Defesa da Fé


O Facebook e a explosão da pornografia infantil na rede social


Por Chelsea Schilling

Repórter investigativo do World Net Daily (EUA)

Tradução de Luis Gustavo Gentil


Ela é baixinha, morena, com olhos castanhos, mal completou dez anos, mas está nua; posando para o homem que a estuprou e trocou sua foto como moeda com milhares de predadores insaciáveis no Facebook. A menina não sorri, porque sabe o que virá depois. Seu agressor irá compartilhar fotos e ganhar o direito de se vangloriar diante de milhares de outros depravados iguais a ele, que irão trocar suas próprias fotos eróticas (geralmente, enviadas de celulares) de meninos e meninas que eles estupram. Ela é linda. Aliás, poderia ser sua filhinha ou sua irmã mais nova. Seus cachinhos pendem sobre a sua jovem pele. Seu corpo nu mostra claramente que ainda não se desenvolveu. Mas tornou-se um brinquedo sexual, uma figurinha colecionável para adultos, um meio de excitar depravados sexuais pelo mundo. Existem muitas outras meninas e meninos como ela; não em alguma revista vulgar nos fundos de uma livraria adulta, nem em um vídeo caseiro do bairro das Luzes Vermelhas, nem nos becos de Bangladesh, mas em páginas de uma das mais bem sucedidas entre as novas empresas de Internet no mundo. Descubra o lado negro do Facebook, uma empresa onipresente, com sede nos Estados Unidos, que está para fazer uma oferta pública inicial em que se espera ser avaliada em cem bilhões dólares.


Crianças estupradas e sodomizadas em páginas do Facebook


Imagens explícitas de crianças sexualizadas menores de doze anos e de adultos estuprando crianças são colecionadas entre círculos de pedófilos no Facebook.

Encontramos um perfil que mostra um garotinho de certa de oito anos, que se parece com um jovem esportista ou escoteiro da vizinhança. Ele foi forçado a se despir em uma cama e segurar os tornozelos atrás da cabeça para que seu captor fotografasse sua genitália e seu ânus.

Outro garoto, de cerca de doze anos, está deitado de barriga para baixo em uma cama enquanto um homem adulto o penetra. A foto foi enviada por um celular, tirada ao vivo por uma terceira pessoa no quarto, que observava o estupro da criança e enviava a imagem ao Facebook.

Em outras páginas, os depravados da pornografia infantil compartilhavam uma foto de duas meninas nuas se beijando e trocando carícias em um ambiente externo. Outro menino, que aparenta cerca de quatro anos, recebe sexo oral de uma criança dois anos mais velha que ele.

Outras crianças na mesma faixa etária são mostradas sodomizando umas as outras, ou sendo estupradas por homens ou mulheres adultas, com links das fotos e vídeos postados no Facebook. Álbuns inteiros de meninos e meninas explorados estão visíveis para o público e compartilhadas com um mero clique.


O perfil de um predador do Facebook


Como parte de uma investigação secreta, o World Net Daily (renomado site voltado a noticiários de relevância social – www.wnd.com) utilizou perfis falsos no Facebook e localizou dezenas de imagens de pornografia infantil após adicionar vários prováveis pedófilos e predadores que trocam milhares de fotos pornográficas na rede social.

Durante a investigação, comunidades inteiras de predadores foram facilmente encontradas no Facebook. Os pornógrafos infantis utilizam os grupos como pontos de encontro para descobrir outros com interesses similares. Muitos dos agressores listam interesses similares em seus perfis, incluindo termos como “Lolita”, “Justin Bieber”, “incesto” e “PTHC” (sigla em inglês para “pornografia explícita pré-adolescente”). Suas atividades podem incluir “receber fotos eróticas” e assinarem páginas de fãs explícitas no Facebook, postadas à vista de todos.

Na maioria dos casos, pedófilos e pessoas que compartilham pornografia infantil possuem dois tipos de amigos: 1) pervertidos sexuais que possuem interesses similares; e 2) crianças inocentes que eles encontraram e adicionaram no Facebook. Muitos predadores estabelecem um relacionamento virtual com uma criança, convencem-nas a enviar fotos provocantes ou, até mesmo, a se encontrar com eles pessoalmente.


Por trás das imagens


O Ministério da Justiça dos EUA explica: “Na maioria dos casos de pornografia infantil, o abuso não é um acontecimento que ocorreu uma única vez, mas, sim, uma vitimização contínua que progride ao longo de meses ou anos. É comum que os produtores de pornografia infantil cuidem de crianças ou cultivem um relacionamento com a criança, para, com o tempo, gradualmente sexualizar o contato. O ato de cuidar estimula uma falsa sensação de confiança e autoridade sobre uma criança com vista a insensibilizar ou quebrar sua resistência ao abuso sexual”.

