Entrevista



Jerry Newcombe - O impacto do cristianismo no valor da vida humana



Da Redação
Jerry Newcombe é coautor, com o dr. James Kennedy, de onze livros teológicos, sendo um deles a obra E se Jesus não tivesse nascido, seu predileto (no Brasil, publicado pela editora Vida). Newcombe também é produtor e coprodutor de rádio e televisão, incluindo mais de cinquenta documentários para programas em canais abertos e fechados nos EUA, figurando entre as produções “Quem é este Jesus?”; “A desilusão do Código da Vinci”; e “O legado decadente de Charles Darwin”. Na entrevista que segue, James Newcombe faz uma apologia ao cristianismo como propulsor do valor à vida humana que foi sedimentado no Ocidente ao longo dos séculos.

Defesa da Fé: Qual foi a contribuição do cristianismo para a nossa civilização ocidental?

Jerry Newcombe: A contribuição foi imensa e, infelizmente, muitos cristãos desconhecem essa influência tão importante. Apenas para citar alguns itens, segue a lista: os surgimentos dos hospitais e das universidades na Idade Média, a maioria fundados por cristãos com propósitos cristãos; a alfabetização e o ensino para o povo; o capitalismo e a iniciativa privada; o governo representativo e a separação dos poderes políticos; os direitos civis e a abolição da escravatura; a ciência moderna e a descoberta do chamado Novo Mundo por Colombo; a valorização das mulheres; padrões de justiça mais elevados; a civilização de culturas bárbaras e primitivas; a codificação e transcrição de muitos idiomas; maior desenvolvimento da arte e da música; e, logicamente, a salvação de incontáveis almas.

Defesa da Fé: De fato, sua lista é grande, não sendo possível discuti-la integralmente, mas, ajude-nos a compreender alguns pontos específicos. Explique-nos um pouco melhor sobre o impacto do cristianismo no valor da vida humana.

Jerry Newcombe: Antes da vinda de Jesus e da influência do cristianismo, a vida humana era extremamente desvalorizada. Jesus Cristo deu à humanidade uma nova perspectiva de valor à vida e, à medida que nós, do ocidente pós-cristão, abandonamos a nossa herança judaico-cristã, a vida vai novamente perdendo o seu valor. Vejamos o exemplo das crianças. No mundo antigo, o sacrifício de crianças era tão comum que havia até mesmo cemitérios de bebês sacrificados. Era perigoso para um bebê nascer na Roma ou Grécia antigas. Era comum os bebês fracos ou indesejados serem levados às florestas ou encostas das montanhas para serem devorados por animais ou morrerem de fome. Os bebês deformados eram abandonados, assim como algumas meninas, por serem considerados seres inferiores. Em Roma, era crime matar um cidadão natural, mas era lícito o infanticídio. Para o cristianismo, a vida sempre foi uma dádiva de Deus. Na Roma antiga, os cristãos salvaram muitos bebês e os criaram por causa de sua fé. O aborto desapareceu da Igreja primitiva, assim como o infanticídio e o abandono de bebês. O advento de Cristo foi o triunfo dos inocentes! Após Jesus ter dito que Deus é nosso Pai, suas palavras não só alteraram radicalmente a atitude dos pais para com seus filhos, como também deram à paternidade uma forma completamente nova. Se hoje, em muitos países, ainda se discute e se refreia leis a favor do aborto, isso ocorre por causa da resistência da cultura cristã. Muitas vezes, não temos consciência desses esforços porque foram incutidos em nossa cultura através dos séculos, mas, se Jesus não tivesse nascido, a história de milhares de crianças seria muito diferente.

Defesa da Fé: Essa influência também atingiu as mulheres. Pode nos falar algo sobre isso?

