é o castigo determinado pela suprema corte de Deus para a alta traição contra o Criador de todas as coisas. Um dos maiores horrores do lago de fogo será o fato de que, mesmo naquele lugar de tormento, os que odeiam o Senhor não conseguirão escapar dele, porque Deus estará lá, na consciência dos perdidos, consciências que não poderão mais se esconder atrás de nenhuma desculpa. Não haverá como fugir da verdade que eles rejeitaram e que os atormentará eternamente. Davi afirmou: “Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás” (Sl 139.8).

Nenhum ser finito poderia pagar a penalidade exigida pela infinita justiça de Deus. Nenhum ser humano que tentasse pagar por seus próprios pecados poderia dizer, finalmente, como exclamou Cristo em triunfo na Cruz: “Está consumado! A dívida foi paga”. Mas, o preço tinha de ser pago integralmente. De que outro modo os portões da justiça se abririam?

No Livro de Jó, temos uma noção da verdadeira luta entre Satanás e Deus pelo domínio do Cosmo. “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles” (Jó 1.6). Essa narrativa espantosa nos dá uma ideia do que está envolvido na batalha entre Deus e Satanás. É um conflito de proporções cósmicas pelo controle do Universo, e o homem é o prêmio que ambos os lados desejam. É uma batalha bem real, cujo objetivo é conquistar o coração e a afeição do homem.

Os cristãos têm um papel fundamental na derrota final de Satanás: “Eles, pois, o venceram [a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás – Ap 12.9] por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11). Com o amor de Cristo em nosso coração, seguimos o exemplo que Ele mesmo deixou para nós: “Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1Pe 2.21-25).

Satanás continua entrando na presença de Deus desafiadoramente, como fazia na época de Jó. Como podemos ter certeza disso? Pelo fato de que ele ainda acusa os irmãos diante do trono de Deus, dia e noite, e continuará fazendo isso até o fim (Ap 12.10). Como já dissemos, certa vez, e sempre é bom repetir, Satanás é como um presidente no fim do mandato. Ele ainda pode andar livremente pelos corredores do poder e tem bastante influência por trás dos panos. Ele ainda não foi expulso do céu, mas esse dia está chegando: “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos” (Ap 12.7-9).

Como Satanás será expulso no final?

Existe um velho hino que expressa, com simplicidade e beleza, o que a Escritura retrata: “Em fraqueza, como um derrotado, Ele conquistou a coroa da vitória; permitindo que pisassem nele, colocou todos os nossos inimigos sob seus pés. Ele abateu o poder de Satanás; feito pecado, derrotou o pecado. Curvou-se ante o sepulcro, destruiu-o também; e, ao morrer, matou a morte”.

Satanás não consegue entender como Cristo, com brandura e aparente fraqueza, pôde triunfar sobre ele. O diabo fica confuso com tudo que diz respeito à cruz. Primeiro, ele inspirou Pedro para impedir Cristo de ir para a cruz: “Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá” (Mt 16.21,22). Sabemos que Satanás inspirou Pedro por causa da resposta de Cristo: “Arreda, Satanás!”. Depois, ele inspirou Judas a entregar Jesus aos rabinos, para que eles pudessem conseguir sua crucificação: “Entrou nele Satanás” (Jo 13.27). Até hoje, Satanás não entendeu nada.

Acreditamos que Satanás, realmente, acha que pode sair vencedor dessa batalha pelos corações e mentes da humanidade. E, por que não? Ele oferece exatamente aquilo que treinou o homem para cobiçar: riqueza, bens, prazer hedonista, sexo livre, popularidade, fama, drogas e álcool em abundância, satisfação de todos os seus desejos sensuais. Mas, apesar disso, multidões preferem seguir a Cristo, embora Jesus ofereça o ódio e a rejeição do mundo, com perseguição e sofrimento — mas, também, a eternidade em sua presença, onde há felicidade verdadeira: “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.11).

E o que acontece com os que fazem a escolha errada e preferem juntar-se a Satanás em sua traição? Deus não tem prazer em castigar os perversos (Ez 33.11), mas a punição de cada um é de acordo com o seu crime. Quando lemos o que os líderes ateus dizem a respeito de Deus em flagrante e desafiadora rebeldia, temos a certeza de que eles arrancariam Deus de seu trono, se pudessem. Odeiam o Senhor Deus. Sem dúvida, o tormento eterno no lago de fogo, por causa de sua traição, será a colheita daquilo que eles mesmos semearam.

Veja o que disse Richard Dawkins, líder do movimento do Novo Ateísmo, num debate com John Lennox, um cristão fervoroso e também professor de Oxford: “Sim, bem, esse pedacinho final” — afirmou ele, com os lábios encurvados de desprezo, a voz gotejando veneno — “entrega o jogo todo, não? Toda aquela história de ciência e física [...] tudo isso é muito grandioso e maravilhoso. E, então, de repente, voltamos à ressurreição de Jesus. Isso é tão insignificante, tão trivial, tão local, tão sem imaginação, tão indigno do Universo”.

Mas, para Deus, a ressurreição foi a maior demonstração de sua majestade e poder. Que lamentável exibição do ódio mortal que corrói Dawkins! Esse pagão, que obviamente adora a criação ao invés do Criador (Rm 1.21-23), está espumando de raiva. Essa manifestação de seu ódio a Deus vai zombar dele eternamente (Pv 1.20-33), enquanto os céus ressoarão com o eterno, mas sempre renovado, hino de louvor a Deus e ao Cordeiro: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor”.


“Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (1Co 15.19,20)


“O cristianismo é essencialmente uma religião de ressurreição”

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