Defesa da Fé


Como e por que o Alcorão foi padronizado?


Por Samuel Green

Bacharel em teologia por Harvard e articulista do Answering Islam

Tradução de Wesley Nazeazeno


Uma afirmação comumente feita sobre o Alcorão é que ele veio diretamente de Allá para nós por meio de Mohamed sem nenhuma outra intervenção ou edição humana. Assim, se diz que foi Mohamed quem padronizou o que está no Alcorão. Temos lido esta afirmação diversas vezes em livros e panfletos que muçulmanos nos deram para ler. Consideremos as seguintes declarações de autores muçulmanos para prosseguirmos nossa reflexão:

• “O texto do Alcorão é inteiramente confiável. E tem permanecido tal como é, inalterado, sem edições, não fraudado de nenhuma forma, desde o tempo de sua revelação”.

• “O Alcorão foi memorizado por Mohamed e, então, ditado aos seus companheiros e escrito por escribas, os quais o conferiram com muita precisão durante sua vida. Nem uma só palavra de seus 114 capítulos (suratas) foi alterada ao longo dos séculos”.

Declarações como estas são verdadeiras ou haveria algum exagero? Esta é uma pergunta sensata para se fazer. Para responder a esta questão, consideraremos o que as fontes islâmicas dizem, mais especificamente, duas hadiths (corpo de leis e histórias do islamismo).


Bukhari: vol. 6, hadith 514, p. 482, livro 61


Assim declarou Umar bin Al-Khattab: “Eu ouvi Hisham bin Hakim recitando a Surata Al-Furqan durante o tempo da vida do Apóstolo de Allá e prestei atenção em sua recitação e percebi que ele recitou diferente em vários modos que o Apóstolo de Allá não havia me ensinado. Eu estava prestes a partir contra ele durante sua oração, mas controlei meu temperamento e, quando ele havia completado sua oração, eu pus a parte superior de suas roupas em volta de seu pescoço e o agarrei por elas e disse: ‘Quem te ensinou esta Surata que eu te ouvi recitar?’. Ele respondeu: ‘O Apóstolo de Allá a ensinou a mim’. Eu disse: ‘Você está mentindo para mim, porque o Apóstolo de Allá a ensinou a mim de um jeito diferente do seu’. Então, eu o arrastei até o Apóstolo de Allá e disse: ‘Eu ouvi esta pessoa recitando a Surata Al-Furqan de um jeito diferente do que você me ensinou!’. Ao que o Apóstolo de Allá disse: ‘Desprenda-se (Umar) e recite, oh! Hisham!’. Então, ele recitou, do mesmo modo, que eu o ouvi recitando. Então, o Apóstolo de Allá disse: ‘Ela foi revelada desse modo’. E completou: ‘Recite, oh! Umar’. E eu a recitei tal como ele me havia ensinado. O Apóstolo de Allá, então, disse: “Ela foi revelada dessa forma. Este Alcorão tem sido revelado para ser recitado de sete modos diferentes, então, recite-o do modo que for mais fácil para você”.


Bukhari: vol. 4, hadith 682, livro 56


Assim declarou Ibn Mas’ud: “Eu ouvi uma pessoa recitando um verso [do Alcorão] de certo jeito, e eu havia ouvido o Profeta recitando o mesmo verso de um jeito diferente. Então, eu o levei até o profeta e o informei sobre isso, mas notei o sinal de desaprovação em seu rosto e, então, ele disse: ‘Vocês dois estão corretos, então, não se discordem, porque as nações antes de vocês diferiram e, então, foram destruídas’”.


Bukhari: vol. 6, hadith 509, p. 477, livro 61


Narrou Zaid-bin Thabit: “Abu Bakr As-Siddiq enviou uma mensagem para mim quando o povo de Yama-ma havia sido morto (isto é, um número de companheiros que lutaram contra Musailama). (Eu fui até ele) e encontrei Umar bin Al-Khattab sentado com ele. Então, Abu Bakr disse-me: ‘Umar veio até mim e disse: Houve infelizes acidentes entre a Qurra do Alcorão (i.e. aqueles que sabiam o Alcorão de cor) no dia da batalha de Yama-ma, e estou com medo que mais infelizes acidentes possam ocorrer à Qurra em outros campos de batalha, pela qual uma grande parte do Alcorão pode ser perdida. Por essa razão, sugiro que você (Abu Bakr) ordene que o Alcorão seja ajuntado’. Eu disse a Umar: ‘Como você pode fazer algo que o Apóstolo de Allá não fez?’. Umar disse: ‘Por Allá, este é um bom projeto’. Umar continuou me incitando a aceitar sua proposta até que Allá abriu meu peito (me persuadiu) a isto e eu comecei a entender a boa ideia que Umar havia pensado”.

