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Qual é a localização do jardim do Éden no mapa atual?


“E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado” (Gn 2.8)


O jardim do Éden, ou “paraíso”, tem sido considerado,por muitos,como sendo um lugar mitológico. Há, inda,quem o interprete como uma figura de linguagem, simbolizando uma vida de deleite. Também, tem sido alvo de muitos estudos teológicos, pois, nesse local, está a gênese da humanidade, o nicho do egoísmo, da rebelião e do pecado. Todavia, acima de tudo, ali houve a promessa de um Redentor que não apenas restauraria o caminho, mas, também, seria o próprio caminho, a verdade que liberta e a vida tão almejada (Jo 14.6).

Logo no início do relato bíblico, encontramos, detalhadamente, informações geográficas sobre o jardim do Éden. A Palavra de Deus nos diz: “E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há obdélio, e a pedra sardônica. E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o lado oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates” (Gn 2.10-14).

As Escrituras têm-se mostrado verdadeiras em todos os níveis, seja no âmbito arqueológico, antropológico ou histórico. Ainda assim, alguns têm perguntado sobre a existência dos primeiros dois rios e questionado sua união fluvial com os outros dois. Consensualmente, temos a comprovação da existência de dois, Tigre e Eufrates, enquanto Pison e Giom não foram encontrados pelos estudiosos.

Podemos ter alguma ideia sobre esses rios pelos nomes que lhes são aplicados. O rio Tigre, provavelmente, tinha outro nome (Hidequel), mas é provável que ele fosse chamado por esse nome somente pelos hebreus. Entre o rio Tigre e o rio Eufrates, ficava a região conhecida como Mesopotâmia, palavra que significa “entre rios”.

A Bíblia diz que do Éden saía um rio que se dividia em quatro cabeceiras. Isso demonstra que o jardim deveria compor uma extensão considerável, talvez abrangendo dezenas de quilômetros, não sendo apenas um “quintal”. Dentro desse hábitat, Adão pôde desempenhar sua primeira missão. A saber: dar nomes a todos os animais (Gn 2.19). Esse lugar de deleite não excluía o trabalho, antes, o trabalho era edificante e trazia seus frutos. É interessante notar que alguns estudiosos têm afirmado que a palavra “éden” teria sua origem do acádico edinu, que significa “campo aberto”. Contudo, o consenso geral é de que a palavra tem sua origem no hebraico eden, isto é: “deleite”. Se onde há fumaça pode haver uma clareira, então, talvez, o reflexo acadiano compartilhe a ideia de um lugar amplo e de verdadeiro deleite.

O catedrático Antonio Neves de Mesquita, em sua renomada obra Povos e nações do mundo antigo, descreve a possível localização do Éden confirmando a etimologia de seu nome: “A Região Norte da Mesopotâmia é realmente interessante, tanto na flora, como na fauna e no clima. Em volta da montanha onde o Eufrates tem a sua nascente, há um verdadeiro jardim. Os vales são ricos e produzem abundantemente uvas, tâmaras, morangos, peras, figos e uma infinita variedade de outras frutas. As flores são lindas e de aroma particularmente inebriante. A parte oriental do lago Van é composta de pomares verdejantes e jardins, onde, ao lado da riqueza e abundância, a variedade de plantas odoríferas é de tal modo abundante que embalsama o ar. O clima da região é um misto de tropical e temperado; o céu é sempre límpido e a brisa, refrescante; nos períodos de calor, torna-se encantadora a região. Se o jardim era, como diz a narrativa bíblica, um encanto para o homem, e nós aceitamos o fato sem qualquer dúvida, e se houver um recanto na face da terra onde se possam encontrar vestígios desse encanto, só temos de aceitar a região da alta Mesopotâmia”.

A seguir, apresentaremos algumas características dos rios edênicos, para discutirmos o desaparecimento dos rios Pison e Giom.

O rio Tigre, também chamado Hidequel, fica na Região Leste do contemporâneo Iraque, possuindo uma extensão de 1.900 quilômetros e largura não superior a duzentos metros. O rio Eufrates, até certa altura, corre paralelo ao Tigre, mas é mais comprido: sua extensão alcança 2.760 quilômetros. Os rios Pison e Giom têm seus leitos desconhecidos. Há estudiosos que defendem que Giom e Psiom poderiam se referir a pequenos rios do complexo do vale do Eufrates — talvez importantes canais ou trincheiras de irrigação.

A questão levantada aqui diz respeito a esses dois rios “perdidos”. Alguns estudiosos procuram aplicar o nome desses dois rios aos distantes Nilo e Indo. Contudo, somente com muito esforço poderíamos aceitar tais hipóteses. Devemos procurar esclarecimentos no próprio livro de Gênesis.

Uma leitura mais precisa do texto nos traz alguns esclarecimentos. Estamos acostumados a nos referir ao dilúvio como “chuva intensa durante quarenta dias e quarenta noites” (Gn 7.12). E isso é verdade! Mas, além disso, lemos nas Escrituras: “No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram, e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites” (Gn 7.11,12).

Notemos que houve uma mudança continental. Romperam todas as fontes do grande abismo, ou melhor, romperam todas as fontes do grande oceano. Um verdadeiro cataclismo sobreveio à terra, com provável ocorrência de terremotos e, consequentemente, maremotos. Toda essa fúria, provavelmente, cooperou para que houvesse o soterramento de alguns rios e a abertura de outros. Evidentemente, o escritor bíblico, inspirado, tinha a compreensão da diferença topográfica de seus dias ao fazer sua declaração. Entretanto, ainda assim foi fiel à revelação do Espírito de Deus.

Podemos concluir que essas mudanças hidrográficas ocorreram da seguinte forma:

1) O rio principal que alimentava as cabeceiras foi provavelmente dividido em duas cabeceiras independentes.

2) Depois, provavelmente, Pison e Giom sofreram interferências naturais: a) foram soterrados; b) tiveram seu curso fluvial reduzido; e c) perderam seu leito original.

Deus, em sua soberania e providência, não permitiu que o homem tivesse absoluta certeza da localização específica do jardim do Éden devido às tendências supersticiosas e idólatras do ser humano. O leitor já imaginou como seria se esse local estivesse claramente delimitado hoje, na região do Iraque? Certamente, as consequências no âmbito espiritual não seriam boas. Sobretudo, resta-nos afirmar, com convicção, que o local existiu e, embora não seja possível às agências de turismo promoverem um passeio pelo jardim do Éden, isso não faz diferença para aqueles que vivem pela fé e não por vista (Hb 11.1).


Por Paulo Cristiano Silva

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