“Não é apenas uma questão de imagens”, afirmam os especialistas. Na maioria dos casos, essas imagens estão associadas a crianças abusadas sexualmente. Sabemos que isso é o que está acontecendo. Deve-se ter o cuidado de não caracterizar isso como pessoas ruins tirando fotografias de menininhas nuas ou seminuas. É muito mais do que isso; porque, em quase todos os casos, essa sessão fotográfica é a foto ou a filmagem do estupro, de fato, da criança.

Com uma enorme popularidade (e crescendo a cada dia que passa), sites gratuitos de redes sociais, como, por exemplo, Facebook, MySpace e Twitter oferecem ferramentas muito poderosas para homens que compram sexo, cafetões e pedófilos que colecionam pornografia infantil. Em um estratagema de marketing brilhantemente tortuoso, cafetões utilizaram esses sites de maneira que os homens não precisam mais procurar mulheres nas esquinas ou na Internet. Por meio das redes sociais, as mulheres vão até eles.

Muito mais flagrante é a utilização do Facebook por pedófilos para se conectarem uns aos outros pelo mundo e trocarem material sexualmente explícito de crianças, outra forma de tráfico de pessoas, conforme legislação americana.

Descobriu-se que um perfil do Facebook do início de 2011, sob o nome fictício de “Marcos Teia”, tinha mais de quinhentos “amigos” que trocavam fotos. Uma das primeiras imagens de sua galeria retrata uma criança de apenas seis ou sete anos. Ela não estava sorrindo na foto. Com a cabeça levemente inclinada para a direita, olhava envergonhada para a câmera. Seu cabelo estava arrumado em alto estilo, com fitas verdes e amarelas. Além da maquiagem, estava usando batom, lápis de olho e sombra. Estava em um ambiente externo, com o céu azul e colinas não identificadas no fundo. Segurava um boneco inflável do Patolino. E estava completamente nua.

A coleção crescia a cada hora que passava. Depois que o perfil de “Marcos Teia” foi denunciado, desapareceu temporariamente, mas logo ressurgiu. Certo dia, ele estava no Facebook com centenas de amigos, cujos perfis também exibiam fotografias sexualmente explícitas de crianças e adultos no site da rede social e, no dia seguinte, havia desaparecido. Poucos dias depois, estava de volta, ávido por aceitar solicitações de amigos de quem quer que fosse.

Em outro caso, foram encontradas fotografias explícitas de meninas, aparentando idade entre três e nove anos. As imagens mostravam essas meninas envolvidas em sexo vaginal, oral e anal. Algumas estavam imobilizadas com Silver Tape (fita para amarrar e/ou tapar a boca). De acordo com o mural do grupo, havia 51 membros e o número de fotos havia aumentado para 37, incluindo uma que parecia ser uma menina recém-nascida ao lado da genitália de um homem adulto.

Um dos maiores obstáculos relacionados a esse assunto é o de superar a falta de conhecimento do público sobre a pornografia infantil no Facebook. Por isso, Defesa da Fé, com a colaboração de Julio Severo, traz, como texto de capa, essa matéria de importância social incontestável.

O Facebook, como sabemos, é uma rede social compartilhada por mais de 900 milhões de pessoas, e a maioria dos usuários dos EUA, assim como do Brasil, não tem ideia de que a rede social abriga uma enorme coleção de pornografia infantil e violência sexual não denunciada.

Conforme noticiado pelo World Net Daily, a maioria desses predadores não está simplesmente procurando imagens de pornografia infantil. Um estudo conduzido, em 2007, pela Agência Federal de Prisões, no qual psicólogos conduziram uma pesquisa de opinião detalhada sobre o comportamento sexual de agressores virtuais, 85% deles afirmaram ter cometido abuso sexual contra menores, desde toques inapropriados a estupros.

O Ministério de Justiça dos EUA explica: “Infelizmente, o mercado de pornografia infantil disparou com o advento da Internet e das tecnologias digitais avançadas. A Internet fornece uma base para os indivíduos criarem, acessarem e compartilharem imagens de abuso sexual de crianças ao redor do mundo com um simples clique […] Os criminosos de pornografia infantil podem se conectar a redes e fóruns de Internet para compartilhar seus interesses, desejos e experiências com o abuso de crianças. Além de vender, compartilhar e colecionar imagens”.