Jerry Newcombe: Certamente! Mas não apenas as mulheres. Também os idosos e os escravos. No caso da mulher, nas culturas antigas, ela era considerada propriedade do marido, como se fosse um objeto. Aristóteles disse que a mulher estava em algum lugar entre um homem livre e um escravo. Platão ensinou que se o homem vivesse covardemente, renasceria como mulher. As meninas eram abandonadas ou segregadas da sociedade. Nos dois últimos séculos, entretanto, devido ao movimento missionário cristão moderno, a vida das mulheres melhorou consideravelmente em muitos países e em centenas de tribos à medida que o evangelho se arraigou nessas culturas. Para termos um exemplo concreto, na Índia, antes da influência cristã, viúvas eram voluntária ou involuntariamente queimadas nas piras dos funerais de seus maridos — uma prática horrível, conhecida como sati. A palavra é literalmente traduzida por “boa mulher”, sugerindo que os hinduístas acreditavam que uma boa mulher era a que seguia seu marido até a morte. Depois de William Carey e outros cristãos missionários, isso mudou drasticamente. Charles Spurgeon conta sobre uma mulher hindu que disse a um missionário: “Certamente, sua Bíblia foi escrita por uma mulher”. Ao que ele perguntou o porquê. E ela respondeu: “Porque diz tantas coisas boas para as mulheres. Nossos sábios nunca se referem a nós, a não ser para nos repreender”. Por fim, não podemos nos esquecer de que a poligamia, que sempre foi inerentemente injusta com as mulheres, desapareceu de muitos lugares por causa do cristianismo. É irônico que as feministas de hoje não deem crédito a Jesus ou ao cristianismo. Se não fosse o cristianismo, essas mesmas feministas estariam usando véu até hoje.

Defesa da Fé: E como o cristianismo beneficiou o tratamento aos idosos que o senhor mencionou anteriormente?

Jerry Newcombe: Hoje, fala-se muito que os chineses e os japoneses veneram seus idosos, mas só depois da revelação do cristianismo é que foram construídas casas para eles nesses países. No decorrer da história, muitas tribos e povos matavam seus idosos. Os esquimós costumavam matar seus idosos, abandonando-os à deriva em pedaços de gelo flutuando pelo mar. Antes de Jesus, o valor do idoso era determinado pelo costume particular de cada raça. Com Jesus, toda vida humana tem valor, inclusive a do idoso. Logicamente, os idosos nem sempre receberam a importância que têm em nossos dias. Ainda em 1892, apenas uma em cada cem pessoas do mundo ultrapassava os 65 anos de idade. Somente com a medicina moderna é que houve o aumento da longevidade. Contudo, à medida que a sociedade se afasta de Deus e de seus princípios, volta-se a uma visão mais pagã da vida. Vemos, por exemplo, o movimento em prol da morte dos idosos, chamado de ato de “misericórdia” ou de eutanásia. Muitos defensores da eutanásia entendem que muitos idosos não têm a mínima qualidade de vida e deveriam morrer para dar espaço à população mais jovem. São absurdos que só têm lugar quando o cristianismo enfraquece.

Defesa da Fé: E, no caso da escravidão? Qual foi a parcela de participação do cristianismo para sua extinção?

Jerry Newcombe: A condição de escravo no mundo antigo era aterradora. Na antiga Atenas, numa sala de tribunal, era permitido, por lei, o testemunho de um escravo somente sob tortura, ao passo que o testemunho de um homem livre era feito sob juramento. Entre os romanos, se um chefe de família fosse assassinado, todos os seus escravos domésticos eram levados à morte sem inquérito legal. Um ato comum de hospitalidade era oferecer uma escrava a um visitante para uma noite de prazeres sexuais e outra escrava para qualquer outra necessidade. Até pessoas da mesma raça escravizavam seus conterrâneos nos tempos antigos. Os deuses pagãos não se preocupavam com os escravos, mas isso mudou com o decorrer do tempo, quando o evangelho começou a criar raízes no coração das pessoas. No pequeno livro da Bíblia chamado Filemom, Paulo escreve da prisão para Filemom por intermédio de Onésimo, escravo fugitivo de Filemom que foi companheiro de cela de Paulo. O apóstolo levou os dois homens a Cristo e, em sua carta, diz a Filemom: “Para que você o tivesse [Onésimo] de volta [...] não mais como escravo, mas [...] como irmão amado” (v.16). Ao reformar o coração dos homens, o cristianismo reformou muito da ordem social. O cristianismo destruiu a escravidão dando dignidade ao trabalho. Novamente, como comentei no caso dos idosos, quando o cristianismo enfraqueceu, a escravidão ressurgiu com os espanhóis e os portugueses, mas não sem ter sido fortemente combatida pelos cristãos, especialmente na Inglaterra, cuja influência foi determinante para a abolição da escravatura em tempos modernos, a despeito do interesse que existia, devido à Revolução Industrial.

Defesa da Fé: Seria correto estender tudo isso ao combate contra a prática do suicídio?

