Defesa da Fé


O sequestro do cérebro


Como funciona a pornografia?


Por Albert Mohler

Mestre em divindade e doutor em teologia sistemática pelo Southern Baptist Theological Seminary

Tradução de Julio Severo


Estamos, rapidamente, nos tornando a sociedade pornográfica. Durante o curso da última década, imagens explicitamente sexuais se infiltraram lentamente nos anúncios comerciais, no marketing e, praticamente, em todo vão da vida ocidental. Essa pornografia de ambiente está, agora, em quase todos os lugares, desde o shopping local ao horário nobre da televisão.

Pelos cálculos de alguns, a produção e a venda de pornografia explícita, agora, representam a sétima maior indústria dos Estados Unidos e não é muito diferente no Brasil. Novos vídeos e páginas de Internet são produzidos a cada semana, com a revolução digital trazendo um grande número de novos sistemas de distribuição. Toda nova plataforma digital se torna uma oportunidade de marketing para a indústria pornográfica.

O que não é surpresa para ninguém é que a vasta maioria daqueles consumidores de pornografia é composta de homens. Não é nenhum segredo de comércio que as imagens visuais, sejam fotos ou vídeos, estimulam muito os homens. Isso não é nenhum avanço novo, conforme atestam antigas formas de pornografia. O que é novo é o acesso em toda parte. Os homens e meninos de hoje não estão olhando para quadros desenhados em paredes de cavernas. Eles têm acesso, quase que instantâneo, a inumeráveis formas de pornografia numa grande quantidade.

Mas, enquanto a tecnologia tem trazido novos meios para a transmissão da pornografia, o conhecimento moderno também traz uma nova compreensão de como funciona a pornografia no cérebro masculino. Embora essa pesquisa não faça nada para reduzir a culpabilidade moral dos homens, que são consumidores de pornografia, ajuda a explicar como o hábito acaba viciando tanto.

Como explica William M. Struthers, da Faculdade Wheaton, “os homens parecem ter sido feitos de tal maneira que a pornografia sequestra o funcionamento adequado do seu cérebro e tem efeito de longo prazo em seus pensamentos e vida”.

Struthers é um psicólogo com formação em neurociência e especialidade de ensino nas bases biológicas da conduta humana. No livro Programado para a intimidade: como a pornografia sequestra o cérebro masculino, Struthers fala de percepções fundamentais da neurociência que apresentam uma longa explicação do motivo por que a pornografia é uma tentação grande para a mente masculina.

“A explicação mais simples da razão por que os homens veem pornografia (ou procuram prostitutas) é que eles são levados a procurar intimidade”, revela ele. “O impulso para obter intimidade sexual foi dado por Deus e é essencial para os homens”, reconhece ele, “mas é facilmente mal direcionado”. Os homens são tentados a buscar “um atalho para o prazer sexual por meio da pornografia” e, agora, acham que dá para se acessar esse atalho com facilidade, a todo instante.

Em um mundo caído, a pornografia se torna mais do que uma distração e uma distorção da intenção de Deus para a sexualidade humana. Torna-se um veneno viciador. Struthers explica: ver pornografia não é uma experiência emocional ou fisiologicamente neutra. É fundamentalmente diferente de olhar para fotos em preto e branco de algum museu ou olhar um mapa colorido com os relevos do Brasil. Os homens são reflexivamente atraídos para o conteúdo de material pornográfico. Como tal, a pornografia tem efeitos de grande repercussão para estimular um homem à intimidade. Não é um estímulo natural. Atrai-nos para dentro. A pornografia é indireta e voyeurística em sua essência, mas é, também, algo mais. A pornografia é uma promessa sussurrada. Promete mais sexo, melhor sexo, infinito sexo, sexo conforme os desejos, orgasmos mais intensos, experiências de transcendência.

A pornografia “atua como uma combinação de múltiplas drogas”, explica Struthers. Conforme afirma o dr. Patrick Carnes, a pornografia é “um relacionamento patológico com experiência de alteração do humor”. O tédio e a curiosidade levam muitos meninos e homens a experiências que se tornam mais como vício de drogas do que, muitas vezes, se admite.

Por que os homens em vez das mulheres? Como explica Struthers, o cérebro da mulher e do homem é feito de formas diferentes. “O cérebro de um homem é um mosaico sexual influenciado por níveis de hormônio no útero e, na puberdade, é moldado por sua experiência psicológica”. Com o tempo, a exposição à pornografia leva um homem ou menino mais profundamente “numa superestrada neurológica de mão única onde a vida mental de um homem fica restrita a uma sexualização excessiva. Essa superestrada tem inúmeros acessos de entrada, mas poucas saídas”.

A pornografia é “visualmente magnética” para o cérebro masculino. Struthers apresenta um exame fascinante da neurologia sobre hormônios de prazer sendo conectados e liberados pela experiência de um homem vendo imagens pornográficas. Essas experiências com pornografia e hormônios de prazer criam novos padrões na programação do cérebro, e experiências repetidas formalizam a programação.

E, então, nunca acaba. “Se eu tomo a mesma dose de uma droga repetidas vezes, e meu corpo começa a tolerá-la, precisarei tomar uma dose mais elevada da droga, a fim de que tenha o mesmo efeito que tinha com uma dose mais baixa na primeira vez”, recorda-nos Struthers. Por isso, a experiência de ver pornografia e praticá-la cria uma necessidade cada vez mais intensa, só para alcançar o mesmo nível de prazer no cérebro.

Enquanto os homens são estimulados pelas imagens sexuais do ambiente ao redor deles, a pornografia explícita aumenta o efeito. Struthers compara isso à diferença entre a televisão tradicional e as novas tecnologias de alta definição. Tudo é mais claro, mais explícito e mais estimulante.

Struthers explica isso com força e persuasão: algo sobre a pornografia influencia e arrasta a alma masculina. A influência é fácil de identificar. A forma da mulher nua pode ser hipnotizante. A disposição de uma mulher em participar de um ato sexual e expor sua nudez é sedutora para os homens. A consciência da própria sexualidade, o desejo de saber, experimentar algo como bom brota do profundo do ser masculino. Uma imagem começa a ficar maior em importância quanto mais a olhamos, ganhando força máxima e podendo chegar a um ponto em que nos sentimos como se estivéssemos num caminhão sem freios descendo uma montanha.

Em sua pesquisa, Struthers oferece perspectivas profundas e estratégicas da neurobiologia e psicologia, mas não deixa seu argumento apenas para a neurociência, nem usa a categoria de vício para suavizar a pecaminosidade de ver pornografia.

Os pecadores, naturalmente, procuram um jeito de esconder seu pecado, e a causa biológica é, muitas vezes, citada como meio de evitar a responsabilidade moral. Struthers não compreende assim, e sua perspectiva da pornografia tem base bíblica e teológica. Ele responsabiliza o pecado de ver pornografia naqueles que voluntariamente se tornam consumidores de imagens explícitas. O viciado é responsável por seu vício.

Ao mesmo tempo, qualquer compreensão de como o pecado opera seu mal enganador é uma ajuda para nós, e entender como a pornografia atua na mente masculina é um conhecimento poderoso. A pornografia é um pecado que rouba Deus de sua glória no presente do sexo e sexualidade. Há muito, sabemos que o pecado faz reféns. Conhecemos, agora, outra dimensão de como esse pecado sequestra o cérebro masculino. Conhecimento, como dizem, é poder.

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