Além disso, comunidades on-line promoveram o contato entre os criminosos de pornografia infantil, normalizando os seus interesses por crianças e insensibilizando-os aos danos físicos e psicológicos infringidos nas pequenas vítimas. Comunidades on-line também atraem e promovem novos indivíduos para se envolverem com a exploração sexual de crianças.


Notícias sobre a resposta do Facebook à pornografia infantil


Como parte de uma investigação secreta, o World Net Daily utilizou perfis falsos no Facebook e localizou dezenas de imagens de pornografia infantil após adicionar vários prováveis pedófilos e predadores que trocam milhares de fotos pornográficas na rede social. O World Net Daily imediatamente denunciou imagens explícitas de abuso sexual de crianças ao FBI.

Outras fotos e vídeos de crianças vestindo fio dental em poses sensuais foram denunciadas ao Facebook, primeiro para testar a resposta da rede social. No início da investigação, o Facebook foi lento para remover as fotos e os perfis; e, em alguns casos, pareceu não agir de forma alguma. Após três semanas de observação, alguns perfis denunciados primeiro foram removidos em 48 horas. No entanto, a maioria dos vídeos explícitos e grupos de interesse continuam na rede social até hoje, e novos perfis de pedófilos são espantosamente fáceis de encontrar.

Apesar das repetidas solicitações ao longo de quase dois anos, o Facebook não respondeu às ligações telefônicas nem aos e-mails do World Net Daily a respeito das imagens e vídeos numerosos compartilhados por seus usuários contendo crianças abusadas sexualmente ou posando nuas. No entanto, depois que matérias sobre o assunto foram publicadas e difundidas, a rede social forneceu uma breve declaração por e-mail. Várias outras fontes noticiaram respostas similares às do Facebook há poucos meses, após uma enxurrada de reclamações sobre várias páginas que promoviam e faziam piadas sobre o estupro.

Raymond Bechard, autor de The Berlin Turnpike: A True Story of Human Trafficking in America [Pedágio de Berlim: uma história verídica do tráfico de pessoas nos EUA], lançou a campanha “Homens contra a prostituição e o tráfico”, uma comissão de ação política contra o tráfico de pessoas nos EUA. Bechard utilizou perfis falsos no Facebook para encontrar predadores de crianças e denunciá-los às autoridades federais.

“Se você denunciar as imagens ao Facebook, o sistema deles é, infelizmente, muito incompetente e extremamente indiferente para denunciar crimes dessa natureza”, disse Bechard ao World Net Daily. “Você denuncia ao Facebook, mas não sabe realmente se algo aconteceu. Não há resposta, nunca, e você tem de voltar e ver se o conteúdo já foi removido. Se uma foto ou um vídeo de fato desaparecer, como realmente desaparece, não existe uma maneira de saber se o crime que você testemunhou foi denunciado às autoridades”.

Em um dos casos, quase oitenta fotos de uma jovem, de cerca de oito anos, revelava uma criança posando de fio dental escalando uma árvore. A menina abria as pernas enquanto o fotógrafo tirava fotos das suas nádegas e de sua genitália a poucos centímetros de distância da criança.

Quando o World Net Daily denunciou as fotos à rede social por telefone e pelo seu aplicativo on-line em 20 de março, o Facebook não respondeu às ligações nem removeu as imagens. Elas, ainda, estavam lá em 3 de abril, quando o World Net Daily notificou ao FBI.

Dentro de 24 horas da ocorrência registrada no FBI, todo o perfil do usuário foi removido. Autoridades do FBI, que responderam às denúncias de pornografia infantil no Facebook, foram corteses e prestativos. No entanto, o World Net Daily perguntou à porta-voz do FBI, Jenny Shearer, se o Facebook denunciava a pornografia infantil e cooperava prontamente com as investigações.

“Não falamos das nossas relações de trabalho com o setor privado, então, não posso comentar”, disse Shearer ao World Net Daily, recusando-se a discutir as interações de segurança com o Facebook ou com o Twitter nos casos de pornografia infantil.

Ao ser perguntada se a rede social está-se tornando um atrativo para a pornografia infantil, ela respondeu: “Parece que as pessoas utilizam os sites de redes sociais para todo tipo de interesse, incluindo os que podem envolver, infelizmente, a sedução de crianças”.

Em sua “Declaração de Direitos e Responsabilidades”, o Facebook diz aos seus usuários: “Você não publicará conteúdo que seja detestável, ameaçador ou pornográfico; incite violência; ou contenha nudez ou violência explícita ou desnecessária”.