Como podemos perceber, esta hadith mostra, claramente, que Mohamed nunca fez uma reunião final de todo o Alcorão antes de sua morte, porque, quando Abu Bakr foi convidado a agrupar o Alcorão em um só volume, disse: “Como você pode fazer algo que o Apóstolo de Allá não fez?”. Logo, Mohamed não fez uma coleção final do Alcorão porque houve muitos de seus companheiros aos quais ele confiou ensinar o Alcorão e estes fizeram suas próprias coleções. Continuemos nossas apreciações das hadiths.


Bukhari: vol. 6, hadith 521, pp. 487-488; livro 61


Narrou Masruq: “Eu ouvi o Profeta dizendo: ‘Tome (aprenda) o Alcorão de quatro (homens): ‘Abdullah bin Masud, Salim, Mu'adh e Ubai bin Ka’b’”.

Segundo essa hadith, esses companheiros de Mohamed fizeram suas próprias coleções do Alcorão e ensinaram o Alcorão aos seus alunos. Entretanto, esses Alcorões não eram o mesmo e a confusão logo ascendeu entre os muçulmanos primitivos sobre qual era o modo correto de se recitar o Alcorão. As duas próximas hadiths dão exemplos dessa confusão.


Bukhari: vol. 6, hadith 468, p. 441-2, livro 60


Narrou Ibrahim: “Os companheiros de Abdullah (bin Mas’ud) foram a Abi Darda e, antes que tivessem chegado à sua casa, ele os procurou e os encontrou. Então, ele os questionou: ‘Quem dentre vocês pode recitar (o Alcorão) como Abdullah o recita?’. Eles replicaram: ‘Todos nós’. Ele perguntou: ‘Quem de vocês o sabe de cor?’. Eles apontaram para Alqama. Então, ele perguntou a Alqama: ‘Como você ouviu Abdullah bin Mas’ud recitando a Surata Al-Lail?’. Alqama recitou: ‘Pelo macho e fêmea’. Abu Ad-Darda disse: ‘Testifico que ouvi o Profeta recitando do mesmo modo, mas este povo quer que eu recite isto: ‘E por Ele que criou macho e fêmea’. Mas, por Allá, eu não os seguirei”.

Esta hadith mostra que os muçulmanos de diferentes regiões discordavam sobre o modo como um verso em particular deveria ser lido. Aqueles que aprenderam o Alcorão de Abdullah bin Mas’ud diserram a Surata 92.1-3 como: ‘Pelo macho e fêmea’, enquanto os outros muçulmanos disseram: ‘E por ele que criou macho e fêmea’. Consequentemente, os muçulmanos antigos não memorizaram o Alcorão do mesmo modo.

Veja este problema novamente na próxima hadith.


Bukhari: vol. 6, hadith 527, p. 489, livro 61


Narrou Ibn Abbas: “Umar disse: ‘Ubai (Ubayy) foi o melhor de nós para recitar (o Alcorão), porém nós deixamos algumas de suas recitações’. Ubai diz: ‘Eu tenho recebido da boca do Apóstolo de Allá e não abandonarei isto por nenhuma razão’. Mas, no Alcorão, Allá disse: ‘Nenhuma de nossas revelações ab-rogamos ou efetuamos que fosse esquecida, mas substituímos por algo melhor ou similar’” (Surata 2.106).

Esta hadith mostra, claramente, que os companheiros de Mohamed discordaram sobre quais versos foram ab-rogados ou removidos. Aqui, vemos que Ubai permaneceu recitando o Alcorão com versos que outros companheiros consideraram ter sido, agora, anulados ou removidos. Parece que Ubai se recusou a aceitar que os versos foram anulados porque ele diz: “Eu tenho recebido da boca do Apóstolo de Allá e não abandonarei isto por nenhum razão”. A hadith, então, cita a Surata 2.106 para explicar que este foi um exemplo de ab-rogação. O resultado, contudo, foi que os companheiros recitaram o Alcorão diferentemente, porque Ubai continuou recitando os versos ab-rogados.

As duas hadith citadas (468 e 489) relatam como Masud e Ubai recitaram o Alcorão diferentemente dos outros muçulmanos. Já temos visto, na hadith 521, que esses dois homens foram recomendados por Mohamed como sendo pessoas de quem era honroso aprender o Alcorão. Entretanto, já que suas coleções do Alcorão não eram a mesma, isso causou problemas para os muçulmanos que aprenderam o Alcorão deles.