Jerry Newcombe: Logicamente! O pecado do suicídio é mencionado cinco vezes na Bíblia. Em mais de quatro mil anos de história bíblica, temos pouquíssimos relatos de pessoas que tiraram suas próprias vidas e todas eram más, como Judas, que vendeu o Salvador por trinta moedas de prata. Ao contrário da história judia, muitos dos líderes romanos cometeram suicídio. Pôncio Pilatos, os senadores Brutus e Cássio, Antônio e Cleópatra (apesar de ela não ser uma líder romana), o imperador Nero, o filósofo Sêneca, diversos gladiadores em treinamento, o imperador Adriano, entre outros. O historiador Will Durant escreveu sobre a média de vida do romano de acordo com a filosofia popular estoica de que “a vida em si deveria sempre submeter-se à própria vontade do homem”. Portanto, o suicídio não era incomum na Roma antiga antes das influências exercidas pelo cristianismo. O cristianismo, há muito tempo, é um inimigo do suicídio, tanto no mundo antigo quanto no mundo moderno. Hoje, a visão neopagã está desvalorizando a vida humana novamente. Não faz muitos anos, um dos livros mais vendidos nos Estados Unidos era um manual prático para o suicídio. Mas a sabedoria de Deus diz: “Todos os que me odeiam amam a morte” (Pv 8.36).

Defesa da Fé: O senhor tem mencionado bastante as mudanças havidas em sociedades antigas civilizadas. Teria algo mais a dizer sobre a influência do cristianismo nas sociedades primitivas, antes do desbravamento que foi acompanhado pelo evangelho?

Jerry Newcombe: Há uma consideração bastante pertinente também sobre o canibalismo. James Heffley conta uma anedota sobre o fim do canibalismo em uma tribo graças a Jesus. Durante a Segunda Guerra Mundial, em uma ilha do Pacífico, um soldado americano encontrou um nativo que falava inglês e trazia consigo uma Bíblia. O soldado apontou para a Bíblia, sorriu astutamente e disse: “Nós, pessoas cultas, não colocamos mais muita fé neste livro”. O nativo sorriu e disse: “Bem, que bom para você que nós tenhamos fé nele”. E, batendo na barriga, disse: “Caso contrário, você estaria aqui dentro agora”. Historicamente, antes do advento do cristianismo, o canibalismo era muito comum. Os recipientes de carne do lado de fora dos muros das cidades antigas eram repositórios de corpos mortos, cozidos para alimentar os mais pobres. No decorrer dos tempos, além dos limites da propagação do evangelho, as pessoas comiam seus semelhantes na terrível ilusão de que, assim, triunfariam sobre seus inimigos e incorporariam sua força. Assim, os astecas consumiram milhares de pessoas em sua pervertida busca pelo poder. Entretanto, onde quer que o evangelho tenha sido pregado, o canibalismo foi abolido, à medida que os homens nasceram de novo para ver com novos olhos a santidade da vida.

Defesa da Fé: Diante de todas essas informações sobre a valorização da vida humana, perguntamos: quanto vale uma vida?

Jerry Newcombe: Vale o preço de sangue do redentor e jamais poderia ser mensurada pelos parâmetros humanos. Em 1844, H. JL. Hastings visitou as ilhas Fiji. Achou que lá a vida era muito desvalorizada. Era possível comprar um mosquete (arma antiga) ou um ser humano com sete dólares. A vida de um homem era muito mais barata que uma vaca. Após comprá-lo, você poderia colocá-lo para trabalhar, chicoteá-lo, deixá-lo à míngua ou comê-lo, de acordo com a sua preferência. Hastings voltou às ilhas alguns anos depois e percebeu que o valor da vida humana havia aumentado tremendamente. Não era mais possível comprar um ser humano por sete dólares para espancar ou comer. Na verdade, não era possível fazer esse tipo de aquisição nem mesmo por sete milhões de dólares. Por quê? Porque, nas ilhas Fiji, havia 1200 capelas cristãs, onde o evangelho de Jesus era pregado e as pessoas aprenderam que não pertencemos a nós mesmos e que fomos comprados por um preço, não com prata ou ouro, mas com o precioso sangue de Jesus Cristo. Tire Jesus Cristo da história do mundo e o valor da vida certamente será visto como quase nada. Você, leitor desta entrevista, poderia muito bem não estar vivo hoje se Jesus não tivesse nascido.


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