Ironicamente, a rede social bloqueou as contas falsas do World Net Daily, devido a “razões de segurança”, imediatamente após dezenas de imagens e vídeos de abuso sexual de crianças terem sido denunciados por essas contas. Em muitos casos, o material denunciado estava postado durante meses e havia sido visto e compartilhado por dezenas, até centenas de pedófilos.


Remoção de fotos é como caçar baratas


Richard Lepoutre esteve ativamente envolvido na luta para proteger crianças do abuso sexual por mais de 25 anos, e é cofundador da luta contra pedófilos no Facebook com a campanha “Detenham a pornografia infantil no Facebook”. Ele também trava uma batalha contra a exploração sexual comercial por meio do seu trabalho nas campanhas “Parem com a exploração on-line” e “Homens contra a prostituição e o tráfico”.

“A inutilidade disso é que, enquanto você denuncia aquela imagem individual e se esforça para retirá-la, obviamente ela está sendo replicada centenas ou, talvez, milhares de vezes em todo tipo de local”, explica Lepoutre. “Ela realmente não desaparece. Enquanto está lá, há outros colecionadores e outros perfis copiando essa imagem. Embora você possa pedir que ela seja removida em um lugar e em um perfil específico, é muito provável que ela continue sendo propagada no meio digital. O verdadeiro problema aqui é evitar que a foto chegue lá em primeiro lugar”.

Lepoutre afirma que “essa comunidade de pervertidos e criminosos” tem o seu próprio fenômeno “viral”. “Pode ter certeza que uma foto popular que aparece em algum momento é distribuída e compartilhada provavelmente milhares de vezes em poucas horas”, disse. “É como caçar baratas. Você pensa que está pegando-as, mas a imagem é como a conhecida barata que se clona indefinidamente. Ela se esconde, e está em toda parte. Você liga a luz e elas dispersam. Mas, só porque você não as vê, não quer dizer que não estão lá”.

O Ministério de Justiça dos EUA comenta: “As vítimas da pornografia infantil não sofrem apenas do abuso sexual infringido nelas para produzir tal material, mas, também, pelo fato de saberem que suas imagens podem ser vistas e colecionadas por pessoas de todo o mundo. Uma vez que a imagem esteja na Internet, é irreparável, e pode continuar circulando para sempre. O registro permanente do abuso sexual de uma criança pode alterar sua vida para sempre. Muitas vítimas de pornografia infantil sofrem de sensações de impotência, medo, humilhação e descontrole, uma vez que suas imagens estão disponíveis para serem vistas para sempre”.

Durante o curso do seu trabalho, Bechard e Lepoutre denunciaram numerosas imagens e perfis ao Facebook. “Embora contas e links para materiais de pornografia infantil possam ser desativados pelo site, muitos pedófilos reaparecem dentro de semanas, ou mesmo dias”, afirmam. Em tais casos, os reincidentes repostam seus gigantescos álbuns de abusos.

“Por que eles não estão evitando que isso seja postado em primeiro lugar?”, pergunta Bechard. “E o que estão fazendo para investigar suas origens? Existe alguma mineração de dados que eles podem fazer para descobrir se elas estão saindo de algum lugar em particular? Por que não concentrar recursos nisso para realmente investigar da forma como crimes dessa gravidade merecem ser investigados?”.

Lepoutre listou nomes de alguns dos maiores sites de vídeos pornográficos do mundo. O material dos websites é cadastrado e enviado por indivíduos, em um processo parecido com a postagem de vídeos no YouTube ou no Facebook.

“Você pode ir a qualquer um desses gigantescos sites e não irá encontrar pornografia infantil neles”, afirma. “É lógico que eles possuem os meios, a tecnologia e, aparentemente, a motivação para não permitir que materiais de pornografia infantil sejam enviados. Logo, tecnicamente falando, do ponto de vista dos recursos, por que o Facebook não pode fazer o mesmo que esses grandes sites de pornografia?”.


Moderadores estrangeiros ganhando US$ 1/h?


O Facebook divulgou muito pouco a respeito do seu processo de filtragem de conteúdo. No entanto, em 16 de fevereiro, o blog de notícias Gawker.com noticiou que havia entrevistado Amine Derkaoui, um marroquino de 21 anos que diz ter passado semanas fazendo treinamento para filtrar conteúdo ilegal no Facebook por meio de uma empresa terceirizada da Califórnia, oDesk.