O estudioso muçulmano Labib as-Said relata o seguinte: “Os sírios contenderam com os do Iraque. Primeiro, sobre a leitura de Ubayy bin Ka’b e, depois, sobre a leitura de Abd Allah ibn Mas’ud. Cada um acusando o outro de incredulidade”.

Alguns estudiosos muçulmanos, como Labib as-Said e Ahmad Von Denffer, têm afirmado que as diferentes coleções do Alcorão, feitas por Ibn Masud e Ubai (e outros companheiros também), foram pretendidas somente para “uso particular”. Contudo, as hadiths anteriormente citadas mostram que o companheiro Ibn Masud ensinou sua versão do Alcorão aos seus estudantes, tal como fez Ubai, e, nesse tempo, esses estudantes estiveram em conflito uns com os outros. A história muçulmana e recentes descobertas arqueológicas também apoiam a conclusão de que essas coleções não foram para “uso particular”, mas, sim, para uso público.

Vemos como esse problema foi resolvido na hadith que segue.


Bukhari: vol. 6, hadith 510, p. 478-9, livro 61


Narrou Anas bin Malik: “Hudnaifa bin Al-Yaman veio a Othman (terceiro sucessor de Maomé) no tempo em que o povo de Sham e o povo do Iraque estavam partindo para a guerra para conquistar a Armênia e Adharbijan. Hudnaifa estava com medo das diferenças deles na recitação do Alcorão (o povo de Sham e Iraque), então, ele disse a Othman: ‘Oh! Principal dos Fiéis! Salve esta nação antes que eles difiram sobre o Livro (Alcorão)...’. Então, Othman enviou uma mensagem a Hafsa, dizendo: ‘Envie-nos os manuscritos do Alcorão, para que possamos compilar o material em cópias perfeitas e devolvê-los para vocês’. Hafsa enviou-os para Othman. Então, Othman ordenou a Zaid bin Thabit, Abdullah bin AzZubair, Said bin Al-As e AbdurRahman bin Harith bin Hisham a reescreverem os manuscritos em cópias perfeitas. Othman disse aos três homens de Quraish: ‘Caso vocês discordem de Zaid bin Thabit em qualquer ponto do Alcorão, então, escrevam (o ponto de discordância) no dialeto dos Quraish, porque o Alcorão foi revelado nessa língua’. Eles assim o fizeram, e quando eles já haviam escrito muitas cópias, Othman devolveu os manuscritos originais para Hafsa. Othman enviou, para cada província muçulmana, uma cópia do que eles haviam copiado, e ordenou que todos os outros materiais do Alcorão, quer fossem fragmentos de manuscritos ou cópias completas, fossem queimados...”.

Aqui, vemos como o problema de haver diferentes versões do Alcorão foi resolvido. Othman resolveu essa questão ao padronizar uma versão do Alcorão e ordenar que todas as outras fossem queimadas. Desse modo, até mesmo as “sete” variações que Mohamed permitiu foram removidas. O mesmo ocorreu com as outras coleções feitas pelos outros companheiros. Assim, a partir daquele momento todas as tradições escritas e orais deveriam estar conforme a versão do Alcorão de Othman.

A próxima pergunta que devemos fazer é: “Othman e sua equipe fizeram alguma edição ou seleção quando elaboraram sua versão do Alcorão?”. As próximas três hadiths mostram-nos que houve edição e seleção envolvidas.


Bukhari: vol. 8, hadith 817, p. 539-40, livro 82


“Allá enviou Mohamed com a Verdade e revelou o Livro Sagrado a ele e, ao longo do que Allá revelou, estava o Verso do Rajam (o apedrejamento de uma pessoa casada [homem ou mulher] que cometesse um ato sexual ilegal). E nós recitamos este verso, o entendemos e o memorizamos. O Apóstolo de Allá levou a cabo a punição por apedrejamento e nós também o fizemos após ele. Temo que, após muito tempo passado, alguém diga: ‘Por Allá, não encontramos o verso do Rajam no Livro de Allá’. E, assim, eles se desencaminharão, deixando de lado um dever que Allá revelou”.

É óbvio que Umar estava convencido de que apedrejar um adúltero era uma parte do Alcorão que não deveria ser removida. O moderno Alcorão, entretanto, não contém esses versos. Então, onde é que eles foram parar? Esses versos devem ter sido removidos por aqueles que estavam encarregados do texto do Alcorão. O que está bem claro é que Umar se lembrou desses versos e não pensou que eles pudessem ser editados ou removidos, enquanto os outros obviamente o fizeram. Então, hoje, não temos esses versos no moderno Alcorão.