Derkaoui afirma que recebeu US$ 1 por hora. De acordo com o Gawker, Derkaoui forneceu documentos internos explicando como o Facebook censura seu conteúdo. Afirma que a equipe de moderação de conteúdo utilizava uma ferramenta da web para visualizar fotos, vídeos e postagens denunciadas por usuários do Facebook. Os moderadores possuem três opções de ação:


1) Confirmar a sinalização e excluir o conteúdo

2) Não confirmá-lo e deixar o conteúdo como está

3) Encaminhar o conteúdo para uma alçada superior de moderação para ser examinado por funcionários do Facebook.


“Após passar por um teste escrito e por uma entrevista, Derkaoui foi convidado a juntar-se à equipe da oDesk, com cerca de cinquenta pessoas de vários países do terceiro mundo (entre eles, Turquia, Filipinas, México e Índia), para trabalhar com a moderação de conteúdo do Facebook”, explicou Gawker. “Eles trabalham em casa em turnos de quatro horas e ganham US$ 1 por hora, mais comissões (o que, de acordo com a lista de empregos, deveria dar um valor estimado de US$ 4 por hora)”.

De acordo com a reportagem, o anúncio da vaga não fazia menção ao Facebook. Derkaoui afirmou também que os administradores da oDesk nunca disseram abertamente que o cliente era o Facebook. No entanto, observa Gawker, um porta-voz do Facebook confirmou que a rede social era cliente da oDesk.

Outras fontes que alegam ter sido moderadoras do Facebook reclamaram da natureza do seu trabalho na limpeza do site. “Pense em um canal de esgoto”, disse uma pessoa, durante um bate-papo no Skype com o blog, “toda a sujeira do mundo passa por ele e você tem que limpar tudo”. Outra pessoa desistiu após três semanas no trabalho de moderação. “Pedofilia, necrofilia, decapitações, suicídios, etc.” ,lembra. “Saí porque valorizo a minha sanidade mental”.

Quando o World Net Daily perguntou ao Facebook a respeito da reportagem, um porta-voz respondeu com a seguinte declaração: “Em um esforço para processar rapidamente e de maneira eficiente os milhões de denúncias que recebemos todos os dias, decidimos contratar empresas terceirizadas para fazer a classificação prévia de uma pequena porção do conteúdo denunciado. Essas contratadas estão sujeitas a um rigoroso controle de qualidade, e implantamos várias camadas para proteger os dados das pessoas que utilizam o nosso serviço. Além disso, nenhuma informação de usuário, além do conteúdo em questão e da fonte da denúncia, é compartilhada. Precisamos encaminhar as denúncias mais sérias ao âmbito interno, e continuaremos a fazê-lo, e todas as decisões feitas pelas contratadas estão sujeitas a exaustivas auditorias. Estamos constantemente aprimorando nossos processos e frequentemente inspecionamos as nossas contratadas. Esse documento fornece uma base a respeito dos nossos padrões com relação a uma dessas contratadas; para informações mais atualizadas, favor visitar Facebook.com/CommunityStandards”.


O Facebook e o programa PhotoDNA


Tanto o Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC, na sigla em inglês) quanto o Facebook divulgam a utilização do software PhotoDNA para combater a pornografia infantil. O PhotoDNA cria um código digital para representar uma imagem em particular (uma espécie de impressão digital ou assinatura) e localiza aquela imagem dentro de grandes grupos de dados. A ferramenta é capaz de encontrar imagens específicas mesmo se tiverem sido alteradas.

A Microsoft doou o software para o NCMEC em dezembro de 2009. Entretanto, somente no ano passado o Facebook começou a utilizar o PhotoDNA para buscar milhares de imagens ilegais registradas que foram enviadas por seus usuários. O software possui uma taxa de precisão de 99,7% nos testes. Ela encontra e remove apenas as imagens conhecidas, denunciadas e específicas de exploração sexual de crianças na pré-puberdade.

Chris Soderby, assistente do conselho geral do Facebook, foi promotor da Secretaria de Justiça dos EUA durante doze anos. De 2006 até a metade de 2010, Sonderby foi representante da Secretaria na Ásia, na embaixada dos EUA em Bangkok, onde trabalhou com autoridades americanas e estrangeiras em assuntos criminais transnacionais de larga escala. Antes de sua viajem a Bangkok, Sonderby trabalhou como chefe da unidade de Segurança em Informática e Propriedade Intelectual da Procuradoria Geral dos EUA em San Jose, Califórnia.