Vemos o controle de Othman sobre o texto novamente na próxima hadith.


Bukhari: vol. 6, hadith 60, p. 46, livro 60


Narrou Ibn Az-Zubair: “Eu disse a Othman: ‘Este verso que está na Surata al-Baqara (A Vaca): ‘Aqueles de vocês que morrem e deixam esposas para trás [...] sem mandá-las embora’, foi substituído por outro verso. Então, por que você o escreve (no Alcorão)? Othman disse: ‘Deixe isto (onde está), oh!, filho de meu irmão, porque eu não vou substituir nada de sua posição original’”.

Aqui, vemos que Ibn Az-Zubair e Othman discordaram sobre se um verso em particular deveria ou não ser incluído no Alcorão. Ibn Az-Zubair creu que o verso havia sido abolido e, consequentemente, poderia ser removido do Alcorão, enquanto Othman estava insistindo que o verso permaneceria. Othman persistiu e este verso está no Alcorão hoje.

Novamente, na próxima hadith vemos como Othman teve controle sobre o estado final do texto do Alcorão. Percebam os leitores que inserimos, a seguir, parênteses explicativos para alguns termos, a fim de proporcionar melhor entendimento àqueles que não têm afinidade com conceitos como al-Anfal, mathani e bara’a.


Mishkat Al-Masabih: livro 8, cap. 3, última hadith


“Ibn Abbas disse que questionou Othman sobre o que os havia influenciado tratar do al-Anfal (sinônimo de Surata) que é um dos mathani (Suratas com menos de 100 versos) e do Bara’a (referência à Suarta 9) que é um dos cem versos, unindo-os sem escrever a linha contendo ‘Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso’, (cada Surata no Alcorão é iniciada por ‘Em nome de Deus’, exceto a Surata 9) e isto pondo ao longo de sete longos versos”.

Aqui, vemos que Othman foi questionado por outros muçulmanos sobre por que ele não incluiu a frase “Em nome de Deus, o Clemenete, o Misericordioso” no início da Surata 9. Sua resposta foi que Mohamed morreu sem explicar onde a Surata 9 pertencia e, então, ele (Othman) incluiu isso à Surata 8 porque elas se “pareciam” uma com a outra. O que é óbvio nesse contexto é que alguns muçulmanos sentiram que a frase deveria estar ali enquanto Othman não pensou assim. A decisão de Othman prevaleceu e a frase não está inserida no moderno Alcorão.

Esses três exemplos da hadith (817, 60 e a última hadith) mostram claramente que houve algumas edições envolvidas com aqueles que compilaram o Alcorão. E, também, está claro que a decisão dos editores não foi universalmente aceita. A próxima hadith mostra a reação de alguns dos companheiros ao Alcorão de Othman.


Muslim: vol. 4, hadith 6022, p. 1312, livro 29


“Abdullah relatou que ele disse a seus companheiros para esconderem suas cópias do Alcorão e, além disso, disse: Ele que oculta todas as coisas deve trazer à tona aquilo que ele tem ocultado no Dia do Juízo, e, então, disse: De que modo você me ordena a recitar? De fato, eu recitei diante do Mensageiro de Allá (que a paz seja sobre ele) mais de setenta capítulos do Alcorão e os companheiros do Mensageiro de Allá (que a paz seja sobre ele) sabem que eu tenho melhor conhecimento do Livro de Allá (do que eles) e, se eu soubesse que alguém tem melhor entendimento do que eu, eu teria ido até ele. Shaqiq disse: Sentei-me na companhia dos companheiros de Mohamed (que a paz seja sobre ele), mas não ouvi ninguém rejeitá-la (isto é, sua recitação) ou encontrar qualquer falta nela”.

Quatro observações básicas podem ser vistas nesta hadith.

• Ibn Mas’ud está dizendo ao povo para esconder seus Alcorões por alguma razão.

• Ibn Mas’ud parece ter sido ordenado por alguém a usar um modo diferente de recitação. Isto só pode ser referente ao tempo em que Othman padronizou sua versão do Alcorão e queimou todas as outras versões.

• A objeção de Ibn Mas’ud sobre a mudança do modo que ele recitou o Alcorão foi esta: Eu (Mas’ud) tenho melhor conhecimento do Livro de Allá (do que eles).

• Shaqiq disse que os Companheiros de Mohamed concordaram com Ibn Mas’ud.

O estudioso muçulmano Ahmad ‘Ali al Imam também relata que nem todos os muçulmanos aceitaram o Alcorão de Othman: “Após a compilação de Othman, todos os Qurra’ (leitores do Alcorão) foram requeridos a somente ler de acordo com a versão de Othman. Por essa razão, os códices pessoais foram ajuntados e destruídos. Eventualmente, a versão de Othman dominou todas as cidades, com apenas algumas insignificantes resistências. Por exemplo, como no caso de Ibn Mas’ud e Ibn Shunbudh”.

Parece-nos que Ibn Mas’ud nunca aceitou o Alcorão de Othman e Othman pode ter até mesmo chicoteado Ibn Mas’ud publicamente por isso: “Ibn Mas’ud se recusou a entregar sua cópia ao comitê cujo presidente, embora fosse um dos leitores da Palavra de Deus, havia ganho muito menos confiança e autoridade que ele. Esta recusa incitou tão grande indignação do Califa Othman que ele publicamente açoitou o ‘velho santo’. Alguém notou que o velho companheiro do profeta teve duas costelas quebradas pela violência dos golpes e que ele morreu após três dias. Essa crueldade, que resultou em ódio de seus contemporâneos sobre Othman, hoje é considerada um crime atroz”.


Síntese das hadiths apresentadas:


Mohamed nunca determinou como o Alcorão deveria ser recitado e permitiu até sete variações.

Houve reais variações e o Alcorão foi sendo memorizado e recitado após a morte de Mohamed. Isso causou problemas.

Othman e uma equipe de outros realizaram certa quantia de edições no texto para produzir um texto-padrão para o Alcorão.

Othman ordenou que todos os outros Alcorões fossem queimados e que sua versão fosse a única padrão para o mundo muçulmano. A tradição oral e escrita agora tem que estar de acordo com a versão padronizada de Othman.

Alguns dos companheiros, como Ibn Mas’ud, não ficaram felizes com as ações de Othman e foram martirizados por isso.

No início deste artigo, consideramos duas declarações enfáticas de autoridades muçulmanas. A primeira dizia que o texto do Alcorão é inteiramente confiável e que permaneceu inalterado desde o tempo de sua revelação.

A segunda afirma que o Alcorão foi memorizado por Mohamed e, então, ditado aos seus companheiros, e nenhuma só palavra de seus 114 capítulos foi alterada ao longo dos séculos.

Agora, tendo lido tantas hadiths e outras fontes, é óbvio que essas afirmações muçulmanas são um exagero e não têm apoio algum das autoridades das hadiths. De fato, as hadiths relatam o oposto. Elas dizem que Mohamed nunca padronizou o Alcorão. Pelo contrário, Mohamed permitiu variações e os muçulmanos primitivos memorizaram o Alcorão de modos um pouco diferentes. Então, Othman, com a ajuda de uma equipe, padronizou uma versão do Alcorão e ordenou que todas as outras fossem queimadas. Não temos dúvidas de que a coleção do Alcorão que Othman fez é um relato muito semelhante ao que Mohamed recitou. Contudo, esta não foi a única boa coleção compilada e muito menos a coleção realizada por Mohamed. Isso tudo é muito importante para a apologética cristã, pois os muçulmanos, com frequência, recriminam a Bíblia por possuir versões de traduções diferentes.

Mas, e agora? O que esses mesmos muçulmanos têm a dizer de todas essas hadiths?


Notas:

1 M. Fethullah Gulen. Questions this Modern Age Puts to Islam. London: Truestar, 1993, p. 58.

2 Understanding Islam and the Muslims, The Australian Federation of Islamic Councils Inc. (panfleto). Novembro de 1991.

3 Labib as-Said. The Recited Koran: A History of the First Recorded Version. Tradução para o inglês de B. Weis, et. al., Princeton, Nova Jersei: The Darwin Press, 1974, p. 23.

4 Labib as-Said. The Recited Koran: A History of the First Recorded Version. Tradução para o inglês de B. Weis, M. Rauf e M. Berger, Princeton, New Jersey: The Darwin Press, 1975, p. 22.

5 Ahmad Von Denffer. `Ulum Al-Qur'an. Leicester: The Islamic Foundation, 1994 (edição revisada), p. 52.

6 Ahmad ‘Ali al Imam. Variant Readings of the Qur’an. Virginia: IIIT, 1998, p.120.

7 T. J. Newbold. Journal Asiatique. Dezembro de 1843, p. 385.

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