Ele declarou, em um evento ao vivo em 20 de maio de 2011, chamado “Facebook ao vivo de Washington: protegendo as crianças on-line”: “O PhotoDNA é realmente uma tecnologia que vai virar o jogo nessa luta, e estamos animados com a oportunidade de implantá-lo em nosso site e de conseguirmos reduzir consideravelmente a quantidade de imagens de exploração sexual que deixamos proliferar. No nosso caso, pretendemos colocar a tecnologia em ação contra cerca de 200 a 300 milhões de imagens que são enviadas ao Facebook todos os dias. Dessa forma, a tecnologia irá permitir que bloqueemos seu envio, para prevenir sua distribuição e nova vitimização das crianças mostradas nessas imagens. Irá, também, permitir que, rapidamente, consultemos e denunciemos essas amostras às autoridades, para que tomem ações imediatas. Reiteramos, mais uma vez, que acreditamos que isso vai mudar o jogo, e estamos animados por sermos parte dessa parceria e ansiosos para continuarmos trabalhando nisso juntos.”

Michelle Collins, vice-presidente da divisão de exploração infantil do NCMEC, disse ao World Net Daily: “Sinto mesmo que na indústria […] embora obviamente o problema continue crescendo, cresce também a resposta de muitas das empresas e, certamente também, a resposta das autoridades”.

Collins acrescenta: “Temos várias iniciativas voluntárias com grandes empresas aqui nos EUA, em que fornecemos a eles o PhotoDNA, com o qual buscam especificamente por imagens de pornografia infantil para removê-las. É como buscar uma agulha em um palheiro. É uma quantidade enorme de imagens que passa pelos seus servidores. Eles utilizam uma tecnologia que lhes permite identificar e remover as imagens identificadas como pornografia infantil”.

Collins diz, ainda, que “uma adoção mais ampla do PhotoDNA por grandes empresas seria benéfico no sentido de eliminar a pornografia infantil dos seus servidores”.

No entanto, o Microsoft DNA não localiza nem remove novas fotos de abuso. Ela encontra apenas as que foram identificadas e listadas em um banco de dados de fotos do NCMEC. Além disso, a tecnologia de comparação de imagens não localiza vídeos de abuso sexual de crianças para removê-los.

Em um dos comunicados dos Facebook sobre o assunto, ele afirma: “O PhotoDNA não será capaz de identificar novas imagens de pornografia infantil, nem irá sinalizar suas típicas fotos de crianças como pornografia, antes, identificará apenas as já conhecidas pelo NCMEC”.

Lepoutre afirma que a utilização do software PhotoDNA, pela rede social, é um passo positivo, mas não um “esforço preventivo”, a fim de impedir que as fotos apareçam no Facebook em primeiro lugar. Assim, ele questiona: “De que forma utilizar o PhotoDNA, para correr atrás de uma foto que já foi publicada, é uma atitude ‘preventiva’? Mas que conversa fiada! Não é incrível? Talvez, tenha um pessoal passando o olho no material lá no Marrocos, mas nada disso é ‘preventivo’”.

Ao ser perguntada a respeito da limitação do PhotoDNA, Collins disse ao World Net Daily: “É verdade. Para que a assinatura do PhotoDNA seja gerada, é preciso ter a imagem. Nós, é claro, vemos novas imagens e novos vídeos surgindo na Internet”. E acrescenta: “Há vinte anos, as pessoas tinham o risco de exposição ao tentar encontrar indivíduos que tivessem os mesmos interesses sexuais em crianças. Com a Internet e essas ferramentas, é fácil para as pessoas sentirem-se protegidas no anonimato, e são capazes de normalizar e validar seus interesses sexuais em crianças ao conversar com pessoas pelo mundo. Isso, certamente, estimula a produção de mais imagens e vídeos”.


Facebook responde ao questionamento de legislador


Em um e-mail de 4 de agosto de 2011 para o gabinete do deputado John Larson, democrata de Connecticut, o Facebook respondeu a um questionamento sobre a pornografia infantil em seu website, onde afirmava:

Há vários mecanismos que utilizamos no Facebook para trazer à tona os materiais [de pornografia infantil] e seus fornecedores. Incluímos, aqui, algumas das nossas proteções:


• Implantação de tecnologia sofisticada para detectar grupos, tanto públicos quanto fechados, que tratam do abuso de crianças de qualquer forma, incluindo o trabalho com líderes do setor tecnológico para, em parceria, desenvolvermos novas tecnologias;

• Isso tudo, além das nossas tecnologias já existentes, que monitoram e sinalizam comportamentos suspeitos de indivíduos;

• Isso inclui os termos óbvios, mas também códigos e palavras-chave que esses grupos costumam utilizar para evitarem ser detectados;

• Toda essa tecnologia é complementada por olhos e ouvidos humanos especializados, que procuram constantemente fechar grupos e bloquear usuários;

• Identificamos as palavras e técnicas mais atualizadas utilizadas por grupos de exploração de crianças por meio da inteligência do NCMEC e da Interpol;

• Trabalhamos também em conjunto com o Centro de Exploração Infantil e Proteção On-line (sigla em inglês CEOP) e com o NCMEC para compartilhar informações e sinalizar casos em instâncias raras sobre interesses específicos.


Nada é mais importante para o Facebook do que a segurança das pessoas que utilizam o nosso site, e esse material definitivamente não tem lugar no Facebook.

Infelizmente, as pessoas vêm tentando utilizar a tecnologia para distribuir conteúdo ilegal e extremamente ofensivo desde os primeiros dias da Internet pública. Nossa tolerância é zero para essa atividade no Facebook, e somos extremamente agressivos na prevenção e remoção de conteúdo de exploração de crianças, assim como na denúncia dos seus responsáveis às autoridades de segurança. Construímos sistemas técnicos complexos que bloqueiam a criação desse conteúdo, inclusive em grupos privados, ou o sinaliza, para rapidamente ser analisado pela nossa equipe de investigadores.

Além disso, mantemos uma robusta estrutura de denúncias que estimula as mais de 500 milhões de pessoas que utilizam o nosso site a ficarem de olho para materiais ofensivos e potencialmente perigosos. Essa estrutura de denúncias inclui links de denúncia em páginas pelo Facebook, sistemas para priorizar as denúncias mais sérias e uma equipe treinada de analistas que respondem às denúncias e as encaminham às autoridades, conforme a necessidade. Essa equipe trata as denúncias de conteúdo de exploração com o máximo de prioridade.

Trabalhamos, também, com o NCMEC, com o procurador-geral do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, e com o CEOP, do Reino Unido, para utilizar nossos bancos de dados de material de exploração infantil, a fim de aprimorar a nossa detecção e levar os responsáveis à justiça.

Como resultado dessa correspondência específica, afirma Bechard, o Facebook simplesmente concordou em remover a página Nude Teen [Adolescentes nuas]. No entanto, ele afirma que os resultados para Nude Teen revelam que a frase costuma voltar, mais popular do que nunca, e que o problema geral das páginas explícitas parece não ter melhorado.


As respostas do Facebook são frustrantes


Algumas pessoas, inclusive da área de segurança pública, estão ficando frustradas nos seus esforços para denunciar o conteúdo no Facebook.

“Acabei de receber uma ligação de um policial aposentado que estava bastante nervoso”, afirma Lepoutre. “Ele ligou porque encontrou pornografia infantil no Facebook e afirmou: ‘Sou um policial aposentado. Pensei que, talvez, pudesse contactar o Facebook e denunciar o que havia visto’”.

O homem afirma que tentou contato com o Facebook pelo telefone, mas seus esforços foram em vão. “Ele viu o mecanismo de ‘denunciar imagem’, mas ele queria falar com alguém e denunciar o problema”, afirma Lepoutre. “Após várias horas tentando falar com alguém no Facebook, disse a ele o que poderia e o que não poderia ser feito com relação ao formulário de crimes virtuais do FBI. Ele disse que iria preenchê-lo”.

E acrescentou: “Além desse aparente isolamento do site com relação a pessoas como nós, que estudamos o assunto, as pessoas que querem denunciar esse tipo de coisa também não podem fazer nada a respeito”.

Depois que os executivos do Facebook leram as várias matérias criticando essa postura, entraram em contato com o sargento Greg Lombardo, comandante da força de trabalho de Crimes Virtuais Contra a Criança no Vale do Silício, e pediram que ele conversasse com o World Net Daily sobre suas experiências no trato com a rede social com relação a esse problema.

O World Net Daily falou com Lombardo sobre as limitações do PhotoDNA, sobre quão fácil é para os pornógrafos abrirem várias contas falsas no Facebook e por que o Facebook tolera grupos e páginas explícitas. Ao que ele respondeu: “Entendo o que estão dizendo. Penso que a maioria das coisas das quais falaram será melhor respondida pelo Facebook. Tudo o que posso dizer é sobre a nossa comunicação com o Facebook e sobre a cooperação que recebemos deles. Nos últimos seis meses, eles realmente fizeram muito para nos ajudar. Se precisávamos de informações de mandado de busca, eles nos mandavam imediatamente. Eles, na verdade, abriram um novo portal que nos permite acessar informações do Facebook imediatamente, e nós o utilizamos muitas vezes. Estão trabalhando conosco, então, não tenho do que reclamar. Penso que, ultimamente, eles têm sido ótimos. Tenho certeza que existem áreas em que eles podem melhorar, e é provavelmente por isso que temos pessoas como vocês, que investigam e tentam descobrir o que está acontecendo”.

E acrescenta: “Li os artigos de vocês, e estava bem escrito. Só quero deixar claro que eles estão cooperando conosco. Não tenho nenhum problema com relação a eles. Se há coisas que eles podem melhorar a partir do que vocês descobriram, perfeito, porque todos estamos tentando o mesmo aqui. Todos estamos tentando acabar com isso. Vocês podem ter encontrado outras coisas para eles olharem aqui”.

No entanto, Bechard explicou que um agente especial do FBI disse a ele que já demorou até oito meses para que o Facebook respondesse a um único inquérito de pornografia infantil. Bechard perguntou ao World Net Daily: “Alguém está comparando o número de perfis e vídeos denunciados e removidos do Facebook como pornografia infantil e, portanto, criminal, com o número de denúncias feitas às autoridades? Esse número deveria ser o mesmo. Se eles derrubarem algum conteúdo, sabendo que isso é um crime, eles devem denunciar o crime às autoridades. A frustração maior é que não parece que isso esteja acontecendo. Os crimes parecem estar sendo repreendidos somente no Facebook”.

Ao ser perguntado se existe uma maneira de comparar os números de denúncias de pornografia infantil que o Facebook recebe dos seus usuários ao número de denúncias que o Facebook envia às autoridades de segurança, Lombardo afirma: “Essa é outra boa pergunta a ser feita ao Facebook, porque o que recebemos é o que o NCMEC nos envia. Não posso comparar com o número de denúncias que o Facebook recebe. Não posso responder a essas perguntas, porque não sei”.

Bechard, frustrado com o processo de denúncia, explica: “Não consigo pensar em outro crime, pelo menos não desse nível de perversidade, que as pessoas podem testemunhar e 1) não terem ideia de como denunciar e 2) todos na área de segurança pública dizer-lhes para procurarem uma agência externa, sem fins lucrativos, para denunciar [NCMEC]. E essa agência é o órgão centralizador do material investigativo de utilização dos órgãos de segurança. Não sei de outro crime que é denunciado dessa forma”. Isso é, de fato, ridículo!

Ao ser perguntado sobre como ele responderia às alegações do Facebook de que a empresa tem implantado inúmeras medidas proativas para garantir que a pornografia infantil seja erradicada do seu site, e que, no geral, está fazendo um grande trabalho nas áreas de prevenção e eliminação do conteúdo, Bechard responde: “Eu os colocaria em frente a um computador e, em trinta segundos, mostraria a eles materiais de pornografia infantil no Facebook. Um monte deles!”


O que fazer, como cristãos, diante disso?


As pessoas que se importarem podem tomar algumas iniciativas:


• Envie quantos cartões-postais puder para o presidente do Facebook, Mark Zuckerber, para os membros da diretoria, para o alto escalão e para os funcionários da empresa, dizendo-lhes que você quer o fim dessa atividade criminosa.

ATENÇÃO: para isso, use o link: http://stopchildpornonfacebook.com

• Assine a petição para acabar com a pornografia infantil no Facebook.

ATENÇÃO: para isso, use o link: https://pushmailcards.com/shop/stopchildpornonfacebook.aspx

• Se você se deparou com algum conteúdo que aparente ser de pornografia infantil, denuncie-o imediatamente.

ATENÇÃO: para isso, use o link: http://www.ic3.gov/default.aspx

• Instrua seus amigos e conhecidos sobre a necessidade de observar esses mesmos procedimentos.

• Zele para que sua navegação e, principalmente, a de seus filhos nas redes sociais envolva somente conteúdos saudáveis.

• Ore para que Deus continue usando instrumentos de fiscalização, a fim de combater essa grande batalha.


OBSERVAÇÃO: Os textos a serem postados nos links citados podem ser escritos e enviados em inglês, mas a navegação nos sites exige conhecimento básico de inglês.


Colaboração: www.juliosevero.com


“Pode ter certeza que uma foto popular que aparece em algum momento no Facebook é distribuída e compartilhada provavelmente milhares de vezes em poucas horas”


“Pedofilia, necrofilia, decapitações, suicídios, entre outras aberrações. Para preservar minha sanidade mental, decidi abandonar o trabalho de filtragem prestado para o Facebook”.


“O Facebook possui a tecnologia e, aparentemente, a motivação para não permitir que materiais de pornografia infantil sejam enviados, mas, por que tem tanta dificuldade para resolver o problema?”

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